Em tempo: a ordem das notas será cronológica (e não em cronologia reversa). Portanto, a leitura é de cima para baixo mesmo. Role a página até o final pra ver se tem coisa nova. Acho que faz mais sentido assim.

Pois é, após merecidas férias de qualquer coisa relacionada à Internet, resolvi reativar meu blog. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que minha senha já não era mais aceita pelo Blogger, após quase um ano sem “atualizá-lo”. Procurei outro serviço de blog, mas o Blogger é – acho – o único que permite o alojamento em qualquer servidor que eu queira usar. Como pretendo mover essa tralha para a minha própria página, optei por abrir outra conta no Blogger mesmo. Bom, o blog anterior (Harper’s Bizarre) continua no ar, em http://mandarino.blogspot.com. Mas o Hypervoid promete ser mais interessante e, digamos, incisivo ; )

Ah, e não é um diário barato. Nada de Big Brother em pixels por aqui. Não vejo porque outras pessoas gostariam de ler sobre as desgraças das ridículas vidas alheias. Façam algo interessante antes de escrever: viajem para o Nepal e façam um bungee-jumping sobre uma ponte de madeira sobre a neve; vão tomar ecstasy em Bali, sei lá. Depois voltem e coloquem no maldito blog. Mas escrevam sobre vidas interessantes, não para reclamar que um cafona deu em cima de você em um show igualmente cafona no Ballroom.

Quem me chamou a atenção para isso foi o Lúcio Jorge Manfredi: amanhã, quarta-feira, acontecerá por apenas um minuto um evento raríssimo, que ocorreu pela última vez há mais de mil anos (e que nunca mais voltará a acontecer!). Logo depois das oito horas da noite, a data universal tomará a forma de um palíndromo perfeito:

20 horas e 02 minutos do dia 20 de fevereiro do ano 2002.

Dá para visualizar melhor em marcação digital:

20:02 20/02 2002

A última vez em que aconteceu um registro com simetria numérica tão perfeita e extensa foi às 10:01 do dia 10 de janeiro de 1001, quando com certeza não existiam relógios digitais (não sei se o palíndromo da marcação temporal foi percebido naquela época). E o mais curioso é que isso nunca voltará a acontecer, a não ser que em 30 de março de 3003 tenhamos a hora 30.

Comemorem amanhã, durante um minuto, a simetria perfeita! 

Essa é realmente muito estranha.

A sonda espacial Pioneer 10, lançada há trinta anos, está sofrendo a influência de uma força bizarra que ameaça reescrever as leis da Física. Após tirar as primeiras fotografias de Júpiter, a Pioneer 10 ultrapassou os limites de nosso sistema solar em 1983. Agora, anos depois e para espanto dos cientistas da NASA, ela está sendo puxada por uma força desconhecida. A influência misteriosa não apresenta sinais de enfraquecimento e tudo indica que a sonda, acidentalmente, revelou uma nova força da natureza. O DR. Phillip Laing, membro do grupo de pesquisadores que tem rastreado a sonda viajante, garante que todas as teorias e hipóteses conhecidas já foram aplicadas ao fenômeno, sem nenhum sucesso. A Pioneer 10 foi lançada em 2 de março de 1972 e, juntamente com a Pioneer 11, revolucionou a astronomia com imagens detalhadas de Júpiter e Saturno. Em junho de 1983, a Pioneer 10 ultrapassou Plutão, o mais distante planeta do sistema solar. As duas sondas viajam agora a uma velocidade de 43 mil quilômetros por hora em direção às estrelas. As últimas pesquisas mostram que essa velocidade está decrescendo, como se a sonda estivesse sendo puxada, em uma ordem de 10 Km/h a cada século (uma força dez bilhões de vezes mais fraca que a da gravidade).

Os cientistas continuam monitorando os sinais da Pioneer 10, que se encontra atualmente a mais de 11 bilhões de quilômetros da Terra. Defeitos na sonda, resistência provocada por gases e o empuxo gravitacional de astros próximos são algumas das hipóteses já plenamente descartadas. Curiosamente, o mesmo efeito (com uma desaceleração de ordem idêntica) está sendo observado nas sondas Galileo e Ulysses, que ainda estão no nosso sistema solar. Uma força de tal magnitude, em escala cósmica, seria um elemento de grande influência na trajetória dos cometas, por exemplo, e até mesmo na vida terrestre. Uma hipótese que está sendo estudada agora leva a crer que o “empuxo” seria uma característica desconhecida da força gravitacional universal (o que exigiria mudanças nas leis da Física e nos conhecimentos de cosmologia e navegação espacial). Até 1988, a Pioneer 10 era o artefato de fabricação humana a maior distância da Terra (característica hoje apresentada pela Voyager 1, que está mais longe). A Pioneer 10 carrega uma placa de ouro e alumínio com desenhos de um homem e uma mulher, além de um mapa indicando seu ponto de origem no universo, o que a NASA chama de “mensagem na garrafa cósmica”. 

