Sherlock Holmes – Lançamento

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Acontece hoje, das 19h às 22h, na Blooks Livraria, o lançamento da coletânea de contos Sherlock Holmes – Aventuras Secretas, da editora Draco. Organizada por Carlos Orsi e Marcelo Galvão, a coletânea apresenta um conto de minha autoria, A Aventura do penhasco dos Suicidas, além de histórias dos dois organizadores e de Octavio Aragão, Lúcio Manfredi, Cirilo S. Lemos, Rosana Rios e Romeu Martins. Uma das vantagens do sistema de direitos autorais é justamente o elemento que é mais atacado hoje pelas corporações: ele expira setenta anos após a morte do autor (ou ao menos assim o deveria). Isso permitiu a criação desta coletânea, já que Holmes e seu universo hoje são de domínio público.

Após muitos anos trabalhando para jornais e revistas, publicando artigos, críticas, colunas e entrevistas, este conto é a minha estreia em papel publicando ficção. sempre gostei de histórias que retratam finais de era, aquelas onde o protagonista ou o ambiente que o personaliza finalmente dão seus últimos suspiros. Foi assim com o velho oeste, retratado em seus estertores de glória no maravilhoso Unforgiven, de Clint Eastwood, e em várias outras histórias que aprecio. Tendo pela frente o desafio de escrever logo Sherlock Holmes, pensei de cara em mostrá-lo no fim da vida, aposentado, recluso, talvez um pouco gagá. Logo me pus à frente a tarefa de pesquisar se Conan Doyle tinha ou não imaginado algum fim para o personagem (não contando o gimmick das Cataratas de Reichenbach). Não, não havia. Ele chegou a pensar em um final para Watson, mas não para Holmes. Logo, ele poderia muito bem ter vivido até os 90 anos, pelo menos, e isso me permitiria sair da era vitoriana e abraçar o ambiente onde se passam meus romances policiais favoritos: os anos 40 e, a reboque, a Segunda Guerra.

Mas eis que descubro que Conan Doyle havia chegado a descrever a cidade que Holmes havia escolhido para sua aposentadoria. Em trechos de alguns contos e textos de seu diário, Doyle descrevia a cidade, a geografia, o ambiente e os arredores. Claro que fãs mais obcecados já haviam lido tudo sobre isso e deduzido (elementar?) que cidade seria. A única que preenchia todos os requisitos era uma certa Eastbourne, no condado de Sussex, costa sul da Inglaterra. Hum, e descubro que nessa cidade existe o Beachy Head, penhasco íngreme e alto, de triste fama por ser um ponto escolhido por suicidas. O tabuleiro estava estendido à minha frente; faltavam os jogadores e as regras do jogo.

As regras extraí de Conan Doyle e, em boa parte, de Agatha Christie. Ainda que não seja brilhante do ponto de vista estilístico, Christie me ensinou a importância da caracterização psicológica no romance policial. E seus personagens me eram mais próximos do que os vitorianos de Doyle. Surge aí A Aventura do Penhasco dos Suicidas, tentativa de criar um misto de Doyle, Christie e Chandler, que espero não tenha virado uma salada. Foi divertido escrever este conto. Agradeço ao Octavio Aragão, ao Galvão e ao Orsi pelo convite (agradeço ao Orsi ainda pelas sugestões de mudança do tom da cena final do conto) e ao Erick Sama, editor da Draco, por minha participação nesta empreitada. E agradeço à Leandra pela leitura prévia e dicas imprescindíveis para lapidar a narrativa.

O livro pode ser comprado no site da Draco, na Livraria da Travessa ou na Cultura, entre outras.

Leia no blog da revista Carta Capital uma resenha da coletânea, de autoria de Antonio Luiz M. C. Costa.

O lançamento e noite de autógrafos acontecem hoje, das 19h às 22h, na Blooks Livraria, na galeria do Unibanco Arteplex, na Praia de Botafogo, 316.

