"of the poison creosote"

Ontem andando do trabalho para casa consegui amarrar duas linhas soltas da cena final do Tarô, que me incomodavam há anos. Andar sempre faz meu cérebro ter ideias, como se o inconsciente fosse movido a corda. Fiquei feliz com as ideias e por pouco esqueci de anotar assim que cheguei em casa. Felizmente lembrei e já estão nas notas do romance. Estou pensando em passar a usar algum aplicativo de gravação de voz do iPhone para anotar essas ideias enquanto ando. O problema depois vai ser lembrar que elas estão ali, em áudio, e não em um .txt ou alguma parte do Scrivener. O iOS já deveria ter um sistema de arquivos mais aberto e compreensível a essa altura.

Achei que o iCloud Drive fosse resolver isso, mas é apenas mais um serviço da Apple que deixa a desejar, como o iTunes Match, Apple Music, iCloud Mail e tantos outros. Se todos funcionassem azeitados como o Messages e o FaceTime seria ótimo. Mas a Apple sempre foi deficitária nos serviços online, que parecem apenas um hobby para eles, e além disso vem deixando cada vez mais bugs infestarem seus sistemas operacionais. Já vi usuários antigos de OSX gritarem que parece Windows mais de uma vez este mês, o que mostra o quão baixo o Yosemite chegou. Abre o olho, Apple.

Mas, enfim: feliz por ter amarrado de forma satisfatória dois ou três subplots do Tarô que eu ainda achava meio frouxos. Adoro caminhar, se morasse em um local mais verde eu certamente teria mais ideias andando e passeando. Vamos chegar lá.

Ouvindo: a trilha sonora da primeira temporada de True Detective.

Lendo: os vários novos sites que adicionei ao Feedly, em minha peregrinação para fora do Facebook (que site deprê).

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Vista de uma catarata a partir da Mist Trail, no Yosemite real. Foto © David Fulmer, licensed Creative Commons Attribution.

Literatura nada barata

“The Brazilian writer’s Complete Stories reveals she was a genius on the level of Nabokov”, diz Jeff VanderMeer da genial Clarice Lispector. VanderMeer, por sua vez um autor também brilhante, reconhece, mesmo que através de traduções para o inglês, o brilhantismo de Clarice. Enquanto isso, no Brasil, nossos “autores” de fantasia defendem a falta de qualidade literária e a descrição de cenas de RPGs.

Aliás, tornou-se um tropo da ignorância entre nossos “autores” de fantasia atacar a literatura e defender o descerebralismo. Toda semana um deles aparece no FB atacando Tolkien. Há muito mais do que mera ironia no fato de Tolkien ser atacado como “mau escritor” ou até como “péssimo worldbuilder” por figuras que cometem livros decalcados em Dungeons & Dragons. Com a palavra, Gary Gygax, criador do D&D e, por conseguinte, do RPG como o conhecemos:

“Como Tolkien influenciou o jogo D&D? Opa, muito, claro. Praticamente todos os jogadores eram grandes fãs de JRRT e eles insistiram que eu colocasse no jogo o máximo possível de influência de Tolkien. Qualquer um que se lembre do jogo D&D original saberá que ele tinha Balrogs, Ents, e Hobbits. Depois foram removidos e substituídos por coisas novas, não-JRRT, coisas substitutas como os demônios Balor, Treants e Halflings. Na verdade, quem pode duvidar da excelência da escrita de Tolkien? É claro que teve um forte impacto nos jogos D&D.”

Prefiro acreditar na opinião e no gosto crítico do criador de D&D do que em seus jogadores tardios, gente que confunde descerebralismo com entretenimento. Diversão não precisa ser cretina.

Ouvindo: There Were Seven, The Herbaliser.

 

 

Bad ambient

Figuras no Facebook (sim, eu sei, mereço) falando da tal luta de mulheres no tal UFC que durou os tais 34 segundos. Nem vou entrar no mérito do quão fim de civilização o sucesso de uma luta de vale-tudo televisionada representa. Parece que uma das mulheres, a brasileira, fez piada com o fato do pai da adversária ter cometido suícidio (Brasil, sempre classy). Um sujeito no FB afirma que só por isso ela não deveria ter sido nocauteada em 34 segundos, mas “saído morta do ringue”. Combater falta de classe e radicalismo movido por fraqueza com falta de classe e radicalismo movido por fraqueza parece ser o tom do FB.

Ouvindo muito ambient esses meses, muito mais do que qualquer outro gênero. Apazigua, relaxa, faz a mente passear e, principalmente, junta os cacos espalhados pelo uso de coisas fragmentadas ao longo de todo o dia.

