Quadrinhos da Semana (01/12)

DETECTIVE COMICS 801
DC
Texto: David Lapham
Arte: Ramon Bachs
Lapham estréia em Detective Comics com uma história bastante padrão para o Batman. Basicamente, é o morcego andando por Gotham e resolvendo problemas de seus habitantes. Uma menina de 14 anos que morre de overdose, um playboy mimado que está traficando, um incêndio num cortiço, etc. Bons desenhos de Ramon Bachs, com ecos de Will Eisner, mais do que adequados a um conto urbano como este. A mão de Lapham às vezes é meio pesada nos recordatórios e ele consegue ser ainda mais “vigilantista” do que Frank Miller (que ele claramente está decalcando aqui), mas é um começo interessante. A história de backup, a cargo de Mike Carey e o péssimo desenhista John Lucas, me fez perder o interesse na segunda página. Mas é sobre um circo que se apresenta em uma cidade vizinha à Gotham. A história é centrada nos manés do circo, sem Batman ou outros personagens reconhecíveis.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DOC FRANKENSTEIN 1
Burlyman Entertainment
Texto: Larry e Andy Wachowsky
Arte: Steve Skroce
A revista que inaugura a nova editora de quadrinhos dos criadores de Matrix. Doc Frankenstein é um conto de realidade alternativa, explorando possibilidades pulps e diferentes linhas temporais, nos moldes da Liga Extraordinária de Alan Moore. Eu não sabia o que esperar desta edição, mas me surpreendi: é uma revista empolgante. O personagem-título é o próprio monstro criado por Mary Shelley, que deixa sua solidão no Ártico para buscar refúgio na América. De caçador de recompensas do velho oeste a herói involuntário, Doc Frankenstein é um personagem que já nesta primeira história oferece o mesmo frescor de Tom Strong e outras criações de Moore para a linha ABC. E não é exagero dizer que Steve Skrove faz aqui aquele que é, de longe, o melhor trabalho de sua carreira: a arte está simplesmente fenomenal. Na introdução da revista, os irmãos Wachowsky dizem que criaram um selo de quadrinhos por amarem esta forma de arte e por estarem de saco cheio com a atual tendência dos quadrinhos imitarem o que é mostrado na TV e no cinema. Como eles apontam (com toda razão), figuras como Jack Kirby eram geniais justamente por desenharem o impossível. Quadrinhos não dependem de verbas, não estão sujeitos a produtores intrometidos. Quadrinhos têm liberdade e possibilidade de mostrar o impossível. Me pareceu pretensão quando li, antes de ler a história, mas eles conseguiram: Doc Frankenstein esbanja sense of wonder e retrata o inexistente.
Excelente (9 / 10)

FALLEN ANGEL 18
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez
Esta edição seria a última da série, por isso Peter David nos oferece o que teria sido um final para parte da trama. Mas felizmente a DC resolveu dar mais um ano de chance para este excelente título e com isso a edição 19 estará nas lojas em fevereiro. E, putz, que final teria sido. Shadow Boxer finalmente conhece o seu terrível e patético destino, enquanto o Magistrado descobre a verdade sobre o filho de Lee. Quer dizer, não tão verdade assim, talvez… mas dizer mais seria estragar a graça de quem ler. David Lopez mais uma vez realiza um fantástico trabalho nos desenhos e esta edição confirma que Fallen Angel talvez seja a melhor coisa que Peter David já escreveu.
Muito Bom (8,5 / 10)

THE INTIMATES 2
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli
Intimates é bem divertido e Casy parece estar dando boas risadas escrevendo isso. Não é histriônico, mas é leve como um bom sitcom (se é que isso existe). Aliás, a idéia de Casey é justamente tornar esta revista o mais “reader-friendly” possível, apesar dela estar encharcada de conceitos tipicamente super-heroísticos. Imagine uma Legião dos Super-Heróis repleta de meta-comentários a la Bloomsbury ou Slashdot e você não estará muito longe do que é esta série. Esta segunda edição funcionou bem mais do que a de estréia, mas isso pode se dever em parte ao estranhamento causado pelo estilo adotado por Casey. Estranhamentos podem ser um grande sinal de qualidade inerente – e acho que é bem possível que seja este o caso de Intimates. Vamos esperar para ver como isso se desdobra, esteticamente falando. mas a experiência de Casey é válida e, num mercado covarde como o dos quadrinhos atuais, é saudável que alguém com o status de Casey esteja disposto a colocar o dele na reta em prol de possíveis inovações narrativas. Camuncoli está correto nos desenhos, mas o letrista precisa ser trocado urgentemente (é o Richard Starkings, que é um dos melhores; mas ele está muito mal aqui, com péssimas escolhas de cores que deixam algumas coisas completamente ilegíveis).
Bom (7,5 / 10)