Bangcoq 8

Após uma intensa maratona Tolkieniana e uma tentativa frustrada de ler pela primeira vez os contos de Robert E. Howard, estou adorando Bangcoq 8, de John Burdett, que comprei totalmente no escuro, por meros 10 reais, no camelô ali da saída do metrô da Carioca. O livro é sensacional, ágil e bem escrito, como os melhores trabalhos de gente como Steve Aylett e Paul Auster. Burdett é um advogado que mora em Bangcoq e escreveu em 2003 esse romance policial que remixa Blade Runner, Alan Parker, games, cyberpunk e best-seller inteligente (eles existem ainda, certo?) em uma trama ótima. E ainda fala de yaa baa, droga bizarra sobre a qual li há vários anos, na extinta revista Animal, e que me assombrou na época graças às visões de uma multidão de tailandeses voltando para casa de manhã como zumbis, sem reação. Brr. E agora Burdett me informa que já são (em 2003, claro) dois milhões o número de tailandeses viciados no treco. O yaa baa (ou yaba, mas sem dabadu) pode ser uma mistura de heroína e outros opiáceos, dando uma onda lenta e orgásmica; ou ainda um mix de metanfetamina, metais de baterias de carros e fertilizantes, o que gera uma viagem ultra-ligada, que parece deixar anfetaminas normais no chinelo. Em uma cena do livro, o personagem principal, um policial tailandês budista que encara tudo com toda a boa vontade que só o caminho do meio e a compreensão do carma propiciam, dança como uma puta louca sobre um queijo em uma boate pornô até às oito da manhã. Mas o yaa baa é só tangencial na história, que tem a sabedoria de saltar fora de qualquer pretensão gonzo. É uma trama policial e sociológica das melhores e se encontrar por aí, vale a pena (inclusive pagar mais de dez reais, por uma edição nova em livraria). Não sei mais muita coisa sobre o John Burdett, porque quero terminar esse livro analogicamente: sem procurar nada sobre ele no Google. É sensacional arriscar e ter uma boa surpresa. Ainda bem que sempre julgo um livro pela capa.

Ah, a tentativa de ler Robert E. Howard no original foi frustrada porque… o cara é chato. Eu simplesmente adoro alguns quadrinhos de Conan (principalmente os atuais, escritos e/ou adaptados por Kurt Busiek, que são verdadeiras obras-primas) e o personagem Solomon Kane, mas o estilo do Howard não funcionou. Talvez por eu ter saído de uma série de livros do Tolkien, que tem um estilo sensacional. Ou por eu teimar em comparar o pobre Howard com o Lord Dunsany, este sim genial no gênero fantasia. Ou talvez por preferir alta fantasia a sword & sorcery. Ou ainda (provavelmente, aliás) pela péssima tradução que a Conrad nos empurrou com esta edição brasileira. Só sei que ficou tudo meio ridículo, exageradamente pulp, meio cafona e pior: previsível. A narrativa se arrasta, os personagens são clichês e tudo se torna bem intragável. Com aquele clima que hoje em dia você só encontra em DVDs de velhos seriados de matinês. Às vezes funciona, mas no caso dessa coletânea do Howard, passou longe. Um dia tento no original ou quando outra editora lançar com alguma tradução mais profissional. Do jeito que está, fica exatamente como a maioria dos autores cyberpunks em suas edições nacionais ou figuras como, por exemplo, Don DeLillo: ilegível na tradução em português.

A não ser que, claro, Howard seja aquela porcaria mesmo, com um estilo previsível e bobo. Aí, só lamento. Fico no John Burdett mesmo.

Após uma intensa maratona Tolkieniana e uma tentativa frustrada de ler pela primeira vez os contos de Robert E. Howard, estou adorando Bangcoq 8, de John Burdett, que comprei totalmente no escuro, por meros 10 reais, no camelô ali da saída do metrô da Carioca. O livro é sensacional, ágil e bem escrito, como os melhores trabalhos de gente como Steve Aylett e Paul Auster. Burdett é um advogado que mora em Bangcoq e escreveu em 2003 esse romance policial que remixa Blade Runner, Alan Parker, games, cyberpunk e best-seller inteligente (eles existem ainda, certo?) em uma trama ótima. E ainda fala de yaa baa, droga bizarra sobre a qual li há vários anos, na extinta revista Animal, e que me assombrou na época graças às visões de uma multidão de tailandeses voltando para casa de manhã como zumbis, sem reação. Brr. E agora Burdett me informa que já são (em 2003, claro) dois milhões o número de tailandeses viciados no treco. O yaa baa (ou yaba, mas sem dabadu) pode ser uma mistura de heroína e outros opiáceos, dando uma onda lenta e orgásmica; ou ainda um mix de metanfetamina, metais de baterias de carros e fertilizantes, o que gera uma viagem ultra-ligada, que parece deixar anfetaminas normais no chinelo. Em uma cena do livro, o personagem principal, um policial tailandês budista que encara tudo com toda a boa vontade que só o caminho do meio e a compreensão do carma propiciam, dança como uma puta louca sobre um queijo em uma boate pornô até às oito da manhã. Mas o yaa baa é só tangencial na história, que tem a sabedoria de saltar fora de qualquer pretensão gonzo. É uma trama policial e sociológica das melhores e se encontrar por aí, vale a pena (inclusive pagar mais de dez reais, por uma edição nova em livraria). Não sei mais muita coisa sobre o John Burdett, porque quero terminar esse livro analogicamente: sem procurar nada sobre ele no Google. É sensacional arriscar e ter uma boa surpresa. Ainda bem que sempre julgo um livro pela capa.

