Arena

Aliás, muita gente – Warren Ellis, por exemplo e, se não me engano, Bruce Sterling – tem dito que o início do século XXI marca o fim da cultura como a conhecemos. Discordo radicalmente. Estamos cercado por coisas francamente boas. Uma lista rápida.

Cinema: os últimos filmes de David Lynch, Clint Eastwood, Tarantino, Sam Mendes, David Fincher, etc.

Quadrinhos: a volta de figuras como Bruce Jones e Ann Nocenti, os suspeitos de sempre (Morrison, Moore, Gaiman, Peter Milligan e Garth Ennis), a morte de Maggie na recente edição de Love & Rockets (talvez a melhor coisa já escrita e desenhada por Jaime Hernandez), etc

Música: a sensacional supremacia pop que atende pelo nome de Ladytron, Kinky, Sigur Rós, Felix da Housecat, The Herbaliser, The Rapture, etc. E ainda temos os veteranos: Björk, Iggy Pop, Mission of Burma, Beastie Boys, que continuam fazendo coisas ótimas.

Artes plásticas e fotografia: A cada meia-hora que perambulo a esmo pela Internet encontro pelo menos dois ou três sites com trabalhos de pessoas totalmente geniais, tanto em termos de estética quanto de técnica. Nem vou citar nomes, porque são inúmeras.

E ainda temos novas formas de arte, como os games. Apesar do que alguns ignorantes totalmente alheios à história da arte teimam em dizer (pior, com orgulho), games são uma poderosíssima forma de arte. Recentemente tivemos Broken Sword 3, GTA: Vice City, Red Dead Revolver, os jogos “políticos” divulgados por sites como o GameCritics.com, etc.

Literatura: Sem motivo para reclamar aqui também. Paul Auster, William Gibson, Neal Stephenson, Richard Kadrey, Alan Moore, Cory Doctorow, Dom DeLillo, todo esse pessoal continua produzindo coisas sensacionais.

Enfim, não vejo motivo para reclamarem. O que está ruindo – e isso é uma coisa boa – é o império da mídia reprodutiva, graças ao mundo digital. E não estou falando da pirataria, que é responsável por uma parte bem pequena dessa derrubada. Mas da mudança de frameset, de paradigma, provocada pela convivência com o mundo digital. Não é só quem baixa músicas do Soulseek que parou de comprar CDs (pelo contrário, acho que esses NÃO pararam), mas todo mundo que acessa a Internet. O formato analógico é totalmente obsoleto. E não falo isso para soar “moderno” (porque o digital deixou de ser moderno há uns dez anos), mas porque é o que está acontecendo. Arquivos digitais podem não ser tão bonitos quanto um CD, mas são mais práticos – e no fim das contas, têm a grande vantagem de chamar a atenção novamente para a música, não para o encarte feito por sei-lá-qual designer. DVDs e DiVXs são mais práticos que o VHS. E-books serão mais práticos que os livros e os quadrinhos impressos, assim que um leitor portátil decente de arquivos de texto se popularizar e baratear. Enfim, o mundo analógico ficou cansativo e não culpo as pessoas por buscarem a arte em outros formatos e veículos mais adequados.

Mas a boa arte continua sendo feita – e aos montes. Cadê a tal “morte”? Há aí um erro de visão. Estão vendo a morte no lado errado da história. O que está morrendo não é a arte, mas parte do público. Nunca, desde o século XVIII, tivemos uma audiência tão completamente imbecil e ignorante dos termos e funções básicas da arte. Nunca tantos filisteus ocuparam tanto espaço em tão pouco tempo. A arte não morreu. Se Britney Spears, Avril Lavigne, livros como Angus e outras coisas péssimas parecem onipresentes, é porque VOCÊ está consumindo isso. Os bons artistas continuam aí, como sempre estiveram e sempre vão estar.

A crescente fanfarra de bestas e lontras é que não está vendo. Não se tem produzido menos arte de qualidade. Se tem produzido menos pessoas de qualidade.

Aliás, muita gente – Warren Ellis, por exemplo e, se não me engano, Bruce Sterling – tem dito que o início do século XXI marca o fim da cultura como a conhecemos. Discordo radicalmente. Estamos cercado por coisas francamente boas. Uma lista rápida.

Cinema: os últimos filmes de David Lynch, Clint Eastwood, Tarantino, Sam Mendes, David Fincher, etc.

Quadrinhos: a volta de figuras como Bruce Jones e Ann Nocenti, os suspeitos de sempre (Morrison, Moore, Gaiman, Peter Milligan e Garth Ennis), a morte de Maggie na recente edição de Love & Rockets (talvez a melhor coisa já escrita e desenhada por Jaime Hernandez), etc

Música: a sensacional supremacia pop que atende pelo nome de Ladytron, Kinky, Sigur Rós, Felix da Housecat, The Herbaliser, The Rapture, etc. E ainda temos os veteranos: Björk, Iggy Pop, Mission of Burma, Beastie Boys, que continuam fazendo coisas ótimas.

Artes plásticas e fotografia: A cada meia-hora que perambulo a esmo pela Internet encontro pelo menos dois ou três sites com trabalhos de pessoas totalmente geniais, tanto em termos de estética quanto de técnica. Nem vou citar nomes, porque são inúmeras.

E ainda temos novas formas de arte, como os games. Apesar do que alguns ignorantes totalmente alheios à história da arte teimam em dizer (pior, com orgulho), games são uma poderosíssima forma de arte. Recentemente tivemos Broken Sword 3, GTA: Vice City, Red Dead Revolver, os jogos “políticos” divulgados por sites como o GameCritics.com, etc.

Literatura: Sem motivo para reclamar aqui também. Paul Auster, William Gibson, Neal Stephenson, Richard Kadrey, Alan Moore, Cory Doctorow, Dom DeLillo, todo esse pessoal continua produzindo coisas sensacionais.

Enfim, não vejo motivo para reclamarem. O que está ruindo – e isso é uma coisa boa – é o império da mídia reprodutiva, graças ao mundo digital. E não estou falando da pirataria, que é responsável por uma parte bem pequena dessa derrubada. Mas da mudança de frameset, de paradigma, provocada pela convivência com o mundo digital. Não é só quem baixa músicas do Soulseek que parou de comprar CDs (pelo contrário, acho que esses NÃO pararam), mas todo mundo que acessa a Internet. O formato analógico é totalmente obsoleto. E não falo isso para soar “moderno” (porque o digital deixou de ser moderno há uns dez anos), mas porque é o que está acontecendo. Arquivos digitais podem não ser tão bonitos quanto um CD, mas são mais práticos – e no fim das contas, têm a grande vantagem de chamar a atenção novamente para a música, não para o encarte feito por sei-lá-qual designer. DVDs e DiVXs são mais práticos que o VHS. E-books serão mais práticos que os livros e os quadrinhos impressos, assim que um leitor portátil decente de arquivos de texto se popularizar e baratear. Enfim, o mundo analógico ficou cansativo e não culpo as pessoas por buscarem a arte em outros formatos e veículos mais adequados.

Mas a boa arte continua sendo feita – e aos montes. Cadê a tal “morte”? Há aí um erro de visão. Estão vendo a morte no lado errado da história. O que está morrendo não é a arte, mas parte do público. Nunca, desde o século XVIII, tivemos uma audiência tão completamente imbecil e ignorante dos termos e funções básicas da arte. Nunca tantos filisteus ocuparam tanto espaço em tão pouco tempo. A arte não morreu. Se Britney Spears, Avril Lavigne, livros como Angus e outras coisas péssimas parecem onipresentes, é porque VOCÊ está consumindo isso. Os bons artistas continuam aí, como sempre estiveram e sempre vão estar.

A crescente fanfarra de bestas e lontras é que não está vendo. Não se tem produzido menos arte de qualidade. Se tem produzido menos pessoas de qualidade.

3 pensamentos em “Arena”

  1. Uia! Eu não li o livro do Angus, mas li uma parte da HQ que deu “origem à série” e achei que poderia ser algo promissor.

    Mas cê tem razão. E cá pra nós, essa turma aí não é a primeira a tentar colocar o pobre pezinho da arte na cova.Posted by Massula at 21:13 Tuesday August 13, 2004

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