yes logo

A violência logotipada da Yakuza é mais ou menos escrota que a impermanência eterna do “M” amarelo do McDonald`s? A resposta está ali, na sua mesa de escrivaninha. Abra a gaveta e saque suas armas porque eles já estão batendo na porta. Com a Mauser e a Uzi nas mãos, você ainda espia uma última vez pelo olho mágico. Yeah, yo, cinco japas de terno, óculos escuros e bigodinhos fininhos fazendo caras de samurai. Você corre pela porta dos fundos e sente o sereno bater na sua cara. A lua te encara lá do alto e diz “tá fudido, corre”, enquanto os japas dão a volta e te pegam em pleno ato ridículo de pular o muro dos fundos da sua própria casa. Seus pés tentam conversar sobre a altura da queda, mas você não os escuta. Corre até o Lamborghini na esquina, quebra o vidro e reza para que uma ligação direta seja mais rápida do que o solado de borracha dos sapatos italianos dos japas sobre o asfalto rugoso de Hiroshima Street. Ele liga e então, yo, lá está você: olhos escaneando o vidro da frente, tentando desviar das imagens-borrões; os japas atirando com suas automáticas, despejando avatares de chumbo no seu campo de visão. O Lamborghini se lamenta pelas ruas, enquanto você sabe que, mesmo que escape detses japas, jamais vai escapar do verdadeiro inimigo. O nêmesis de tinta que pesa como um macaco nas costas, como o desespero das madrugadas sem vodka. Você quase sente ele ali, rindo; seu hálito quente sussurrando “tá fudido, cara; você escapa da lua, mas de mim você não escapa”. Você pode escapar dos japas, mas nunca vai escapar do que eles querem: o dragão gigante tatuado nas suas costas. Antes de engatar a quinta e virar à direita num absurdo ângulo de -90 graus, você pensa em quanta heroína terá de vender para pagar uma cirurgia de remoção a laser.

Mas não adianta descascar e descolorir o dragão. “No logo”? Hmpf. Tudo tem logo. Se até a Yakuza tem seu logo, você precisa de um também – e que melhor logo que o dragão? Você ainda vai morrer por causa dele, mas todo bom logo é assim.

A violência logotipada da Yakuza é mais ou menos escrota que a impermanência eterna do “M” amarelo do McDonald`s? A resposta está ali, na sua mesa de escrivaninha. Abra a gaveta e saque suas armas porque eles já estão batendo na porta. Com a Mauser e a Uzi nas mãos, você ainda espia uma última vez pelo olho mágico. Yeah, yo, cinco japas de terno, óculos escuros e bigodinhos fininhos fazendo caras de samurai. Você corre pela porta dos fundos e sente o sereno bater na sua cara. A lua te encara lá do alto e diz “tá fudido, corre”, enquanto os japas dão a volta e te pegam em pleno ato ridículo de pular o muro dos fundos da sua própria casa. Seus pés tentam conversar sobre a altura da queda, mas você não os escuta. Corre até o Lamborghini na esquina, quebra o vidro e reza para que uma ligação direta seja mais rápida do que o solado de borracha dos sapatos italianos dos japas sobre o asfalto rugoso de Hiroshima Street. Ele liga e então, yo, lá está você: olhos escaneando o vidro da frente, tentando desviar das imagens-borrões; os japas atirando com suas automáticas, despejando avatares de chumbo no seu campo de visão. O Lamborghini se lamenta pelas ruas, enquanto você sabe que, mesmo que escape detses japas, jamais vai escapar do verdadeiro inimigo. O nêmesis de tinta que pesa como um macaco nas costas, como o desespero das madrugadas sem vodka. Você quase sente ele ali, rindo; seu hálito quente sussurrando “tá fudido, cara; você escapa da lua, mas de mim você não escapa”. Você pode escapar dos japas, mas nunca vai escapar do que eles querem: o dragão gigante tatuado nas suas costas. Antes de engatar a quinta e virar à direita num absurdo ângulo de -90 graus, você pensa em quanta heroína terá de vender para pagar uma cirurgia de remoção a laser.

