Musique Non Stop

O jornalismo carioca presta mais um desserviço à já ridicularizada cena underground na forma da matéria “Electro: A Tribo”, que saiu na capa de um tablóide carioca de programação na semana passada. Continuando a nossa tradição de uma cobertura cultural lamentável e ignorante, a matéria é apenas mais um tijolo na gigantesca parede-mosaico que ilustra a cretinice da cena eletrônica carioca. Vamos analisar aqui alguns pontos óbvios e flagrantes dessa longa história.

Antes de tudo, o que fica mais claro em toda essa relação entre o “underground” carioca – existe isso? – e a mídia mais careta e babaca é que as figuras que pensam em si mesmas como as mais ilustres do tal “underground” não titubeiam nem por um minuto antes de pagar a maior mico de suas vidas e posar como artefatos exóticos para a imprensa mais burra que o Rio de Janeiro já teve. O “underground” nunca quis tanto ser global. Lembro que, quando Wolf Maya estava dirigindo aquela novelinha que tinha um “núcleo” “clubber”, todos os modernóides cariocas se dirigiram aos bandos para os locais das filmagens, como pássaros mongolóides migrando para algum lugar. Se prestaram ao papel de ficar horas sem comer e beber em regiões inóspitas do planeta, como a Barra da Tijuca, para aparecer em uma novela. Belo comportamento underground.

E agora, como já aconteceu antes, se prestam de bom grado a aparecer de uma forma anódina e digna de Bozó em uma matéria de “comportamento” das mais absurdas (vamos chegar às matérias de “comportamento” mais para a frente). OK, vamos colocar algumas coisas claras: somente no Rio de Janeiro o “underground” quer ser global. Somente nesta cidade esquecida pelo bom gosto e pelo bom senso pessoas supostamente “de vanguarda” sorriem ao catar as migalhas que caem da câmera ou microfone mais próximo, sejam os da Vizoo ou, no outro extremo da idiotice midiática, da Globo.

Em Londres, onde surgiu, afinal, o objeto de que estamos falando aqui, o chamado “underground” não fica feliz em aparecer na capa dos tablóides de fofocas (aqueles que estampam manchetes como “David Beckham é na verdade um duende de sete cabeças” ou “Lady Di era uma extraterrestre lésbica”). Simplesmente porque: a) Tal tipo de divulgação não os ajudará em nada, já que eles não precisam de divulgação e b) Pessoas têm senso de ridículo. O fato de que você usa cílios postiços púrpura não quer dizer necessariamente que você está disposto a pagar qualquer King Kong para aparecer. Pelo contrário, deveria sugerir que você sabe fazer suas opções estéticas. Ah, e de qualquer forma, a imprensa careta britânica só se aproximaria dessas pessoas para fazer alguma matéria escandalosa anti-drogas.

Os afagos mútuos entre nossos “jornalistas” e (ouch) “colunistas” dos cadernos de “cultura” e as pessoas de várias cenas são bisonhos. De um lado, temos um bando de velhos que mal sabe do que estão falando ou escrevendo, mas parecem dispostos a “cobrir” qualquer tipo de comportamento que passe pelo Leblon para soar “descolados” e “antenados”. Do outro, temos participantes e freqüentadores de uma cena que mal entendem o que estão fazendo e, assim, acham que aparecer – ainda que de forma cretina e rasa – em qualquer fanzine disfarçado de jornal será algo “válido”. Sendo um ex-império, o Rio de janeiro mantém esse caráter autofágico, baseado em interrelações de classe e bairros que perpetuam a máquina da ignorância. Meia dúzia de mimadinhos entediados realmente acham que são os “tops” de alguma coisa qualquer e convencem algum mané jornalista que ouviu a vaca cantar e não sabe aonde (sim, porque nem descobriram que o galo existe ainda)

OK, para deixar uma coisa clara: eu não sou um destes palhaços que frequentam a Lapa e se acham de esquerda ou nacionalistas. As manifestações artísticas de que mais gosto não têm traços de cultura “nacional” ou de “contrapartida social” (coisas que só têm importância para quem não está interessado em arte). Mas uma cena – qualquer que seja – deve ter algum cérebro. Já está provado que 56% dos estudantes brasileiros não conseguem entender o que lêem. Agora imagine alguém assim lendo a Mixmag ou a Muzik e você terá uma noção da ponta do iceberg.

