E aí lembro daquela frase do Dirty Harry

As pessoas falam de fatos hoje em dia como se tudo fosse uma questão de opinião. Desde o que são nazismo, socialismo, comunismo e anarquismo até se existe ou não o aquecimento global. Desde o formato da Terra até o que é boa literatura, bom cinema, bom quadrinho (existem variáveis nestes). Desde a cor do céu e porque ele é dessa cor até os efeitos do cigarro, da couve-flor e do uísque doze anos no seu organismo. Não, amigo. História, astronomia, estética, medicina, arquitetura, jornalismo, física, arte, tudo isso, por mais variáveis que contenha, é composto de fatos. Fatos, não opiniões. Não adianta você fazer que nem o Shaquille O’Neal e dizer que acha que a Terra é chata. Foda-se o que você acha. Ela não é. O que você acha é bem, bem menor do que os fatos. E mesmo quando não se trata de fatos, mas de variáveis estéticas, você precisa levar em conta séculos e séculos de arcabouços filosóficos, históricos e estéticos antes de “afirmar” que “bom é 50 Tons de Cinza” ou “James Joyce é uma merda”. Porque não, não é. E não, também não é. Se você nunca leva em conta o que veio antes dos últimos dez anos ou o que existe fora da sua bolha, foda-se a sua opinião.

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Amigo é amigo

Eu sou virginiano, com Marte em Virgem, Cachorro do Metal no Chinês. Sou extremamente fiel aos meus amigos. Muito. E também sou INFP, então continuo sendo (ou me sentindo) um grande amigo de alguém mesmo estando há muito tempo longe, sem ver a pessoa. Sou bom ouvinte, pra mim é uma coisa natural querer ajudar meus amigos, perdôo erros e transformo defeitos alheios em meras idiossincrasias e motivo até de afeto. Tolero vacilos grandes: uma, duas, talvez três vezes. Dou força para os trabalhos dos meus amigos, indico para coisas, compareço aos eventos, tento juntar pessoas (juntei algumas listas de discussão nos anos 90, formando grupos de pessoas que até hoje se falam entre si, trabalham juntas e tal). Não por bondade, mas por achar que é assim que as coisas funcionam.
**MAS**… tem o outro lado de ser isso aí (virginiano, com Marte em Virgem, Cachorro do Metal): se um amigo ou conhecido for realmente babaca, escroto ou vacilar tremendamente comigo, passando daqueles tais limites, cara, desculpa aí, mas ele passa automaticamente a não existir mais. Não é uma questão de guardar rancor, de não perdoar, de não esquecer. É uma questão de esquecer, isso sim, de não ser capaz de me impedir de esquecer que a pessoa existe.
Lembro agora de 4 situações específicas, sem querer que ninguém descubra quem são os falecidos:
1) O cartunista que me pediu para comprar um livro dele porque estava sem grana e, uma semana depois, me xinga pesado no Facebook porque o incluí em uma postagem privada de divulgação da revista que eu edito, a Hyperpulp;
2) A “autora” que me tratava bem e me contratou para fazer a tradução de uma novela, apenas para fingir repetidas vezes que me enviava e-mails de trabalho, inexistentes. A mesma figura que descobri que, ainda antes disso, espalhava para algumas pessoas que nem conheço que eu era “grosseiro com os outros” (isso tendo me encontrado pessoalmente duas vezes).
3) O “amigo” que contratei pessoalmente e de quem assinei a carteira de trabalho quando eu era editor, nos anos 90, apenas para fugir com cara de nojo para um outro canto da livraria quando perguntei, muitos anos depois, se tinha um trabalho de tradução para me indicar. O mesmo que, ao participar de um podcast comigo, fez questão de tentar ridicularizar ou mudar o sentido do que eu falava, fingindo intimidade.
4) O “autor e tradutor” (que eu também conhecia há anos) que encontrei para um café em SP e, mera semana depois, deu uma entrevista para o maior jornal da cidade onde nasci e moro tentando apagar da história um dos meus primeiros e mais elogiados trabalhos de tradução, por pura birra com a editora do livro em questão. E que, semanas depois, voltou a chamar o mesmo livro de “irrelevante” e “menor” em um podcast, chamando-o de “pequena noveleta” (um romance de 360 páginas, que foi indicado ao Stoker Award). E olha que essa história, mais do que as outras, está bem resumida aí.
Nos casos 1, 3 e 4, tratavam-se de pessoas que eu considerava amigas. Olha, eu perdôo você por roubar cem reais meus pra comprar pó (mas não faça isso). Entendo você beber e fazer merda. Mas, olha, não seja traíra ou mal caráter. É feio, o mundo percebe, as pessoas que você engana não serão enganadas por muito tempo, você afunda e quando vê está ali, no maelstrom, a nado, o ralo se aproximando e aquele barulho de ruído branco de filme do William Friedkin à sua volta.
Moral da história: há momentos em que o caminho do meio é a solução; em outros, só o dedo do meio resolve. 😀
(Por favor, não tentem palpitar nos comentários as identidades dos referidos panacas. Isso foi só um exercício de desabafo).