 

Ah, a tentativa de ler Robert E. Howard no original foi frustrada porque… o cara é chato. Eu simplesmente adoro alguns quadrinhos de Conan (principalmente os atuais, escritos e/ou adaptados por Kurt Busiek, que são verdadeiras obras-primas) e o personagem Solomon Kane, mas o estilo do Howard não funcionou. Talvez por eu ter saído de uma série de livros do Tolkien, que tem um estilo sensacional. Ou por eu teimar em comparar o pobre Howard com o Lord Dunsany, este sim genial no gênero fantasia. Ou talvez por preferir alta fantasia a sword & sorcery. Ou ainda (provavelmente, aliás) pela péssima tradução que a Conrad nos empurrou com esta edição brasileira. Só sei que ficou tudo meio ridículo, exageradamente pulp, meio cafona e pior: previsível. A narrativa se arrasta, os personagens são clichês e tudo se torna bem intragável. Com aquele clima que hoje em dia você só encontra em DVDs de velhos seriados de matinês. Às vezes funciona, mas no caso dessa coletânea do Howard, passou longe. Um dia tento no original ou quando outra editora lançar com alguma tradução mais profissional. Do jeito que está, fica exatamente como a maioria dos autores cyberpunks em suas edições nacionais ou figuras como, por exemplo, Don DeLillo: ilegível na tradução em português.

 

A não ser que, claro, Howard seja aquela porcaria mesmo, com um estilo previsível e bobo. Aí, só lamento. Fico no John Burdett mesmo.

“E uma garrafa de rum”

O Caso dos Dez Negrinhos é realmente impressionante e, sim, um dos livros mais assustadores de Agatha Christie. É de 1939 e fico imaginando como na época essa sensação deve ter sido amplificada pelo fato de muitas das idéias que apareceram ali ainda serem novidade e não terem sido exploradas pelos seus futuros derivados. Clássico.
Li também a coletânea Um Acidente e Outras Histórias, que já havia lido alguns anos atrás e desta vez me pareceu bem melhor. Cerca de dez contos, dois com Parker Pyne (personagem que adoro), um com Poirot e outro com Miss Marple. O último conto do livro, No Fundo do Espelho, me surpreendeu por conter um elemento sobrenatural, coisa até então ausente de tudo o que havia lido dela.
Enfim, dois grandes livros. Mas, apesar de excelente e uma brilhante obra-prima, O Caso dos Dez Negrinhos não me impressionou mais do que O Assassinato de Roger Ackroyd, até agora o melhor livro que já li da tia Agatha.

O Caso dos Dez Negrinhos é realmente impressionante e, sim, um dos livros mais assustadores de Agatha Christie. É de 1939 e fico imaginando como na época essa sensação deve ter sido amplificada pelo fato de muitas das idéias que apareceram ali ainda serem novidade e não terem sido exploradas pelos seus futuros derivados. Clássico.
Li também a coletânea Um Acidente e Outras Histórias, que já havia lido alguns anos atrás e desta vez me pareceu bem melhor. Cerca de dez contos, dois com Parker Pyne (personagem que adoro), um com Poirot e outro com Miss Marple. O último conto do livro, No Fundo do Espelho, me surpreendeu por conter um elemento sobrenatural, coisa até então ausente de tudo o que havia lido dela.
Enfim, dois grandes livros. Mas, apesar de excelente e uma brilhante obra-prima, O Caso dos Dez Negrinhos não me impressionou mais do que O Assassinato de Roger Ackroyd, até agora o melhor livro que já li da tia Agatha.

