That titanium shell of yours

Sou obrigado a concordar com esta matéria (15 motivos pelos quais Ghost in the Shell é melhor do que o anime original). Sei que estou em minoria aqui e não quero nem começar a tentar mudar a opinião de alguém sobre isso, mas adorei o filme. Muito mais do que previ. Acho inclusive que é um filme importante politicamente nestes tempos em que se baba por Ray Kurzweil e singularidade sem nem mesmo pensar duas vezes. Acho mesmo que esta versão de Ghost in the Shell será redimida daqui a alguns anos, a exemplo do que houve com Blade Runner, também massacrado na estreia e um fracasso de público e crítica nos primeiros anos. A matéria aí embaixo, simples mas direta, explica meus pontos melhor do que tenho tempo e ânimo para fazer agora com este post (fica a promessa de um artigo maior sobre o filme aqui no Hypervoid). Mas alguns pontos são essenciais: a trilha sonora de Curt Mansell, o Kuze interpretado por Michael Pitt, o excelente Beat Takashi, o worldbuilding e os pontos éticos, políticos e sociais, que são muito mais profundos que os do anime e parecem ter passado batido (coniventemente?) pela turba que logo gritou "whitewashing" (e, sim, acho que whitewashing é um problema real e importante, vide o horrendo Deuses do Egito; mas não acho que isso tenha acontecido em GiTS).

Ghost in The Shell: 15 reasons why it's better than the original anime

Quanto a isso, deixo aqui as palavras do diretor do anime original, Mamoru Oshii, sobre a escolha de Scarlett Johansson: “The Major is a cyborg and her physical form is an entirely assumed one. The name ‘Motoko Kusanagi’ and her current body are not her original name and body, so there is no basis for saying that an Asian actress must portray her. Even if her original body were a Japanese one, that would still apply. I believe having Scarlett play Motoko was the best possible casting for this movie. I can only sense a political motive from the people opposing it.”

E tem mais: vejo mil razões e agendas políticas conservadoras para que certos grupos queiram detonar Scarlett Johansson (ou levem inocentes úteis a fazer isso). Afinal ela se sai bem em indies como Ghost World, em filmes de Woody Allen e Sofia Coppola, em blockbusters da Marvel e tb como o principal rosto da nova FC do cinema (Under the Skin, etc). É preciso enxergar além do óbvio nas motivações das coisas.

UPDATE:
Japanese Moviegoers React To Scarlett Johansson's Ghost In The Shell
"She was very cool. I loved her in The Avengers and I wanted to see this because she was in it. If they had done a Japanese live-action version they would have probably cast some silly idol [girl-band member]," said Hirano.

UPDATE 2:

Ghost in the Shell beloved in Japan, despite box office blowout in the West

"On comment in particular stood out, however. THR spoke to a fan identified as Yuki, who thought that the film was better off with a white woman in the lead role, instead of a Japanese one as intended. "I heard people in the U.S. wanted an Asian actress to play her," Yuki told THR. "Would that be OK if she was Asian or Asian-American? Honestly, that would be worse, someone from another Asian country pretending to be Japanese. Better just to make the character white."

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Grandma doesn’t live in Wuppertal

Em 2017, num mundo pós-Ray Kurzweill, pós-Deep Learning, pós-acidificação dos oceanos, pós-Tesla e pós-Trump, não tem como Ghost in the Shell deixar dúvidas sobre sua aposta no pró-humano. O cyberpunk oitentista original já era cheio de críticas e ambiguidades em relação às ciborguices e sinergias homem-máquina-IA de forma geral, aliás. O fascínio puramente estético com a infotech, como o dos futuristas pela velocidade, é que mantinha essa crítica mais nos bastidores. Mas uma releitura de Rudy Rucker, John Shirley, Richard Kadrey e Bruce Sterling pode mostrar bem isso, o quanto eles eram cínicos e descrentes quanto a vários daqueles conceitos. Não atire no mensageiro, mas também não copule com a mensagem.

Grandma doesn’t live in Wuppertal, a frase, é de Alice in the Cities, que vi anteontem pela primeira vez. Filme lento, belo, como todo bom road movie que se preza. E Wenders, como Antonioni, Jarmusch e Michael Mann, é um dos maiores mestres dos road movies. Veja no Filmstruck, que é o site que coloca uma cinemateca ou cineclube no seu quarto.

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