O resultado é uma cena que não sabe a que veio, para que veio e para onde vai. A música não importa, o que importa são as malditas munhequeiras e “ei, você sabe quem tem GHB pra vender?”. Uma cena cultural formada por vendedores de lojinhas de shopping, ignorante e semi-alfabetizada, que exatamente por isso se propõem a agir da forma mais globete possível. Basta uma olhada no site do club Egg, onde rola a festa Nag Nag Nag, ou uma lida em algum site decente sobre música para entender que o buraco é muito mais embaixo das munhequeiras Nike. Em Londres ou Nova York, o público já têm uma sofisticação que os faz entender que rótulos e enquadramentos só funcionam para matar alguma cena. Nenhum londrino decente gostaria de ser flagrado em público trajando exatamente o que lhe foi dito, como um maldito mórmon. Será que o fato de lerem algo e fazerem algo durante o dia faz alguma diferença? Afinal, quando você é um vendedor de loja ou um filho entediado você quer aparecer de qualquer forma.

Mas não estou generalizando: na cena carioca existem pessoas razoáveis, normalmente as que não aparecem nessas matérias. Uma coisa que me chamou a atenção foram os DJs falando que “é difícil tocar electro, não existe material suficiente”.

Alô?

Como assim? Isso acontece no Rio porque aqui os DJs só sabem mixar se tocarem a noite inteira coisas de um só selo. Lembro dos DJs de techno e house que ficavam a noite inteira na mesma lenga-lenga, porque “só tocavam techno alemão”. Não quero dizer que eles devam interromper o bom andamento do set para tocar reggae ou merda parecida, mas que parem de seguir os set lists e charts de DJs e gravadoras. Não é preciso tocar só coisas da International Gigolos pra fazer um set de electro – e muito menos de electroclash, embora esse termo tenha sido criado pelo próprio DJ Hell, da Gigolos. Como assim, existe pouco material? Sim, se você for contar apenas com os 18 vinis da International Gigolos que você tem, o material será pouco. Mas dizer que há pouco material é uma fabulosa demonstração de ignorância musical. Afrika Bambaataa, alguém? Kurtis Mantronik? Até mesmo um remix da Ruby? Depeche Mode remixado pela Andrea Parker? Sabem, o electro já existia antes dos Gigolos e de Miss Kittin. É só procurar e ler alguma coisa a mais do que os catálogos da Index.

Ah, não, mas aí não dá, porque é electrofunk, e não electroclash. Façam como um DJ de verdade e usem um sampler para mudar os beats e loops dessas coisas. Coloquem o maldito tecladinho vintage, com aquele arpeggiator no automático que o Human League tanto gostava. Enfim, sejam DJs. Comprando menos calças por mês, dá pra fazer isso. Ou então assumam que o conhecimento de vocês termina no último código de barras do catálogo da Gigolo Records. “Pouco material” é uma desculpa das mais risíveis.

O que me lembra a mico que aconteceu quando o Prodigy veio tocar aqui. Liam Howlett queria um DJ nacional de big beats para abrir o show dos caras. Desespero. Meu Deus, o que é esse tal de big beats? Se não estivessem tão ocupados folheando a The Face ou alguma outra revista cuja relevância morreu com o Culture Club, saberiam o que são os malditos big beats. As pessoas pensantes da cena ensinaram o DJ escolhido o que era, emprestaram discos de Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash ou sei lá o quê e assim se move a nossa “cena”.
Falo dos big beats porque eles ajudaram a renovar o electro “tradicional” entre os DJs. Figuras como Liam Howlett e Fatboy Slim – ao contrário dos nossos DJs de techno e house – não tocavam só techno e house a noite inteira, mas acrescentavam faixas de electro, funk setentista e breakbeats ao seu set. Diabos, os Chemical Brothers levantaram uma madrugada de Ibiza tocando “Billie Jean” do Michael Jackson! Essa mistura são os big beats. É sintomático que justamente um estilo que implique em misturas de gêneros crie problemas para os promoters de shows cariocas. Claro, temos DJs que seguem a cartilha, mixam o último kick de uma faixa de house com o primeiro kick de outra faixa de house e assim segue nossa vidinha.

Lembrando ainda que o tal electroclash que, coitado, acaba de se tornar a bola da vez nas bocas dos ignorantes da Lapa ao Baixo Gávea, é mais misturado ainda que o big beat. Não é só uma questão de misturar as batidas electro do Kraftwerk com os arpeggios vintage melódicos do Yazoo. A Nag Nag Nag toca electro, electrofunk, punk rock (sim, punk rock) e outras coisas. Dá pra tocar uma faixa de Adamski, Associates, Mantronix ou dos Sex Pistols e transformá-la, via mixagem com outros beats, em algo aproveitável electroclashisticamente.Mas para isso precisaríamos de DJs que gostassem de música e ouvissem algo além de electro em casa, e no Rio temos uns dois ou três que são assim. Afinal, é mais fácil baixar o set list da Gigolo e tentar achar os referidos vinis.

