Menos Um

Esqueci de falar aqui sobre minha total surpresa quando, ao entrar na galeria do árabe do Largo do Machado para comer as deliciosas esfirras do lugar, vi que as duas salas dos cinemas Largo do Machado 1 e 2 haviam virado – adivinhem! – “templos” da Igreja Universal do Reino de Deus.
Mas, peraí, não existe uma lei municipal proibindo que salas de cinema ou teatro se transformem nesses freak shows? E é curioso como qualquer “igreja” tem isenção de impostos, enquanto centros culturais e casas noturnas são perseguidos sistematicamente pelo governo estadual e pela prefeitura (“fazem barulho”, etc). Incentivo zero para a cultura e garantias fiscais para esses cassinos disfarçados de igrejas. Cada garagem, quiosque ou buraco vago no Rio de Janeiro está sendo ocupado por “templos” da Igreja Galáctica da Lágrima de José, da Igreja do Livro Triangular dos Juízes, da Igreja da Graça Interdimensional de Noé ou alguma aberração semelhante. Extrair grana descaradamente do povo faminto lançando mão de táticas medievais pode, mas investir em filmes, peças ou o que quer que seja, não? Que critérios são esses? O que estão fazendo com o MEU dinheiro?

Chega a parecer um filme do Monty Python andar pelas ruas do Rio. Você pega um ônibus, entra no supermercado, vai até a padaria e os neo-puritanos hardcore estão em toda parte, classificando QUALQUER COISA como “obra do demônio”. Estou quase ficando com vontade de tatuar um pentagrama invertido na minha testa. Se essa gente quer ser enganada e ficar ainda mais miserável e analfabeta, o problema é deles. Mas não venham tentar me convencer de que templos budistas, o pobre hare krishna que vende incensos na esquina e a até mesmo a revista Witch, da Disney, são coisas do canhoto. Ignorância tem limite.

E é sério: já vi duas meninas chocadíssimas com a revista Witch, afirmando que o pobre quadrinho da Disney era uma “incitação à bruxaria”. De outra feita encontrei duas anomalias na van afirmando que o Iraque merecia ser destruído porque, afinal, “Nínive e Babilônia ficavam ali”. Façam-me o favor! Com os neo-puritanos tomando conta, a cidade está tão medievalizada que você até acha estranho não encontrar edis, armeiros, escudeiros, trovadores, pajens e ferreiros no centro do Rio. Aliás, é até sacanagem comparar com a Idade Média, que ao menos nos deu coisas legais como Chaucer. O Rio está mais para o século XVII, repleto dos efeitos colaterais da Reforma protestante: puritanismo em altíssimo e ofensivo grau; ignorância total quanto à História, geopolítica e demais religiões; ausência de tolerância com o que é diferente e não-puritano; e um claro desejo fetichista envolvendo o canhoto (porque essa fixação com o sujeito não engana ninguém).
Cadê os Íncubos??

Esqueci de falar aqui sobre minha total surpresa quando, ao entrar na galeria do árabe do Largo do Machado para comer as deliciosas esfirras do lugar, vi que as duas salas dos cinemas Largo do Machado 1 e 2 haviam virado – adivinhem! – “templos” da Igreja Universal do Reino de Deus.
Mas, peraí, não existe uma lei municipal proibindo que salas de cinema ou teatro se transformem nesses freak shows? E é curioso como qualquer “igreja” tem isenção de impostos, enquanto centros culturais e casas noturnas são perseguidos sistematicamente pelo governo estadual e pela prefeitura (“fazem barulho”, etc). Incentivo zero para a cultura e garantias fiscais para esses cassinos disfarçados de igrejas. Cada garagem, quiosque ou buraco vago no Rio de Janeiro está sendo ocupado por “templos” da Igreja Galáctica da Lágrima de José, da Igreja do Livro Triangular dos Juízes, da Igreja da Graça Interdimensional de Noé ou alguma aberração semelhante. Extrair grana descaradamente do povo faminto lançando mão de táticas medievais pode, mas investir em filmes, peças ou o que quer que seja, não? Que critérios são esses? O que estão fazendo com o MEU dinheiro?

Chega a parecer um filme do Monty Python andar pelas ruas do Rio. Você pega um ônibus, entra no supermercado, vai até a padaria e os neo-puritanos hardcore estão em toda parte, classificando QUALQUER COISA como “obra do demônio”. Estou quase ficando com vontade de tatuar um pentagrama invertido na minha testa. Se essa gente quer ser enganada e ficar ainda mais miserável e analfabeta, o problema é deles. Mas não venham tentar me convencer de que templos budistas, o pobre hare krishna que vende incensos na esquina e a até mesmo a revista Witch, da Disney, são coisas do canhoto. Ignorância tem limite.

E é sério: já vi duas meninas chocadíssimas com a revista Witch, afirmando que o pobre quadrinho da Disney era uma “incitação à bruxaria”. De outra feita encontrei duas anomalias na van afirmando que o Iraque merecia ser destruído porque, afinal, “Nínive e Babilônia ficavam ali”. Façam-me o favor! Com os neo-puritanos tomando conta, a cidade está tão medievalizada que você até acha estranho não encontrar edis, armeiros, escudeiros, trovadores, pajens e ferreiros no centro do Rio. Aliás, é até sacanagem comparar com a Idade Média, que ao menos nos deu coisas legais como Chaucer. O Rio está mais para o século XVII, repleto dos efeitos colaterais da Reforma protestante: puritanismo em altíssimo e ofensivo grau; ignorância total quanto à História, geopolítica e demais religiões; ausência de tolerância com o que é diferente e não-puritano; e um claro desejo fetichista envolvendo o canhoto (porque essa fixação com o sujeito não engana ninguém).
Cadê os Íncubos??

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