THE NEW AVENGERS 1
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch
Alguém paga o Electro para provocar uma fuga em massa de supervilões da ilha Ryker, justamente quando a prisão está sendo visitada por Matt Murdock, seu guarda-costas Luke Cage e Jessica Drew. No meio da confusão, o Homem-Aranha e o Capitão América também resolvem investigar o que está acontecendo. Não acontece muita coisa, no estilo lerdeza do Bendis. Mas de qualquer forma é muito superior à total excrescência que foi Avengers Disassembled, com certeza porque aqui Bendis está lidando com os únicos personagens que sabe escrever: Demolidor, Aranha, Luke Cage e Jessica Drew. Uma história correta, apesar de alguns furos (Bendis lista entre os prováveis fugitivos da prisão vilões como o Homem-Púrpura e o retalho, que mal têm poderes e não dariam trabalho nenhum a qualquer grupo de heróis decentes). E, felizmente, apesar de ser apenas uma edição de setup, a premissa até que é interessante. O que estraga tudo é o fato de Bendis ter aniquilado os Vingadores para poder escrever este grupo com esta formação. Por que simplesmente não deixaram os Vingadores nas mãos de alguém melhor, batizaram esta revista de The Champions ou algo assim e pronto? O hype anterior só estragou tudo. Ah, e David Finch não esquece a Image.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE QUESTION 2 (de 6)
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards
Rick Veitch obtém bons resultados nas cenas em que Vic Sage, o Questão, tenta interpretar os sinais randômicos “enviados” pela cidade de Metrópolis, como um xamã urbano. A quadrilha de criminosos conhecida como Ghost Train também é uma boa sacação de Veitch, já que é um dos poucos modus operandi que fariam sentido numa cidade habitada pelo Superman (que, aliás, aparece rapidamente neste número). Junte a isso planos de Lex Luthor envolvendo Feng Shui e você tem uma história diferenciada ambientada no universo do Superman, com uma arte simplesmente genial de Tommy Lee Edwards, cheia de grafismos e toques abstratos.
Bom (7,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 3
Marvel
Texto: Robert Rodi
Arte: Jamie Tolagson
A primeira edição desta série foi passável, a segunda foi divertida graças às cenas de ação, mas desta vez tudo fica mais fraco. Os personagens são claramente unidimensionais, até mesmo para os padrões dos quadrinhos de super-heróis. O chefe “inseguro”, a samurai que se sacrifica, o mago caladão, etc. Você já viu esse filme antes milhares de vezes. Robert Rodi parece ter utilizado o tempo necessário para desenvolver os personagens com pesquisas sobre folclores vampirescos: aparecem aqui os vampiros do Himalaia, os vampiros japoneses, etc. Mas essas sequências soam didáticas e “Google” demais, enquanto as demais cenas (incluindo as de ação) são rasas. Os desenhos de Jamie Tolagson são confusos e feios. Mais um título cortado da lista de resenhas.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 29
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
A trama se complica: Yorick na verdade está com botulismo, não com a praga que exterminou todos os homens do planeta. Parece que finalmente, na edição seguinte, vamos descobrir porque Yorick sobreviveu à praga. Enquanto isso, sua irmã Hero encontra a agente 355 e três malucas em um estádio. Um encontro com consequências fatais. Ação, intriga, mistério, ótimos personagens e diálogos simplesmente sensacionais e plausíveis, nesta que só não é a melhor série da vertigo porque existe Human Target na frente dela.
Muito Bom (8,5 / 10)

“You’re the “bleeding man” around here?? Fine!! Then bleed!!!!”
(Shadow Boxer, em sua infância, em Fallen Angel 18)