E se você a essa altura está pensando “esses caras são uns manés, viva o meu berimbau ou minha embolada de coco”, cale a boca. As cenas techno, house, punk, hip hop, electro, electroclash, etc do Brasil sempre pecaram pela falta de informação, pela vontade de ser global (em alguns casos) ou pela sub-cultura iletrada de shopping. Mas ao menos estão lidando com algo de relevância para suas vidas e para a situação atual da cultura pop. Dixer que “meu berimbau é mais sei lá o quê” é uma estupidez ainda mais ululante que achar que não existe electro além da Miss Kittin. Tá achando que berimbau é gaita?

Graças à ditadura militar, à criação pouco instrutiva dos pais dos anos 70 e à deficiência educacional brasileira, criou-se uma geração de velhos de 22 anos que é algo realmente triste. Pessoas que citam Chico Buarque em rodinhas de samba na Lapa ou acham que Caetano Veloso ainda é relevante. Pesoas que, em 2003, estão descobrindo bandas como Smiths e Cure, bandas que apareceram quando elas tinham cinco anos de idade, em 1985 (no caso do Cure, quando elas nem eram nascidas, em 1979). E, lançando mão dos pobres grupos de rock dos anos 80, acusam a cena eletrônica de ser “modernóide” ou algo do mesmo previsível gênero.

Mas acordem: quando estas bandas surgiram e tinham alguma importância estética, seus antepassados sociais (os manés fãs de rock progressivo e Scorpions, sei lá) diziam exatamente a mesma coisa: “Cure e Joy Division são bandas para essas pessoas metidas a modernas”. Ou seja, vocês estão sendo exatamente iguais aos fãs de electro que criticam, só que – pecado mortal – 15 anos depois, em relação a algo que surgiu quando vocês eram crianças. Então, calem a boca, velhos de 22 anos. Sim, é a nova geriatria. Daqui há 15 anos, estarão ouvindo electro.

Felizmente, entre jornalistas inadequados e ignorantes, uma fatia da cena voltada para a Globo e cafonices similares, DJs que não são DJs e jovens-velhos ripongas e atrasados de 22 anos, sobrevive a relevância da música eletrônica. Quem faz música não está interessado em capas de jornais cafonas, nem em que roupa o cara ali do lado está usando. Para ficar nos envolvidos no electro, tanto o electrofunk quanto o electroclash, Kraftwerk, Human League, Yello, Soul Sonic Force, Miss Kittin, The Hacker e The Experiment não estão interessados em descobrir se são parte ou não da tribo electro, da tribo house ou de alguma tribo do (da?) Xingu. O importante é fazer e não posar. Nos faria muito bem se parássemos de pensar em cadernos de sub-cultura, em jornais cafonas, em DJs sem talento e em top-vendedores de loja.

Suck my dick, lick my ass.

O jornalismo carioca presta mais um desserviço à já ridicularizada cena underground na forma da matéria “Electro: A Tribo”, que saiu na capa de um tablóide carioca de programação na semana passada. Continuando a nossa tradição de uma cobertura cultural lamentável e ignorante, a matéria é apenas mais um tijolo na gigantesca parede-mosaico que ilustra a cretinice da cena eletrônica carioca. Vamos analisar aqui alguns pontos óbvios e flagrantes dessa longa história.

Antes de tudo, o que fica mais claro em toda essa relação entre o “underground” carioca – existe isso? – e a mídia mais careta e babaca é que as figuras que pensam em si mesmas como as mais ilustres do tal “underground” não titubeiam nem por um minuto antes de pagar a maior mico de suas vidas e posar como artefatos exóticos para a imprensa mais burra que o Rio de Janeiro já teve. O “underground” nunca quis tanto ser global. Lembro que, quando Wolf Maya estava dirigindo aquela novelinha que tinha um “núcleo” “clubber”, todos os modernóides cariocas se dirigiram aos bandos para os locais das filmagens, como pássaros mongolóides migrando para algum lugar. Se prestaram ao papel de ficar horas sem comer e beber em regiões inóspitas do planeta, como a Barra da Tijuca, para aparecer em uma novela. Belo comportamento underground.

E agora, como já aconteceu antes, se prestam de bom grado a aparecer de uma forma anódina e digna de Bozó em uma matéria de “comportamento” das mais absurdas (vamos chegar às matérias de “comportamento” mais para a frente). OK, vamos colocar algumas coisas claras: somente no Rio de Janeiro o “underground” quer ser global. Somente nesta cidade esquecida pelo bom gosto e pelo bom senso pessoas supostamente “de vanguarda” sorriem ao catar as migalhas que caem da câmera ou microfone mais próximo, sejam os da Vizoo ou, no outro extremo da idiotice midiática, da Globo.

