Uma pena que a Internet, a maior invenção da humanidade, espécie de Biblioteca de Alexandria com curadoria dos situacionistas, seja usada de forma tão comédia pela maioria das pessoas, que se limitam a dizer com quem ficaram, quem comeram, quem as comeu, como as comeu e onde foram dançar música ruim antes de dar. Bruce Sterling diz que é tempo de sermos generosos. Colocar na rede o que temos, seja textos, músicas, quadros, quadrinhos, vídeos, games. Infelizmente cada um coloca o (pouco) que tem.

A noite do Rio está mesmo em seus estertores, como um zumbi de filme mexicano. Um evento riponga no Armazém 5 do Cais do Porto, há alguns dias, com gente jogando quilos e quilos de farinha do mezzanino do armazém e fazendo esculturas de gelo no chão, mereceu capa do Segundo Caderno do Globo, sob o título “Delicioso Caos”. É, em faculdade de jornalismo não ensinam nem o que é caos, quanto mais estética.

Procurando por algum outro serviço para hospedar meu blog, acabei me deparando com alguns blogs incrivelmente cretinos. Daqui a uns quinze anos, essa proliferação de blogs, reality shows e webcam-sites certamente será prato cheio para antropólogos e sociólogos. Já o é hoje em dia, mas é impossível analisar algo propriamente quando se está dentro do olho do furacão.

Em tempo: a ordem das notas será cronológica (e não em cronologia reversa). Portanto, a leitura é de cima para baixo mesmo. Role a página até o final pra ver se tem coisa nova. Acho que faz mais sentido assim.

Pois é, após merecidas férias de qualquer coisa relacionada à Internet, resolvi reativar meu blog. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que minha senha já não era mais aceita pelo Blogger, após quase um ano sem “atualizá-lo”. Procurei outro serviço de blog, mas o Blogger é – acho – o único que permite o alojamento em qualquer servidor que eu queira usar. Como pretendo mover essa tralha para a minha própria página, optei por abrir outra conta no Blogger mesmo. Bom, o blog anterior (Harper’s Bizarre) continua no ar, em http://mandarino.blogspot.com. Mas o Hypervoid promete ser mais interessante e, digamos, incisivo ; )

Ah, e não é um diário barato. Nada de Big Brother em pixels por aqui. Não vejo porque outras pessoas gostariam de ler sobre as desgraças das ridículas vidas alheias. Façam algo interessante antes de escrever: viajem para o Nepal e façam um bungee-jumping sobre uma ponte de madeira sobre a neve; vão tomar ecstasy em Bali, sei lá. Depois voltem e coloquem no maldito blog. Mas escrevam sobre vidas interessantes, não para reclamar que um cafona deu em cima de você em um show igualmente cafona no Ballroom.

O blog esteve meio parado esses dias, mas é Carnaval e, tirando o Cliff Steele, ninguém é de ferro. Make My Mardi Gras.

Prometi para mim mesmo que nunca iria falar de sexo nesse blog. É incrível como se fala de sexo hoje em dia. E falar de sexo é como descrever um quadro ou ouvir um fanho cantando sua música favorita. Será que se fala muito porque se faz pouco? O pior é que não: se faz muito sexo hoje em dia. Talvez se faça mal, mas se faz. Acho que foi o Gore Vidal que disse que “todos os discursos giram em torno de sexo e política”. Como os iguais se repelem e todo discurso é sexual, falar de sexo nem sempre é sexy. E o pior é que, como sexo normalmente é uma coisa feita – pelo menos – a dois, sempre se acaba contando coisas indizíveis de terceiros nos blogs. Na era do “kiss & tell” institucionalizado, eu é que não vou sair expondo outras pessoas. E como narrativas sobre masturbação dificilmente são espetaculares, nada de sexo aqui no Bizarre.

Por falar em Gore Vidal, sempre é bom lembrar que o gore é vital: joguem GTA 3. 

O calor, recém-chegado do Zimbabwe, me chamou para fora de casa. Andei pela praia por alguns quarteirões. Quer dizer, “praia” é um termo que deixou de ser aplicável à “praia” das Pitangueiras há mais de vinte anos. Minha avó jura que, quando veio morar aqui, no início dos anos 50, a água era cristalina. Hoje, nem na areia dá para pisar. Mas de noite, vendo do asfalto, a escuridão esconde a sujeira e o mar de óleo e até que fica bonito. A Lua estava espantosamente cheia e a superfície da água refletia um vasto brilho de zinco. Ao lado do reflexo da lua, uma pequena ilha transformada em refinaria de óleo, com as luzes todas acesas, deixava sobre a água um reflexo do mesmo tamanho, só que dourado. Pareciam irmãos negativos de diferentes dimensões, como em um número de Invisibles. 

Bom, relutei muito em criar um blog. A esmagadora maioria dos blogs que eu conheço são caixas mal-ajambradas de nonsense e viagens egomaníacas cheias de lavação de roupa pública (ou púbica). Mas um blog talvez possa ser divertido, vejamos. Bom, resumindo, aqui você encontrará minhas opiniões, ações e reações às coisas que eu vejo, sinto, provo, cheiro, bebo, escuto e falo. Vou tentar manter uma atualização decente e postar textos, resenhas, opiniões, achismos, contículos e outros elementos bizarros. Bem-vindos ao mundo estranho da Harper’s Bizarre. 

Oi. Bem-vindos ao meu blog.