July 05, 2017 at 05:49PM

Com algumas pessoas não basta você sempre tê-las tratado bem; não basta ser sempre educado com elas, tentar ser gente boa, etc. Elas meio que param de falar direito com vo~ê assim que encontram um item de dissenso, por mínimo que seja. ” Ih, ele não gosta de young adult” ou “Nossa, ele detesta coleções de bonequinhos”. Se você se posiciona contra, sei lá, a censura de livros, acha ridículo que peguem em armas pelo que aconteceu com Sansa em Game of Thrones enquanto mulheres reais são mortas a cada minuto, ousa duvidar da idoneidade do Diário do Meio da Rola ou coisa assim, então, danou-se. Não olha mais pra sua cara. Sinceramente, gente: grow the fuck up. O mundo é feito de dissenso, de discordância e se vocês querem fazer parte de grupinhos de “n’os vs eles” formem um grupo de paintabll, vão disputar um deathmatch de Quake, jogar vôlei ou queimada. A vida é feita de diálogo, não de forçar o outro a concordar com você na base do berro.

July 04, 2017 at 05:28PM

Sério, que tipo de anarquista seria eu se fosse defender censura?

July 04, 2017 at 11:31AM

É um conceito perturbador, mas as pessoas podem ter opiniões diferentes da sua. E mais: podem mesmo ter pensamentos contrários aos seus. Esquisito, né? Mas acontece desde tempos imemoriais.

July 03, 2017 at 11:54PM

Não é uma questão de senso comum: é uma questão de bom senso. O senso comum quase nunca tem bom senso.

July 03, 2017 at 11:44PM

Narciso acha feio o que não é espelho. É uma ilusão achar que é possível uma visão “objetiva” de uma obra de arte, uma visão pré-relativismo e pré-estruturalismo. Se o editor, que em tese só tem critérios técnicos, literários e sociais (sim, ele já se preocupa com isso) já é uma figura muitas vezes problemática, imagina uma pessoa com uma agenda pessoal maquiada de social, gregária e subjetiva? A noção de liberdade dessa galera é criar *mais um* gatekeeper? Mesmo?
Me mostre um grupo querendo dizer o que eu posso ou não ler/ver/escrever, não importa por qual motivo, e eu lhe mostro um grupo de religiosos.

July 03, 2017 at 10:51PM

Não, relativizar a liberdade é complicado. Ou todo mundo pode falar a merda que quiser ou na verdade ninguém pode falar nada. O que temos que lutar é por uma educação que transforme as pessoas em leitoras inteligentes de entrelinhas, não só de linhas. Mas estamos no oposto: nem as linhas são entendidas, então… o buraco é mais embaixo e direcionar conteúdo em prol de uma suposta ética, que no fim das contas é sempre pessoal e gregária, é apenas criar bolhas de conforto ficcional. Deixa o pessoal levar na cara, faz bem.
A solução não é proibir o Mein Kampf, porque ao proibir o Mein Kampf você escreve outro Mein Kampf na própria lei que proíbe o Mein Kampf. A solução é educar pessoas capazes de ler a meleca do Mein Kampf, apontar para ele e rir.

July 03, 2017 at 09:51PM

Philip K. Dick e Harlan Ellison? Ofensivos pra caralho, basta caírem na mão de um cara que não interpreta texto direito e pronto, vetados. Patricia Highsmith? O que essa dona tá fazendo tripudiando dos meus trigger warnings com esses personagens psicopatas? Ela apoia isso? Vetada. E assim seguimos por Michael Moorcock, Kerouac, P.D. James. Ursula LeGuin, claro, que aliás foi vetada pela intelligentsia esquerdista “ética” durante anos por ser anarquista e, logo, não rezar pela cartilha. Esse é o problema: isso é uma cartilha. E cartilhas, bem… não, né?

July 03, 2017 at 08:34PM

Pra uma coisa serviu essa matéria da Folha sobre os “leitores sensíveis”: fazer sair do armário um monte de gente com vocação pra dona Solange.

July 03, 2017 at 08:18PM

Eu me recuso a passar pelo crivo de um “leitor sensível”, seja qual for. Foda-se. Prefiro me autopublicar, fazer fanzine em PDF, grafitar, o que for. Mas, sim, fodam-se os “leitores sensíveis”. Peguem logo um selo de aprovado pelo Vaticano.
“Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lá.”
― Voltaire
Caso eu não tenha sido claro: “leitores sensíveis”, vão para a puta que o pariu.

June 02, 2017 at 11:22AM

Geralmente em ônibus, numa viagem longa, o tal brasileiro médio não ouve música, não lê, não vê um filme. Se ele está acompanhado ele FALA SEM PARAR. Se não está, ele FALA SEM PARAR no celular. Se está sem ter para quem ligar, ele “FALA” SEM PARAR no whatsapp. É uma falação incessante sobre o nada: falam de itinerários de ônibus, do tempo, mal de alguém do trabalho, de problemas que não existem. Verdadeiros não-assuntos são extendidos por horas, através de frases repetidas e ciclos de diálogos que voltam ao ponto inicial e restartam. É impressionante, por que rola essa merda?