Em Londres, onde surgiu, afinal, o objeto de que estamos falando aqui, o chamado “underground” não fica feliz em aparecer na capa dos tablóides de fofocas (aqueles que estampam manchetes como “David Beckham é na verdade um duende de sete cabeças” ou “Lady Di era uma extraterrestre lésbica”). Simplesmente porque: a) Tal tipo de divulgação não os ajudará em nada, já que eles não precisam de divulgação e b) Pessoas têm senso de ridículo. O fato de que você usa cílios postiços púrpura não quer dizer necessariamente que você está disposto a pagar qualquer King Kong para aparecer. Pelo contrário, deveria sugerir que você sabe fazer suas opções estéticas. Ah, e de qualquer forma, a imprensa careta britânica só se aproximaria dessas pessoas para fazer alguma matéria escandalosa anti-drogas.

Os afagos mútuos entre nossos “jornalistas” e (ouch) “colunistas” dos cadernos de “cultura” e as pessoas de várias cenas são bisonhos. De um lado, temos um bando de velhos que mal sabe do que estão falando ou escrevendo, mas parecem dispostos a “cobrir” qualquer tipo de comportamento que passe pelo Leblon para soar “descolados” e “antenados”. Do outro, temos participantes e freqüentadores de uma cena que mal entendem o que estão fazendo e, assim, acham que aparecer – ainda que de forma cretina e rasa – em qualquer fanzine disfarçado de jornal será algo “válido”. Sendo um ex-império, o Rio de janeiro mantém esse caráter autofágico, baseado em interrelações de classe e bairros que perpetuam a máquina da ignorância. Meia dúzia de mimadinhos entediados realmente acham que são os “tops” de alguma coisa qualquer e convencem algum mané jornalista que ouviu a vaca cantar e não sabe aonde (sim, porque nem descobriram que o galo existe ainda)

OK, para deixar uma coisa clara: eu não sou um destes palhaços que frequentam a Lapa e se acham de esquerda ou nacionalistas. As manifestações artísticas de que mais gosto não têm traços de cultura “nacional” ou de “contrapartida social” (coisas que só têm importância para quem não está interessado em arte). Mas uma cena – qualquer que seja – deve ter algum cérebro. Já está provado que 56% dos estudantes brasileiros não conseguem entender o que lêem. Agora imagine alguém assim lendo a Mixmag ou a Muzik e você terá uma noção da ponta do iceberg.

O resultado é uma cena que não sabe a que veio, para que veio e para onde vai. A música não importa, o que importa são as malditas munhequeiras e “ei, você sabe quem tem GHB pra vender?”. Uma cena cultural formada por vendedores de lojinhas de shopping, ignorante e semi-alfabetizada, que exatamente por isso se propõem a agir da forma mais globete possível. Basta uma olhada no site do club Egg, onde rola a festa Nag Nag Nag, ou uma lida em algum site decente sobre música para entender que o buraco é muito mais embaixo das munhequeiras Nike. Em Londres ou Nova York, o público já têm uma sofisticação que os faz entender que rótulos e enquadramentos só funcionam para matar alguma cena. Nenhum londrino decente gostaria de ser flagrado em público trajando exatamente o que lhe foi dito, como um maldito mórmon. Será que o fato de lerem algo e fazerem algo durante o dia faz alguma diferença? Afinal, quando você é um vendedor de loja ou um filho entediado você quer aparecer de qualquer forma.

Mas não estou generalizando: na cena carioca existem pessoas razoáveis, normalmente as que não aparecem nessas matérias. Uma coisa que me chamou a atenção foram os DJs falando que “é difícil tocar electro, não existe material suficiente”.

Alô?

Como assim? Isso acontece no Rio porque aqui os DJs só sabem mixar se tocarem a noite inteira coisas de um só selo. Lembro dos DJs de techno e house que ficavam a noite inteira na mesma lenga-lenga, porque “só tocavam techno alemão”. Não quero dizer que eles devam interromper o bom andamento do set para tocar reggae ou merda parecida, mas que parem de seguir os set lists e charts de DJs e gravadoras. Não é preciso tocar só coisas da International Gigolos pra fazer um set de electro – e muito menos de electroclash, embora esse termo tenha sido criado pelo próprio DJ Hell, da Gigolos. Como assim, existe pouco material? Sim, se você for contar apenas com os 18 vinis da International Gigolos que você tem, o material será pouco. Mas dizer que há pouco material é uma fabulosa demonstração de ignorância musical. Afrika Bambaataa, alguém? Kurtis Mantronik? Até mesmo um remix da Ruby? Depeche Mode remixado pela Andrea Parker? Sabem, o electro já existia antes dos Gigolos e de Miss Kittin. É só procurar e ler alguma coisa a mais do que os catálogos da Index.

Ah, não, mas aí não dá, porque é electrofunk, e não electroclash. Façam como um DJ de verdade e usem um sampler para mudar os beats e loops dessas coisas. Coloquem o maldito tecladinho vintage, com aquele arpeggiator no automático que o Human League tanto gostava. Enfim, sejam DJs. Comprando menos calças por mês, dá pra fazer isso. Ou então assumam que o conhecimento de vocês termina no último código de barras do catálogo da Gigolo Records. “Pouco material” é uma desculpa das mais risíveis.

O que me lembra a mico que aconteceu quando o Prodigy veio tocar aqui. Liam Howlett queria um DJ nacional de big beats para abrir o show dos caras. Desespero. Meu Deus, o que é esse tal de big beats? Se não estivessem tão ocupados folheando a The Face ou alguma outra revista cuja relevância morreu com o Culture Club, saberiam o que são os malditos big beats. As pessoas pensantes da cena ensinaram o DJ escolhido o que era, emprestaram discos de Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash ou sei lá o quê e assim se move a nossa “cena”.
Falo dos big beats porque eles ajudaram a renovar o electro “tradicional” entre os DJs. Figuras como Liam Howlett e Fatboy Slim – ao contrário dos nossos DJs de techno e house – não tocavam só techno e house a noite inteira, mas acrescentavam faixas de electro, funk setentista e breakbeats ao seu set. Diabos, os Chemical Brothers levantaram uma madrugada de Ibiza tocando “Billie Jean” do Michael Jackson! Essa mistura são os big beats. É sintomático que justamente um estilo que implique em misturas de gêneros crie problemas para os promoters de shows cariocas. Claro, temos DJs que seguem a cartilha, mixam o último kick de uma faixa de house com o primeiro kick de outra faixa de house e assim segue nossa vidinha.

Lembrando ainda que o tal electroclash que, coitado, acaba de se tornar a bola da vez nas bocas dos ignorantes da Lapa ao Baixo Gávea, é mais misturado ainda que o big beat. Não é só uma questão de misturar as batidas electro do Kraftwerk com os arpeggios vintage melódicos do Yazoo. A Nag Nag Nag toca electro, electrofunk, punk rock (sim, punk rock) e outras coisas. Dá pra tocar uma faixa de Adamski, Associates, Mantronix ou dos Sex Pistols e transformá-la, via mixagem com outros beats, em algo aproveitável electroclashisticamente.Mas para isso precisaríamos de DJs que gostassem de música e ouvissem algo além de electro em casa, e no Rio temos uns dois ou três que são assim. Afinal, é mais fácil baixar o set list da Gigolo e tentar achar os referidos vinis.

E se você a essa altura está pensando “esses caras são uns manés, viva o meu berimbau ou minha embolada de coco”, cale a boca. As cenas techno, house, punk, hip hop, electro, electroclash, etc do Brasil sempre pecaram pela falta de informação, pela vontade de ser global (em alguns casos) ou pela sub-cultura iletrada de shopping. Mas ao menos estão lidando com algo de relevância para suas vidas e para a situação atual da cultura pop. Dixer que “meu berimbau é mais sei lá o quê” é uma estupidez ainda mais ululante que achar que não existe electro além da Miss Kittin. Tá achando que berimbau é gaita?

Graças à ditadura militar, à criação pouco instrutiva dos pais dos anos 70 e à deficiência educacional brasileira, criou-se uma geração de velhos de 22 anos que é algo realmente triste. Pessoas que citam Chico Buarque em rodinhas de samba na Lapa ou acham que Caetano Veloso ainda é relevante. Pesoas que, em 2003, estão descobrindo bandas como Smiths e Cure, bandas que apareceram quando elas tinham cinco anos de idade, em 1985 (no caso do Cure, quando elas nem eram nascidas, em 1979). E, lançando mão dos pobres grupos de rock dos anos 80, acusam a cena eletrônica de ser “modernóide” ou algo do mesmo previsível gênero.

Mas acordem: quando estas bandas surgiram e tinham alguma importância estética, seus antepassados sociais (os manés fãs de rock progressivo e Scorpions, sei lá) diziam exatamente a mesma coisa: “Cure e Joy Division são bandas para essas pessoas metidas a modernas”. Ou seja, vocês estão sendo exatamente iguais aos fãs de electro que criticam, só que – pecado mortal – 15 anos depois, em relação a algo que surgiu quando vocês eram crianças. Então, calem a boca, velhos de 22 anos. Sim, é a nova geriatria. Daqui há 15 anos, estarão ouvindo electro.

Felizmente, entre jornalistas inadequados e ignorantes, uma fatia da cena voltada para a Globo e cafonices similares, DJs que não são DJs e jovens-velhos ripongas e atrasados de 22 anos, sobrevive a relevância da música eletrônica. Quem faz música não está interessado em capas de jornais cafonas, nem em que roupa o cara ali do lado está usando. Para ficar nos envolvidos no electro, tanto o electrofunk quanto o electroclash, Kraftwerk, Human League, Yello, Soul Sonic Force, Miss Kittin, The Hacker e The Experiment não estão interessados em descobrir se são parte ou não da tribo electro, da tribo house ou de alguma tribo do (da?) Xingu. O importante é fazer e não posar. Nos faria muito bem se parássemos de pensar em cadernos de sub-cultura, em jornais cafonas, em DJs sem talento e em top-vendedores de loja.

