O Louco

O jornalista brasileiro André Moire abandona tudo e sai pelo mundo tomando ayahuasca e peyote. Até que encontra... o Tarot.
André Moire é o Louco.
Guerras do Tarot. Thriller conspiratório de fantasia urbana de Alex Mandarino. Em breve pela AVEC Editora. Ilustrações de Fred Rubim.
"Uma linha é um ponto que saiu para passear" - Paul Klee

Louco

Guerras do Tarot. Thriller conspiratório de fantasia urbana de Alex Mandarino. Em breve pela AVEC Editora.
Aprenda a embaralhar.

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‪#‎guerrasdotarot‬

"— Sou o Bagatto, lhe disse. E vim ver como você estava porque, bem, alguém tinha de vir fazer isso. E, por ser o Bagatto, tinha de ser eu.
— Como assim? Por quê?
— Tradição? Ordem natural das coisas? Chame como quiser, mas é assim. Tinha de ser eu, porque... bem, sabe o que eles dizem. Nunca — repito, nunca — invoque o Louco, a não ser que esteja preparado para que qualquer coisa possa acontecer. Eu vim porque estou preparado. Eu sou o Bagatto. O Mago. Você? Você é o Louco."

Trecho de Guerras do Tarot, de Alex Mandarino. Em breve pela AVEC Editora.
Escolha uma carta.

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‪#‎guerrasdotarot‬

“— Então são anarquistas?
Queremos elevar o nível de consciência humana para acabar com coisas como racismo, machismo, sexismo, homofobia, fundamentalismo religioso, exploração dos indefesos. Mas não somos anarquistas tradicionais, porque acreditamos que não há liberdade quando as pessoas são obrigadas a compartilhar a mesma roupa de baixo. Poderíamos dizer que somos pós-anarquistas, se não fôssemos anteriores aos anarquistas. Por que o ser humano sempre precisou de líderes? Por que entregaram as vidas de milhões nas mãos de Stalin? Por que milhares de alemães desempregados e na maior crise econômica de sua história recente apoiaram um nanico louco e patético como Hitler? Por que tantas “revoluções” seguidas por banhos de sangue até maiores que os promovidos pelo status quo anterior? Por que todos os anarquistas de coração sempre sabem, no fundo, que beijam uma utopia irrealizável?
— Porque as pessoas são idiotas — respondi.
— Sim! — disse Mann, divertido — Sim. Bom, não necessariamente idiotas, mas precisam de líderes. E por que precisam de líderes? Porque não sabem o que fazer. São bilhões de pessoas perdidas, que precisam que alguém lhes diga o que comer, o que vestir, o que ouvir, o que assistir, quem namorar, que papel higiênico comprar, que aparelho de TV.”
(trecho de Guerras do Tarot, de Alex Mandarino. Em breve pela AVEC Editora).
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“Seu pé no acelerador é a melhor forma de cortar a conversa. O carro está no controle do papo agora, a velocidade o único tema possível. Dez metros adiante, o retrovisor lhe cutuca e você percebe que está sendo seguido. Quatro carros da polícia.
— Não tinha um carro maior? — pergunta Maksim. — Tá apertado aqui.
— Esse é o mais rápido, cara — você finalmente fala. — Lamborghini Diablo, Eremita, sente o estofado do banco dele lambendo a sua bunda. — Você acelera e divide sua atenção entre as ruas noturnas, os fantasmas de carros no retrovisor (polícia invertida e do avesso) e o para-brisas. E então continua, as frases acompanhando o ronco do motor:
— É uma história bonita. Tudo começou com um Diablo VT Roadster que conheceu um lindo sistema Lotec dual-turbo, que quis trepar com seu já robusto V-12. O filhote é essa coisinha aqui, parida por Uwe Gemballa, o mesmo suíço que deu ao mundo a maravilha que é o Porsche Extremo. Claro, eu e o Oito de Paus, melhor companhia pra se matar um Southern Comfort e adulterar um carro, tratamos de mudar tudo. Suspensão reforçada, chassis mais parrudo pra aguentar o peso das coisas que vocês meteram e, claro, do gigante viking aqui do meu lado.
Touji só conseguia balbuciar:
— É r-rápido?
Você olha pra ele pelo retrovisor principal e sua eloquência se traduz em um “Humpf” meio agudo. A conversa volta para as suas mãos e pés. As ruas estão vazias a essa hora da madrugada, mas Roma não é famosa por suas largas avenidas. Os quatro carros de polícia se espremem em gula atrás de você, tentando lhe alcançar. Você é um octopus, um polvo do asfalto, Kali tala larga. Suas 23 mãos se espalham rápidas pelo volante e marcha, seus tentáculos dianteiros tocam como harpas o acelerador, o freio e a embreagem.
— Se todas as estradas levam a Roma, todas as estradas de Roma levam a algum lugar. É pra lá que a gente vai, é só ficar tranquilo e em silêncio. Tô tentando me concentrar aqui.”
(Trecho de Guerras do Tarot, de Alex Mandarino, em breve pela AVEC Editora).
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