Amigo é amigo

Eu sou virginiano, com Marte em Virgem, Cachorro do Metal no Chinês. Sou extremamente fiel aos meus amigos. Muito. E também sou INFP, então continuo sendo (ou me sentindo) um grande amigo de alguém mesmo estando há muito tempo longe, sem ver a pessoa. Sou bom ouvinte, pra mim é uma coisa natural querer ajudar meus amigos, perdôo erros e transformo defeitos alheios em meras idiossincrasias e motivo até de afeto. Tolero vacilos grandes: uma, duas, talvez três vezes. Dou força para os trabalhos dos meus amigos, indico para coisas, compareço aos eventos, tento juntar pessoas (juntei algumas listas de discussão nos anos 90, formando grupos de pessoas que até hoje se falam entre si, trabalham juntas e tal). Não por bondade, mas por achar que é assim que as coisas funcionam.
**MAS**… tem o outro lado de ser isso aí (virginiano, com Marte em Virgem, Cachorro do Metal): se um amigo ou conhecido for realmente babaca, escroto ou vacilar tremendamente comigo, passando daqueles tais limites, cara, desculpa aí, mas ele passa automaticamente a não existir mais. Não é uma questão de guardar rancor, de não perdoar, de não esquecer. É uma questão de esquecer, isso sim, de não ser capaz de me impedir de esquecer que a pessoa existe.
Lembro agora de 4 situações específicas, sem querer que ninguém descubra quem são os falecidos:
1) O cartunista que me pediu para comprar um livro dele porque estava sem grana e, uma semana depois, me xinga pesado no Facebook porque o incluí em uma postagem privada de divulgação da revista que eu edito, a Hyperpulp;
2) A “autora” que me tratava bem e me contratou para fazer a tradução de uma novela, apenas para fingir repetidas vezes que me enviava e-mails de trabalho, inexistentes. A mesma figura que descobri que, ainda antes disso, espalhava para algumas pessoas que nem conheço que eu era “grosseiro com os outros” (isso tendo me encontrado pessoalmente duas vezes).
3) O “amigo” que contratei pessoalmente e de quem assinei a carteira de trabalho quando eu era editor, nos anos 90, apenas para fugir com cara de nojo para um outro canto da livraria quando perguntei, muitos anos depois, se tinha um trabalho de tradução para me indicar. O mesmo que, ao participar de um podcast comigo, fez questão de tentar ridicularizar ou mudar o sentido do que eu falava, fingindo intimidade.
4) O “autor e tradutor” (que eu também conhecia há anos) que encontrei para um café em SP e, mera semana depois, deu uma entrevista para o maior jornal da cidade onde nasci e moro tentando apagar da história um dos meus primeiros e mais elogiados trabalhos de tradução, por pura birra com a editora do livro em questão. E que, semanas depois, voltou a chamar o mesmo livro de “irrelevante” e “menor” em um podcast, chamando-o de “pequena noveleta” (um romance de 360 páginas, que foi indicado ao Stoker Award). E olha que essa história, mais do que as outras, está bem resumida aí.
Nos casos 1, 3 e 4, tratavam-se de pessoas que eu considerava amigas. Olha, eu perdôo você por roubar cem reais meus pra comprar pó (mas não faça isso). Entendo você beber e fazer merda. Mas, olha, não seja traíra ou mal caráter. É feio, o mundo percebe, as pessoas que você engana não serão enganadas por muito tempo, você afunda e quando vê está ali, no maelstrom, a nado, o ralo se aproximando e aquele barulho de ruído branco de filme do William Friedkin à sua volta.
Moral da história: há momentos em que o caminho do meio é a solução; em outros, só o dedo do meio resolve. 😀
(Por favor, não tentem palpitar nos comentários as identidades dos referidos panacas. Isso foi só um exercício de desabafo).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *