Quadrinhos da Semana (22/09) – Parte 3

TOM STRONG 28
America’s Best Comics

É incrível como as séries da ABC têm conseguido manter um bom nível mesmo quando Alan Moore está afastado dos roteiros. Esta edição de Tom Strong é um bom exemplo. Brian K. Vaughan e Peter Snejbjerg contam aqui uma pequena pérola: um conto fechado explorando um pouco o personagem Pneuman, o robô pneumático movido a lenha criado pelo pai de Tom Strong. Na adequadamente intitulada “I, Pneuman”, vemos que o robô fez uma promessa para a mãe de Strong, em seu momento de morte. Uma promessa que ele está disposto a cumprir, mesmo que para isso tenha que tomar medidas drásticas. Falar mais do que isso seria tirar a graça da história, mas basta dizer que não pára por aí. Existe ainda uma batalha genial entre o clã Strong e uma vilã capaz de fazer quadros ganharem vida. Peter Snejbjerg foi muito feliz nestas páginas em especial, que teriam sido um grande problema nas mãos de desenhistas mais bundões. As páginas de Tom Strong e cia. enfrentando versões tridimensionais de figuras como o sujeito do quadro O Grito, de Munch, cavaleiros de iluminuras medievais e o auto-retrato de Van Gogh são obras-primas instantâneas. E basta dizer que a derrota da vilã envolve um retrato de Tom Strong, pintado nos anos 60 por Andy Warhol.

Sense of wonder genial, fantástica e impecável caracterização, vários layers de interpretação, diálogos sensacionais e nenhuma necessidade de confundir cinismo e babaquices com “maturidade”, como fazem tantos escritores de menor calibre. Tom Strong 28 é um deleite e nos deixa tristes por nos fazer lembrar o quanto os quadrinhos estão perdendo em sua “ambição” de virar um sitcom inanimado. Felizmente ainda existem roteiristas como Vaughan, que graças a esta história e à edição deste mÊs de Ex Machina sobe absurdamente no conceito deste blog.
Excelente! (10 / 10)

EX MACHINA 4
Wildstorm

Ex Machina é daquelas séries onde o conceito é tão legal que poderia nublar o próprio desenvolvimento do plot. Felizmente isto não acontece, graças ao cada vez melhor Brian K. Vaughan. Pense em Ex Machina como uma mistura de Batman, Homem de Ferro e de seriados de TV dos anos 70, como Super-Máquina. O herói-título é nada menos que o prefeito de uma Nova York fictícia (mas com fortes referências à nossa realidade), que, extremamente preocupado com sua cidade, passa a usar uma roupa hi-tech dotada de um jato portátil para enfrentar o crime, sequestros, incêndios, ameaças de bomba, etc. Seria meio fascistóide se o prefeito em questão não fosse o contrário dos políticos tradicionais: totalmente avesso a burocratas, cavalheiro, inteligente e com uma equipe divertida. Além do mais, ele não está interessado em fazer a lei pelas próprias mãos, mas em salvar vítimas de acidentes e catástrofes. E é divertido ver um prefeito ter de manter uma identidade secreta.

O ritmo e o estilo da série são muito divertidos. Leves o bastante para que a gente não perca o sense of wonder em relação a um cara com um jato nas costas, mas não a ponto de pôr tudo a perder com cenas inconsistentes. Ex Machina soa como um bom seriado de TV, daqueles que passavam no sábado à tarde, só que com o toque moderno necessário para que fique interessante. É como um quadrinho à moda antiga, só que feito da forma como eles seriam se fossem recentes, sem nostalgias ou bobagens retrô. E a ambientação é tão original que realmente não dá para ter a menor idéia de para onde a série irá em seguida – e isso se tornou uma raridade.

O detalhe curioso aqui é que Tony Harris está infinitamente superior à pobreza de desenhos que mostrou neste mesmo mês, em Iron Man. O que talvez mostre que ele não seja o cara ideal para desenhar dois títulos mensias ao mesmo tempo. Bom, ao menos não foi em Ex Machina que houve a perda de qualidade. Uma série bem simpática e esta edição fecha com um inesperado cliffhanger, mostrando que pode haver algo de podre no reino de Nova York – e que muitas vezes o perigo é criado pelos seus amigos mais próximos.
Muito Legal (8,5 – 10)