Mas não adianta descascar e descolorir o dragão. “No logo”? Hmpf. Tudo tem logo. Se até a Yakuza tem seu logo, você precisa de um também – e que melhor logo que o dragão? Você ainda vai morrer por causa dele, mas todo bom logo é assim.

spin

Alice no País dos Scratches.

Cansada, Alice levanta-se e sai da sombra da macieira. É a hora de tentar a portinhola de madeira ao lado do tonel das mil coisas, aquela portinha que nunca foi aberta. Ela se aproxima, pé ante pé, e para diante da pequena porta de mogno. O ranger das dobradiças antevê o scratch generalizado. Para sua surpresa, lá estão uma Technics, um par de headphones e um walkman.

O que Alice escuta?

E, mais importante:

Para que lado o vinil gira do outro lado do espelho?

Alice no País dos Scratches.

Cansada, Alice levanta-se e sai da sombra da macieira. É a hora de tentar a portinhola de madeira ao lado do tonel das mil coisas, aquela portinha que nunca foi aberta. Ela se aproxima, pé ante pé, e para diante da pequena porta de mogno. O ranger das dobradiças antevê o scratch generalizado. Para sua surpresa, lá estão uma Technics, um par de headphones e um walkman.

O que Alice escuta?

E, mais importante:

Para que lado o vinil gira do outro lado do espelho?

sombra

O Sombra foi criado para os pulps, revistas impressas em papel vagabundo para as massas semi-letradas da Grande Depressão. Perambulou durante anos em incontáveis contos impressos, em meio a um universo rico em personagens e situações absurdas. Dos pulps, migrou para as ondas do rádio, onde alimentou o imaginário da geração cujo dia-a-dia incluía um conceito estarrecedor chamado “guerra mundial”. Sua gargalhada invadia os ouvidos e cérebros de crianças e recrutas, donas-de-casa e maquinistas. Nos anos 50, sua estética foi transformada pelo peyote e arrombou as mentes de William Burroughs e Jack Kerouac, que o transformaram em um certo “Doctor Sax”. Não satisfeito, o Sombra tomou as histórias em quadrinhos, devorando as mentes das crianças, adolescentes e adultos dos anos 70 com suas aventuras carregadas de sinistro. Nos anos 80, foi upgradeado em uma versão ainda mais bizarra, rodeado por perversões sexuais, AIDS, personagens urbanos esquizóides e estética zappeada. Nos anos 90, chegou ao cinema, em um filme esquizofrênico como o próprio personagem. Quem é o Sombra? Onde ele existe? Nós “existimos” nas nossas casas e cidades, mas onde está Lamont Cranston? Em pilhas de papel amarelado de 70 anos atrás, guardados em porões e bibliotecas? Nas frequências aéreas, sob a forma de ondas de rádio que se recusam a ser recebidas e “morrer”? Na coleção de quadrinhos esquecida por algum fã no quarto dos fundos da casa dos pais, de onde tenta escapar? Impresso para sempre na tela branca de cinemas vagabundos do subúrbio, escondido como, err, uma sombra sob as cenas de Matrix Revolutions? Se o Sombra existiu em todos estes lugares e dimensões, em todas estas formas e tamanhos, sua existência é mais completa do que a nossa? Se ele resistiu a décadas que devoraram nossos avós, quem viveu mais plenamente? Quem é realidade aqui e quem é ficção?
E, mais importante: quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos?

