September 05, 2017 at 11:02PM

O Ministério da Pagação de Mico adverte: usar casualmente em conversas grafias como pr0n e h3cker não vai deixar você mais interessante ou inteligente. Os anos 90 acabaram.

That titanium shell of yours

Sou obrigado a concordar com esta matéria (15 motivos pelos quais Ghost in the Shell é melhor do que o anime original). Sei que estou em minoria aqui e não quero nem começar a tentar mudar a opinião de alguém sobre isso, mas adorei o filme. Muito mais do que previ. Acho inclusive que é um filme importante politicamente nestes tempos em que se baba por Ray Kurzweil e singularidade sem nem mesmo pensar duas vezes. Acho mesmo que esta versão de Ghost in the Shell será redimida daqui a alguns anos, a exemplo do que houve com Blade Runner, também massacrado na estreia e um fracasso de público e crítica nos primeiros anos. A matéria aí embaixo, simples mas direta, explica meus pontos melhor do que tenho tempo e ânimo para fazer agora com este post (fica a promessa de um artigo maior sobre o filme aqui no Hypervoid). Mas alguns pontos são essenciais: a trilha sonora de Curt Mansell, o Kuze interpretado por Michael Pitt, o excelente Beat Takashi, o worldbuilding e os pontos éticos, políticos e sociais, que são muito mais profundos que os do anime e parecem ter passado batido (coniventemente?) pela turba que logo gritou "whitewashing" (e, sim, acho que whitewashing é um problema real e importante, vide o horrendo Deuses do Egito; mas não acho que isso tenha acontecido em GiTS).

Ghost in The Shell: 15 reasons why it's better than the original anime

Quanto a isso, deixo aqui as palavras do diretor do anime original, Mamoru Oshii, sobre a escolha de Scarlett Johansson: “The Major is a cyborg and her physical form is an entirely assumed one. The name ‘Motoko Kusanagi’ and her current body are not her original name and body, so there is no basis for saying that an Asian actress must portray her. Even if her original body were a Japanese one, that would still apply. I believe having Scarlett play Motoko was the best possible casting for this movie. I can only sense a political motive from the people opposing it.”

E tem mais: vejo mil razões e agendas políticas conservadoras para que certos grupos queiram detonar Scarlett Johansson (ou levem inocentes úteis a fazer isso). Afinal ela se sai bem em indies como Ghost World, em filmes de Woody Allen e Sofia Coppola, em blockbusters da Marvel e tb como o principal rosto da nova FC do cinema (Under the Skin, etc). É preciso enxergar além do óbvio nas motivações das coisas.

UPDATE:
Japanese Moviegoers React To Scarlett Johansson's Ghost In The Shell
"She was very cool. I loved her in The Avengers and I wanted to see this because she was in it. If they had done a Japanese live-action version they would have probably cast some silly idol [girl-band member]," said Hirano.

UPDATE 2:

Ghost in the Shell beloved in Japan, despite box office blowout in the West

"On comment in particular stood out, however. THR spoke to a fan identified as Yuki, who thought that the film was better off with a white woman in the lead role, instead of a Japanese one as intended. "I heard people in the U.S. wanted an Asian actress to play her," Yuki told THR. "Would that be OK if she was Asian or Asian-American? Honestly, that would be worse, someone from another Asian country pretending to be Japanese. Better just to make the character white."

"

Viagem ao meu habitat natural

Exatamente hoje, 27 de janeiro, este blog faz 15 anos de existência. Ele começou no Blogger BR e de lá pra cá passou por Blogger original, WordPress self-hosted, Movable Type self-hosted, Squarespace e, já há alguns meses, WordPress novamente. Nestas mudanças todas fiz questão de migrar os comentários, numa das vezes a mão, na base do copy/paste.

Uma boa data para mostrar meu estúdio, onde escrevo minhas coisas e crio minhas músicas. Pretendo seguir nesta linha em posts futuros, mostrando minha biblioteca, dando dicas de programas e workflow, etc. Vamos lá:

 

Mesa onde escrevo minhas histórias

São duas escrivaninhas lado a lado, para escrever, editar, fazer música, mexer em vídeo, ver Netflix, jogar games, etc etc. O teclado do Macbook tem iluminação backlit, mas para escrever ou traduzir uso um teclado maior, localizado na parte móvel da escrivaninha, debaixo do tampo. A luminária verde serve para que eu use este teclado externo à noite.

