Galera, a partir de hoje o Bizarre passará a contar com cinco tiras diárias. Como as strips estão progressivamente desaparecendo dos jornais, resta a Internet. Duas delas são tiras de ficção-científica pop: Astounding Space Thrills e The Crater Kid. Astounding, de Steve Conley, é uma mistura de Matrix e Jetsons, repleta de idéias deliciosamente absurdas. Por sua vez, The Crater Kid, de Marty Baumann, já foi considerada “uma mescla de Jonny Quest e Calvin e Haroldo” e tem merecido elogios de figuras como Jim Steranko. Fecham a seleção a tira de humor Lethargic Lad, sempre sacaneando os nerds (merecidamente) e Doctor Cyborg, que conta com desenhos de Mike Avon Oeming, o mesmo da aclamada série Powers (uma nova aventura de Doctor Cyborg terá início em breve). Finalmente, a quinta tira é The Circle Weave e narra as sagas que acontecem em um mundo de fantasia medieval, com bons desenhos de Indigo Kelleigh. Enfim, tem para gostos bem variados. As tiras estarão sempre aí em cima, imediatamente sobre os meus posts. Serão atualizadas diariamente, por isso fiquem ligados para não perder nenhuma. Quem estiver se sentindo perdido em relação às histórias que já começaram ou aos personagens, é só clicar nos respectivos links para “Archives” e ler os episódios anteriores. E lembrem-se: quadrinhos são a experiência estética pop levada ao máximo das (in)consequências, são divertidos, fazem pensar e curam impotência. Portanto, nada de preguiça: olhem aí para cima e leiam!

Ah, me digam se estão gostando das tiras. 

O blog esteve meio parado esses dias, mas é Carnaval e, tirando o Cliff Steele, ninguém é de ferro. Make My Mardi Gras.

Parece que o recém-assinado contrato de exclusividade do escritor Warren Ellis com a DC Comics já está rendendo bons frutos. O desenhista Jerry Ordway anunciou em seu site – e Ellis confirmou posteriormente – que a DC e seu selo Wildstorm lançarão um especial chamado Planetary / JLA: Terra Occulta. A publicação terá formato Prestige e sairá provavelmente ainda em 2002. De acordo com Ellis, o especial é apenas um elemento de uma série de eventos que reativarão a série Planetary este ano, já que a revista tem estado no limbo há vários meses. O encontro entre a Liga da Justiça e o grupo de investigadores da cultura pop e da ficção pulp será desenhado por Ordway, mas o artista regular de Planetary, John Cassaday, deverá desenhar o especial Planetary / Batman: Night On Earth. Planetary é uma das melhores séries de quadrinhos do mercado norte-americano atualmente e estes especiais certamente serão muito interessantes, ainda que se passem fora da continuidade regular do título. Nenhuma imagem foi divulgada até agora, mas novidades certamente aparecerão no site de Warren Ellis. Enquanto isso, só nos resta ficar de cabeça para baixo e roer as unhas do pé enquanto Elijah Snow, Jakita Wagner e The Drummer não retornam em seu título próprio (Ellis informou que já escreveu até a edição 18). 

Normalmente camp no que se relaciona a design, a Microsoft acertou em cheio (literalmente) em um dos anúncios de TV que fez para o Xbox, seu console de games. Vale a pena dar uma olhada. Pode ser visto em três formatos, MOV, MPG e WMV. Só digo uma coisa: a vida é curta. 

Essa é dos diabos: Carolyn Risher, prefeita da pequena vila pesqueira de Inglis, na Florida, declarou Satã, oficialmente, uma “persona non grata” na cidade. A figura apareceu na CNN afirmando que os eventos de 11 de setembro a motivaram a tomar essa atitude. “O demônio não entra aqui”, disse Risher. Please to meet you / Hope you guess my name. 

O desenhista francês Moebius sempre esteve ligado ao cinema. Jean Giraud fez o design de O Quinto Elemento e do primeiro Alien e ainda esteve envolvido na primeira versão de Duna (a adaptação do romace de Paul Schrader), que acabou não sendo levada a cabo – David Lynch acabou dirigindo a versão que chegou às telas, sem as alucinações visuais de Moebius. Mas faltava algo. Esse algo chega à TV francesa no dia 1º de setembro de 2002: é a série Arzak Rhapsody, inteiramente concebida, escrita, desenhada e dirigida por Giraud. Tudo em cada um dos episódios será desenhado e colorido pelo próprio Moebius (no Photoshop) e depois animado através do programa Flash 5 pelo Millimages Online, um dos maiores estúdios de animação da França. O preço total da série deverá ficar em torno de 3.500.00 francos. Vejam aí duas das imagens da série: 