Ouvindo: Minha rádio Ambient, que criei na Pandora.

Vendo: Person of Interest, revendo a quarta temporada com a Lelê, que não havia assistido essa ainda. Muito bom ter algo em rede aberta tão francamente anti-Google, anti-FB e pró-privacidade. O episódio meio “Corra, Lola, Corra” onde a Máquina realiza simulações e Harold a ensina a jogar xadrez chega a ser experimental em sua narrativa. E ainda apresenta um monólogo digno de um Emmy, com Michael Emerson falando sobre xadrez e contracenando com um celular.

Lendo: A ótima newsletter de Warren Ellis, Orbital Operations.

"She will love you like a fly will never love you"

Voltando a tentar escrever diariamente neste blog e também voltando a tentar tratá-lo como um blog pessoal, um diário, levando em conta o termo ‘log’ (olá, Log lady, long time no see). Não sei se ainda existem leitores de blog, mas sou uma criatura dos primórdios da Internet e gosto do formato blog – o que é irônico, levando em conta que lá pelos idos de 2002, quando criei este blog e ele ainda era chamado Hypervoid, um dos primeiros posts foi justamente explicando como eu desprezava o formato blog e estava apenas vendo a temperatura da água. Pelo jeito a água estava morna.

Cada coisa em seu lugar. Neste blog ficarão coisas desse tipo: blábláblá em primeira pessoa, comentários rápidos sobre coisas que vi/li/ouvi/visitei/etc e sobre a quantas andam minhas tentativas de escrever/editar/traduzir/publicar/revisar/sequenciar samples e beats de forma (in)coerente. Minhas fotos continuarão no Flickr e provavelmente estarão também em algum Tumblr a ser criado. Já artigos maiores onde mandarei caôs sobre temas que me interessam (se quiserem podem chamar de ensaio, crônica ou coisa pretensiosa do tipo) estarão em um blog no Medium ainda a ser criado. Os micro-contos publicados aqui neste blog também serão automaticamente publicados em seu próprio Tumblr.

Por quê Tumblr para as fotos e os micro-contos? Porque Tumblr tem leitores, blogs não mais. Por quê Medium para os artigos maiores? Idem ibidem, Medium tem leitores. Medium e Tumblr são excelentes em catapultar seu conteúdo para o campo de visão de outras pessoas. Por quê então manter o blog pessoal “de escritô/tradutô/sequenciadô de batidinhas” no seu blog mesmo, se blogs não têm mais leitores? Porque não sou famoso e se alguém por algum acaso quiser saber sobre o que estou fazendo virá aqui no meu site pessoal, de qualquer forma. Cada um com seu cada um. Blog pessoal é mais exercício de escrita e flexão de músculos do que qualquer outra coisa. Claro, tentarei colocar coisas interessantes nele, mas a verdade é que é um exercício pessoal.

Ah, sim, o antigo Hypervoid tentava dar notícias, resquícios de uma mente moldada (deturpada?) por 15 anos de trabalho em jornalismo diário e revistas mensais. Essas eu tenho colocado no Twitter e no Facebook mesmo: se prestam pra isso. Fáceis de publicar, fáceis de ler, fáceis de sumir nas areias da timeline. Talvez eu faça uma newsletter mensal, mezzo-pessoal como este blog e mezzo-notícias sobre coisas que chamam a minha atenção neste mundão antropoceno que nos rodeia. Só este mês umas cinco pessoas vieram me dizer que sou “a pessoa que posta as coisas mais legais no Facebook” entre os amigos delas.

Espero que isso conte favoravelmente em relação ao que eu posto e não apenas desfavoravelmente em relação aos tais amigos delas.

Talvez valha a pena uma newsletter. Adoro o formato.

Enfim.

Tarô está há dois meses com a editora XXXXX, mas parece que as coisas estão meio paradas por lá. Um amigo meu está dando uma lida nele também, vamos ver o que acontece. Estes personagens estão berrando na minha cabeça, querendo o repouso do papel. Amo estes personagens.

Traduzindo agora What She Left, thriller epistolar para a Bertrand. Escrita best-seller, mas com um nível OK. Lembra The Killing ou uma Laura Palmer light às vezes.

Também traduzindo XXXXX, outro Star Wars para a Aleph (meu quarto SW para eles). Não sei se posso divulgar o nome do livro, daí os Xs.