Não seja um relógio de pulso

NÃO trabalho de graça. Por motivo algum. Seja em literatura, música, jornalismo, tradução, remoção de entulhos, ridicularização de facínoras (se bem que…). A exceção, claro, são as coisas que faço pessoalmente em meu próprio blog, em sites de amigos ou em esquema “do it yourself”, visando algo maior mais para a frente, em uma estratégia pessoal. Mas se envolve terceiros e se esses terceiros estão ganhando grana, de forma alguma vou trabalhar de graça. Por isso nunca enviei submissions seja de texto, música ou o que quer que seja para diversos lugares que eu sei que “pagam em exemplares” ou “permitem que o autor compre mais barato” (nossa, que bom).

É enorme a quantidade de editoras, gravadoras, sites, veículos de imprensa, boates, festas e outros espertos que acham que o músico, o escritor, o DJ, o fotógrafo, o artista plástico, o designer, não deve ganhar xongas com o seu trabalho. “Ah, mas você vai ter uma ótima exposição do seu trabalho”. Dane-se, sinceramente. Os seguranças da festa e os barmen sempre são pagos. A gráfica e a distribuidora sempre são pagos. O técnico de som do estúdio sempre é pago. O editor tira a sua parte. O dono de gravadora tira a sua parte. Então não me venham com essa de que o escritor/músico/whatever, que é justamente a figura sem a qual não existiria a porra do livro/disco/festa, deve ser o único a trabalhar de graça.

E tenho essa posição por vários motivos: a primeira é que quem trabalha de graça é relógio e mesmo assim ele ganha uma pilha ou corda. A segunda e principal é que trabalhar de graça envia vários sinais. Que seu trabalho não merece ser remunerado. Que você é um amador. Que o trabalho de seus colegas de atividade/arte não merece ser remunerado, por tabela. Que o mundo deve ser utilitarista, um parque de diversões controlado por sub-mecenas que dão esmolas invisíveis. Que seu esforço pessoal e dedicação em se aprimorar devem ser tratados da mesma forma que a casualidade do mero diletante.

Diga NÃO ao trabalho que não te paga. É melhor fazer você mesmo.

Primeiro de Abril

Conhecido como o Dia da Mentira ou Dia dos Tolos (“April Fools”), o Primeiro de Abril tem uma origem obscura. A teoria mais aceita garante que o significado da data surgiu em 1582, quando a França adotou o calendário gregoriano, que mudou o Dia de Ano Novo para o início de janeiro (era no final de março).

Reza a lenda que algumas pessoas, por ignorância, teimosia ou ambos, continuaram a celebrar o Ano Novo no Primeiro de Abril, fazendo papel de tolas. Isso teria se tornado uma tradição anual e supostamente se espraiado por toda a Europa. Mas essa teoria não leva em consideração que registros de épocas mais antigas já davam conta de tolices sistematicamente praticadas neste período ao longo de toda a Antiguidade. Os romanos, por exemplo, celebravam um festival a 25 de março chamado Hilária, marcando a ocasião com mascaradas e “boas tolices em geral”. Holi, o festival hindu das cores, acontecia no início de março e era pautado pela “frouxidão das amarras sociais”.

O mais provável é que as pessoas simplesmente ficassem alegres e “bobas” graças a uma ocasião mais singela: a chegada da primavera.

Eu sei, porque estou alegre e bobo, por vários motivos. O principal deles foi um acontecimento que marcou este Primeiro de Abril para mim – e a companhia maravilhosa que estava comigo. Spring has many faces.

Fool yourselves, all of you.

Conhecido como o Dia da Mentira ou Dia dos Tolos (“April Fools”), o Primeiro de Abril tem uma origem obscura. A teoria mais aceita garante que o significado da data surgiu em 1582, quando a França adotou o calendário gregoriano, que mudou o Dia de Ano Novo para o início de janeiro (era no final de março).

Reza a lenda que algumas pessoas, por ignorância, teimosia ou ambos, continuaram a celebrar o Ano Novo no Primeiro de Abril, fazendo papel de tolas. Isso teria se tornado uma tradição anual e supostamente se espraiado por toda a Europa. Mas essa teoria não leva em consideração que registros de épocas mais antigas já davam conta de tolices sistematicamente praticadas neste período ao longo de toda a Antiguidade. Os romanos, por exemplo, celebravam um festival a 25 de março chamado Hilária, marcando a ocasião com mascaradas e “boas tolices em geral”. Holi, o festival hindu das cores, acontecia no início de março e era pautado pela “frouxidão das amarras sociais”.

O mais provável é que as pessoas simplesmente ficassem alegres e “bobas” graças a uma ocasião mais singela: a chegada da primavera.

Eu sei, porque estou alegre e bobo, por vários motivos. O principal deles foi um acontecimento que marcou este Primeiro de Abril para mim – e a companhia maravilhosa que estava comigo. Spring has many faces.

Fool yourselves, all of you.

Dados pessoais e spam

Várias vezes já me irritei com a chegada à minha caixa postal de spams do Plaxo, aquele site que mantém seus dados de contato e outras coisas pessoais, como datas de aniversário, nicknames de instant messaging e outros trecos. É engraçado como algumas pessoas gostam tanto de si mesmas que querem divulgar seus dados mesmo através de spam. Essa semana os manés do Plaxo finalmente admitiram abertamente que vão parar de usar o spam como forma de aumentar sua base de dados, porque o número de usuários de sua rede de armazenamento de datinhas e telefonezinhos já é grande o bastante.

Por outro lado, foi a vez dos otários da Jigsaw passar a lançar mão de novas técnicas de cooptação para sua rede. Eles pagam um dólar para qualquer pessoa que fizer o upload dos dados de contato… de outra pessoa. Sim, é espantosamente absurdo. Tem gente que já fez o upload dos dados de centenas de pessoas. Parece que vale tudo. Spam, constrangimento, irritação. O mais irônico é que muitos dos usuários que se deixam fazer de bobos pelos Plaxos da vida têm um ódio orgulhoso pela Microsoft e pelo Yahoo (e adoram Google e seus produtos). Vai entender.

Várias vezes já me irritei com a chegada à minha caixa postal de spams do Plaxo, aquele site que mantém seus dados de contato e outras coisas pessoais, como datas de aniversário, nicknames de instant messaging e outros trecos. É engraçado como algumas pessoas gostam tanto de si mesmas que querem divulgar seus dados mesmo através de spam. Essa semana os manés do Plaxo finalmente admitiram abertamente que vão parar de usar o spam como forma de aumentar sua base de dados, porque o número de usuários de sua rede de armazenamento de datinhas e telefonezinhos já é grande o bastante.

Por outro lado, foi a vez dos otários da Jigsaw passar a lançar mão de novas técnicas de cooptação para sua rede. Eles pagam um dólar para qualquer pessoa que fizer o upload dos dados de contato… de outra pessoa. Sim, é espantosamente absurdo. Tem gente que já fez o upload dos dados de centenas de pessoas. Parece que vale tudo. Spam, constrangimento, irritação. O mais irônico é que muitos dos usuários que se deixam fazer de bobos pelos Plaxos da vida têm um ódio orgulhoso pela Microsoft e pelo Yahoo (e adoram Google e seus produtos). Vai entender.

Atualizações

Voltei a dedicar tempo ao blog, depois de um período necessário de isolamento em relação à Internet. Não estou voltando ao convívio social online, que acho hoje em dia uma franca perda de tempo, mas estou voltando a usar a Internet como eu fazia em 1995, 1996: para pesquisas e navegação em sites. Dizer “nunca” é uma das “sinceridades” entre aspas de que falo aí embaixo, mas não me vejo voltando a me preocupar com sites sociais, listas de discussão, fóruns, chats, etc etc. Perda de tempo, energia e saco, que podem ser melhor dispendidos com amigos reais, fora da Internet (que virou o Big Brother social chatíssimo e vazio que ela ameaçava virar desde o fim da década de 90).

Acho a conjunção social da web bem tosca, mas ainda acredito em sites e textos (mesmo que, sem a “necessária” e “sincera” retro-puxação de saco inter-sites, menos gente acabe lendo os textos). Como reunião tribal a web não funciona – ao menos não pra mim; ainda prefiro a boa e velha saída para dançar ou a passada na casa dos amigos. Mas como imensa biblioteca-repositório de tralhas e criações bizarras ainda funciona plenamente.

Voltei a dedicar tempo ao blog, depois de um período necessário de isolamento em relação à Internet. Não estou voltando ao convívio social online, que acho hoje em dia uma franca perda de tempo, mas estou voltando a usar a Internet como eu fazia em 1995, 1996: para pesquisas e navegação em sites. Dizer “nunca” é uma das “sinceridades” entre aspas de que falo aí embaixo, mas não me vejo voltando a me preocupar com sites sociais, listas de discussão, fóruns, chats, etc etc. Perda de tempo, energia e saco, que podem ser melhor dispendidos com amigos reais, fora da Internet (que virou o Big Brother social chatíssimo e vazio que ela ameaçava virar desde o fim da década de 90).

Acho a conjunção social da web bem tosca, mas ainda acredito em sites e textos (mesmo que, sem a “necessária” e “sincera” retro-puxação de saco inter-sites, menos gente acabe lendo os textos). Como reunião tribal a web não funciona – ao menos não pra mim; ainda prefiro a boa e velha saída para dançar ou a passada na casa dos amigos. Mas como imensa biblioteca-repositório de tralhas e criações bizarras ainda funciona plenamente.

Sinceramente

A sinceridade é um conceito bastante mal entendido e mal utilizado nos dias atuais, pós-Big Brother e pós-tribalização mundial. “Ser sincero” não é o bombril moral e emocional, a arma multi-funções que várias e várias pessoas parecem achar que é. E, mais espantosamente, parecem se esquecer que “ser sincero” não é uma virtude por si só. Dizer para uma criança de dez anos que ela tem câncer e apenas mais dois anos de vida é ser sincero? E a forma como isso é dito? Implica no aumento ou não da “sinceridade”?

Claro, usei o exemplo mais extremo, apenas porque exemplos extremos são os melhores para ilustrar todos os aspectos de uma situação (ainda que estes aspectos estejam adulterados pela qualidade hardcore inerente a toda situação extrema). Mas acho que isso ilustra bem como “sinceridade” é relativa. Não é uma qualidade ou uma virtude pelo simples fato de existir, mas pode se tornar uma, dependendo de como ela é usada – e, mais importante, de quando ela não deve ser usada. Saber não ser sincero nos momentos em que isso é importante é uma arte. E, como tantas outras nestes tempos de decadência sem nenhum vestígio de elegância, uma arte perdida.

A sinceridade pode abrir os olhos de uma pessoa nos momentos certos; pode também cegar a mesma pessoa, que, afastada pelo brilho de uma verdade tão brutal, irá desviar os olhos; ou pode ainda simplesmente servir como assertiva de que, sim, a pessoa que supostamente está “sendo sincera” é mesmo uma “pessoa verdadeira”, “sem máscaras”. Nesse caso, a “sinceridade” só serve como auto-engrandecimento. É aquele velho “olha, desculpa, mas eu sou sincero” (ou ainda o similar “eu sou assim mesmo, grosso”. Bom, não seja). Talvez seja um efeito de vivermos em uma época tão calcada pela mentira, pelos efeitos de luzes e pela leviandade, mas esquecemos que determinadas máscaras podem ser bem mais reais e verdadeiras que uma certa espécie de “sinceridade” auto-destrutiva. Se todo mundo falasse a verdade o tempo todo, já teríamos nos destruído mutuamente há séculos.