Galera, a partir de hoje o Bizarre passará a contar com cinco tiras diárias. Como as strips estão progressivamente desaparecendo dos jornais, resta a Internet. Duas delas são tiras de ficção-científica pop: Astounding Space Thrills e The Crater Kid. Astounding, de Steve Conley, é uma mistura de Matrix e Jetsons, repleta de idéias deliciosamente absurdas. Por sua vez, The Crater Kid, de Marty Baumann, já foi considerada “uma mescla de Jonny Quest e Calvin e Haroldo” e tem merecido elogios de figuras como Jim Steranko. Fecham a seleção a tira de humor Lethargic Lad, sempre sacaneando os nerds (merecidamente) e Doctor Cyborg, que conta com desenhos de Mike Avon Oeming, o mesmo da aclamada série Powers (uma nova aventura de Doctor Cyborg terá início em breve). Finalmente, a quinta tira é The Circle Weave e narra as sagas que acontecem em um mundo de fantasia medieval, com bons desenhos de Indigo Kelleigh. Enfim, tem para gostos bem variados. As tiras estarão sempre aí em cima, imediatamente sobre os meus posts. Serão atualizadas diariamente, por isso fiquem ligados para não perder nenhuma. Quem estiver se sentindo perdido em relação às histórias que já começaram ou aos personagens, é só clicar nos respectivos links para “Archives” e ler os episódios anteriores. E lembrem-se: quadrinhos são a experiência estética pop levada ao máximo das (in)consequências, são divertidos, fazem pensar e curam impotência. Portanto, nada de preguiça: olhem aí para cima e leiam!

Ah, me digam se estão gostando das tiras. 

O blog esteve meio parado esses dias, mas é Carnaval e, tirando o Cliff Steele, ninguém é de ferro. Make My Mardi Gras.

Parece que o recém-assinado contrato de exclusividade do escritor Warren Ellis com a DC Comics já está rendendo bons frutos. O desenhista Jerry Ordway anunciou em seu site – e Ellis confirmou posteriormente – que a DC e seu selo Wildstorm lançarão um especial chamado Planetary / JLA: Terra Occulta. A publicação terá formato Prestige e sairá provavelmente ainda em 2002. De acordo com Ellis, o especial é apenas um elemento de uma série de eventos que reativarão a série Planetary este ano, já que a revista tem estado no limbo há vários meses. O encontro entre a Liga da Justiça e o grupo de investigadores da cultura pop e da ficção pulp será desenhado por Ordway, mas o artista regular de Planetary, John Cassaday, deverá desenhar o especial Planetary / Batman: Night On Earth. Planetary é uma das melhores séries de quadrinhos do mercado norte-americano atualmente e estes especiais certamente serão muito interessantes, ainda que se passem fora da continuidade regular do título. Nenhuma imagem foi divulgada até agora, mas novidades certamente aparecerão no site de Warren Ellis. Enquanto isso, só nos resta ficar de cabeça para baixo e roer as unhas do pé enquanto Elijah Snow, Jakita Wagner e The Drummer não retornam em seu título próprio (Ellis informou que já escreveu até a edição 18). 

Normalmente camp no que se relaciona a design, a Microsoft acertou em cheio (literalmente) em um dos anúncios de TV que fez para o Xbox, seu console de games. Vale a pena dar uma olhada. Pode ser visto em três formatos, MOV, MPG e WMV. Só digo uma coisa: a vida é curta. 

Essa é dos diabos: Carolyn Risher, prefeita da pequena vila pesqueira de Inglis, na Florida, declarou Satã, oficialmente, uma “persona non grata” na cidade. A figura apareceu na CNN afirmando que os eventos de 11 de setembro a motivaram a tomar essa atitude. “O demônio não entra aqui”, disse Risher. Please to meet you / Hope you guess my name. 

O desenhista francês Moebius sempre esteve ligado ao cinema. Jean Giraud fez o design de O Quinto Elemento e do primeiro Alien e ainda esteve envolvido na primeira versão de Duna (a adaptação do romace de Paul Schrader), que acabou não sendo levada a cabo – David Lynch acabou dirigindo a versão que chegou às telas, sem as alucinações visuais de Moebius. Mas faltava algo. Esse algo chega à TV francesa no dia 1º de setembro de 2002: é a série Arzak Rhapsody, inteiramente concebida, escrita, desenhada e dirigida por Giraud. Tudo em cada um dos episódios será desenhado e colorido pelo próprio Moebius (no Photoshop) e depois animado através do programa Flash 5 pelo Millimages Online, um dos maiores estúdios de animação da França. O preço total da série deverá ficar em torno de 3.500.00 francos. Vejam aí duas das imagens da série: 

Arzak - pagina 4

Arzak - pagina