Ouvindo: Heligoland, Massive Attack

Lendo: Heavy Metal #275, a última edição antes da chegada de Grant Morrison como EIC. Edição especial com quadrinistas mexicanos. Bem fraquinha, clichês de cyberpunk que já eram datados nos anos 00, talvez 90. Traço meio Image em alguns momentos. Image velha. Hm. Vamos lá, Grant, sacuda essa porra.

Vendo: True Detective – que temporada sensacional essa segunda.


Marie adora viajar ouvindo Sunn O)))

Hypervoid estava aqui, mas vem aí

Desde 2002 mantenho este blog (até dois anos atrás chamado Hypervoid). Aqui eu costumava escrever sobre coisas gerais da cultura pop e da cybercultura, quando ainda fazia sentido chamar tais coisas de cybercultura. Além de abordar quadrinhos, games, literatura, música, tecnologia, subversão, anarquismo, magia, moda e o que mais passasse pela minha cabeça, usava o blog para publicar meus micro-contos e fotos. Tudo continua aqui, é só checar os posts mais antigos. Também foi ótimo para testar plataformas: passei pelo Blogger (brasileiro e americano), MovableType, WordPress (ambos em meu próprio servidor, na época o Bluehost) e outros menos votados. Acabei fixando de vez – ao que parece – no Squarespace. O Squarespace é como a Apple dos criadores de sites. É um jardim fechado, mas tem excelente design, “just works” e não me pede que eu fique perdendo tempo atualizando sistemas, fazendo a manutenção de coisas instalados e pesquisando porque um plugin parou de funcionar. O Squarespace permite que eu me concentre no design e na escrita, Acho que depois dos 40 abrir o capô e mexer no motor perde a graça. 

Quando olhei para o lado, em 2012, o Hypervoid já tinha dez anos e quase nenhum leitor. Os antigos blogueiros e leitores tinham todos migrados para o Facebook e o Twitter. De forma que o bom e velho Hyper mudou de função: passou a se chamar simplesmente “Blog”, dentro de uma página pessoal maior. E passou também a cumprir uma função ao mesmo tempo menos ampla, porém maior. No blog agora falo sobre minhas peripécias como escritor, tradutor e não-músico (conceito ótimo criado por Brian Eno e alvo de um futuro post). Pretendo colocar aqui entrevistas com autores, músicos e artistas que admiro, falar sobre as coisas que venho escrevendo e criando e também sobre as coisas que venho lendo/ assistindo/escutando, sob um outro prisma que não o do resenhista. Os micro-contos e as fotos continuam, claro. 

Já o aspecto “link blog” que acabou me fascinando, por sua rapidez e satisfação estética, terá lugar no meu Tumblr, onde posto imagens e textos sobre as coisas que foram o tema do antigo Hypervoid em seus primeiros dez anos de existência: games, quadrinhos, artes visuais, literatura, tecnologia, fotografia, mágicka, desinformação, notícias, etc. É como falar com um velho amigo de outra forma; como revisitar um pen pal pelo Skype. 

Não esperava ainda estar blogando após doze anos. Mas tem sido uma experiência que reúne os dois aspectos mais importantes em tudo para mim: diversão e variedade. 

E o nome Hypervoid não foi abandonado. Em novembro, ele passa a batizar uma nova etapa em minha vida. Aguardem.

Boas notícias, ainda secretas

Leitores antigos deste blog – ainda estão aí? Anônimo Veneziano, where art thou? – devem se lembrar que o período de maior atividade por aqui aconteceu lá pelas plagas temporais de 2003, 2004, 2005. O blog como ferramenta ainda era uma novidade e não havia perdido espaço para redes sociais e microblogs. E eu mesmo estava, bem, desempregado, o que me permitia em um enorme paradoxo ter mais tempo, menos vontade, mais paciência, menos disposição e outras estranhas dicotomias envolvendo a postagem de coisas.

Bem, resolvi voltar a postar regularmente, uma decisão que já tomei há vários meses e que até então havia se manifestado apenas nas novidades visuais e estruturais do site, com exceção de um ou outro post errático. Para encurtar essa história, basta dizer que os posts voltam de vez em caráter regular. Para quem ainda usa feeds RSS e bookmarks – ferramentas que adoro – atualizem seus links e pointers.

O que houve entre 2005 e 2007? Bem, o blog não ficou parado a tôa. Mudei de profissão, finalmente deixando para trás o jornalismo. Virei funcionário público, mudei de casa, perdi entes queridos e tive que me adaptar a um ritmo novo de trabalho (em relação ao day job). Para coroar isso, passei pelo desprazer de ter que lidar com relacionamentos que… bem, “complicados” é um eufemismo. Corro mesmo o risco de admitir aqui, em mezzo público, que alguns traumas mostraram sua feia cara.

