Literatura nada barata

“The Brazilian writer’s Complete Stories reveals she was a genius on the level of Nabokov”, diz Jeff VanderMeer da genial Clarice Lispector. VanderMeer, por sua vez um autor também brilhante, reconhece, mesmo que através de traduções para o inglês, o brilhantismo de Clarice. Enquanto isso, no Brasil, nossos “autores” de fantasia defendem a falta de qualidade literária e a descrição de cenas de RPGs.

Aliás, tornou-se um tropo da ignorância entre nossos “autores” de fantasia atacar a literatura e defender o descerebralismo. Toda semana um deles aparece no FB atacando Tolkien. Há muito mais do que mera ironia no fato de Tolkien ser atacado como “mau escritor” ou até como “péssimo worldbuilder” por figuras que cometem livros decalcados em Dungeons & Dragons. Com a palavra, Gary Gygax, criador do D&D e, por conseguinte, do RPG como o conhecemos:

“Como Tolkien influenciou o jogo D&D? Opa, muito, claro. Praticamente todos os jogadores eram grandes fãs de JRRT e eles insistiram que eu colocasse no jogo o máximo possível de influência de Tolkien. Qualquer um que se lembre do jogo D&D original saberá que ele tinha Balrogs, Ents, e Hobbits. Depois foram removidos e substituídos por coisas novas, não-JRRT, coisas substitutas como os demônios Balor, Treants e Halflings. Na verdade, quem pode duvidar da excelência da escrita de Tolkien? É claro que teve um forte impacto nos jogos D&D.”

Prefiro acreditar na opinião e no gosto crítico do criador de D&D do que em seus jogadores tardios, gente que confunde descerebralismo com entretenimento. Diversão não precisa ser cretina.

Ouvindo: There Were Seven, The Herbaliser.

 

 

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