O Sombra foi criado para os pulps, revistas impressas em papel vagabundo para as massas semi-letradas da Grande Depressão. Perambulou durante anos em incontáveis contos impressos, em meio a um universo rico em personagens e situações absurdas. Dos pulps, migrou para as ondas do rádio, onde alimentou o imaginário da geração cujo dia-a-dia incluía um conceito estarrecedor chamado “guerra mundial”. Sua gargalhada invadia os ouvidos e cérebros de crianças e recrutas, donas-de-casa e maquinistas. Nos anos 50, sua estética foi transformada pelo peyote e arrombou as mentes de William Burroughs e Jack Kerouac, que o transformaram em um certo “Doctor Sax”. Não satisfeito, o Sombra tomou as histórias em quadrinhos, devorando as mentes das crianças, adolescentes e adultos dos anos 70 com suas aventuras carregadas de sinistro. Nos anos 80, foi upgradeado em uma versão ainda mais bizarra, rodeado por perversões sexuais, AIDS, personagens urbanos esquizóides e estética zappeada. Nos anos 90, chegou ao cinema, em um filme esquizofrênico como o próprio personagem. Quem é o Sombra? Onde ele existe? Nós “existimos” nas nossas casas e cidades, mas onde está Lamont Cranston? Em pilhas de papel amarelado de 70 anos atrás, guardados em porões e bibliotecas? Nas frequências aéreas, sob a forma de ondas de rádio que se recusam a ser recebidas e “morrer”? Na coleção de quadrinhos esquecida por algum fã no quarto dos fundos da casa dos pais, de onde tenta escapar? Impresso para sempre na tela branca de cinemas vagabundos do subúrbio, escondido como, err, uma sombra sob as cenas de Matrix Revolutions? Se o Sombra existiu em todos estes lugares e dimensões, em todas estas formas e tamanhos, sua existência é mais completa do que a nossa? Se ele resistiu a décadas que devoraram nossos avós, quem viveu mais plenamente? Quem é realidade aqui e quem é ficção?
E, mais importante: quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos?

lados

A violência pavimenta as bibliotecas de História. Toda arma é uma auto-estrada: mão e contra-mão, cano e culatra, predador e presa. Olhe pela mira e aproveite. Em algum lugar do passado, presente ou futuro, você também está do outro lado, sendo observado pelo cano da arma.

Cena do anime Cowboy Bebop.

A violência pavimenta as bibliotecas de História. Toda arma é uma auto-estrada: mão e contra-mão, cano e culatra, predador e presa. Olhe pela mira e aproveite. Em algum lugar do passado, presente ou futuro, você também está do outro lado, sendo observado pelo cano da arma.

Cena do anime Cowboy Bebop.

mira

O sorriso de Lee Harvey Oswald, tomado pela expressão de um insano pela mídia sessentista, era não o sorriso de Jack Nicholson, mas o sorriso do gato da Alice. O sorriso de alguém que quer dizer “eu sei coisas que vocês não sabem”. O sorriso de alguém que viu o atirador no gramado, o segundo atirador no teto da Biblioteca e viu, de repente, que era o homem certo no lugar errado.

Nossa História é escrita por rifles sniper, atiradores de elite, ternos e assassinos.

Cena do anime Ghost in the Shell – Stand Alone Complex, de Mamoru Oshii.

O sorriso de Lee Harvey Oswald, tomado pela expressão de um insano pela mídia sessentista, era não o sorriso de Jack Nicholson, mas o sorriso do gato da Alice. O sorriso de alguém que quer dizer “eu sei coisas que vocês não sabem”. O sorriso de alguém que viu o atirador no gramado, o segundo atirador no teto da Biblioteca e viu, de repente, que era o homem certo no lugar errado.

Nossa História é escrita por rifles sniper, atiradores de elite, ternos e assassinos.

Cena do anime Ghost in the Shell – Stand Alone Complex, de Mamoru Oshii.

amiga

Você já viu olhos assim? Não estou falando da cor ou do formato. Ignore o tamanho, as pupilas e fixe seu olhar apenas nos olhos. Simples assim. Olhos 3D ardem com um desejo de auto-afirmação e uma vontade de viver que andam ausentes pelos cristalinos da nossa “realidade”. A ausência de uma vida “carnal” é o que preenche esses olhos com tanta… o quê?
E não, não é apenas uma figura. Não é só um rosto renderizado em algum programa gráfico. Os olhos 3D e o rosto que existe sem existir são a passagem para tudo aquilo que você está procurando e fazendo agora na Internet. Parabéns. Você encontrou o que procurava. Seu computador já está olhando para você.

