Cortina de Ruínas em álbum

Capa do álbum
Capa do álbum

Já está online o álbum com as faixas dos vencedores das edições 2012 e 2013 do Concurso Latinoamericano de Composición Electroacustica y Electrónica Gustavo Becerra-Schimdit, que tem lugar anualmente em Santiago, Chile. Estou presente em parceria com Leandra Lambert, com a nossa música Cortina de Ruínas, primeiro lugar na categoria Musica Experimental em 2012.É só ir lá e baixar o álbum e a capa, de graça. Pelo selo Pueblo Nuevo Netlabel.

Orbital e Zola Jesus

Não só acontece a volta do Orbital, uma das bandas mais importantes e geniais dos anos 90, como a dupla retorna com a participação de Zola Jesus em uma das faixas. Escuta só:

Vibrate to This

Linux finalmente “goes Live”

Por muitos anos, as opções para fazer música no Linux eram quase zero. Isso já começou a mudar, mas um grande e importante passo foi dado hoje com o lançamento do Bitwig Studio. O software, da alemã Bitwig, é um DAW muito parecido com o Ableton Live, que praticamente já virou padrão em várias rodas de produtores e DJs. Um casamento perfeito, acredito: o Linux é mestre em coisas que rodam em tempo real e estável até dizer chega para rodar sequencers que trabalham com sincronização de loops e beatmatching. Vamos aguardar os reviews. Não uso Linux e nem pretendo, mas é sempre uma boa notícia quando alguma plataforma ganha softwares musicais de respeito.

Via o ótimo site Create Digital Music, que tem mais informações e vídeo

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A tela do clip launcher: muito similar ao Live

 

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Tela do sequencer multitrack

YOKO ONO – KISS, KISS, KISS

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Ainda não havia postado aqui, mas saiu no final de maio a coletânea Mrs. Lennon, uma homenagem à artista plástica e cantora Yoko Ono. O CD sai pela gravadora Discobertas e reúne 16 covers e reinvenções de canções de Yoko. Participo deste álbum na faixa Kiss, Kiss, Kiss, de Voz Del Fuego, que é o projeto eletrônico da carioca Leandra Lambert. O Voz Del Fuego existe há alguns anos e é um dos principais nomes da cena eletrônica underground aqui do Rio. Leandra compunha nos anos 90 o Inhumanoids! e faz incursões pelo território da sound art, artes visuais e cinema (além de ser minha namorada, rs). Com ela eu já havia criado projetos como As Três Torres e ADA > JPG e esta foi minha primeira colaboração com o Voz Del Fuego. Fiz a programação de baterias e samples, além de parte da produção. Lelê fez todo o resto: canta, toca teclado, criou sons e baixos nos sintetizadores e parte da produção.

Gostei do resultado final: ficou mais underground e propositalmente mais low-tech (apesar de ser eletrônico) do que as demais faixas do álbum. Enfim, Kiss, Kiss, Kiss, que talvez seja uma das canções mais pop de Yoko, ganhou um belo vestidinho com retalhos de electro-punk e glitch. Agradeço aqui a Lelê pelo convite para participar da faixa e também a todo mundo que possibilitou o lançamento desse disco.

A crítica mais alternativa parece ter gostado. A G Online deu uma geral do CD, que também virou capa do Segundo Caderno do jornal O Globo, com resenha favorável. Leandra também encontrou estas críticas simpáticas:

“Prima por privilegiar as canções, dando à dupla paulistana Tetine e à carioca Leandra Lambert (frontwoman do grupo eletrônico Voz Del Fuego) as chances de protagonizar os momentos mais experimentais do disco – com, respectivamente, Why?, gritalhona faixa de abertura de Yoko Ono/Plastic Ono Band, estreia da japonesa, em 1970, e Kiss kiss kiss.” (crítica completa aqui)

“Leandra Lambert, da dupla Voz Del Fuego, soa cult em Kiss kiss kiss.” (crítica aqui)

 

O mais legal é que Yoko, já septuagenária e mais jovem e maluca que 90% dos teens atuais, ouviu o álbum e adorou. Quem escutar o disco, que já está nas lojas de CDs “reais” e online, vai se surpreender com excelentes faixas, como a ótima versão do grupo carioca Pelv’s para Move On Fast, com um acachapante vocal da veterana Marília Barbosa. O disco também conta com os projetos eletrônicos mineiros Digitaria e Tetine, entre vários outros. Veja a lista completa:

01 – Mrs. Lennon – Cida Moreira

02 – Who Has Seen The Wind? – Hevelyn Costa

03 – Listen, The Snow Is Falling – Ampslina

04 – Death of Samantha – Digitaria

05 – Why – Tetine

06 – Midsummer New York – Fuzzcas

07 – Sisters O Sisters – Doidivinas

08 – Move On Fast – Marília Barbosa & Pelv’s

09 – Yangyang – Silvia Machete

10 – Kiss Kiss Kiss – Voz Del Fuego

11 – Yes, I’m Your Angel – Mathilda Kovak

12 – Don’t Be Scared – Isabella Taviani

13 – I’m Moving On – Luen

14 – Walking On Thin Ice – Katia B

15 – It Happened – Angela Ro Ro

16 – Goodbye Sadness – Zélia Duncan

 

É possível comprar o CD facilmente na Saraiva ou na Livraria Cultura.


