Your mother will keep Upper Brook Street

Todo mundo acha que sabe escrever fluxo de consciência, mas, cara, desculpa: não. É uma das coisas mais fáceis e mais difíceis de se fazer em literatura. Fácil pq é quase como sair escrevendo e foda-se. Caneta ou teclados soltos, fluindo, beleza. Difícil pq não é sair escrevendo e foda-se. Rimbaud, João Gilberto Noll, Hilda Hilst, Carl Solomon, Hunter S. Thompson, Peter Milligan, esse pessoal sabe entrar e sair do fluxo e deixar na vala um puta texto. Mas, surpresa: eles são exceção. O risco do seu fluxo virar refluxo é muito grande. Mas, ei, tenta aí. Só não prometo ler após a quinta linha. 😛

Marie, Bast, Anubis e Ganesha

For relaxing times, make it Suntory time

Num país onde tão pouca gente lê em inglês (ao menos segundo pesquisas) tradutores deveriam ter muito mais crédito.
Sou a favor inclusive de que seja como acontece na França: nome do tradutor já na capa do livro.
Afinal, é uma adaptação, sempre. Por mais que vc queira ser fiel, toda mudança de língua passa por um modem: você modula, desmodula e a coisa vira uma outra parada.

—–

O aniversário de 100 anos da Fonte de Duchamp, hoje (sim, um século) é um ótimo momento para lembrar que o rompimento de ontem é o dogma de hoje. Precisamos de uma nova fonte, em vários sentidos da palavra.

Are you talking to me?

Vou ser bem direto: se você não lê, o que você escreve tem 100% de chances de ser uma merda.

A misteriosa geração de escritores que não querem ler.

Sem falar que sua bela ideia provavelmente já foi usada centenas de vezes antes. Se quiser escrever, leia.
Se quiser escrever fantasia, leia William Burroughs. Se quiser escrever policial, leia quadrinhos do Moebius. Se quiser escrever literatura "séria", leia Clive Barker. Se quiser escrever horror, leia Hilda Hilst. Saia da porra da zona do conforto. Shake that ass.

E aí lembro daquela frase do Dirty Harry

As pessoas falam de fatos hoje em dia como se tudo fosse uma questão de opinião. Desde o que são nazismo, socialismo, comunismo e anarquismo até se existe ou não o aquecimento global. Desde o formato da Terra até o que é boa literatura, bom cinema, bom quadrinho (existem variáveis nestes). Desde a cor do céu e porque ele é dessa cor até os efeitos do cigarro, da couve-flor e do uísque doze anos no seu organismo. Não, amigo. História, astronomia, estética, medicina, arquitetura, jornalismo, física, arte, tudo isso, por mais variáveis que contenha, é composto de fatos. Fatos, não opiniões. Não adianta você fazer que nem o Shaquille O’Neal e dizer que acha que a Terra é chata. Foda-se o que você acha. Ela não é. O que você acha é bem, bem menor do que os fatos. E mesmo quando não se trata de fatos, mas de variáveis estéticas, você precisa levar em conta séculos e séculos de arcabouços filosóficos, históricos e estéticos antes de “afirmar” que “bom é 50 Tons de Cinza” ou “James Joyce é uma merda”. Porque não, não é. E não, também não é. Se você nunca leva em conta o que veio antes dos últimos dez anos ou o que existe fora da sua bolha, foda-se a sua opinião.

20170126_220604

The road goes ever on and on

Trabalho 9 horas por dia em uma autarquia pública federal, olhando para dois monitores de 23 polegadas e usando um sistema com UI no mínimo dúbia. Nas minhas horas livres faço traduções, de autores como Terry Pratchett, Dan Chaon, etc. Nas horas que restam ainda escrevo minhas coisas (contos, romances e artigos) e faço música, tudo sempre olhando para a tela de um computador. Minha visão, que já não era boa (sou míope e uso óculos desde os 6 anos de idade), está piorando: agora tenho visto cansada tb, o que me obriga a ter um segundo par de óculos, para leitura. Para piorar, apareceram manchas voadoras (mosquinhas) enormes no meu campo de visão, há há uns dez anos. São como poças de óleo flutuando no humor vítreo e muito irritantes.
Outro efeito colateral é que tudo é feito sentado. E a cada dia médicos descobrem novos problemas ligados a quem trabalha sentado por várias horas: de hipertensão a hipertrofia muscular, de obesidade a diabetes.
O resultado disso é que preciso diminuir algo aí. Como quero muito continuar escrevendo contos e romances e ao mesmo tempo meu trabalho como funcionário público é o que paga as minhas contas, as traduções terão que perder espaço. Decidi passar a fazer apenas um romance por ano, ao invés dos 4 ou 5 que eu estava fazendo. Menos grana na conta, mas também mais tempo livre e, claro, mais contos meus por aí. Quero muito mais ser escritor do que tradutor e, como dizem os bretões, something’s got to give.

No dia 19 de fevereiro mudei do Centro do Rio de Janeiro para Visconde de Mauá: a vista da minha janela mudou de Blade Runner para O Hobbit.

Entre os Essenciais de 2016

O Caminho do Louco está entre os livros de 2016 recomendados por Cesar Silva, que publica o Anuário de Literatura Fantástica. Obrigado!
Mensagens do Hiperespaço: Essenciais de 2016 – Autores brasileiros

Bate-papo ao vivo na Rádio Showtime

Participo hoje, às 18 horas, de uma conversa ao vivo na Rádio Showtime. Escutem no www.showtimeradio.com.br.
Vejam a divulgação oficial do programa:


NÃO PERCA, AO VIVO, Hoje-a partir das 18:00:
-A pessoa que a lendária Billie Holiday, provavelmente a maior cantora de jazz em todos os tempos, chamou de ´A Melhor voz não-negra do Blues´; o que o clássico de suspense de 1956 INVASORES DE CORPOS teve a ver com os Beach Boys e um dos mais populares casais da música dos anos 70 e um papo retíssimo com Alex Mandarino, o autor de O CAMINHO DO LOUCO, o incensado livro que narra o que ocorre quando um ex-jornalista em jornada de autodescoberta é recrutado pelo Tarot, uma organização secreta que busca libertar a humanidade com o uso subversivo da magia e que está em confronto com inimigos mais poderosos dispostos a dominar o mundo.
Somente no www.showtimeradio.com.br (baixe o aplicativo disponibilizado na página principal do site da rádio para otimizar a escuta)

O Caminho do Louco na Rádio MEC

Foi ao ar neste sábado, dia 21 de janeiro, minha participação no programa Conversa Com o Autor, de Katy Navarro, na Rádio MEC AM 800 KHz. O bate-papo, onde falamos sobre O Caminho do Louco, arquitetura, cidades, literatura, narrativas e arte, também pode ser ouvido via streaming no site do programa. Baixe as cartas e escute.

Katy Navarro e Alex Mandarino no bate-papo gravado na Casa da Leitura, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro

Donald

Em O Caminho do Louco, o presidente americano é um idiota vociferante chamado Ronald McMickey. É um trocadilho e a palavra que “Mickey” substitui aí, é claro, é… Donald.
Essa parte foi escrita em 2002.

Lançamento em SP

O lançamento de O Caminho do Louco em São Paulo acontecerá no dia 10/12, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731, jardim Paulista), das 18:30 às 20:00. Apareçam por lá e levem seus arcanos!

https://www.facebook.com/events/1837552909836511/

convitesp