Matar de Chatice

Terminei o “É Fácil Matar”, da tia Agatha. Putz, o pior livro dela até agora. É fácil matar, mas matar de tédio é ainda mais fácil. Os personagens são pobres e sem graça, o protagonista é uma BESTA sem brilho algum e descobri quem era o assassino na metade do livro (e olha que eu nunca consigo descobrir). Neste ela errou feio: os demais suspeitos são claramente pistas falsas e tudo leva a crer que só um cara poderia ser o assassino. Como esse cara é apontado como o assassino muitas páginas antes do livro acabar, você já sabe que não é ele. E, se não é ele nem os outros “falsos” suspeitos, só poderia ser a única pessoa que queria sacaneá-lo.
Mas está perdoada, claro. Agatha escreveu mais de 80 livros, um ou outro tem que ser mais caído. No mesmo ano, 1939, ela escreveu a obra-prima maior dos romances policiais, O Caso dos Dez Negrinhos, que começo a ler essa noite. Brrrrr… Ainda não li, mas pesquisas indicam que nove entre dez fãs da Christie se cagam de medo com esse livro.

Terminei o “É Fácil Matar”, da tia Agatha. Putz, o pior livro dela até agora. É fácil matar, mas matar de tédio é ainda mais fácil. Os personagens são pobres e sem graça, o protagonista é uma BESTA sem brilho algum e descobri quem era o assassino na metade do livro (e olha que eu nunca consigo descobrir). Neste ela errou feio: os demais suspeitos são claramente pistas falsas e tudo leva a crer que só um cara poderia ser o assassino. Como esse cara é apontado como o assassino muitas páginas antes do livro acabar, você já sabe que não é ele. E, se não é ele nem os outros “falsos” suspeitos, só poderia ser a única pessoa que queria sacaneá-lo.
Mas está perdoada, claro. Agatha escreveu mais de 80 livros, um ou outro tem que ser mais caído. No mesmo ano, 1939, ela escreveu a obra-prima maior dos romances policiais, O Caso dos Dez Negrinhos, que começo a ler essa noite. Brrrrr… Ainda não li, mas pesquisas indicam que nove entre dez fãs da Christie se cagam de medo com esse livro.

Beco

Continuo na minha deliciosa tarefa de ler todos os livros da Agatha Christie na ordem cronológica em que foram publicados. A vítima atual é Assassinato no Beco, de 1937. Quatro contos em tamanho maior protagonizados por Hercule Poirot. Tia Christie é sensacional. Não é minha autora favorita, mas é a escritora que me faz entender seus personagens “psicologicamente” da maneira mais imediata e fácil. Eu sei quem e como são aquelas pessoas e porquê elas são o que são. Talvez porque tia Christie tenha nascido no mesmo dia que eu – ponto para a astrologia.
E os comentários de Poirot neste livro, simpatizando com as ações de Guy Fawkes, são impagáveis. Fawkes é o cara que, no século XVII, tentou explodir as Casas do Parlamento e inspirou Alan Moore a criar seu herói anarquista em V de Vingança.

Continuo na minha deliciosa tarefa de ler todos os livros da Agatha Christie na ordem cronológica em que foram publicados. A vítima atual é Assassinato no Beco, de 1937. Quatro contos em tamanho maior protagonizados por Hercule Poirot. Tia Christie é sensacional. Não é minha autora favorita, mas é a escritora que me faz entender seus personagens “psicologicamente” da maneira mais imediata e fácil. Eu sei quem e como são aquelas pessoas e porquê elas são o que são. Talvez porque tia Christie tenha nascido no mesmo dia que eu – ponto para a astrologia.
E os comentários de Poirot neste livro, simpatizando com as ações de Guy Fawkes, são impagáveis. Fawkes é o cara que, no século XVII, tentou explodir as Casas do Parlamento e inspirou Alan Moore a criar seu herói anarquista em V de Vingança.

A Casa do Penhasco

Terminei essa madrugada o ótimo A Casa do Penhasco, de Agatha Christie. Mais um final extremamente surpreendente, nos moldes dos clássicos e revolucionários Assassinato no Orient Express, O Caso dos Dez Negrinhos e O Assassinato de Roger Ackroyd. Desde já coloco A Casa do Penhasco (Peril at End House) ao lado destas três obras-primas. São quatro livros que simplesmente subvertem os clichês do romance policial whodunnit? e não posso cansar de recomendar.