Primeiro uso de música eletrônica em filme

 

Parece que o primeiro uso (registrado) de música eletrônica em um filme foi em 1932, nesta película dirigida por Berthold Bartosch. Neste L’Idée (A Idéia) foi usado um Ondes Martenot. A trilha foi composta por Arthur Honegger, suíço que sobrepôs aqui os tons etéreos do Martenot a sonoridades jazzísticas mais urbanas.

Via AudioLemon

O Ondes Martenot, inventado em 1928 e similar ao Theremin:

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David Lynch dirige clip de Moby


 

Shot in the Back of The Head, nova música de Moby, tem clip dirigido por Dvid Lynch. A faixa é do próximo álbum de Moby, Wait For Me, e pode ser baixada de graça no site oficial do músico.

Moby e Lynch discutem aqui sua colaboração  nesta animação.

Alec Empire em novo álbum

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O ex-vocalista do Atari Teenage Riot, Alec Empire, lança novo álbum, “Shivers”. Fãs do sample noise dos anos 90 podem esperar: não é mais Digital Hardcore, mas The Sound of New Berlin, como o próprio Alec batizou. O álbum é produzido pela dupla The Hellish Vortex, que nada mais são que o próprio Empire e Nic Endo, também ex-ATR (olha os dois aí na foto). Participação de Robbie Furze, do The Big Pink.

Shivers será lançado em formato digital através da Eat Your Heart Out records, que também disponobilizará uma edição limitada em CD.

O tracklist do álbum é:

1)   Control Drug

2)   Shivers

3)   Baby Skull

4)   If You Live Or Die (feat. Robbie Furze)

5)   1000 Eyes (Film Version)

 

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O fim da era dos superstar DJs?

Espero que sim. Nada menos relacionado com os aspectos mais legais da música eletrônica do que os tais DJs mega-estrelas. Um dos jornalistas de música mais importantes dos EUA, Dennis Romero, concorda. Em sua coluna no LA Times, o crítico detona: “DJs imbecis se deixaram ser aprisionados em armadilhas recheadas de drogas de seu auto-percebido estrelato, egos atiçados por groupies, listas VIP e comentários no MySpace”.

Ouch.

Romero prossegue notando que diversos clubs têm apostado no que ele chama de “atrações pós-DJ”.

Em Dubai, Gilles Peterson, famoso nos anos 90 por seus sets e compilações jazz funk, também criticou seus colegas DJs, principalmente os mais entediados: “Tantos DJs tocam os mesmos sets – DJs famosos, grandes, que tocam literalmente o mesmo set, na mesma ordem exata, por até seis meses a fio. Não sei como ele conseguem fazer isso”, Gilles disse ao Time Out Dubai. “Eu procuro agradar a mim mesmo. Não há nada pior do que um DJ que parece de saco cheio”.

Apple limita iPhone 3.0

Em uma decisão que os fãs da maçã certamente classificariam como “típica da Microsoft” se fosse tomada pela gigante de Redmond, a Apple decidiu “aleijar” as capacidades da versão 3iPhone: detonado pela maçã.0 do sistema operacional do iPhone. Justamente quando desenvolvedores, músicos e DJs estavam começando a se entusiasmar com as possibilidades criativas do iPhone, a casa que Steve Jobs ajudou a construir decidiu limitar – e muito – as possibilidades do SDK (Software Development Kit) do iPhone.

O novo kit é bem mais medroso em relação às capacidades multimídia mais criativas que o iPhone poderia ter. Perfeito para aplicações de manipulação de áudio graças à sua portabilidade e interface multi-toque, o iPhone pode muito bem ser um ótimo controller de áudio para DJs, live PAs e produtores em geral, mas parece que a Apple – mais uma vez, como fez com a imposição do horrendo iTunes aos usuários de iPods – amarelou feio. O SDK é a biblioteca de opções de programação que os desenvolvedores devem utilizar para criar aplicativos para o iPhone. Acontece que, ao contrário do que se esperava, a nova biblioteca é apenas uma API de controle de execução de arquivos de áudio, semelhante à do iPod. Ou seja, as opções de leitura dos arquivos MP3 do gadget serão limitadíssimas, sem oferecer formas de modificação do output de áudio. Com isso, podemos dizer adeus aos aplicativos para DJs, à detecção de BPM, a qualquer tipo de alteração do áudio final de forma significativa, que envolva a interpretação das informações do arquivo de áudio.

Essa atitude tacanha se explica, claro, pelo desejo da Apple de manter sob sua tutela os únicos players de áudio disponíveis para o iPhone. Monopólio? Quê isso.

Resta a esperança de que o Android, o sistema operacional criado pelo Google para celulares e gadgets, possa abrigar um espectro simpático de programas de áudio. E pode, já que o Google tem sido bastante aberto em relação ao uso da API de seu OS. Mas… o Android, tecnicamente, é bem mais limitado que o iPhone, ao menos em relação ao seu potencial multimídia atual. Moral da história: de um lado temos um OS poderoso e uma interface perfeita para a manipulação de áudio, mas limitada por uma mentalidade primitiva; de outro, uma atitude aberta, mas castrada por limitações técnicas. Vamos torcer para que novos players e interfaces entrem nessa história.