Quadrinhos da Semana (29/09) – Parte 3

DC: THE NEW FRONTIER 6
DC
Texto e Desenhos: Darwyn Cooke

OK, é isso. Não é tão difícil. Pelo contrário, Darwyn Cooke faz parecer fácil criar uma obra-prima. The New Frontier divide com We3, de Morrison e Quitely, o sensacional título de “obra-prima do início do século”. Desde a primeira edição, The New Frontier atinge o leitor como um soco no estômago, rendendo homenagens sinceras e emocionadas aos clássicos da “Era de Prata” da DC. E a história continuou num crescendo até a verdadeira explosão que é esta edição final. A minissérie em seis partes confirma de vez o extremo talento de Cooke como desenhista, em uma fenomenal e brilhante mistura de Jack Kirby, arte vetorial (sem ser vetorial), desenhos animados cinquentistas da UPA e Alex Toth, mas completamente Darwyn Cooke. para o golpe ficar ainda mais baixo, ele mostra que também sabe escrever. Um estilo direto, simples, mas com uma percepção agudíssima dos elementos que fazem um quadrinho funcionar e se destacar dos demais.

As comparações com Watchmen são obviamente exageradas e sem sentido, até porque The New Frontier é quase o oposto de Watchmen. Se a obra de Alan Moore desconstruiu realisticamente os super-heróis numa década em que eles eram relativamente mais irreais (os anos 80), The New Frontier cuida de, delicada e carinhosamente, REconstruir o gênero super-heróis numa década (a atual) em que quase todo mundo que cria as séries da Marvel e da DC parece ter vergonha de estar lidando com super-heróis, gerando assim um rodamoinho de cinismo, chatice e pastiches do “realismo” mais barato e enfadonho dos sitcoms. Para uma época sem brilho e sem ambições, The New Frontier se destaca de forma quase vergonhosa para as outras revistas.

A série mostra o aparecimento dos heróis da DC na Era de Prata (e, genialmente, se passa realmente nos anos 50, o que confere à revista todo um charme especial, que se reflete no estilo único do traço de Cooke). Qual a relação entre a morte dos soldados do grupo The Losers original; a caçada do governo federal a Rex Tyler, o Homem-Hora; os Desafiadores do Desconhecido; a participação de Hal Jordan na Guerra da Coréia; a comunidade de amazonas vietnamitas fundada pela Mulher-Maravilha na Indochina francesa; o pacto secreto entre Superman e Batman para burlar o macarthismo; dinossauros; os programas de TV assistidos por um marciano verde que acaba de chegar à Terra e uma entidade milenar que quer devorar o mundo? Existe uma relação. Ou não. Mas ela está – ou não – na nova fronteira desbravada por Darwyn Cooke. Uma brilhante conclusão para uma série genial e francamente imperdível.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

HELLBLAZER 200
Vertigo
Texto: Mike Carey
Desenhos: Steve Dillon, Marcelo Frusin e Leonardo Manco

Edição comemorativa dos 200 números da revista (recorde total para a Vertigo, claro). Mike Carey, que vem em uma fase bastante legal em Hellblazer, dá um break aqui para mostrar um pesadelo em três atos. Uma espécie de O Que Aconteceria Se John Constantine tivesse se casado e suas espoas e filhos, em três versões diferentes, fossem ainda mais filhos da puta do que ele? Carey consegue bons sustos e, apesar de seu Constantine não ser tão bem caracterizado como as versões de Jamie Delano e Garth Ennis, está léguas acima das fracas fases de Paul Jenkins e Brian Azzarello. Diabos, ao menos Mike Carey é inglês, o que é imprescindível para esta revista e este personagem.

Para um pesadelo, nada melhor do que os fantasmas das revistas passadas, presentes e futuras: Steve Dillon (artista de Hellblazer durante anos) retorna especialmente para esta edição, onde desenha a primeira parte; Marcelo Frusin, atual desenhista da revista, se despede da série com a segunda parte da história; e Leonardo Manco, que assume a arte a partir da edição 201, conclui a história toda. Os três se saem bastante bem e Carey espertamente escreveu cada parte com o estilo de cada um deles em mente. Dillon desenha um fantástico Constantine cinquentão, barrigudo e com pés de galinha, como pede o pesadelo em questão; Frusin imprime o clima mais assustador da revista, com aparições (bizarríssimas) de Abby Cable do Monstro do Pântano; e Leonardo Manco, com seu estranho realismo fotográfico dos infernos, mostra que é uma feliz aquisição para a série.
Uma boa história, em um momento de transição.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

