Invisibilidades 3

Invisibilidades3

O sub-gênero literário conhecido como new weird tem tanto em comum com o cyberpunk quanto com os “ismos” do início do século passado. Assim como a quadrilha de William Gibson e Bruce Sterling aproximou a ficção científica de alguns aspectos mais literários, o new weird erigiu uma mistura de gêneros “pulp” e os imbuiu de características tradicionais da chamada “alta literatura”, com influências de Borges, Kafka, Jarry e vários dos expoentes literários e formais do modernismo inicial (dadas e futuristas reprocessados para o mundo pós-futuro. Tem fungos e máquinas de arcade no Cabaret Voltaire).

Esse papo furado é pra dizer que vou participar do Invisibilidades 3, evento que acontece esse fim de semana no Itaú Cultural, em São Paulo. Estarei na mesa redonda “New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário”, que acontece na noite de domingo. O evento como um todo debate a produção de ficção científica na literatura e nas artes brasileiras e chega à sua terceira edição com curadoria de Fábio Fernandes e participação de figuras como Jacques Barcia, Octavio Aragão, Nelson de Oliveira, Rafael Grampá, Walmor Corrêa e vários outros. Vou aproveitar o evento para divulgar novidades bem legais em relação a novos projetos literários e editoriais meus. Fiquem de olho; em seguida eles serão divulgados aqui no Hypervoid.

Confira a programação completa:

Sábado – 21 de agosto

15h30 – Mesa 1 – Fora do Eixo – a Produção de Ficção e Crítica Literária no Brasil que Você não Conhece
com Alice Feldens, Arnaldo Mont’Alvão e Quelciane Marucci
Mediação: Edgar Nolasco
Os participantes irão discutir a produção de obras de ficção científica fora do eixo Rio-São Paulo, com ênfase para o projeto e-ficciones. Criado pelos professores Edgar Nolasco e Armando Mont’Alvão, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o e-ficciones visa fomentar a produção literária e crítica de ficção científica.
 
17h30 – Mesa 2 – Quadrinhos Brasileiros: a Experiência no Exterior
com Daniel Pellizzari e Rafael Grampá
Mediação: Octavio Aragão
Dois jovens e respeitados artistas brasileiros compartilham suas experiências na área dos quadrinhos. O objetivo é debater as possibilidades de criação de HQs dentro do gênero da ficção científica, no Brasil e no exterior.

Encerramento do dia:
19h30 Palestra e apresentação com Walmor Corrêa

Domingo – 22 de agosto

17h – Mesa 1 – Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim
com Adriana Amaral e Cristiane Busato Smith
Mediação: Fábio Fernandes
Uma mesa para discutir Estudos Culturais no universo da ficção científica,lançando ao gênero um olhar mais acadêmico, convidando pesquisadores e jornalistas para um panorama abrangente dos desdobramentos dessa cultura, do fenômeno relativamente recente da subcultura da fanfiction até a obra do escritor britânico underground J. G. Ballard.

18h30 – Mesa 2 – New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário
com Alexandre Mandarino, Nelson de Oliveira e Richard Diegues
Mediação: Jacques Barcia
Os componentes da mesa opinarão sobre o presente e o futuro deste subgênero da literatura fantástica. Surgido na década de 1990, somente nos últimos dois anos o New Weird Fiction começou a ganhar atenção no Brasil, através de ações táticas de jovens autores, pequenos editores e também escritores premiados, como Nelson de Oliveira.

Encerramento do dia:
20h – Performance com os VJs Wandeclayt M. e Lady A – exibição de remixes de clássicos da ficção científica ao som de música eletrônica.

 

Sobre os participantes:

Adriana Amaral é professora e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio do Sinos (UNISINOS), Rio Grande do Sul. Doutora em Comunicação Social pela PUC-RS. Bolsista do CNPq, é autora de Visões Perigosas: uma arque-genealogia do cyberpunk, entre outros, e mantém o blog: www.adriamaral.com

Alexandre Mandarino é autor de contos de fantasia e FC. Jornalista por 15 anos, atuou nas áreas de cultura e tecnologia do Jornal do Brasil, jornal O Dia, revistas Conecta e Manchete, entre outros veículos, como seu site Hypervoid. Traduziu o quadrinho The Invisibles, de Grant Morrison. Mantém, desde 1998, o projeto de música eletrônica Chip Totec.

Alice Feldens é jornalista. Mestre em estudos de linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – onde estudou a ficção científica na literatura brasileira -, participa do Núcleo de Estudos Culturais Comparados (NECC) da UFMS.