Suck my dick, lick my ass.

Conchas

Cientistas descobriram em uma caverna na África do Sul os mais antigos exemplares de “joalheria” conhecidos: conchas perfuradas, que eram provavelmente usadas como colares há 75 mil anos.

Além de serem as jóias mais antigas conhecidas, as conchas também são exemplo de um dos primeiros traços de pensamento abstrato no homem primitivo. E o ne´gócio deu trabalho: as conchas, do tamanho de ervilhas, eram extraídas de um pequeno molusco e os rios mais próximos estavam a 20 km de distância da caverna.

Cliquem aqui para ver mais detalhes e ótimas fotos dos colares de conchas.

Os primitivos usavam bijuterias, os egípcios se maquiavam; o homem (do sexo masculino) talvez tenha ficado mais e mais rude e tosco com o passar dos séculos e não o contrário (claro, em determinados aspectos).

Cientistas descobriram em uma caverna na África do Sul os mais antigos exemplares de “joalheria” conhecidos: conchas perfuradas, que eram provavelmente usadas como colares há 75 mil anos.

Além de serem as jóias mais antigas conhecidas, as conchas também são exemplo de um dos primeiros traços de pensamento abstrato no homem primitivo. E o ne´gócio deu trabalho: as conchas, do tamanho de ervilhas, eram extraídas de um pequeno molusco e os rios mais próximos estavam a 20 km de distância da caverna.

Cliquem aqui para ver mais detalhes e ótimas fotos dos colares de conchas.

Os primitivos usavam bijuterias, os egípcios se maquiavam; o homem (do sexo masculino) talvez tenha ficado mais e mais rude e tosco com o passar dos séculos e não o contrário (claro, em determinados aspectos).

Caipiras

“É realmente estranho como algumas pessoas estão detonando os clubbers pela forma como se vestem; parece que há uma reação caipira que insiste em dizer que eles são esnobes, hostis e basicamente a antítese de tudo que é sério na música.

Estou particularmente de saco cheio de ouvir essa última alegação. Um monte de gente vestida de forma estranha criou música que mudou o mundo; dos Sex Pistols a David Bowie, do Parliament/Funkadelic a Björk, passando pelo Outkast; a lista é longa. Até mesmo o pobre Roxy Music só foi levado a sério depois que seus membros começaram a se vestir de forma mais interessante.

A maioria dos que criticam as pessoas pela forma como elas se vestem presumem que elas são mimadas e ricas e que gastam dinheiro demais em roupas e imagem, mas a realidade é quase sempre exatamente o contrário. Porque não podem pagar por modelos caros e de marca, elas criaram seu próprio look adaptando o que quer que estivesse em volta – e isso parece ser uma ameaça para algumas pessoas.

A atitude intolerante para com o diferente ou colorido diz muito mais sobre as inseguranças da pessoa que critica. E realmente não tem diferença entre fazer isso e julgar uma pessoa pelo seu sotaque ou pela cor da sua pele. Nos faz pensar: sobre o que mais essas pessoas são intolerantes?”

O sempre magnífico Mark Moore (ex-S’Express) em sua coluna semanal.

Moore, como sempre, tem razão. Me faz pensar sobre alguns xiitas de blogs brasileiros, que vivem detonando tudo o que é diferente e todos que se vestem da forma que eles gostariam de se vestir – mas não sabem como.

“É realmente estranho como algumas pessoas estão detonando os clubbers pela forma como se vestem; parece que há uma reação caipira que insiste em dizer que eles são esnobes, hostis e basicamente a antítese de tudo que é sério na música.

Estou particularmente de saco cheio de ouvir essa última alegação. Um monte de gente vestida de forma estranha criou música que mudou o mundo; dos Sex Pistols a David Bowie, do Parliament/Funkadelic a Björk, passando pelo Outkast; a lista é longa. Até mesmo o pobre Roxy Music só foi levado a sério depois que seus membros começaram a se vestir de forma mais interessante.

A maioria dos que criticam as pessoas pela forma como elas se vestem presumem que elas são mimadas e ricas e que gastam dinheiro demais em roupas e imagem, mas a realidade é quase sempre exatamente o contrário. Porque não podem pagar por modelos caros e de marca, elas criaram seu próprio look adaptando o que quer que estivesse em volta – e isso parece ser uma ameaça para algumas pessoas.

A atitude intolerante para com o diferente ou colorido diz muito mais sobre as inseguranças da pessoa que critica. E realmente não tem diferença entre fazer isso e julgar uma pessoa pelo seu sotaque ou pela cor da sua pele. Nos faz pensar: sobre o que mais essas pessoas são intolerantes?”

