The small tribe

Warren Ellis, que acompanho desde o final dos anos 90 e tem escrito cada vez melhor, compartilha ótimos insights sobre os rumos sociais que a Internet tomou e seu respectivo – e necessário – backlash. Também tenho adorado newsletters:

“I personally wish I could start nominating or commanding people to start newsletters. This is the part of internet2015 I have really enjoyed: people writing open letters. Newsletters are on their way to being professionalised the way blogs were, as I think I’ve said, and, who knows, maybe 2016 will be significantly less fun in the newsletter space.  But there are lots of little bits of joy out there right now.

I don’t get much email. I like newsletters.”

E esta parte que adoro:

“in a more fractionated and less operable digital-social world, maybe newslettering is the fallback into a functional tribal living. People used to complain about “walled garden” technologies that weren’t on the open web, but, ultimately, people like walled gardens. Choosing to tend a small communal garden is preferable to being pissed on for daring to walk outside, or letting just anybody in and dealing with them pouring flat lager on your bushes and shitting in the cabbages.”

Extraído da genial newsletter de Ellis, Orbital Operations.

“good morning, Dr. Chandra”

Photo by Alex mandarino - Buenos Aires, 2007
Photo by Alex mandarino – Buenos Aires, 2007

Uma das leituras rápidas mais prazerosas que venho tenho nos últimos meses é a newsletter de Warren Ellis, Orbital Operations. Seu blog matinal Morning, Computer também funciona como uma quase newsletter, via feed. Tenho grande carinho pelo modelo newsletter, que parece estar voltando. Além de Ellis, tenho assinado novas newsletters de diversos outros escritores, quadrinistas, artistas, digeratis, tarólogos et al, a maioria muito interessantes. Agora é a vez do Tor.com lançar a sua, abordando novos lançamentos e sua iniciativa de lançar “novelas e romances curtos”.

As duas tendências, aliás, seguem motivações parecidas, ainda que partindo de pontos opostos. A volta do modelo newsletter reflete um cansaço do constante zapping involuntário de Facebitter e Twook, um desejo de imergir por alguns minutos em alguma coisa que VOCÊ escolheu e não é imposta de cima para baixo por um algoritmo maluco que apenas emula – e mal – a sua escolha. Uma fuga do extremo horizontalismo das redes sociais, que abarcam a tudo e a todos, mas com a profundidade de uma folha de papel manteiga.

Já a aposta (na verdade também uma volta) em novelas e romances curtos reflete um esforço por descobrir brechas temporais para a leitura de ficção em realidades cotidianas cada vez mais robotizadas.

Nunca vi, aliás, tantas matérias apontando os malefícios do trabalho. Defensores do trabalho em pé dizem que passar horas seguidas sentado é tão prejudicial à saúde quanto ser fumante. E aí defendem pausas para que se fique de pé e mesas para trabalho em pé (que, por bem intencionadas que sejam, me lembram as rodinhas de hamsters).

Da mesma forma, diversos artigos falam dos malefícios da falta de sono: obesidade, perda de tesão, memória, etc. E, claro, as pessoas ficam mais acordadas porque estão trabalhando mais em casa ou porque estão usando o tempo de sono para ter alguma migalha de leisure time. Tudo muito bom e bonito, mas nunca se aponta o x da questão, nunca se estende o leisure finger (epa) na direção da ferida escancarada: foda-se o trabalho, todos deveríamos trabalhar MENOS.

Seremos vistos no futuro como a geração das trevas do trabalho.

OUVINDO: Stateside Sessions: Drum & Bass Vol. 1 – Mixed by Sage – Excelente compilação de jungle pesadão.

LENDO: O ótimo site literaurapolicial.com