“good morning, Dr. Chandra”

Photo by Alex mandarino - Buenos Aires, 2007
Photo by Alex mandarino – Buenos Aires, 2007

Uma das leituras rápidas mais prazerosas que venho tenho nos últimos meses é a newsletter de Warren Ellis, Orbital Operations. Seu blog matinal Morning, Computer também funciona como uma quase newsletter, via feed. Tenho grande carinho pelo modelo newsletter, que parece estar voltando. Além de Ellis, tenho assinado novas newsletters de diversos outros escritores, quadrinistas, artistas, digeratis, tarólogos et al, a maioria muito interessantes. Agora é a vez do Tor.com lançar a sua, abordando novos lançamentos e sua iniciativa de lançar “novelas e romances curtos”.

As duas tendências, aliás, seguem motivações parecidas, ainda que partindo de pontos opostos. A volta do modelo newsletter reflete um cansaço do constante zapping involuntário de Facebitter e Twook, um desejo de imergir por alguns minutos em alguma coisa que VOCÊ escolheu e não é imposta de cima para baixo por um algoritmo maluco que apenas emula – e mal – a sua escolha. Uma fuga do extremo horizontalismo das redes sociais, que abarcam a tudo e a todos, mas com a profundidade de uma folha de papel manteiga.

Já a aposta (na verdade também uma volta) em novelas e romances curtos reflete um esforço por descobrir brechas temporais para a leitura de ficção em realidades cotidianas cada vez mais robotizadas.

Nunca vi, aliás, tantas matérias apontando os malefícios do trabalho. Defensores do trabalho em pé dizem que passar horas seguidas sentado é tão prejudicial à saúde quanto ser fumante. E aí defendem pausas para que se fique de pé e mesas para trabalho em pé (que, por bem intencionadas que sejam, me lembram as rodinhas de hamsters).

Da mesma forma, diversos artigos falam dos malefícios da falta de sono: obesidade, perda de tesão, memória, etc. E, claro, as pessoas ficam mais acordadas porque estão trabalhando mais em casa ou porque estão usando o tempo de sono para ter alguma migalha de leisure time. Tudo muito bom e bonito, mas nunca se aponta o x da questão, nunca se estende o leisure finger (epa) na direção da ferida escancarada: foda-se o trabalho, todos deveríamos trabalhar MENOS.

Seremos vistos no futuro como a geração das trevas do trabalho.

OUVINDO: Stateside Sessions: Drum & Bass Vol. 1 – Mixed by Sage – Excelente compilação de jungle pesadão.

LENDO: O ótimo site literaurapolicial.com

Trabalho

Trabalhar em cubículos fazendo coisas inúteis é isso aí:

Hilário.

O que me lembra de mais uma vez indicar o ótimo Anxiety Culture.

Trabalhar em cubículos fazendo coisas inúteis é isso aí:

Hilário.

O que me lembra de mais uma vez indicar o ótimo Anxiety Culture.

Bom dia, Tempo

Sunday, February 16, 2003 at 11:32 AM

Como alguém consegue trabalhar de 9 às 20, todo dia, durante semanas, meses, anos, décadas? Encontrando as mesmas pessoas, tomando café e Coca-Coca Light em cima da máquina de xerox, rindo para o chefe quando na verdade gostaria de estar, sei lá, pescando? E as pessoas que trabalham nos feriados, Natal, reveillon, Carnaval? Eu sei como é. Been there, done that. Mas que é estúpido e inglório, é.
E sem motivo: a jornada de trabalho diária é um resquício do início da Revolução Industrial, quando as pessoas eram necessárias para “fazer a sociedade progredir” criando novos modelos para a Ford, máquinas de refrigerante e calculadoras. Mas, hoje, praticamente 99 % dos trabalhos e profissões não possuem a menor necessidade de acontecer em uma base diária. Quem precisa de jornais diários? De carros sendo montados diariamente? Coloquem máquinas fazendo os serviços mais estúpidos, como receber dinheiro atrás de uma roleta em um ônibus e realoquem estas pessoas para outras áreas (entregar cartas, por exemplo) que têm necessidade de ser diárias e ainda não podem ser feitas por um bom robô. Com isso, poderiam ser criadas turmas diferentes de trabalho. Por exemplo, você trabalharia às segundas e terças e outro sujeito às quartas e quintas (as sextas seriam incluídas no nosso lindo e helênico fim de semana). Tenho certeza que o mundo não iria piorar e nada realmente imprescindível e essencial faltaria. O desemprego iria diminuir e as pessoas teriam tempo ocioso. Não há nada pior do que o termo “tempo livre”. O tempo É livre, você faz com ele o que quiser. A ociosidade é um direito humano universal (ou deveria ser).
Não fazer nada, coçar o saco, olhar para o teto, ir à praia, fazer porra nenhuma, ouvir música, ir ao cinema, trepar, sair para dançar, são sinais muito mais claros da existência de uma civilização refinada e inteligente do que a presença diária de um monte de imbecis inúteis e sorridentes atrás de suas mesas. Só precisa trabalhar todo dia quem não tem nada melhor para fazer.
Sem falar que nossa civilização e as melhores descobertas (como o Atari, o ecstasy, o veleiro, o livro e o sampler) só aconteceram porque tinha alguém com tempo livre para pensar nelas, sem a obrigação de preencher formulários, carimbar papéis, escrever matérias inúteis e tendenciosas que ninguém lê. Por que o metrô precisa de um sujeito guiando a maldita máquina? Coloquem outra máquina ali, elas fazem isso melhor do que nós, humanos. E assim o coitado poderia ser pago para ficar em casa e, sei lá, montar um grupo de pagode ou criar um blog “feminista”. Coloquem máquinas no lugar de gente que não é imprescindível e paguem-nas para ficar em casa coçando.
Chega dessa merda protestante de que o trabalho dignifica o homem. Dignifica porra nenhuma: emburrece, embrutece, alcooliza, cafeiniza, enerva, estressa e escraviza. Andem pelo Centro da sua cidade e olhem em volta: o quanto daqueles prédios enormes, aquelas salas, janelas que parecem os olhos de um cego e carros são realmente necessários? Uma diminuta percentagem. Ficando em casa, as pessoas pararão de criar essa quantidade inútil de plástico, vidro e metal que atulha as ruas. Terão que finalmente se entender com seus pais, cônjuges, ler algo, pensar, enfim, fazer alguma merda. Terão que finalmente começar a viver. E perceber algumas coisas tão óbvias…
Comece desde já. Exija o seu direito de não fazer porra nenhuma. Exija ser substituído por uma máquina. Coloque um computador ou robô no seu lugar. E finalmente comece a FAZER alguma merda. Mas a merda que você quer, não a que lhe obrigam a criar.

