Certezas

Sensacional trabalho de Brecht Vandenbroucke:

September 12, 2017 at 10:16PM

Apple costumava ser sobre música, vídeo, coisas criativas em geral. Agora é sobre fotos cafonas e a capacidade de animar um emoji de cocô com os movimentos do seu rosto. Jumping the shark.
(e eu felizmente jumping para outros dispositivos e OSs).

September 04, 2017 at 01:26PM

I don’t quite understand about understanding poetry. I experience poems with pleasure: whether I understand them or not I’m not quite sure. I don’t want to read something I already know or which is going to slide down easily: there has to be some crunch, a certain amount of resilience.
– JOHN ASHBERY
Pra mim isso vale não apenas para poesia, mas para arte como um todo: de um quadro de Pollock a um episódio de Twin Peaks.

August 31, 2017 at 02:40AM

Encontrei isso em jornalismo, o que era esperado por ser um mundo careta e onde se luta por migalhas. Mas é muito bizarro ver isso também em música alternativa, sound art, literatura, quadrinhos. Gente que deveria conhecer melhor o mundo ao invés de repetir os mesmos dioramas toscos dos anos 50, os mesmos critérios imaginários do que é o modo “certo” ou “errado” de fazer as coisas. Diabos, marqueteiros mais ou menos medíocres conseguiram arrancar dinheiro de loucos como John Lydon, Kurt Cobain, Jim Morrison, Iggy Pop, Crumb, Pazienza, Cassavetes, etc. Aqui no Brasil esperam que todo mundo, não importa a posição política/ética/estética se enquadre no mesmo modus operandi de uma Barbara Cartland, uma (insira aqui o nome da autora de 50 Tons de Cinza), um Coldplay. Rolo compressor unificador, para disfarçar a falta de talento de quem deveria pensar em como ganhar dinheiro com os malucos. Dica: não vai ser colocando o maluco redondo num buraco quadrado.

August 31, 2017 at 02:32AM

Todos os meus heróis são liabilities.

Câmara Sombria

Concordo 100% com esse cara nos dois casos e lembro de ter adorado esse texto quando saiu. Aliás, ele toca num ponto chave: a forma como Moore foi tratado pelos outros “criadores” (leia-se regurgitadores do que ele fez) e por boa parte dos “fãs” (leia-se condutores de cadáveres) foi revoltante. Esqueceram a ética na lixeira em prol de poderem ler mais uma historinha medíocre com os mesmos personagens. Foi por esses motivos tb que, na hora de dar uma grana por TPBs ou revistas, passei a mirar somente na Image, Dark Horse, Fantagraphics, Oni Press, IDW, Valiant, Boom, etc. Foda-se Marvel e DC. Gosto dos personagens, mas posso muito bem pegar minhas edições e reler, até pq são bem melhores do que o fanfic oficial que elas lançam hoje.
http://comicsalliance.com/creator-rights-before-watchmen-avengers-moore-kirby/
The Ethical Rot Behind ‘Before Watchmen’ & ‘The Avengers’ [Opinion]
Aliás, esse é um triste efeito colateral dessa explosão do nerd como consumidor mainstream: nerds compram toda e qualquer merda que sair com seus personagens favoritos. Eles não pensam em termos de autores e criadores, como fazem os cinéfilos, leitores de ficção em prosa, etc. Vão atrás do Batman, não importando se é do Miller, do Moore, ou do Chuck Dixon. Debatendo se ele ganha ou não do Lanterna Verde, como se ele fosse uma pessoa real e não uma criação. Como se não dependesse exclusivamente do roteirista ele ganhar (ou não) do Lanterna Verde e etc. Vivem num mundo mágico infantil de consumo descerebrado de Funkos.

For relaxing times, make it Suntory time

Num país onde tão pouca gente lê em inglês (ao menos segundo pesquisas) tradutores deveriam ter muito mais crédito.
Sou a favor inclusive de que seja como acontece na França: nome do tradutor já na capa do livro.
Afinal, é uma adaptação, sempre. Por mais que vc queira ser fiel, toda mudança de língua passa por um modem: você modula, desmodula e a coisa vira uma outra parada.

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O aniversário de 100 anos da Fonte de Duchamp, hoje (sim, um século) é um ótimo momento para lembrar que o rompimento de ontem é o dogma de hoje. Precisamos de uma nova fonte, em vários sentidos da palavra.

E aí lembro daquela frase do Dirty Harry

As pessoas falam de fatos hoje em dia como se tudo fosse uma questão de opinião. Desde o que são nazismo, socialismo, comunismo e anarquismo até se existe ou não o aquecimento global. Desde o formato da Terra até o que é boa literatura, bom cinema, bom quadrinho (existem variáveis nestes). Desde a cor do céu e porque ele é dessa cor até os efeitos do cigarro, da couve-flor e do uísque doze anos no seu organismo. Não, amigo. História, astronomia, estética, medicina, arquitetura, jornalismo, física, arte, tudo isso, por mais variáveis que contenha, é composto de fatos. Fatos, não opiniões. Não adianta você fazer que nem o Shaquille O’Neal e dizer que acha que a Terra é chata. Foda-se o que você acha. Ela não é. O que você acha é bem, bem menor do que os fatos. E mesmo quando não se trata de fatos, mas de variáveis estéticas, você precisa levar em conta séculos e séculos de arcabouços filosóficos, históricos e estéticos antes de “afirmar” que “bom é 50 Tons de Cinza” ou “James Joyce é uma merda”. Porque não, não é. E não, também não é. Se você nunca leva em conta o que veio antes dos últimos dez anos ou o que existe fora da sua bolha, foda-se a sua opinião.

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Fantasma na Concha

Acabei de ver Ghost in the Shell, graças ao convite do meu amigo Rafael Luppi Monteiro e do pessoal do Nível Épico. Para minha feliz surpresa não tem ritmo de blockbuster. É lentão, cheio de climões, muito bonito visualmente e com uma trilha sonora sensacional (do Clint Mansell). Vou até rever. Excelente uso do 3D, aliás. Vale a pena ver em 3D. Gostei muito da estética mezzo Blade Runner (de onde o anime original tirou toda sua influência cyberpunk, aliás) e mezzo futuro distópico colorido, asséptico e pós-verdade. E o melhor de tudo: assim como os melhores romances cyber, o filme é anti-ciborgies e AI e totalmente pró-humano. Não apenas no subtexto, mas no texto mesmo. Recomendo.
Scarlett Johansson é uma das melhores atrizes do cinema de FC recente, aliás: este GitS, Lucy e o maravilhoso Under the Skin.

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Perto da minha casa: