Fantasma na Concha

Acabei de ver Ghost in the Shell, graças ao convite do meu amigo Rafael Luppi Monteiro e do pessoal do Nível Épico. Para minha feliz surpresa não tem ritmo de blockbuster. É lentão, cheio de climões, muito bonito visualmente e com uma trilha sonora sensacional (do Clint Mansell). Vou até rever. Excelente uso do 3D, aliás. Vale a pena ver em 3D. Gostei muito da estética mezzo Blade Runner (de onde o anime original tirou toda sua influência cyberpunk, aliás) e mezzo futuro distópico colorido, asséptico e pós-verdade. E o melhor de tudo: assim como os melhores romances cyber, o filme é anti-ciborgies e AI e totalmente pró-humano. Não apenas no subtexto, mas no texto mesmo. Recomendo.
Scarlett Johansson é uma das melhores atrizes do cinema de FC recente, aliás: este GitS, Lucy e o maravilhoso Under the Skin.

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The road goes ever on and on

Trabalho 9 horas por dia em uma autarquia pública federal, olhando para dois monitores de 23 polegadas e usando um sistema com UI no mínimo dúbia. Nas minhas horas livres faço traduções, de autores como Terry Pratchett, Dan Chaon, etc. Nas horas que restam ainda escrevo minhas coisas (contos, romances e artigos) e faço música, tudo sempre olhando para a tela de um computador. Minha visão, que já não era boa (sou míope e uso óculos desde os 6 anos de idade), está piorando: agora tenho visto cansada tb, o que me obriga a ter um segundo par de óculos, para leitura. Para piorar, apareceram manchas voadoras (mosquinhas) enormes no meu campo de visão, há há uns dez anos. São como poças de óleo flutuando no humor vítreo e muito irritantes.
Outro efeito colateral é que tudo é feito sentado. E a cada dia médicos descobrem novos problemas ligados a quem trabalha sentado por várias horas: de hipertensão a hipertrofia muscular, de obesidade a diabetes.
O resultado disso é que preciso diminuir algo aí. Como quero muito continuar escrevendo contos e romances e ao mesmo tempo meu trabalho como funcionário público é o que paga as minhas contas, as traduções terão que perder espaço. Decidi passar a fazer apenas um romance por ano, ao invés dos 4 ou 5 que eu estava fazendo. Menos grana na conta, mas também mais tempo livre e, claro, mais contos meus por aí. Quero muito mais ser escritor do que tradutor e, como dizem os bretões, something’s got to give.

No dia 19 de fevereiro mudei do Centro do Rio de Janeiro para Visconde de Mauá: a vista da minha janela mudou de Blade Runner para O Hobbit.

Entre os Essenciais de 2016

O Caminho do Louco está entre os livros de 2016 recomendados por Cesar Silva, que publica o Anuário de Literatura Fantástica. Obrigado!
Mensagens do Hiperespaço: Essenciais de 2016 – Autores brasileiros

Amigo é amigo

Eu sou virginiano, com Marte em Virgem, Cachorro do Metal no Chinês. Sou extremamente fiel aos meus amigos. Muito. E também sou INFP, então continuo sendo (ou me sentindo) um grande amigo de alguém mesmo estando há muito tempo longe, sem ver a pessoa. Sou bom ouvinte, pra mim é uma coisa natural querer ajudar meus amigos, perdôo erros e transformo defeitos alheios em meras idiossincrasias e motivo até de afeto. Tolero vacilos grandes: uma, duas, talvez três vezes. Dou força para os trabalhos dos meus amigos, indico para coisas, compareço aos eventos, tento juntar pessoas (juntei algumas listas de discussão nos anos 90, formando grupos de pessoas que até hoje se falam entre si, trabalham juntas e tal). Não por bondade, mas por achar que é assim que as coisas funcionam.
**MAS**… tem o outro lado de ser isso aí (virginiano, com Marte em Virgem, Cachorro do Metal): se um amigo ou conhecido for realmente babaca, escroto ou vacilar tremendamente comigo, passando daqueles tais limites, cara, desculpa aí, mas ele passa automaticamente a não existir mais. Não é uma questão de guardar rancor, de não perdoar, de não esquecer. É uma questão de esquecer, isso sim, de não ser capaz de me impedir de esquecer que a pessoa existe.
Lembro agora de 4 situações específicas, sem querer que ninguém descubra quem são os falecidos:
1) O cartunista que me pediu para comprar um livro dele porque estava sem grana e, uma semana depois, me xinga pesado no Facebook porque o incluí em uma postagem privada de divulgação da revista que eu edito, a Hyperpulp;
2) A “autora” que me tratava bem e me contratou para fazer a tradução de uma novela, apenas para fingir repetidas vezes que me enviava e-mails de trabalho, inexistentes. A mesma figura que descobri que, ainda antes disso, espalhava para algumas pessoas que nem conheço que eu era “grosseiro com os outros” (isso tendo me encontrado pessoalmente duas vezes).
3) O “amigo” que contratei pessoalmente e de quem assinei a carteira de trabalho quando eu era editor, nos anos 90, apenas para fugir com cara de nojo para um outro canto da livraria quando perguntei, muitos anos depois, se tinha um trabalho de tradução para me indicar. O mesmo que, ao participar de um podcast comigo, fez questão de tentar ridicularizar ou mudar o sentido do que eu falava, fingindo intimidade.
4) O “autor e tradutor” (que eu também conhecia há anos) que encontrei para um café em SP e, mera semana depois, deu uma entrevista para o maior jornal da cidade onde nasci e moro tentando apagar da história um dos meus primeiros e mais elogiados trabalhos de tradução, por pura birra com a editora do livro em questão. E que, semanas depois, voltou a chamar o mesmo livro de “irrelevante” e “menor” em um podcast, chamando-o de “pequena noveleta” (um romance de 360 páginas, que foi indicado ao Stoker Award). E olha que essa história, mais do que as outras, está bem resumida aí.
Nos casos 1, 3 e 4, tratavam-se de pessoas que eu considerava amigas. Olha, eu perdôo você por roubar cem reais meus pra comprar pó (mas não faça isso). Entendo você beber e fazer merda. Mas, olha, não seja traíra ou mal caráter. É feio, o mundo percebe, as pessoas que você engana não serão enganadas por muito tempo, você afunda e quando vê está ali, no maelstrom, a nado, o ralo se aproximando e aquele barulho de ruído branco de filme do William Friedkin à sua volta.
Moral da história: há momentos em que o caminho do meio é a solução; em outros, só o dedo do meio resolve. 😀
(Por favor, não tentem palpitar nos comentários as identidades dos referidos panacas. Isso foi só um exercício de desabafo).

Bate-papo ao vivo na Rádio Showtime

Participo hoje, às 18 horas, de uma conversa ao vivo na Rádio Showtime. Escutem no www.showtimeradio.com.br.
Vejam a divulgação oficial do programa:


NÃO PERCA, AO VIVO, Hoje-a partir das 18:00:
-A pessoa que a lendária Billie Holiday, provavelmente a maior cantora de jazz em todos os tempos, chamou de ´A Melhor voz não-negra do Blues´; o que o clássico de suspense de 1956 INVASORES DE CORPOS teve a ver com os Beach Boys e um dos mais populares casais da música dos anos 70 e um papo retíssimo com Alex Mandarino, o autor de O CAMINHO DO LOUCO, o incensado livro que narra o que ocorre quando um ex-jornalista em jornada de autodescoberta é recrutado pelo Tarot, uma organização secreta que busca libertar a humanidade com o uso subversivo da magia e que está em confronto com inimigos mais poderosos dispostos a dominar o mundo.
Somente no www.showtimeradio.com.br (baixe o aplicativo disponibilizado na página principal do site da rádio para otimizar a escuta)

Viagem ao meu habitat natural

Exatamente hoje, 27 de janeiro, este blog faz 15 anos de existência. Ele começou no Blogger BR e de lá pra cá passou por Blogger original, WordPress self-hosted, Movable Type self-hosted, Squarespace e, já há alguns meses, WordPress novamente. Nestas mudanças todas fiz questão de migrar os comentários, numa das vezes a mão, na base do copy/paste.

Uma boa data para mostrar meu estúdio, onde escrevo minhas coisas e crio minhas músicas. Pretendo seguir nesta linha em posts futuros, mostrando minha biblioteca, dando dicas de programas e workflow, etc. Vamos lá:

 

Mesa onde escrevo minhas histórias

São duas escrivaninhas lado a lado, para escrever, editar, fazer música, mexer em vídeo, ver Netflix, jogar games, etc etc. O teclado do Macbook tem iluminação backlit, mas para escrever ou traduzir uso um teclado maior, localizado na parte móvel da escrivaninha, debaixo do tampo. A luminária verde serve para que eu use este teclado externo à noite.

Na tela está o Scrivener, programa que tenho usado para escrever, traduzir, guardar minha pesquisa para o Tarot. Não me imagino mais escrevendo sem ele ou voltando a usar Word. O monitor maior está com a Pandora aberta nesta foto, mas quase nunca escrevo ouvindo música. Dos lados esquerdo e direito do monitor há dois hubs: um hub Thunderbolt para conectar hardware de áudio e um hub USB 3.0 para conectar HDs externos de dados (tenho 2tb de comics, 300 gb de MP3 e 10 gb de ebooks, além de meus samples de áudio e gravações de campo) e de backup (uso o Carbon Copy Cloner para backup semanal do HD interno e do HD externo de dados.

Mesa de equipamento de áudio

A mesa da direita tem parte dos meus instrumentos e equipamento de áudio. A caixa azul sobre o suporte de madeira é um sequenciador Yamaha RM1x, que também funciona como sintetizador. Em cima dele está uma mesinha de som Behring, para ligar todos os cabos de áudio e a saída de áudio do Macbook. Dali vai tudo para as caixas de som (que não aparecem nesta foto).

Ao lado do Yamaha está uma Roland MC-303 Groovebox (sim, igual a usada pela Sacerdotisa em O Caminho do Louco): primeiro instrumento que comprei, ainda em 1998. É uma drum machine e sequencer, mas também tem bons sons de pads e linhas de baixo. Em cima da Yamaha estão dois monstrinhos criados pelo meu grande amigo Paulo Santos, o Paolo Head (que é a base para o personagem Paulo, índio que aparece na primeira parte de O Caminho do Louco).

A pequena caixa cinza e azul no canto esquerdo da mesa é a minha interface de áudio, que funciona como a placa de som do Macbook quando estou trabalhando com música ou vídeo. É uma Presonus, com entradas MIDI e para microfone e guitarra. Ah, a sacola roxa com um desenho dos chakras é a minha bolsinha de tarô: ali dentro está meu baralho favorito, o Tarô Mitológico; e também uma toalha (roxa) para jogar.

Embaixo da bancada de madeira, mais ao fundo, está meu sampler Korg Electribe ES-1, que comprei em 1999. Usa cartões de memória que não são mais fabricados e seu som meio em baixa resolução é ótimo para hip-hop ou jungle.

Debaixo do tampo de madeira, na parte móvel da escrivaninha, estão um controlador Phat*Boy, da Keyfax, que é ótimo para plugar na MC-303 e deixar o som dela mais parrudo, ácido e analógico; um toy synth mega portátil a pilha Korg Monotron; e dois Korg Volca, o Beats e o Bass. Em um post futuro vou detalhar melhor meu workflow de áudio e então mostrar fotos destas coisas todas.

Visão geral das duas mesas

Nesta foto é possível ver melhor a lógica de funcionamento das duas mesas juntas. Sobre a mesa da esquerda há um nicho branco que serve como prateleira para o receiver e os monitores de áudio.

Detalhe do nicho

No centro do nicho guardo coisas como minha carteira, meu porta-anéis, meus óculos escuros e alguns enfeites: cartões, um dos meus Ganeshas, flyers (atrás do Ganesha está o flyer de uma exposição da minha namorada, Leandra Lambert).

Outro detalhe do nicho

A caneca do Super Mario guarda meus lápis e canetas. Também estão por ali meu cartão da Siouxsie Sioux, uma foto da minha viagem com a Leandra a Buenos Aires e outros objetos. No canto esquerdo há uma miniatura de um tigre siberiano, lembrança de nossa visita ao sensacional Parc des Felins. O cartão com a figura de escafandro e nuvem azul ao centro é uma arte gráfica com uma frase de um dos meus autores favoritos, J.R.R. Tolkien: “Not all those who wander are lost” (o que, para mim, une duas correntes literárias na época consideradas separadas e praticamente díspares: os Inklings e os Beatniks.

Bom, é isso. Já passei incontáveis noites aí neste estúdio escrevendo capítulos de Guerras do Tarot, contos como Hiriburu, criando beats e samples para o Chip Totec e o Terra Incognita, editando vídeos para trabalhos de arte da Leandra, batendo papo pela web e, sim, escrevendo neste blog. Em próximos posts mostrarei meu estúdio e workflow com mais detalhes, mas antes deveremos dar uma passeada pela minha biblioteca. Cartas na mesa e see ya!

O Caminho do Louco na Rádio MEC

Foi ao ar neste sábado, dia 21 de janeiro, minha participação no programa Conversa Com o Autor, de Katy Navarro, na Rádio MEC AM 800 KHz. O bate-papo, onde falamos sobre O Caminho do Louco, arquitetura, cidades, literatura, narrativas e arte, também pode ser ouvido via streaming no site do programa. Baixe as cartas e escute.

Katy Navarro e Alex Mandarino no bate-papo gravado na Casa da Leitura, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro

Donald

Em O Caminho do Louco, o presidente americano é um idiota vociferante chamado Ronald McMickey. É um trocadilho e a palavra que “Mickey” substitui aí, é claro, é… Donald.
Essa parte foi escrita em 2002.

Todo fascismo é um roubo

“Se surpreender com a velocidade estonteante com que o fascismo se estabelece é consequência de considerá-lo uma entidade política ao invés de criminosa: ele é um roubo.”
– William Gibson, hoje no Twitter.

(“Surprise at the sheer velocity of the onset of fascism is the result of regarding it as a political rather than criminal entity: it’s theft” — William Gibson, today on Twitter)

(via Chuck Wendig)

Lançamento em SP

O lançamento de O Caminho do Louco em São Paulo acontecerá no dia 10/12, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731, jardim Paulista), das 18:30 às 20:00. Apareçam por lá e levem seus arcanos!

https://www.facebook.com/events/1837552909836511/

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