DC: THE NEW FRONTIER 6
DC
Texto e Desenhos: Darwyn Cooke

OK, é isso. Não é tão difícil. Pelo contrário, Darwyn Cooke faz parecer fácil criar uma obra-prima. The New Frontier divide com We3, de Morrison e Quitely, o sensacional título de “obra-prima do início do século”. Desde a primeira edição, The New Frontier atinge o leitor como um soco no estômago, rendendo homenagens sinceras e emocionadas aos clássicos da “Era de Prata” da DC. E a história continuou num crescendo até a verdadeira explosão que é esta edição final. A minissérie em seis partes confirma de vez o extremo talento de Cooke como desenhista, em uma fenomenal e brilhante mistura de Jack Kirby, arte vetorial (sem ser vetorial), desenhos animados cinquentistas da UPA e Alex Toth, mas completamente Darwyn Cooke. para o golpe ficar ainda mais baixo, ele mostra que também sabe escrever. Um estilo direto, simples, mas com uma percepção agudíssima dos elementos que fazem um quadrinho funcionar e se destacar dos demais.

As comparações com Watchmen são obviamente exageradas e sem sentido, até porque The New Frontier é quase o oposto de Watchmen. Se a obra de Alan Moore desconstruiu realisticamente os super-heróis numa década em que eles eram relativamente mais irreais (os anos 80), The New Frontier cuida de, delicada e carinhosamente, REconstruir o gênero super-heróis numa década (a atual) em que quase todo mundo que cria as séries da Marvel e da DC parece ter vergonha de estar lidando com super-heróis, gerando assim um rodamoinho de cinismo, chatice e pastiches do “realismo” mais barato e enfadonho dos sitcoms. Para uma época sem brilho e sem ambições, The New Frontier se destaca de forma quase vergonhosa para as outras revistas.

A série mostra o aparecimento dos heróis da DC na Era de Prata (e, genialmente, se passa realmente nos anos 50, o que confere à revista todo um charme especial, que se reflete no estilo único do traço de Cooke). Qual a relação entre a morte dos soldados do grupo The Losers original; a caçada do governo federal a Rex Tyler, o Homem-Hora; os Desafiadores do Desconhecido; a participação de Hal Jordan na Guerra da Coréia; a comunidade de amazonas vietnamitas fundada pela Mulher-Maravilha na Indochina francesa; o pacto secreto entre Superman e Batman para burlar o macarthismo; dinossauros; os programas de TV assistidos por um marciano verde que acaba de chegar à Terra e uma entidade milenar que quer devorar o mundo? Existe uma relação. Ou não. Mas ela está – ou não – na nova fronteira desbravada por Darwyn Cooke. Uma brilhante conclusão para uma série genial e francamente imperdível.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

HELLBLAZER 200
Vertigo
Texto: Mike Carey
Desenhos: Steve Dillon, Marcelo Frusin e Leonardo Manco

Edição comemorativa dos 200 números da revista (recorde total para a Vertigo, claro). Mike Carey, que vem em uma fase bastante legal em Hellblazer, dá um break aqui para mostrar um pesadelo em três atos. Uma espécie de O Que Aconteceria Se John Constantine tivesse se casado e suas espoas e filhos, em três versões diferentes, fossem ainda mais filhos da puta do que ele? Carey consegue bons sustos e, apesar de seu Constantine não ser tão bem caracterizado como as versões de Jamie Delano e Garth Ennis, está léguas acima das fracas fases de Paul Jenkins e Brian Azzarello. Diabos, ao menos Mike Carey é inglês, o que é imprescindível para esta revista e este personagem.

Para um pesadelo, nada melhor do que os fantasmas das revistas passadas, presentes e futuras: Steve Dillon (artista de Hellblazer durante anos) retorna especialmente para esta edição, onde desenha a primeira parte; Marcelo Frusin, atual desenhista da revista, se despede da série com a segunda parte da história; e Leonardo Manco, que assume a arte a partir da edição 201, conclui a história toda. Os três se saem bastante bem e Carey espertamente escreveu cada parte com o estilo de cada um deles em mente. Dillon desenha um fantástico Constantine cinquentão, barrigudo e com pés de galinha, como pede o pesadelo em questão; Frusin imprime o clima mais assustador da revista, com aparições (bizarríssimas) de Abby Cable do Monstro do Pântano; e Leonardo Manco, com seu estranho realismo fotográfico dos infernos, mostra que é uma feliz aquisição para a série.
Uma boa história, em um momento de transição.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

6 pensamentos em “Quadrinhos da Semana (29/09) – Parte 3”

  1. Uma grata surpresa, né? Eu tb só tinha visto os desenhos dele pra Mulher-Gato e me espantei com o altíssimo nível da série. Desenhos, proposta, texto, tudo muito bom.Posted by Alexandre Mandarino at 0:25 Thursday November 8, 2004

  2. Eu tenho a série completa, baixei lá no Z-Cult… Ainda não li agora fiquei morrendo de vontade…Posted by Rafael “Lupo” at 15:03 Saturday November 9, 2004

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