Como alguém consegue trabalhar de 9 às 20, todo dia, durante semanas, meses, anos, décadas? Encontrando as mesmas pessoas, tomando café e Coca-Coca Light em cima da máquina de xerox, rindo para o chefe quando na verdade gostaria de estar, sei lá, pescando? E as pessoas que trabalham nos feriados, Natal, reveillon, Carnaval? Eu sei como é. Been there, done that. Mas que é estúpido e inglório, é.
E sem motivo: a jornada de trabalho diária é um resquício do início da Revolução Industrial, quando as pessoas eram necessárias para “fazer a sociedade progredir” criando novos modelos para a Ford, máquinas de refrigerante e calculadoras. Mas, hoje, praticamente 99 % dos trabalhos e profissões não possuem a menor necessidade de acontecer em uma base diária. Quem precisa de jornais diários? De carros sendo montados diariamente? Coloquem máquinas fazendo os serviços mais estúpidos, como receber dinheiro atrás de uma roleta em um ônibus e realoquem estas pessoas para outras áreas (entregar cartas, por exemplo) que têm necessidade de ser diárias e ainda não podem ser feitas por um bom robô. Com isso, poderiam ser criadas turmas diferentes de trabalho. Por exemplo, você trabalharia às segundas e terças e outro sujeito às quartas e quintas (as sextas seriam incluídas no nosso lindo e helênico fim de semana). Tenho certeza que o mundo não iria piorar e nada realmente imprescindível e essencial faltaria. O desemprego iria diminuir e as pessoas teriam tempo ocioso. Não há nada pior do que o termo “tempo livre”. O tempo É livre, você faz com ele o que quiser. A ociosidade é um direito humano universal (ou deveria ser).
Não fazer nada, coçar o saco, olhar para o teto, ir à praia, fazer porra nenhuma, ouvir música, ir ao cinema, trepar, sair para dançar, são sinais muito mais claros da existência de uma civilização refinada e inteligente do que a presença diária de um monte de imbecis inúteis e sorridentes atrás de suas mesas. Só precisa trabalhar todo dia quem não tem nada melhor para fazer.
Sem falar que nossa civilização e as melhores descobertas (como o Atari, o ecstasy, o veleiro, o livro e o sampler) só aconteceram porque tinha alguém com tempo livre para pensar nelas, sem a obrigação de preencher formulários, carimbar papéis, escrever matérias inúteis e tendenciosas que ninguém lê. Por que o metrô precisa de um sujeito guiando a maldita máquina? Coloquem outra máquina ali, elas fazem isso melhor do que nós, humanos. E assim o coitado poderia ser pago para ficar em casa e, sei lá, montar um grupo de pagode ou criar um blog “feminista”. Coloquem máquinas no lugar de gente que não é imprescindível e paguem-nas para ficar em casa coçando.
Chega dessa merda protestante de que o trabalho dignifica o homem. Dignifica porra nenhuma: emburrece, embrutece, alcooliza, cafeiniza, enerva, estressa e escraviza. Andem pelo Centro da sua cidade e olhem em volta: o quanto daqueles prédios enormes, aquelas salas, janelas que parecem os olhos de um cego e carros são realmente necessários? Uma diminuta percentagem. Ficando em casa, as pessoas pararão de criar essa quantidade inútil de plástico, vidro e metal que atulha as ruas. Terão que finalmente se entender com seus pais, cônjuges, ler algo, pensar, enfim, fazer alguma merda. Terão que finalmente começar a viver. E perceber algumas coisas tão óbvias…
Comece desde já. Exija o seu direito de não fazer porra nenhuma. Exija ser substituído por uma máquina. Coloque um computador ou robô no seu lugar. E finalmente comece a FAZER alguma merda. Mas a merda que você quer, não a que lhe obrigam a criar.