O excelente quadrinho francês Blacksad, policial, está saindo no Brasil em edições do SESI-SP. Se passa nos anos 50, então queria saber de onde o tradutor tirou o “celular” do quadro abaixo.
No original o personagem fala em “mobile”, ou seja, o móbil do crime. O motivo do crime. Não adianta contratar gente que seja fluente na língua original, gente. Tem que ser alguém com excelente vocabulário em português, também (sem falar que celular em francês é “portable”).
Quadrinhos então é uma pena, porque acho que nunca se viu tantas edições excelentes no Brasil, mas várias e várias com uma tradução tão ruim, mas tão ruim, que na prática só tenho comprado as edições originais mesmo.
Não é mera chatice minha. É que tem muito tradutor bom por aí sem trabalho, e qualidade gráfica não é nada sem uma boa tradução/revisão.

September 06, 2017 at 02:58AM

Vejo editoras minúsculas se matando para colocar nas bancas tiragens reduzidas de mangás e fumetti, lutando para abrir na base da faca algum espaço na máfia dos distribuidores, bancas, gráficas e livrarias. Mas o que é o papel? Apenas um suporte caro, trabalhoso, custoso, pesado, potencialmente bolorento e pouco ecológico no qual algumas páginas são “projetadas” (impressas). Um tablet ou ereader são um suporte bem melhor, com várias vantagens e nenhuma dessas desvantagens. Lancem essas porras em digital e parem com essa mania de Sísifo de ficar rolando pedregulho analógico ladeira acima do século XXI e sofrendo.
PS.: Para quem vier – como sempre acontece quando o tema é esse – falar sobre como “ah, mas o cheiro do papel”, deixo aqui a máxima do mestre da black music George Clinton:
– Hey man, smell my finger.

August 31, 2017 at 02:40AM

Encontrei isso em jornalismo, o que era esperado por ser um mundo careta e onde se luta por migalhas. Mas é muito bizarro ver isso também em música alternativa, sound art, literatura, quadrinhos. Gente que deveria conhecer melhor o mundo ao invés de repetir os mesmos dioramas toscos dos anos 50, os mesmos critérios imaginários do que é o modo “certo” ou “errado” de fazer as coisas. Diabos, marqueteiros mais ou menos medíocres conseguiram arrancar dinheiro de loucos como John Lydon, Kurt Cobain, Jim Morrison, Iggy Pop, Crumb, Pazienza, Cassavetes, etc. Aqui no Brasil esperam que todo mundo, não importa a posição política/ética/estética se enquadre no mesmo modus operandi de uma Barbara Cartland, uma (insira aqui o nome da autora de 50 Tons de Cinza), um Coldplay. Rolo compressor unificador, para disfarçar a falta de talento de quem deveria pensar em como ganhar dinheiro com os malucos. Dica: não vai ser colocando o maluco redondo num buraco quadrado.

July 06, 2017 at 09:58PM

RIP Joan Lee.
Morreu aos 93 anos a mulher de Stan Lee, com quem ele casado há 70 anos. Sem Joan, é bem provável que a Marvel não existiria. Quando Lee pensou em pedir demissão da editora que se tornaria a Marvel, em 1961, para virar romancista, ela sugeriu a ele na véspera: “já que você quer pedir demissão mesmo, não tem nada a perder, porque não escreve os quadrinhos que realmente quer escrever? Aplique aos quadrinhos a mesma vontade autoral que você quer aplicar aos seus romances. O máximo que podem fazer é te demitir”.
No dia seguinte, Lee criou o Quarteto Fantástico e, assim, a Marvel.
Joan Lee é co-criadora de todo o universo Marvel.

May 25, 2017 at 11:26AM

E também chegou a edição hardcover de trabalhos escritos por Alan Moore para a DC. Coisas muito legais como as histórias que ele fez para Green Arrow, Vigilante e outros. Bela edição, com vários extras.

May 25, 2017 at 11:24AM

Também pintou aqui a nova edição de Batman: Year One, de Miller, Mazzucchelli e a sensacional Richmond Lewis. Bela edição, com cores excelentes (Lewis usou aquarelas para essa edição, ao invés da marcação gráfica de cores da edição original).

May 25, 2017 at 11:22AM

Chegou por aqui: hardcover com alguns trabalhos do sensacional José-Luis García-Lopez, um dos meus desenhistas favoritos. Boa edição, embora eu não seja muito fã desse papel glossy brilhoso.

May 12, 2017 at 12:20PM

Pessoal, tô vendendo todas minhas revistas Marvel/DC. Se souberem de algum colecionador interessado me avisem 🙂
Coleção completa Marvel e DC da Abril e da RGE.
Mais umas coisas esparsas da EBAL.
É pra abrir espaço. Não quero mais ter revistas, só TPBs.

Câmara Sombria

Concordo 100% com esse cara nos dois casos e lembro de ter adorado esse texto quando saiu. Aliás, ele toca num ponto chave: a forma como Moore foi tratado pelos outros “criadores” (leia-se regurgitadores do que ele fez) e por boa parte dos “fãs” (leia-se condutores de cadáveres) foi revoltante. Esqueceram a ética na lixeira em prol de poderem ler mais uma historinha medíocre com os mesmos personagens. Foi por esses motivos tb que, na hora de dar uma grana por TPBs ou revistas, passei a mirar somente na Image, Dark Horse, Fantagraphics, Oni Press, IDW, Valiant, Boom, etc. Foda-se Marvel e DC. Gosto dos personagens, mas posso muito bem pegar minhas edições e reler, até pq são bem melhores do que o fanfic oficial que elas lançam hoje.
http://comicsalliance.com/creator-rights-before-watchmen-avengers-moore-kirby/
The Ethical Rot Behind ‘Before Watchmen’ & ‘The Avengers’ [Opinion]
Aliás, esse é um triste efeito colateral dessa explosão do nerd como consumidor mainstream: nerds compram toda e qualquer merda que sair com seus personagens favoritos. Eles não pensam em termos de autores e criadores, como fazem os cinéfilos, leitores de ficção em prosa, etc. Vão atrás do Batman, não importando se é do Miller, do Moore, ou do Chuck Dixon. Debatendo se ele ganha ou não do Lanterna Verde, como se ele fosse uma pessoa real e não uma criação. Como se não dependesse exclusivamente do roteirista ele ganhar (ou não) do Lanterna Verde e etc. Vivem num mundo mágico infantil de consumo descerebrado de Funkos.