Na tela está o Scrivener, programa que tenho usado para escrever, traduzir, guardar minha pesquisa para o Tarot. Não me imagino mais escrevendo sem ele ou voltando a usar Word. O monitor maior está com a Pandora aberta nesta foto, mas quase nunca escrevo ouvindo música. Dos lados esquerdo e direito do monitor há dois hubs: um hub Thunderbolt para conectar hardware de áudio e um hub USB 3.0 para conectar HDs externos de dados (tenho 2tb de comics, 300 gb de MP3 e 10 gb de ebooks, além de meus samples de áudio e gravações de campo) e de backup (uso o Carbon Copy Cloner para backup semanal do HD interno e do HD externo de dados.

Mesa de equipamento de áudio

A mesa da direita tem parte dos meus instrumentos e equipamento de áudio. A caixa azul sobre o suporte de madeira é um sequenciador Yamaha RM1x, que também funciona como sintetizador. Em cima dele está uma mesinha de som Behring, para ligar todos os cabos de áudio e a saída de áudio do Macbook. Dali vai tudo para as caixas de som (que não aparecem nesta foto).

Ao lado do Yamaha está uma Roland MC-303 Groovebox (sim, igual a usada pela Sacerdotisa em O Caminho do Louco): primeiro instrumento que comprei, ainda em 1998. É uma drum machine e sequencer, mas também tem bons sons de pads e linhas de baixo. Em cima da Yamaha estão dois monstrinhos criados pelo meu grande amigo Paulo Santos, o Paolo Head (que é a base para o personagem Paulo, índio que aparece na primeira parte de O Caminho do Louco).

A pequena caixa cinza e azul no canto esquerdo da mesa é a minha interface de áudio, que funciona como a placa de som do Macbook quando estou trabalhando com música ou vídeo. É uma Presonus, com entradas MIDI e para microfone e guitarra. Ah, a sacola roxa com um desenho dos chakras é a minha bolsinha de tarô: ali dentro está meu baralho favorito, o Tarô Mitológico; e também uma toalha (roxa) para jogar.

Embaixo da bancada de madeira, mais ao fundo, está meu sampler Korg Electribe ES-1, que comprei em 1999. Usa cartões de memória que não são mais fabricados e seu som meio em baixa resolução é ótimo para hip-hop ou jungle.

Debaixo do tampo de madeira, na parte móvel da escrivaninha, estão um controlador Phat*Boy, da Keyfax, que é ótimo para plugar na MC-303 e deixar o som dela mais parrudo, ácido e analógico; um toy synth mega portátil a pilha Korg Monotron; e dois Korg Volca, o Beats e o Bass. Em um post futuro vou detalhar melhor meu workflow de áudio e então mostrar fotos destas coisas todas.

Visão geral das duas mesas

Nesta foto é possível ver melhor a lógica de funcionamento das duas mesas juntas. Sobre a mesa da esquerda há um nicho branco que serve como prateleira para o receiver e os monitores de áudio.

Detalhe do nicho

No centro do nicho guardo coisas como minha carteira, meu porta-anéis, meus óculos escuros e alguns enfeites: cartões, um dos meus Ganeshas, flyers (atrás do Ganesha está o flyer de uma exposição da minha namorada, Leandra Lambert).

Outro detalhe do nicho

A caneca do Super Mario guarda meus lápis e canetas. Também estão por ali meu cartão da Siouxsie Sioux, uma foto da minha viagem com a Leandra a Buenos Aires e outros objetos. No canto esquerdo há uma miniatura de um tigre siberiano, lembrança de nossa visita ao sensacional Parc des Felins. O cartão com a figura de escafandro e nuvem azul ao centro é uma arte gráfica com uma frase de um dos meus autores favoritos, J.R.R. Tolkien: “Not all those who wander are lost” (o que, para mim, une duas correntes literárias na época consideradas separadas e praticamente díspares: os Inklings e os Beatniks.

Bom, é isso. Já passei incontáveis noites aí neste estúdio escrevendo capítulos de Guerras do Tarot, contos como Hiriburu, criando beats e samples para o Chip Totec e o Terra Incognita, editando vídeos para trabalhos de arte da Leandra, batendo papo pela web e, sim, escrevendo neste blog. Em próximos posts mostrarei meu estúdio e workflow com mais detalhes, mas antes deveremos dar uma passeada pela minha biblioteca. Cartas na mesa e see ya!

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Erwin Blumenfeld — Sur la tour Eiffel — 1939

via The Pictorial Arts