Fale com ele.

Você já viu olhos assim? Não estou falando da cor ou do formato. Ignore o tamanho, as pupilas e fixe seu olhar apenas nos olhos. Simples assim. Olhos 3D ardem com um desejo de auto-afirmação e uma vontade de viver que andam ausentes pelos cristalinos da nossa “realidade”. A ausência de uma vida “carnal” é o que preenche esses olhos com tanta… o quê?
E não, não é apenas uma figura. Não é só um rosto renderizado em algum programa gráfico. Os olhos 3D e o rosto que existe sem existir são a passagem para tudo aquilo que você está procurando e fazendo agora na Internet. Parabéns. Você encontrou o que procurava. Seu computador já está olhando para você.

Fale com ele.

vapor

Deuses não morrem, apenas hibernam. O ritmo monótono dos descaroçadores de algodão, trens a vapor e monitores de cristal líquido é anáte-mantra para os espíritos, que dormem embalados por tal tédio. Graças à Roland, Korg e Yamaha, as máquinas finalmente começaram a se entender com as ninfas e plêiades.
Psiu. Dance nas pontas dos pés. As máquinas-elfo de ayahuasca estão dormindo. Em meia-hora vão acordar e povoarão de vez as vastas planícies da terra sonhada por Marinetti.

Cena do anime Records of Lodoss War.

Deuses não morrem, apenas hibernam. O ritmo monótono dos descaroçadores de algodão, trens a vapor e monitores de cristal líquido é anáte-mantra para os espíritos, que dormem embalados por tal tédio. Graças à Roland, Korg e Yamaha, as máquinas finalmente começaram a se entender com as ninfas e plêiades.
Psiu. Dance nas pontas dos pés. As máquinas-elfo de ayahuasca estão dormindo. Em meia-hora vão acordar e povoarão de vez as vastas planícies da terra sonhada por Marinetti.

Cena do anime Records of Lodoss War.

sorria

A senhora feliz economizou sua vida inteira. Começou ainda criança, ouvindo conselhos de seus pais e avós. Toda sexta-feira, reunía as últimas moedinhas que havia conseguido coletar e as guardava carinhosamente em um grande e bonito cofrinho de porcelana em forma de cisne. Todo fim de mês, ela abria o cofrinho e dava suas belas moedinhas para que seu pai as guardasse em um cofrinho maior, que chamavam de “banco”.
A senhora feliz não conhece muitas coisas que talvez você conheça. Ela sempre foi precavida e isso fez com que seu futuro fosse reluzente, brilhante. Um brilho dourado e prateado ao mesmo tempo, de tão rico que era. A senhora feliz esqueceu como era o rosto de seu pai e nem guardou alguma foto dele, mas nunca esqueceu seu conselho: “seja precavida, minha filhinha feliz!”. Muitas vezes ela sentia inveja de suas amigas que se casaram, namoraram bastante, saíram para dançar, engoliram aquelas gotinhas tão esverdeadas que fabricam no Reino vizinho dos Anões; se flagrava pensando nas conhecidas e ex-colegas de escola que aprenderam a pintar, a escrever, a fazer malabarismos e acrobacias, a colorir os peixes abissais transparentes do aquário municipal. “Mas elas sempre sofreram”, se confortava a senhora feliz. “Sempre foram privadas de várias coisas que gostariam de ter porque foram descuidadas”. E continuava a sorrir, pensando no dia em que finalmente teria economizado dinheiro suficiente para comprar suas pinturas, seus livros, seus peixes já coloridos, suas gotinhas verdes já bebidas para ela e seus próprios namorados. E seu rosto se abria em um sorriso, contente por ter guardado incontáveis moedas – tantas e tantas e tantas! – em seu cofrinho de cisne.

