Meus Heróis Sempre Foram Junkies

Depois de cinco ou seis dias de chuva forte aqui no Vale do Pavão, aproveitei a quarta-feira de sol quente para ir até o Correio de Mauá pegar encomendas da Amazon que, caso não fossem entregues, seriam devolvidas hoje ou amanhã. Aqui não tem carteiros e as coisas são deixadas na saleta que faz as vezes de agência dos correios, ao lado da saleta que faz as vezes de delegacia de polícia e está sempre fechada. Após sete dias, se não forem buscadas, as encomendas são devolvidas para seus remetentes. A tia que trabalha lá quase como voluntária costuma dar um desconto de alguns dias, mas prefiro não arriscar transformar mero incômodo em plena chatice.
Estavam lá à minha espera dois hardcovers: My Heroes Have Always Been Junkies, de Ed Brubaker e Sean Phillips, e o volume 11 do Iron Man para a série Marvel Masterworks. Junkies é uma história de crime/romance passada no universo da série Criminal, da mesma dupla Brubaker e Phillips. A essa altura o nome de Brubaker já é certeza de altíssima qualidade do texto e da narrativa. Acompanho a carreira do cara desde meados dos anos 90, quando ele estreou na Vertigo com uma minissérie de gangs de scooters chamada Deadenders. Na época eu assinava toda a linha Vertigo americana: séries mensais, minis, graphic novels, tudo.

Brubaker vem de um background punk e reza a lenda que na época das vagas magérrimas chegou a ser trafica de esquina. O fato é que ele conhece o mundo street como a palma da mão que lhe passa uma nota dez dólares. De Deadenders pulou para séries de crime criminosamente bem escritas, como a já citada Criminal, Fade Out, Sleeper e uma excelente trajetória como escritor do Capitão América – é dele a saga do Winter Soldier, que virou aquele que é, na minha opinião, o melhor filme da Marvel.
Brubaker conseguiu o merecido reconhecimento e agora está escrevendo e co-produzindo uma série policial esquisita, Too Old To Die Young, com o também excelente e também esquisito diretor Nicolas Winding Refn. Este My Heroes Have Always Been Junkies tem jeito de álbum europeu: capa dura; número de páginas contido; papel matte de ótima qualidade, fosco; e uma narrativa esparsa e pausada de um bom filme de arte. As edições em capa dura da Image são sempre excelentes.

Já o Masterworks do Homem de Ferro retrata uma fase não lá muito brilhante do personagem, mas ainda assim muito legível e com vários momentos divertidos. São histórias de 1976 e 1977, quando a série Iron Man era escrita por Len Wein e, em seguida, Bill Mantlo. Os desenhos são de Herb Trimpe e George Tuska. Acho o primeiro competente e realmente gosto do estilo do segundo. Por muitos anos, na minha infância e pré-adolescência, Homem de Ferro era sinônimo de George Tuska. Gosto do seu traço anguloso, de seus personagens com charme anos 70 e de sua agilidade narrativa.

O importante é que este Masterworks é mais um degrau rumo à fase de David Michelinie, Bob Layton e John Romita Jr., o ponto alto do personagem até hoje. Mais dois volumes e estaremos nela.
Como todo Masterworks desde 2008, esta edição é excelente. Capa dura imitando couro com o logotipo platinado, encadernação costurada (impresso na China) e um papel glossy que felizmente não é muito brilhoso, mas é agradável, cremoso. Tenho comprado e lido/ouvido/visto tudo em digital, porque acho prático e genial. Se é pra comprar quadrinhos em papel que sejam em capa dura e de ótima qualidade gráfica e editorial.

Nada a ver com o post, mas é educado prestigiar as visitas

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