O próximo da lista de leituras cronológicas da Christie, aliás, é Os Treze Problemas, treze contos interligados estrelados por Miss Jane Marple em seu fantástico vilarejo de St. Mary Mead. Descobri que não tenho, o que vai fatalmente me colocar amanhã em nova busca pelos sebos da zona de prostituição da Praça Tiradentes (ô, lugarzinho fedorento).

Terminei essa madrugada o ótimo A Casa do Penhasco, de Agatha Christie. Mais um final extremamente surpreendente, nos moldes dos clássicos e revolucionários Assassinato no Orient Express, O Caso dos Dez Negrinhos e O Assassinato de Roger Ackroyd. Desde já coloco A Casa do Penhasco (Peril at End House) ao lado destas três obras-primas. São quatro livros que simplesmente subvertem os clichês do romance policial whodunnit? e não posso cansar de recomendar.

O próximo da lista de leituras cronológicas da Christie, aliás, é Os Treze Problemas, treze contos interligados estrelados por Miss Jane Marple em seu fantástico vilarejo de St. Mary Mead. Descobri que não tenho, o que vai fatalmente me colocar amanhã em nova busca pelos sebos da zona de prostituição da Praça Tiradentes (ô, lugarzinho fedorento).

For Christie’s Sake

Continuo no meu firme propósito de ler todos os livros de Agatha Christie na ordem cronológica. Terminei dois essa semana: Assassinato na Casa do Pastor e O Mistério de Sittaford. O primeiro é a estréia da personagem Miss Marple e é sensacional. Já havia lido quando tinha uns 15 anos (a maior parte da coleção da Agatha era da minha mãe) e não lembrava nada (felizmente). Personagens excelentes e a aldeia de St. Mary Mead é mostrada de forma sensacional.

O Mistério de Sittaford é um livro menor. Não é ruim, mas as coincidências são um tanto forçadas. Ainda assim, tem momentos ótimos. Mais uma vez chegou a vez de um livro que não tenho (A Casa do Penhasco), que começarei a procurar em sebos.

Christie nasceu no mesmo dia que eu e, assim como eu (guardadas as devidas e terríveis proporções, claro), gostava mais de pensar na idéia e plot dos livros do que de escrever propriamente (que ela chamava de “a parte chata”). Não sou tão radical, mas entendo o que ela quer dizer. Os planos são infinitamente mais divertidos que as execuções.

Mas isso tudo é pra dizer como, na minha opinião, o diálogo se tornou uma arte perdida. As pessoas falam muito mal hoje em dia. Não que devessem falar de forma pomposa (ficaria ainda pior), mas um pouco mais de “witty” não faria mal, eh, eh.

Preciso me decidir entre o anarquismo e a aristocracia.

Ouvindo: Ladytron, Seventeen (clássico maior desse início de século/década)

Continuo no meu firme propósito de ler todos os livros de Agatha Christie na ordem cronológica. Terminei dois essa semana: Assassinato na Casa do Pastor e O Mistério de Sittaford. O primeiro é a estréia da personagem Miss Marple e é sensacional. Já havia lido quando tinha uns 15 anos (a maior parte da coleção da Agatha era da minha mãe) e não lembrava nada (felizmente). Personagens excelentes e a aldeia de St. Mary Mead é mostrada de forma sensacional.

O Mistério de Sittaford é um livro menor. Não é ruim, mas as coincidências são um tanto forçadas. Ainda assim, tem momentos ótimos. Mais uma vez chegou a vez de um livro que não tenho (A Casa do Penhasco), que começarei a procurar em sebos.

Christie nasceu no mesmo dia que eu e, assim como eu (guardadas as devidas e terríveis proporções, claro), gostava mais de pensar na idéia e plot dos livros do que de escrever propriamente (que ela chamava de “a parte chata”). Não sou tão radical, mas entendo o que ela quer dizer. Os planos são infinitamente mais divertidos que as execuções.

Mas isso tudo é pra dizer como, na minha opinião, o diálogo se tornou uma arte perdida. As pessoas falam muito mal hoje em dia. Não que devessem falar de forma pomposa (ficaria ainda pior), mas um pouco mais de “witty” não faria mal, eh, eh.

Preciso me decidir entre o anarquismo e a aristocracia.

