June 28, 2017 at 12:51PM

Esse episódio 8 de Twin Peaks não apenas foi inovador para a narrativa de TV, mas também para a própria narrativa cinematográfica. Nunca vi nada parecido. Claro, estão presentes ali diversas referências, que ressaltam a formação de Lynch como artista e cineasta: Kubrick, Jean Cocteau, expressionismo alemão, Maya Deren e os cineastas underground dos anos 40 e 50, os quadrinhos de horror da EC Comics. Juntar referências díspares da cultura pop e da cultura cinematográfica (muitas a essa altura já ultrapassam o arcabouço do pop) sem que tudo soe uma salada (oi, Tarantino) ou fake (oi, Guy Ritchie e 99% dos “cineastas” do século XXI) não é para qualquer um. Neste mero episódio Lynch mostra que é um dos artistas mais relevantes em atividade, um dos poucos que sobraram. E cria uma das coisas que mais me impressionaram nos últimos, sei lá, 20 anos.
Um outro ponto impressionante é o domínio de Lynch sobre aquilo que é o elemento mais importante de qualquer obra de arte, narrativa ou não, pop ou não: o ritmo. Após sete episódios onde ele chegou a usar vários elementos de comédia e sitcom, Lynch nos vem com esse megapancadão do macabro. Got a light, indeed. E recomendo que revejam de headphone: ele também fez um trabalho brilhante como sound designer, enchendo a série de tons de subgrave que só ouvindo pra crer.

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