Arzak - pagina 4

Arzak - pagina

Steve Wozniak, que em 1976 foi co-fundador da Apple com Steve Jobs, anunciou na quarta-feira que sairá de sua semi-aposentadoria e fundará uma nova empresa, dessa vez voltada para os serviços wireless. Amigo de escola de Steve Jobs, Wozniak disse, em Los Gatos, California, que formou uma nova companhia chamada Wheels of Zeus (ou simplesmente WoZ, uma referência ao seu próprio nome). O mais famoso cybergênio de garagem do mundo da informática disse que é chegado o momento de tirar vantagem dos avanços feitos em rastreamento por satélite, redes sem fio e chips mais poderosos. O site da nova empresa (que ainda não anunciou mais detalhes ou produtos) será woz.com, mas por enquanto este endereço ainda redireciona para o woz.org, site pessoal de Wozniak.

Steve Wozniak ajudou a criar os Apple I e II, dando forma e direção aos futuros Macs. Ele saiu da Apple nos anos 80 e passou a organizar festivais de rock e eventos filantrópicos, inclusive na antiga União Soviética. Na última década, ele ajudou instituições artísticas e científicas e escolas da região de Silicone Valley. O chairman da nova companhia será Tim Draper, o criador do Hotmail (serviço de mensagens gratuitas que hoje pertence à Microsoft). Se o que se conta sobre a participação de Wozniak nos primeiros Apple for verdade, podemos esperar gadgets e inovações bem interessantes para o mundo dos GPAs, aparelhos wireless e telefonia móvel, entre outras surpresas. 

Prometi para mim mesmo que nunca iria falar de sexo nesse blog. É incrível como se fala de sexo hoje em dia. E falar de sexo é como descrever um quadro ou ouvir um fanho cantando sua música favorita. Será que se fala muito porque se faz pouco? O pior é que não: se faz muito sexo hoje em dia. Talvez se faça mal, mas se faz. Acho que foi o Gore Vidal que disse que “todos os discursos giram em torno de sexo e política”. Como os iguais se repelem e todo discurso é sexual, falar de sexo nem sempre é sexy. E o pior é que, como sexo normalmente é uma coisa feita – pelo menos – a dois, sempre se acaba contando coisas indizíveis de terceiros nos blogs. Na era do “kiss & tell” institucionalizado, eu é que não vou sair expondo outras pessoas. E como narrativas sobre masturbação dificilmente são espetaculares, nada de sexo aqui no Bizarre.

Por falar em Gore Vidal, sempre é bom lembrar que o gore é vital: joguem GTA 3. 

Bandas “deprês” me enchem o saco. Afinal, o sujeito tem uma banda de rock, lança discos, está em top charts, ganha dinheiro fazendo música e ainda vem reclamar de um monte de coisas no meu ouvido? Tá reclamando de quê?!?? Mas algumas raras pessoas têm propriedade para falar de alguns assuntos. Velvet Underground, Oh Sweet Nuthin’:

Say a word for Jimmy Brown
He ain’t got nothing at all
Not a shirt right of his back
He ain’t got nothing at all
And say a word for Ginger Brown
Walks with his head down to the ground
Took the shoes right of his feet
To poor boy right out in the street

And this is what he said
Oh sweet nuthin’
She ain’t got nothing at all
Oh sweet nutin’
She ain’t got nothing at all

Say a word for Polly May
She can’t tell the night from the day
They threw her out in the street
But just like a cat she landed on her feet
And say a word for Joanna Love
She ain’t got nothing at all
‘Cos everyday she falls in love
And everynight she falls when she does

She said
Oh sweet nuthin’
You know she ain’t got nothing at all
Oh sweet nutin’
She ain’t got nothing at all

Essa música é como alguém derramando vodka com conta-gotas no seu ouvido e está no subestimado álbum Loaded, que o Velvet lançou em 1970 (ano em que eu nasci). 

O calor, recém-chegado do Zimbabwe, me chamou para fora de casa. Andei pela praia por alguns quarteirões. Quer dizer, “praia” é um termo que deixou de ser aplicável à “praia” das Pitangueiras há mais de vinte anos. Minha avó jura que, quando veio morar aqui, no início dos anos 50, a água era cristalina. Hoje, nem na areia dá para pisar. Mas de noite, vendo do asfalto, a escuridão esconde a sujeira e o mar de óleo e até que fica bonito. A Lua estava espantosamente cheia e a superfície da água refletia um vasto brilho de zinco. Ao lado do reflexo da lua, uma pequena ilha transformada em refinaria de óleo, com as luzes todas acesas, deixava sobre a água um reflexo do mesmo tamanho, só que dourado. Pareciam irmãos negativos de diferentes dimensões, como em um número de Invisibles.