Ouvindo: Ladytron, Seventeen (clássico maior desse início de século/década)

Black Dahlia

Brian De Palma, ao que tudo indica, será o diretor da adptação do clássico Black Dahlia, romance policial do mestre James Ellroy. Black Dahlia é uma mutação para a ficção do trágico e grotesco assassinato de uma estrela de cinema dos anos 30, que na vida real foi encontrada SERIAMENTE mutilada, com o corpo cortado ao meio e as duas metades posicionadas de forma “erótica” (entre outras coisas sinistras e chocantes demais para ficar falando em vão). Durante anos, especulou-se sobre quem seria o assassino. A tal atriz (não lembro o nome agora, mas apliquem Black Dahlia ao Google e voilá) tinha um triângulo amoroso (aparentemente consentido) com dois outros caras; mas nunca se conseguiu chegar a conclusão alguma. Todas as pessoas envolvidas e que talvez soubessem de alguma coisa foram desaparecendo misteriosamente ao longo dos anos e das investigações.

Houve até uma mulher, que escreveu um livro especulativo “provando” que seu próprio pai (dela, não da vítima) era o assassino. Mas tudo isso apenas em nome da sacrossanta mídia americana e nada jamais foi comprovado. Black Dahlia é um dos grandes mistérios do século XX e um ponto altíssimo na sólida carreira de James Ellroy. Nos anos 90, a história foi adaptada para um ótimo game de adventure, naquela época (1994-1996) em que adventures com filmagens live action estavam em voga. Outro livro de Ellroy, Los Angeles – Cidade Proibida, rendeu um ótimo filme, ainda que a história na tela tenha sido vastamente “amortecida” para não chocar o grande público devorador de imensos sacos de pipoca. Mas, em Black Dahlia, isso simplesmente não pode ser feito. Vamos ver como De Palma e – principalmente – o roteirista se viram nessa.

Em tempo: as fotos do corpo da atriz são das coisas mais grotescas e chocantes que existem. Não tive estômago de ver, mas conheço pessoas de esôfago de adamantium que mesmo assim vomitaram após ver uma ou duas fotos da cena do crime. Aparentemente, a coisa é grotesquerie ensandecida total. E foi isso, justamente, além do caráter “famoso” dos envolvidos, que deu ao caso toda a atenção ao longo de quase 70 anos. Mas o ponto mais intrigante, claro, é o “whodunnit?”.

Brian De Palma, ao que tudo indica, será o diretor da adptação do clássico Black Dahlia, romance policial do mestre James Ellroy. Black Dahlia é uma mutação para a ficção do trágico e grotesco assassinato de uma estrela de cinema dos anos 30, que na vida real foi encontrada SERIAMENTE mutilada, com o corpo cortado ao meio e as duas metades posicionadas de forma “erótica” (entre outras coisas sinistras e chocantes demais para ficar falando em vão). Durante anos, especulou-se sobre quem seria o assassino. A tal atriz (não lembro o nome agora, mas apliquem Black Dahlia ao Google e voilá) tinha um triângulo amoroso (aparentemente consentido) com dois outros caras; mas nunca se conseguiu chegar a conclusão alguma. Todas as pessoas envolvidas e que talvez soubessem de alguma coisa foram desaparecendo misteriosamente ao longo dos anos e das investigações.

Houve até uma mulher, que escreveu um livro especulativo “provando” que seu próprio pai (dela, não da vítima) era o assassino. Mas tudo isso apenas em nome da sacrossanta mídia americana e nada jamais foi comprovado. Black Dahlia é um dos grandes mistérios do século XX e um ponto altíssimo na sólida carreira de James Ellroy. Nos anos 90, a história foi adaptada para um ótimo game de adventure, naquela época (1994-1996) em que adventures com filmagens live action estavam em voga. Outro livro de Ellroy, Los Angeles – Cidade Proibida, rendeu um ótimo filme, ainda que a história na tela tenha sido vastamente “amortecida” para não chocar o grande público devorador de imensos sacos de pipoca. Mas, em Black Dahlia, isso simplesmente não pode ser feito. Vamos ver como De Palma e – principalmente – o roteirista se viram nessa.

Em tempo: as fotos do corpo da atriz são das coisas mais grotescas e chocantes que existem. Não tive estômago de ver, mas conheço pessoas de esôfago de adamantium que mesmo assim vomitaram após ver uma ou duas fotos da cena do crime. Aparentemente, a coisa é grotesquerie ensandecida total. E foi isso, justamente, além do caráter “famoso” dos envolvidos, que deu ao caso toda a atenção ao longo de quase 70 anos. Mas o ponto mais intrigante, claro, é o “whodunnit?”.