E aí lembro daquela frase do Dirty Harry

As pessoas falam de fatos hoje em dia como se tudo fosse uma questão de opinião. Desde o que são nazismo, socialismo, comunismo e anarquismo até se existe ou não o aquecimento global. Desde o formato da Terra até o que é boa literatura, bom cinema, bom quadrinho (existem variáveis nestes). Desde a cor do céu e porque ele é dessa cor até os efeitos do cigarro, da couve-flor e do uísque doze anos no seu organismo. Não, amigo. História, astronomia, estética, medicina, arquitetura, jornalismo, física, arte, tudo isso, por mais variáveis que contenha, é composto de fatos. Fatos, não opiniões. Não adianta você fazer que nem o Shaquille O’Neal e dizer que acha que a Terra é chata. Foda-se o que você acha. Ela não é. O que você acha é bem, bem menor do que os fatos. E mesmo quando não se trata de fatos, mas de variáveis estéticas, você precisa levar em conta séculos e séculos de arcabouços filosóficos, históricos e estéticos antes de “afirmar” que “bom é 50 Tons de Cinza” ou “James Joyce é uma merda”. Porque não, não é. E não, também não é. Se você nunca leva em conta o que veio antes dos últimos dez anos ou o que existe fora da sua bolha, foda-se a sua opinião.

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Voodoo in my blood

Sensacional novo clip do Massive Attack, com participação dos Young Fathers e uma impressionante Rosamund Pike:

Os Young Fathers, claro, são os mesmos do excelente Old Rock’n’Roll:

E, é claro, o clip tem total influência da cena do metrô de Possession, de Zulawski, com a Isabelle Adjani:

Ada Lovelace Day: Ada JPG vira Ada WAV

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Ada Lovelace foi a precursora de tantas coisas que é inusitado que ela não tenha mais datas dedicadas a ela. Primeira programadora da história, Ada burlou os traumas herdados por não ter conhecido o pai – o poeta Lord Byron – movendo seus pensamentos do hemisfério direito para o esquerdo. Ao invés da poesia do pai, transitou pela matemática e pelo mundo lógico que permeavam a vida de sua mãe. Mas métrica e números andam sempre juntos e não tardou para que a poesia alcançasse Ada, ainda que por vias mecânicas. Lovelace foi a primeira pessoa a postular que computadores (na época chamados apenas de “máquinas analíticas”) seriam capazes de ajudar na criação de música, arte e artefatos estéticos.

 

A existência dessa genial e única pioneira é comemorada no dia 24 de março, o Ada Lovelace Day. Nesse dia, a relação entre mulheres e tecnologia é comemorada em blogs, sites e locais físicos onde esta confluência tecno-feminina acontece. Para participar dessa comemoração, eu e minha namorada, Leandra Lambert (do projeto de música eletrônica Voz Del Fuego) criamos três peças de arte sonora em homenagem a Ada Lovelace. As peças são a transformação de imagens em sons.

 

Para isso, coletamos diversas imagens relacionadas ao universo de Ada, como retratos seus, fotos da máquina analítica de Charles Babbage, cartas, algoritmos, trechos da linguagem de programação ADA, quadros de sua mãe e diversos outros elementos pictóricos. Estas imagens foram então convertidas em sons, usando um software específico para isso. A partir daí, criamos peças sonoras usando única e exclusivamente os fragmentos de áudio obtidos com a conversão da Ada imagética para a Ada auditiva. Estes fragmentos foram organizados e sequenciados em outro programa.

 

Linhas sonoras, ambientações drone e até mesmo peças rítmicas foram criadas com os arquivos de áudio resultantes das imagens coletadas. Os três trabalhos se chamam Droning By Numbers, Lovelace e Analytical Engine e podem ser escutados no site Blanktape, ligado ao grupo BR.Ada, que fez a curadoria da mostra virtual. É só clicar aqui e ir direto para a página. Ou clicar aqui e ir conferindo todos os trabalhos participantes (se ficar confuso, é só clicar no símbolo “+” no fim do texto e, na página seguinte, clicar na seta de navegação que está ao lado da palavra “Intro”, no topo da página). Ada Lovelace merece sua visita. Sem ela, você não teria essa Internet aí na sua frente.