O sempre magnífico Mark Moore (ex-S’Express) em sua coluna semanal.

Moore, como sempre, tem razão. Me faz pensar sobre alguns xiitas de blogs brasileiros, que vivem detonando tudo o que é diferente e todos que se vestem da forma que eles gostariam de se vestir – mas não sabem como.

Metrossexual

Teste: Você é um Metrossexual?

Antes que perguntem, eu fiz 16 de 50 pontos possíveis (mas as perguntas são yuppies demais).

Teste: Você é um Metrossexual?

Antes que perguntem, eu fiz 16 de 50 pontos possíveis (mas as perguntas são yuppies demais).

A Morte da Fotografia de Moda

Já chamado por figuras como Warren Ellis como “o ano em que a cultura pop morreu”, 2003 realmente viu a desintegração de conceitos e estéticas. Confiram este ensaio slide-show sobre A Morte da Fotografia de Moda, por exemplo, clicando aqui. A autora toca em pontos interessantes: como as modelos atuais têm cara de burras e vitimizadas, em comparação com as divas cinquentistas da Vogue e Harper’s Bazaar; como os fotógrafos acham que estão fazendo arte mas estampam apenas o realismo mais chato e pedestre; como o equilíbrio entre arte e comércio desabou, deixando em seu lugar uma arte feia e sem brilho.

Claro, até porque a arte hoje em dia está aqui: confiram esta sensacional galeria com imagens do jogo Final Fantasy X-2 e comparem o resultado estético.

Já chamado por figuras como Warren Ellis como “o ano em que a cultura pop morreu”, 2003 realmente viu a desintegração de conceitos e estéticas. Confiram este ensaio slide-show sobre A Morte da Fotografia de Moda, por exemplo, clicando aqui. A autora toca em pontos interessantes: como as modelos atuais têm cara de burras e vitimizadas, em comparação com as divas cinquentistas da Vogue e Harper’s Bazaar; como os fotógrafos acham que estão fazendo arte mas estampam apenas o realismo mais chato e pedestre; como o equilíbrio entre arte e comércio desabou, deixando em seu lugar uma arte feia e sem brilho.

Claro, até porque a arte hoje em dia está aqui: confiram esta sensacional galeria com imagens do jogo Final Fantasy X-2 e comparem o resultado estético.

Degville

E vejam esta galeria de fotos inacreditáveis de Martin Degville, o cabeleireiro e vocalista do Sigue Sigue Sputnik.

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Tattoo You?

Andy Sakai é um tatuador com muito orgulho de suas heranças orientais. Cansado de ver adolescentes pdeirem para que ele tatuasse frases em ideogramas sem nem saber ao certo o que queriam dizer, ele resolveu se vingar. Por exemplo: em uma menina, que queria a palavra “princesa” em japonês nas suas costas, ele tatuou “prostituta”. Ela só veio a saber vários meses depois. Em um outro cara, que queria as palavras “força” e “honra”, ele tatuou “pau pequeno”. Em outra menina, que queria a frase “deusa da beleza” acima do seu umbigo, ele tatuou na verdade “enfie uma galinha aqui”.

“Acho que estou ajudando a humanidade ao marcar as pessoas estúpidas”, disse o tatuador, que já ganhou vários prêmios. “Não é um crime, é um serviço público”.

Isso é genial. Grafites em pessoas mocorongas. Vejam mais sobre a história toda aqui, com fotos.

Andy Sakai é um tatuador com muito orgulho de suas heranças orientais. Cansado de ver adolescentes pdeirem para que ele tatuasse frases em ideogramas sem nem saber ao certo o que queriam dizer, ele resolveu se vingar. Por exemplo: em uma menina, que queria a palavra “princesa” em japonês nas suas costas, ele tatuou “prostituta”. Ela só veio a saber vários meses depois. Em um outro cara, que queria as palavras “força” e “honra”, ele tatuou “pau pequeno”. Em outra menina, que queria a frase “deusa da beleza” acima do seu umbigo, ele tatuou na verdade “enfie uma galinha aqui”.

“Acho que estou ajudando a humanidade ao marcar as pessoas estúpidas”, disse o tatuador, que já ganhou vários prêmios. “Não é um crime, é um serviço público”.

Isso é genial. Grafites em pessoas mocorongas. Vejam mais sobre a história toda aqui, com fotos.

Baseball

Mark Simpson, inventor do termo “metrossexual”, meio que se isentou da responsabilidade pelo seu uso. Esta semana, Simpson disse que “se eu soubesse que os metrossexuais iriam tomar o planeta e levar todo mundo a usar maquiagem e produtos para cuidar dos cabelos, eu teria escrito sobre baseball.”