Não é uma questão de fazer um elogio à mentira, mas ao bom senso. Em várias ocasiões o bom senso – e não uma über-sinceridade – teria salvo tudo. O convívio social e a nossa capacidade de transitar em uma civilização – a própria civilização – foram construídos sobre uma argamassa de mentiras tácitas e mais ou menos aceitas. São mentiras? São. Mas também são verdades, no sentido de que sem elas já teríamos regredido ao estágio primal mais cro-magnon. Algumas mentiras são mais verdadeiras que algumas verdades. Algumas mentiras se tornaram verdades graças à necessidade social, enquanto algumas “verdades” “sinceras” apenas conseguem remeter a uma época ancestral pouco civilizada, sem guts e sem charme. “A verdade nunca é pura e raramente é simples”, acertou Oscar Wilde, como sempre. Ou, como disseram os Titãs quando ainda tinham alguma relevância: “Só os chatos não disfarçam”.

A sinceridade é um conceito bastante mal entendido e mal utilizado nos dias atuais, pós-Big Brother e pós-tribalização mundial. “Ser sincero” não é o bombril moral e emocional, a arma multi-funções que várias e várias pessoas parecem achar que é. E, mais espantosamente, parecem se esquecer que “ser sincero” não é uma virtude por si só. Dizer para uma criança de dez anos que ela tem câncer e apenas mais dois anos de vida é ser sincero? E a forma como isso é dito? Implica no aumento ou não da “sinceridade”?

Claro, usei o exemplo mais extremo, apenas porque exemplos extremos são os melhores para ilustrar todos os aspectos de uma situação (ainda que estes aspectos estejam adulterados pela qualidade hardcore inerente a toda situação extrema). Mas acho que isso ilustra bem como “sinceridade” é relativa. Não é uma qualidade ou uma virtude pelo simples fato de existir, mas pode se tornar uma, dependendo de como ela é usada – e, mais importante, de quando ela não deve ser usada. Saber não ser sincero nos momentos em que isso é importante é uma arte. E, como tantas outras nestes tempos de decadência sem nenhum vestígio de elegância, uma arte perdida.

A sinceridade pode abrir os olhos de uma pessoa nos momentos certos; pode também cegar a mesma pessoa, que, afastada pelo brilho de uma verdade tão brutal, irá desviar os olhos; ou pode ainda simplesmente servir como assertiva de que, sim, a pessoa que supostamente está “sendo sincera” é mesmo uma “pessoa verdadeira”, “sem máscaras”. Nesse caso, a “sinceridade” só serve como auto-engrandecimento. É aquele velho “olha, desculpa, mas eu sou sincero” (ou ainda o similar “eu sou assim mesmo, grosso”. Bom, não seja). Talvez seja um efeito de vivermos em uma época tão calcada pela mentira, pelos efeitos de luzes e pela leviandade, mas esquecemos que determinadas máscaras podem ser bem mais reais e verdadeiras que uma certa espécie de “sinceridade” auto-destrutiva. Se todo mundo falasse a verdade o tempo todo, já teríamos nos destruído mutuamente há séculos.

Não é uma questão de fazer um elogio à mentira, mas ao bom senso. Em várias ocasiões o bom senso – e não uma über-sinceridade – teria salvo tudo. O convívio social e a nossa capacidade de transitar em uma civilização – a própria civilização – foram construídos sobre uma argamassa de mentiras tácitas e mais ou menos aceitas. São mentiras? São. Mas também são verdades, no sentido de que sem elas já teríamos regredido ao estágio primal mais cro-magnon. Algumas mentiras são mais verdadeiras que algumas verdades. Algumas mentiras se tornaram verdades graças à necessidade social, enquanto algumas “verdades” “sinceras” apenas conseguem remeter a uma época ancestral pouco civilizada, sem guts e sem charme. “A verdade nunca é pura e raramente é simples”, acertou Oscar Wilde, como sempre. Ou, como disseram os Titãs quando ainda tinham alguma relevância: “Só os chatos não disfarçam”.

da série “coisas que acho francamente geniais e que as pessoas chatas acham absurdas”:

Da Série “Coisas Que as Pessoas Acham Geniais e que Acho Absurdamente Chatas e Insuportáveis”:

A Verdade sobre o Trance

Simplesmente GENIAL. Vão aqui agora mesmo e saibam a verdade sobre “DJs” idiotas como Tiesto, Ferry Corsten e Armin Van Buuren e porque o público playboy de trance está matando a cultura rave, transformando-a em um mero similar do rock farofa. Assino embaixo completamente do que dizem lá (e ainda é um quadrinho genialmente pop).

