July 12, 2017 at 08:54PM

Apesar de ser anarquista e ter sempre acreditado no anarquismo como opção, quando a coisa aperta e vejo como essa escolha ainda é distante e (até certo ponto) utópica, voto na esquerda. Votei no Lula contra o Collor no segundo turno (no primeiro votei em Roberto Freire, então no PCB e com um discurso de fazer chorar a versão Mundo Bizarro atual dele); votei em Brizola umas duas vezes; votei no Lula de novo contra FHC; votei no Lula mais uma vez na eleição em que ele virou presidente. E aí, apesar do acerto que foi o Bolsa Família, nunca mais votei no PT (e nunca mais farei isso). Não votei em ninguém na eleição para o segundo mandato de Lula e anulei para não votar na Dilma (não votei em Marina porque evangélicos).
É incrível como o Brasil caiu em tão pouco tempo. Pode-se culpar um monte de gente. Pode-se culpar o PT, por ter feito asneiras como essas alianças todas (tá, não precisam comentar cinicamente sobre o tal pragmatismo político; vejam no que deu isso), por Belo Monte, por massacrar as demais esquerdas. Pode-se culpar os eleitores do PT, por não terem visto a cara do Temer na tela da urna, em um país que já nos pariu vices como Sarney e Itamar. Pode-se culpar a nossa colonização predatória, o coronelismo que se espraia até hoje. Pode-se culpar o sistema educacional falido. Pode-se culpar os paneleiros e a MBL, os palhaços pessoais da Fiesp.
Eu, pessoalmente, culpo dois grupos: culpo os militares e a asneira que foi a tal anistia ampla, geral e irrestrita, que manteve os cadáveres e espectros da ditadura andando por aí, ganhando força até virar o bozonazismo atual; e culpo quem chamou os manifestantes de 2013 de vândalos. Sim, acho que foi em 1964 e em 2013 que o Brasil perdeu o bonde da História de vez. 2013 foi um ponto de virada, a coisa toda era para ter ido para o lado certo ali. Mas, nossa, vidraças, nossa, mascarados. Buá.
Mas o que quero dizer com isso tudo é que esse bonde partiu. Não adianta culpar ninguém e ficar nesse binarismo de dedos apontados (tortos) pra lá e pra cá. Estamos todos fudidos juntos agora. E aí?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *