Argh

Tá impossível ler os cadernos de cultura brasileiros. No Rio, então, parece que tem que ser mongolóide pra ser crítico de cinema, artes plásticas ou coisa que o valha. No Brasil acontece uma coisa bem estranha, que é a forma das nossas “críticas”. Não só as críticas e resenhas de arte, etc, mas a forma como qualquer coisa é criticada no Brasil: através do clichê. Os argumentos levantados contra ou a favor de qualquer coisa ou pessoa são totalmente lugar comum e isso se reflete nos elogios e alfinetadas dos nossos “críticos”, articulistas e jornalistas em geral. Os elogios são sempre os mesmos, motivados pelas mesmas “qualidades” (devem ler algum manual universal de boas qualidades nas faculdades de jornalismo). E as alfinetadas são sempre as mesmas, pelos mesmos motivos. Deviam oficializar logo a alfinetada ranheta e rasteira como elemento padrão do texto, como o lead. Já vejo até o verbete no Manual de Redação da Folha:

“Alfinetada: Parte do texto – normalmente no final – onde o autor economiza
dinheiro com sessões de psicanálise e enxerga no objeto de sua crítica
todos os seus medos e neuroses, realizando uma troca – em via de mão única
– com o escritor, músico, cineasta, artista plástico, etc – que se torna
obviamente responsável por todas as décadas de frustrações do autor do
artigo. Exemplos: “o trabalho de fulano é raso”; “o filme lida com questões
importantes”; “sicrano não é mais o mesmo” e por aí vai.

Na verdade, as frases querem dizer o seguinte:
O trabalho de fulano é raso porque eu não entendi nada do que ele escreveu,
pintou ou dirigiu;

O filme lida com questões importantes que estão em baila há anos mas sobre
as quais sempre tive preguiça de ler, então a fita me foi muito útil;

Sicrano não é mais o mesmo desde que deixou de pintar quadros sobre pênis
em estado de dormência e aliviava minha angústia por ser impotente; agora
que ele pinta pênis eretos e mulheres de cinta-liga, ele afronta
diretamente todos os traumas que tento encobrir com litros e litros de café
e viagens a Garopaba.

Tá impossível ler os cadernos de cultura brasileiros. No Rio, então, parece que tem que ser mongolóide pra ser crítico de cinema, artes plásticas ou coisa que o valha. No Brasil acontece uma coisa bem estranha, que é a forma das nossas “críticas”. Não só as críticas e resenhas de arte, etc, mas a forma como qualquer coisa é criticada no Brasil: através do clichê. Os argumentos levantados contra ou a favor de qualquer coisa ou pessoa são totalmente lugar comum e isso se reflete nos elogios e alfinetadas dos nossos “críticos”, articulistas e jornalistas em geral. Os elogios são sempre os mesmos, motivados pelas mesmas “qualidades” (devem ler algum manual universal de boas qualidades nas faculdades de jornalismo). E as alfinetadas são sempre as mesmas, pelos mesmos motivos. Deviam oficializar logo a alfinetada ranheta e rasteira como elemento padrão do texto, como o lead. Já vejo até o verbete no Manual de Redação da Folha:

“Alfinetada: Parte do texto – normalmente no final – onde o autor economiza
dinheiro com sessões de psicanálise e enxerga no objeto de sua crítica
todos os seus medos e neuroses, realizando uma troca – em via de mão única
– com o escritor, músico, cineasta, artista plástico, etc – que se torna
obviamente responsável por todas as décadas de frustrações do autor do
artigo. Exemplos: “o trabalho de fulano é raso”; “o filme lida com questões
importantes”; “sicrano não é mais o mesmo” e por aí vai.

Na verdade, as frases querem dizer o seguinte:
O trabalho de fulano é raso porque eu não entendi nada do que ele escreveu,
pintou ou dirigiu;

O filme lida com questões importantes que estão em baila há anos mas sobre
as quais sempre tive preguiça de ler, então a fita me foi muito útil;

Sicrano não é mais o mesmo desde que deixou de pintar quadros sobre pênis
em estado de dormência e aliviava minha angústia por ser impotente; agora
que ele pinta pênis eretos e mulheres de cinta-liga, ele afronta
diretamente todos os traumas que tento encobrir com litros e litros de café
e viagens a Garopaba.

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