DETECTIVE COMICS 801
DC
Texto: David Lapham
Arte: Ramon Bachs
Lapham estréia em Detective Comics com uma história bastante padrão para o Batman. Basicamente, é o morcego andando por Gotham e resolvendo problemas de seus habitantes. Uma menina de 14 anos que morre de overdose, um playboy mimado que está traficando, um incêndio num cortiço, etc. Bons desenhos de Ramon Bachs, com ecos de Will Eisner, mais do que adequados a um conto urbano como este. A mão de Lapham às vezes é meio pesada nos recordatórios e ele consegue ser ainda mais “vigilantista” do que Frank Miller (que ele claramente está decalcando aqui), mas é um começo interessante. A história de backup, a cargo de Mike Carey e o péssimo desenhista John Lucas, me fez perder o interesse na segunda página. Mas é sobre um circo que se apresenta em uma cidade vizinha à Gotham. A história é centrada nos manés do circo, sem Batman ou outros personagens reconhecíveis.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DOC FRANKENSTEIN 1
Burlyman Entertainment
Texto: Larry e Andy Wachowsky
Arte: Steve Skroce
A revista que inaugura a nova editora de quadrinhos dos criadores de Matrix. Doc Frankenstein é um conto de realidade alternativa, explorando possibilidades pulps e diferentes linhas temporais, nos moldes da Liga Extraordinária de Alan Moore. Eu não sabia o que esperar desta edição, mas me surpreendi: é uma revista empolgante. O personagem-título é o próprio monstro criado por Mary Shelley, que deixa sua solidão no Ártico para buscar refúgio na América. De caçador de recompensas do velho oeste a herói involuntário, Doc Frankenstein é um personagem que já nesta primeira história oferece o mesmo frescor de Tom Strong e outras criações de Moore para a linha ABC. E não é exagero dizer que Steve Skrove faz aqui aquele que é, de longe, o melhor trabalho de sua carreira: a arte está simplesmente fenomenal. Na introdução da revista, os irmãos Wachowsky dizem que criaram um selo de quadrinhos por amarem esta forma de arte e por estarem de saco cheio com a atual tendência dos quadrinhos imitarem o que é mostrado na TV e no cinema. Como eles apontam (com toda razão), figuras como Jack Kirby eram geniais justamente por desenharem o impossível. Quadrinhos não dependem de verbas, não estão sujeitos a produtores intrometidos. Quadrinhos têm liberdade e possibilidade de mostrar o impossível. Me pareceu pretensão quando li, antes de ler a história, mas eles conseguiram: Doc Frankenstein esbanja sense of wonder e retrata o inexistente.
Excelente (9 / 10)

FALLEN ANGEL 18
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez
Esta edição seria a última da série, por isso Peter David nos oferece o que teria sido um final para parte da trama. Mas felizmente a DC resolveu dar mais um ano de chance para este excelente título e com isso a edição 19 estará nas lojas em fevereiro. E, putz, que final teria sido. Shadow Boxer finalmente conhece o seu terrível e patético destino, enquanto o Magistrado descobre a verdade sobre o filho de Lee. Quer dizer, não tão verdade assim, talvez… mas dizer mais seria estragar a graça de quem ler. David Lopez mais uma vez realiza um fantástico trabalho nos desenhos e esta edição confirma que Fallen Angel talvez seja a melhor coisa que Peter David já escreveu.
Muito Bom (8,5 / 10)

THE INTIMATES 2
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli
Intimates é bem divertido e Casy parece estar dando boas risadas escrevendo isso. Não é histriônico, mas é leve como um bom sitcom (se é que isso existe). Aliás, a idéia de Casey é justamente tornar esta revista o mais “reader-friendly” possível, apesar dela estar encharcada de conceitos tipicamente super-heroísticos. Imagine uma Legião dos Super-Heróis repleta de meta-comentários a la Bloomsbury ou Slashdot e você não estará muito longe do que é esta série. Esta segunda edição funcionou bem mais do que a de estréia, mas isso pode se dever em parte ao estranhamento causado pelo estilo adotado por Casey. Estranhamentos podem ser um grande sinal de qualidade inerente – e acho que é bem possível que seja este o caso de Intimates. Vamos esperar para ver como isso se desdobra, esteticamente falando. mas a experiência de Casey é válida e, num mercado covarde como o dos quadrinhos atuais, é saudável que alguém com o status de Casey esteja disposto a colocar o dele na reta em prol de possíveis inovações narrativas. Camuncoli está correto nos desenhos, mas o letrista precisa ser trocado urgentemente (é o Richard Starkings, que é um dos melhores; mas ele está muito mal aqui, com péssimas escolhas de cores que deixam algumas coisas completamente ilegíveis).
Bom (7,5 / 10)