Felizmente tudo mudou. Day job, relacionamento, relação com o tempo e com as pessoas, disposição; tudo parece ter se encaixado para melhor. Mas, bem, o que importa é que desde 2008 venho me aventurando por novas coisas, como trabalhos de sound art, o meu romance em andamento, novas coisas de música eletrônica. E finalmente começarei a traduzir de vez coisas de ficção – e em prosa; ou seja, livros. Até agora havia traduzido artigos jornalísticos e quadrinhos como The Invisibles, de Grant Morrison, mas começo a estrear na tradução da literatura de ficção. O que e como ainda é segredo, já que nada foi revelado ainda, mas em breve não deixarei de citar por aqui o que é.

Para quem acompanha este blog e meus projetos online e offline, seja em literatura, tradução, música ou jornalismo, meu obrigado pela atenção dispensada. Para os que me apoiaram com sugestões, críticas e recomendações, meu obrigado ainda maior. Continuem por aqui que o Hypervoid não vai a lugar algum.

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Este site – e o blog em especial – não têm como competir com a velocidade e a ubiquidade de coisas como Facebook e Twitter em termos de cobertura jornalística. Mesmo quem não é adepto de redes sociais ou microblogging provavelmente obtêm suas notícias através de feeds de sites como Gizmodo, Joystiq, Slashdot, bOING bOING ou por vídeos do YouTube. O Hypervoid é um site / blog mantido por apenas uma pessoa, sem condições de competir em termos de velocidade, amplitude ou dedicação. Por isso, notícias por aqui ainda aparecerão, mas quando acompanhadas de ensaios e críticas minhas; ou seja: os posts ficarão mais personalizados. Como este mesmo, aliás.

Quem quiser pode ter sua dose diária de novidades sobre games, quadrinhos, arte e coisas hypervóidicas tradicionais assinando ou visitando minha página de Itens Compartilhados do Google Reader, onde tento realizar pequenos comentários sobre algumas coisas que sempre me interessaram. Os poucos que usam Google Buzz também podem acompanhar por lá. Estou tentando encontrar uma boa forma de embutir os Shared Items em algum ponto deste site; talvez como uma página à parte ou um blog interno.

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Bom thread sobre screenshots de games do ponto de vista estético/artístico. Poucos usuários conseguiram realmente entrar na idéia inicial do thread, mas vale a pena a visita pela quantidade concentrada de cenas épicas e fantásticas de diversos jogos de PC e consoles. Além de vários links para galerias de Flickr sensacionais.

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Blog troglodita, quer dizer, poliglota

A partir de agora os posts do blog – e quase todo o conteúdo do site como um todo – serão bilíngues, com versões em português e inglês. Me digam o que acham disso e se funciona.

Hypervoid’s back

Após um hiato de meses (quase um ano) movido 1) pela preguiça 2) por traumas emocionais 3) por pura e legítima falta de tempo 4) escolha seu motivo aqui, o Hypervoid retorna – e desta vez para se instalar confortavelmente e ficar. No ar desde 2002, o site já passou por várias mudanças. De casa, de visual, de CMS, de proposta. Mas sempre mantendo mais ou menos o mesmo estilo e cara. Após passar pelo Blogger, WordPress, Blogger brasileiro, Movable Type, WordPress novamente, Movable Type 4 (ótimo, mas com limitações navegacionais básicas, como a lamentável ausência de paginação), o Hypervoid completa seus oito aninhos na boa, em novo CMS e nova casa. Melhor do que nunca.

Deixando de ser um conjunto de sites diferentes, o Hyper passa a ser um só site agregador, composto por diferentes páginas. O site de notícias sobre cultura pop, tecnologia, arte, música, games e urbanóia em geral será acompanhado do meu site de contos (o antigo Hyperpulp), que volta a ser atualizado regularmente, com séries em capítulos). O site abriga ainda espaço para o Chip Totec, meu projeto de música eletrônica que este ano completa seus 12 (!) anos de existência subterrânea. Confiram as músicas na sensacional Last.fm. Galerias de fotos, recortes-haiku-visuais da web e páginas diversas serão adicionadas ao Hyper. Vamos ver como ele reage, coitado, a esta injeção de elementos de portal de notícias e de site de criações pessoais. Esquizofrenia? Moi?

Avise seus amigos.

De Volta

Buenos Aires foi sensacional e essa semana começo a postar as fotos aqui – e a comentar sobre coisas da cidade.

Buenos Aires foi sensacional e essa semana começo a postar as fotos aqui – e a comentar sobre coisas da cidade.