Esta declaração de Simpson veio semanas depois dele ter detonado a cultura gau atual, escrevendo no Guardian que “o caráter fabuloso da cultura gay é um mito.” E mais: “os gays proporcionaram um protótipo para a metrossexualidade, mas isso não significa que eles ainda estão na vanguarda. Como as pessoas mais jovens e ditas ‘antenadas’ já estão começando a dizer por aí: ‘tão gay – tão datado’.”

No original, faz mais sentido: “so gay – so over”, que também pode ser algo como “tão gay – e daí?”.

Simpson, obviamente, não é homofóbico. O que ele quer dizer é que o lado “underground” da cultura gay já está se auto-consumindo, vítima das chamas da auto-exposição em excesso. Eu sempre achei que os gays da cena “underground” (eletrônica, rock ou o que seja) estavam errando feio em misturar “opção sexual” com “estilo de vida fashion”. Além de reduzir demais a sua própria identidade a algo consumível, essa atitude é perigosa na socieddae do descartável: transformando sua identidade em um ítem de orgulho “fashion”, correm o risco de vê-la descartada como algo que sai de moda, como um mero CD, filme ou corte de cabelo. Pela reação “cansada” dos jovens da Inglaterra (e lembro que não é de homofobia que estamos falando, muito pelo contrário), é exatamente isso que está acontecendo. Ou seja, mesmo os gays já estão achando que está tudo “gay demais”.

Mark Simpson, inventor do termo “metrossexual”, meio que se isentou da responsabilidade pelo seu uso. Esta semana, Simpson disse que “se eu soubesse que os metrossexuais iriam tomar o planeta e levar todo mundo a usar maquiagem e produtos para cuidar dos cabelos, eu teria escrito sobre baseball.”

Esta declaração de Simpson veio semanas depois dele ter detonado a cultura gau atual, escrevendo no Guardian que “o caráter fabuloso da cultura gay é um mito.” E mais: “os gays proporcionaram um protótipo para a metrossexualidade, mas isso não significa que eles ainda estão na vanguarda. Como as pessoas mais jovens e ditas ‘antenadas’ já estão começando a dizer por aí: ‘tão gay – tão datado’.”

No original, faz mais sentido: “so gay – so over”, que também pode ser algo como “tão gay – e daí?”.

Simpson, obviamente, não é homofóbico. O que ele quer dizer é que o lado “underground” da cultura gay já está se auto-consumindo, vítima das chamas da auto-exposição em excesso. Eu sempre achei que os gays da cena “underground” (eletrônica, rock ou o que seja) estavam errando feio em misturar “opção sexual” com “estilo de vida fashion”. Além de reduzir demais a sua própria identidade a algo consumível, essa atitude é perigosa na socieddae do descartável: transformando sua identidade em um ítem de orgulho “fashion”, correm o risco de vê-la descartada como algo que sai de moda, como um mero CD, filme ou corte de cabelo. Pela reação “cansada” dos jovens da Inglaterra (e lembro que não é de homofobia que estamos falando, muito pelo contrário), é exatamente isso que está acontecendo. Ou seja, mesmo os gays já estão achando que está tudo “gay demais”.

Palavra de Ordem

A camiseta acima é da nova coleção de Boy George, que anda se aventurando pelo mundo da moda. Outros modelos trazem frases como “Eminem Fucks Himself”, “Eminem Screws Gays” e “Moby For President”. Cliquem aqui e vejam as outras camisetas e peças criadas pelo ex-vocalista do Culture Club (e que agora tem um projeto de electro chamado The Twin).

A camiseta acima é da nova coleção de Boy George, que anda se aventurando pelo mundo da moda. Outros modelos trazem frases como “Eminem Fucks Himself”, “Eminem Screws Gays” e “Moby For President”. Cliquem aqui e vejam as outras camisetas e peças criadas pelo ex-vocalista do Culture Club (e que agora tem um projeto de electro chamado The Twin).

Japanama

Chapéus Panamá são verdadeira febre nas ruas japonesas. Homens e mulheres têm usado o mesmo modelo, um Fedora tradicional, como esse aí da foto. As ruas e esquinas de Tóquio estão tomadas pelo chapéu, que é encontrado em todas as cores (até mesmo rosa) e em bizarras versões em tamanhos menores do que a cabeça do usuário deveria permitir. Mais no Japanese Streets.

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Chapéus Panamá são verdadeira febre nas ruas japonesas. Homens e mulheres têm usado o mesmo modelo, um Fedora tradicional, como esse aí da foto. As ruas e esquinas de Tóquio estão tomadas pelo chapéu, que é encontrado em todas as cores (até mesmo rosa) e em bizarras versões em tamanhos menores do que a cabeça do usuário deveria permitir. Mais no Japanese Streets.

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