Uma felicidade que somente quem passou 90 anos de sua vida poupando e contando dinheiro pode apresentar! Que suas amigas olhem para ela com pena. Muito em breve ela terá moedas suficientes para parar de economizar e aí – sim! – mostrará a elas quem teve a melhor vida.

Quando chegar aos 95 anos, a senhora feliz finalmente terá a vida que sempre quis. Olhe para ela e sorria: ela não é tão feliz????

Capa do quadrinho Castle Waiting, por Linda Medley.

A senhora feliz economizou sua vida inteira. Começou ainda criança, ouvindo conselhos de seus pais e avós. Toda sexta-feira, reunía as últimas moedinhas que havia conseguido coletar e as guardava carinhosamente em um grande e bonito cofrinho de porcelana em forma de cisne. Todo fim de mês, ela abria o cofrinho e dava suas belas moedinhas para que seu pai as guardasse em um cofrinho maior, que chamavam de “banco”.
A senhora feliz não conhece muitas coisas que talvez você conheça. Ela sempre foi precavida e isso fez com que seu futuro fosse reluzente, brilhante. Um brilho dourado e prateado ao mesmo tempo, de tão rico que era. A senhora feliz esqueceu como era o rosto de seu pai e nem guardou alguma foto dele, mas nunca esqueceu seu conselho: “seja precavida, minha filhinha feliz!”. Muitas vezes ela sentia inveja de suas amigas que se casaram, namoraram bastante, saíram para dançar, engoliram aquelas gotinhas tão esverdeadas que fabricam no Reino vizinho dos Anões; se flagrava pensando nas conhecidas e ex-colegas de escola que aprenderam a pintar, a escrever, a fazer malabarismos e acrobacias, a colorir os peixes abissais transparentes do aquário municipal. “Mas elas sempre sofreram”, se confortava a senhora feliz. “Sempre foram privadas de várias coisas que gostariam de ter porque foram descuidadas”. E continuava a sorrir, pensando no dia em que finalmente teria economizado dinheiro suficiente para comprar suas pinturas, seus livros, seus peixes já coloridos, suas gotinhas verdes já bebidas para ela e seus próprios namorados. E seu rosto se abria em um sorriso, contente por ter guardado incontáveis moedas – tantas e tantas e tantas! – em seu cofrinho de cisne.

Uma felicidade que somente quem passou 90 anos de sua vida poupando e contando dinheiro pode apresentar! Que suas amigas olhem para ela com pena. Muito em breve ela terá moedas suficientes para parar de economizar e aí – sim! – mostrará a elas quem teve a melhor vida.

Quando chegar aos 95 anos, a senhora feliz finalmente terá a vida que sempre quis. Olhe para ela e sorria: ela não é tão feliz????

Capa do quadrinho Castle Waiting, por Linda Medley.