THE NEW AVENGERS 1
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch
Alguém paga o Electro para provocar uma fuga em massa de supervilões da ilha Ryker, justamente quando a prisão está sendo visitada por Matt Murdock, seu guarda-costas Luke Cage e Jessica Drew. No meio da confusão, o Homem-Aranha e o Capitão América também resolvem investigar o que está acontecendo. Não acontece muita coisa, no estilo lerdeza do Bendis. Mas de qualquer forma é muito superior à total excrescência que foi Avengers Disassembled, com certeza porque aqui Bendis está lidando com os únicos personagens que sabe escrever: Demolidor, Aranha, Luke Cage e Jessica Drew. Uma história correta, apesar de alguns furos (Bendis lista entre os prováveis fugitivos da prisão vilões como o Homem-Púrpura e o retalho, que mal têm poderes e não dariam trabalho nenhum a qualquer grupo de heróis decentes). E, felizmente, apesar de ser apenas uma edição de setup, a premissa até que é interessante. O que estraga tudo é o fato de Bendis ter aniquilado os Vingadores para poder escrever este grupo com esta formação. Por que simplesmente não deixaram os Vingadores nas mãos de alguém melhor, batizaram esta revista de The Champions ou algo assim e pronto? O hype anterior só estragou tudo. Ah, e David Finch não esquece a Image.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE QUESTION 2 (de 6)
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards
Rick Veitch obtém bons resultados nas cenas em que Vic Sage, o Questão, tenta interpretar os sinais randômicos “enviados” pela cidade de Metrópolis, como um xamã urbano. A quadrilha de criminosos conhecida como Ghost Train também é uma boa sacação de Veitch, já que é um dos poucos modus operandi que fariam sentido numa cidade habitada pelo Superman (que, aliás, aparece rapidamente neste número). Junte a isso planos de Lex Luthor envolvendo Feng Shui e você tem uma história diferenciada ambientada no universo do Superman, com uma arte simplesmente genial de Tommy Lee Edwards, cheia de grafismos e toques abstratos.
Bom (7,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 3
Marvel
Texto: Robert Rodi
Arte: Jamie Tolagson
A primeira edição desta série foi passável, a segunda foi divertida graças às cenas de ação, mas desta vez tudo fica mais fraco. Os personagens são claramente unidimensionais, até mesmo para os padrões dos quadrinhos de super-heróis. O chefe “inseguro”, a samurai que se sacrifica, o mago caladão, etc. Você já viu esse filme antes milhares de vezes. Robert Rodi parece ter utilizado o tempo necessário para desenvolver os personagens com pesquisas sobre folclores vampirescos: aparecem aqui os vampiros do Himalaia, os vampiros japoneses, etc. Mas essas sequências soam didáticas e “Google” demais, enquanto as demais cenas (incluindo as de ação) são rasas. Os desenhos de Jamie Tolagson são confusos e feios. Mais um título cortado da lista de resenhas.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 29
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
A trama se complica: Yorick na verdade está com botulismo, não com a praga que exterminou todos os homens do planeta. Parece que finalmente, na edição seguinte, vamos descobrir porque Yorick sobreviveu à praga. Enquanto isso, sua irmã Hero encontra a agente 355 e três malucas em um estádio. Um encontro com consequências fatais. Ação, intriga, mistério, ótimos personagens e diálogos simplesmente sensacionais e plausíveis, nesta que só não é a melhor série da vertigo porque existe Human Target na frente dela.
Muito Bom (8,5 / 10)

“You’re the “bleeding man” around here?? Fine!! Then bleed!!!!”
(Shadow Boxer, em sua infância, em Fallen Angel 18)

1 pensamento em “Quadrinhos da Semana (01/12)”

  1. Tô com Intimates #1 e #2 aqui mas não tive coragem de ler justamente por causa das letras podres.

    E só baixei pelo Casey. Li uma semana dessas o WildCats 3.0 do #1 ao #24. Muito legal. Pena terem cancelado. Queria ver ele desenvolver umas coisas…

    E preciso pegar essa do Questão.Posted by Pablo Casado(www) at 11:44 Friday 24, 2004

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