Arnaldo Mont’Alvão é mestre em estudos de linguagens pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). É membro do NECC-UFMS, onde coordena o e-ficciones. Publicou, em livros e revistas, artigos sobre a crítica brasileira de ficção científica.

Cristiane Busato Smith é professora de literaturas de língua inglesa na Universidade Tuiuti do Paraná e do mestrado em teoria literária da Uniandrade. Editora da Revista Scripta Alumni, atualmente pesquisa as representações da alteridade na literatura e na pintura.

Daniel Pellizzari é escritor e tradutor. Um dos criadores do selo Livros do Mal, publicou o romance Dedo Negro com Unha. Traduziu os autores David Foster Wallace, William Burroughs, David Mitchell e Hunter S. Thompson. É coautor, com Rafael Grampá, de Furry Water, série de HQs a ser publicada, ainda em 2010, pela Dark Horse Comics.

Edgar Cézar Nolasco é professor nos cursos de graduação e de mestrado da UFMS. Membro do Conselho Editorial da Editora da UFMS e editor-presidente dos Cadernos de Estudos Culturais, coordena o NECC-UFMS.

Fábio Fernandes é professor dos cursos Jogos Digitais e Mídias Digitais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Escreveu A Construção do Imaginário Cyber e Os Dias da Peste. Traduziu, entre outros, Laranja Mecânica e Neuromancer. É o responsável editorial, na América Latina, pela coletânea Best American Fantasy.

Jacques Barcia é jornalista e escritor. Edita a revista digital Kalíopes, voltada para a fantasia pós-moderna, e coedita a revista virtual Terra Incognita, com foco em ficção científica. É coautor do blog Post-Weird Thoughts.

Lady A é autora de contos de horror e sci-fi, publicados em coletâneas e revistas. É colaboradora do zine sobre cyberpunk Overclock e DJ e VJ atuante na cena electro-industrial há cinco anos. Foi produtora do webprograma D.Monia TV e da D-Monia Cyber Party, que misturava performances musicais e visuais sobre fetichismo e ficção científica. Como DJ já tocou em diversas casas e eventos, entre eles I Industrial Noise Fest em Curitiba e Inferno Club em São Paulo.

Nelson de Oliveira é escritor. Doutor em letras pela Universidade de São Paulo (USP), coordena o curso de pós-graduação lato sensu Prática de Criação Literária do Espaço Cultural Terracota. É autor de, entre outros, A maldição do Macho, Ódio Sustenido e Naquela Época Tínhamos um Gato, pelo qual recebeu o Prêmio Casa de las Américas.

Octavio Aragão é professor, designer gráfico e ilustrador. Doutor em artes visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor adjunto da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), escreveu o livro A Mão que Cria. Também editou a antologia de contos Intempol e coescreveu Imaginário Brasileiro e Zonas Periféricas.

Quelciane Marucci é pesquisadora de ficção científica, estudos culturais e literatura digital. Mestranda em Teoria Literária e Estudos Comparados em Literatura e Memória Cultural na UFMS, graduou-se em letras pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal.

Rafael Grampá é quadrinista. Ganhador do Eisner Awards 2008 pela HQ 5, da qual é coautor, e de três prêmios HQ MIX, nas categorias Melhor Blog de Artista Gráfico, Melhor Desenhista Nacional e Melhor Edição Especial Nacional, as duas últimas pela graphic novel Mesmo Delivery.

Richard Diegues é escritor e editor. Autor de Magia – Tomo I, Sob a Luz do Abajur, Tempos de AlgóriA e Cyber Brasiliana, é integrante da Tarja Editorial, voltada à literatura fantástica e à ficção científica.

Walmor Corrêa é artista plástico. Possui trabalhos apresentados na XXVI Bienal de São Paulo, no Museu de Belas Artes na Cidade do Cabo (África do Sul) e no Instituto Goethe (Porto Alegre), entre outras exposições. Realiza trabalhos relacionados à arte e ciência, explorando o cruzamento entre texto e imagem, razão e fantasia.

Wandeclayt M. é técnico em aviônica e artista multimídia. Fundou em 1997, em parceria com membros em Nova York e em Madri, a banda eletrônica Aire’n Terre, pioneira no uso da internet como ambiente para composição. Desenvolve trabalhos de videoarte e fotografia, retratando temáticas fetichistas e o imaginário cyberpunk.

 

Info:

Invisibilidades III

sábado 21 e domingo 22 de agosto

sala itaú cultural (247 lugares)

ingresso distribuído com meia hora de antecedência

não recomendado a menores de 12 anos

Itaú Cultural | Avenida Paulista 149 – Paraíso – São Paulo – SP (próximo à estação Brigadeiro do metrô)

informações 11 2168 1777 | atendimento@itaucultural.org.br

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