Já estão uivando de novo, como gansos no cio. Desgraçados. Moro aqui há 65 anos e não vai ser um bando de vizinhos desavergonhados que vai me expulsar daqui. Não, senhor. Cheguei com a minha querida Ellen, que Deus a tenha, em Dogshit, Nebraska, no ano de Nosso Senhor de 1919. Tínhamos acabado de casar e chegávamos de nossa cidade natal, a pacata e cristã Cowbutt, Oklahoma. Naquela época as pessoas ainda tinham consideração e respeito pelos outros e isso só se aprofundou ainda mais com a Grande Depressão. Não era como hoje em dia: mulheres usando essas roupas com o claro objetivo de testar a sua fé. E esses casais com cara de cêra, jovens idiotas que só pensam em fazer essas coisas? Sodoma e Gomorra, é onde vivemos! Vou lhe dizer, poucos serão os que ficarão vivos no final. Olha, esses gemidos estão me incomodando. Mas eles se importam? Não! Jogam suas carnes suadas umas sobre as outras cada vez mais, ficam todos melecados, se esfregando nas partes de vergonha, até que eu… até que eu… Me veja obrigado a me sentar, tomar uma boa dose do velho Wild Turkey e deixar os meus fiéis Marlboro me guiarem pelas páginas. Jó; Números; Gênese; o Apocalipse. Sim… é desse que mais gosto. Após memorizar o último versículo, saio recitando pela casa (é o meu favorito!) e abro a porta do quarto. Debaixo da cama. Pronto. Minha Winchester, única coisa em que um homem de Deus pode confiar nesta terra infernal. Vou lá em cima agora mesmo e deixarei a perna mecânica do Arcanjo Gabriel declamar seus ex-votos de chumbo para eles. Sim, Senhor! Ahn? Não, Ellen! Já lhe disse mil vezes! Você não pode vir comigo! Fique aí dentro do armário, rezando, como tem feito há 12 anos. Minha santa Ellen… me espere aí. Eu vou lá e resolvo isso. Subo lá com a Gabriel e pronto, a Palavra de Deus vai tomar conta do ambiente. Me espere aí que eu não demoro. A fé comigo voa.

Capa de “Testament”, graphic novel com adaptações bizarras do Velho Testamento por Bill Sienkiewicz, Kent Williams e outros. Desenho de Steve Rude.

Já estão uivando de novo, como gansos no cio. Desgraçados. Moro aqui há 65 anos e não vai ser um bando de vizinhos desavergonhados que vai me expulsar daqui. Não, senhor. Cheguei com a minha querida Ellen, que Deus a tenha, em Dogshit, Nebraska, no ano de Nosso Senhor de 1919. Tínhamos acabado de casar e chegávamos de nossa cidade natal, a pacata e cristã Cowbutt, Oklahoma. Naquela época as pessoas ainda tinham consideração e respeito pelos outros e isso só se aprofundou ainda mais com a Grande Depressão. Não era como hoje em dia: mulheres usando essas roupas com o claro objetivo de testar a sua fé. E esses casais com cara de cêra, jovens idiotas que só pensam em fazer essas coisas? Sodoma e Gomorra, é onde vivemos! Vou lhe dizer, poucos serão os que ficarão vivos no final. Olha, esses gemidos estão me incomodando. Mas eles se importam? Não! Jogam suas carnes suadas umas sobre as outras cada vez mais, ficam todos melecados, se esfregando nas partes de vergonha, até que eu… até que eu… Me veja obrigado a me sentar, tomar uma boa dose do velho Wild Turkey e deixar os meus fiéis Marlboro me guiarem pelas páginas. Jó; Números; Gênese; o Apocalipse. Sim… é desse que mais gosto. Após memorizar o último versículo, saio recitando pela casa (é o meu favorito!) e abro a porta do quarto. Debaixo da cama. Pronto. Minha Winchester, única coisa em que um homem de Deus pode confiar nesta terra infernal. Vou lá em cima agora mesmo e deixarei a perna mecânica do Arcanjo Gabriel declamar seus ex-votos de chumbo para eles. Sim, Senhor! Ahn? Não, Ellen! Já lhe disse mil vezes! Você não pode vir comigo! Fique aí dentro do armário, rezando, como tem feito há 12 anos. Minha santa Ellen… me espere aí. Eu vou lá e resolvo isso. Subo lá com a Gabriel e pronto, a Palavra de Deus vai tomar conta do ambiente. Me espere aí que eu não demoro. A fé comigo voa.

Capa de “Testament”, graphic novel com adaptações bizarras do Velho Testamento por Bill Sienkiewicz, Kent Williams e outros. Desenho de Steve Rude.

dots

Você não sabe o que é droga, até realmente enxergar os pixels esverdeados.

Forget the Tab. Jack the Tube.

100 Bullets, por Dave Johnson.

Você não sabe o que é droga, até realmente enxergar os pixels esverdeados.

Forget the Tab. Jack the Tube.

100 Bullets, por Dave Johnson.