TOM STRONG 28
America’s Best Comics

É incrível como as séries da ABC têm conseguido manter um bom nível mesmo quando Alan Moore está afastado dos roteiros. Esta edição de Tom Strong é um bom exemplo. Brian K. Vaughan e Peter Snejbjerg contam aqui uma pequena pérola: um conto fechado explorando um pouco o personagem Pneuman, o robô pneumático movido a lenha criado pelo pai de Tom Strong. Na adequadamente intitulada “I, Pneuman”, vemos que o robô fez uma promessa para a mãe de Strong, em seu momento de morte. Uma promessa que ele está disposto a cumprir, mesmo que para isso tenha que tomar medidas drásticas. Falar mais do que isso seria tirar a graça da história, mas basta dizer que não pára por aí. Existe ainda uma batalha genial entre o clã Strong e uma vilã capaz de fazer quadros ganharem vida. Peter Snejbjerg foi muito feliz nestas páginas em especial, que teriam sido um grande problema nas mãos de desenhistas mais bundões. As páginas de Tom Strong e cia. enfrentando versões tridimensionais de figuras como o sujeito do quadro O Grito, de Munch, cavaleiros de iluminuras medievais e o auto-retrato de Van Gogh são obras-primas instantâneas. E basta dizer que a derrota da vilã envolve um retrato de Tom Strong, pintado nos anos 60 por Andy Warhol.

Sense of wonder genial, fantástica e impecável caracterização, vários layers de interpretação, diálogos sensacionais e nenhuma necessidade de confundir cinismo e babaquices com “maturidade”, como fazem tantos escritores de menor calibre. Tom Strong 28 é um deleite e nos deixa tristes por nos fazer lembrar o quanto os quadrinhos estão perdendo em sua “ambição” de virar um sitcom inanimado. Felizmente ainda existem roteiristas como Vaughan, que graças a esta história e à edição deste mÊs de Ex Machina sobe absurdamente no conceito deste blog.
Excelente! (10 / 10)

EX MACHINA 4
Wildstorm

Ex Machina é daquelas séries onde o conceito é tão legal que poderia nublar o próprio desenvolvimento do plot. Felizmente isto não acontece, graças ao cada vez melhor Brian K. Vaughan. Pense em Ex Machina como uma mistura de Batman, Homem de Ferro e de seriados de TV dos anos 70, como Super-Máquina. O herói-título é nada menos que o prefeito de uma Nova York fictícia (mas com fortes referências à nossa realidade), que, extremamente preocupado com sua cidade, passa a usar uma roupa hi-tech dotada de um jato portátil para enfrentar o crime, sequestros, incêndios, ameaças de bomba, etc. Seria meio fascistóide se o prefeito em questão não fosse o contrário dos políticos tradicionais: totalmente avesso a burocratas, cavalheiro, inteligente e com uma equipe divertida. Além do mais, ele não está interessado em fazer a lei pelas próprias mãos, mas em salvar vítimas de acidentes e catástrofes. E é divertido ver um prefeito ter de manter uma identidade secreta.

O ritmo e o estilo da série são muito divertidos. Leves o bastante para que a gente não perca o sense of wonder em relação a um cara com um jato nas costas, mas não a ponto de pôr tudo a perder com cenas inconsistentes. Ex Machina soa como um bom seriado de TV, daqueles que passavam no sábado à tarde, só que com o toque moderno necessário para que fique interessante. É como um quadrinho à moda antiga, só que feito da forma como eles seriam se fossem recentes, sem nostalgias ou bobagens retrô. E a ambientação é tão original que realmente não dá para ter a menor idéia de para onde a série irá em seguida – e isso se tornou uma raridade.

O detalhe curioso aqui é que Tony Harris está infinitamente superior à pobreza de desenhos que mostrou neste mesmo mês, em Iron Man. O que talvez mostre que ele não seja o cara ideal para desenhar dois títulos mensias ao mesmo tempo. Bom, ao menos não foi em Ex Machina que houve a perda de qualidade. Uma série bem simpática e esta edição fecha com um inesperado cliffhanger, mostrando que pode haver algo de podre no reino de Nova York – e que muitas vezes o perigo é criado pelos seus amigos mais próximos.
Muito Legal (8,5 – 10)

1 pensamento em “Quadrinhos da Semana (22/09) – Parte 3”

  1. É isso mesmo que você descreveu que eu sentia quando lia Tom Strong (colecionei até a edição 18): um sense of wonder que, infelizmente, está cada vez mais difícil de encontrar em HQs.Posted by Marcelo Augusto Galvão(www) at 20:26 Monday October 27, 2004

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