E, sim, ainda cita Bill Drummond, do KLF, e os geniais pranksters do Spiral Tribe, figuras que ao lado de nomes como Bobby Gillespie, Mark Moore, Happy Mondays, Tim Simenon, Carl Cox e tantos outros deram significância à cena rave entre 1988 e meados dos anos 90.

O cara ainda cita um comportamento pra lá de tosco que me incomodou muito assim que começou a rolar aqui no Brasil, no final dos anos 90/início dos anos 00: pessoas que ficam olhando o DJ, como se ele fosse uma banda de rock, ao invés de dançar (é uma festa, afinal, certo?). Tão olhando o quê?? O que tem de tão sensacional pra se ficar olhando em um DJ (se ele não é um turntablist como Q-Bert?). STOP THE SHEEP-WATCHING AND GO DANCE NOW! Não é um show, there’s nothing to see there. Não tem porquê ficar de frente para o DJ parado: vão dançar, falar com alguém, circular. É uma festa, não um show! Não por acaso, esse comportamento “nossa, olha lá o DJ, vamos ficar olhando para ele e aplaudir” começou a rolar exatamente quando os playboys começaram a ir às raves (graças à ascensão do trance).

Chego a pensar se a transformação desses DJs manés de trance em mega-popstars não é uma tramóia das gravadoras para tornar a cena eletrônica menos faceless e mais vendável, com caras idolatradas (como as mesmas que arruinaram o rock, minando sua energia ao longo das décadas). Fuck the popstar. Afinal, every brother is a star, every sister is a star. Quem precisa de um ego sobre o palco? Em uma rave? Só pode ser uma armação: os DJs megastars de trance tiraram o conteúdo original das raves, mataram a festa e reinstituiram o culto à personalidade tão grato às gravadoras (afinal, produtos tem que ter rótulo e embalagem). Das festas “no logo” movidas a TAZ dos anos 80 e 90, as raves viraram um show de metal farofa. Valeu, Tiesto e manés congêneres (“maior DJ do mundo”? Tocando e produzindo o lixo que ele cria? Tá bom).

A todos os playboys equivocados que gostam de trance e vão a raves para ficar olhando para o DJ ao invés de dançar: eat shit and die!

Simplesmente GENIAL. Vão aqui agora mesmo e saibam a verdade sobre “DJs” idiotas como Tiesto, Ferry Corsten e Armin Van Buuren e porque o público playboy de trance está matando a cultura rave, transformando-a em um mero similar do rock farofa. Assino embaixo completamente do que dizem lá (e ainda é um quadrinho genialmente pop).

E, sim, ainda cita Bill Drummond, do KLF, e os geniais pranksters do Spiral Tribe, figuras que ao lado de nomes como Bobby Gillespie, Mark Moore, Happy Mondays, Tim Simenon, Carl Cox e tantos outros deram significância à cena rave entre 1988 e meados dos anos 90.

O cara ainda cita um comportamento pra lá de tosco que me incomodou muito assim que começou a rolar aqui no Brasil, no final dos anos 90/início dos anos 00: pessoas que ficam olhando o DJ, como se ele fosse uma banda de rock, ao invés de dançar (é uma festa, afinal, certo?). Tão olhando o quê?? O que tem de tão sensacional pra se ficar olhando em um DJ (se ele não é um turntablist como Q-Bert?). STOP THE SHEEP-WATCHING AND GO DANCE NOW! Não é um show, there’s nothing to see there. Não tem porquê ficar de frente para o DJ parado: vão dançar, falar com alguém, circular. É uma festa, não um show! Não por acaso, esse comportamento “nossa, olha lá o DJ, vamos ficar olhando para ele e aplaudir” começou a rolar exatamente quando os playboys começaram a ir às raves (graças à ascensão do trance).

Chego a pensar se a transformação desses DJs manés de trance em mega-popstars não é uma tramóia das gravadoras para tornar a cena eletrônica menos faceless e mais vendável, com caras idolatradas (como as mesmas que arruinaram o rock, minando sua energia ao longo das décadas). Fuck the popstar. Afinal, every brother is a star, every sister is a star. Quem precisa de um ego sobre o palco? Em uma rave? Só pode ser uma armação: os DJs megastars de trance tiraram o conteúdo original das raves, mataram a festa e reinstituiram o culto à personalidade tão grato às gravadoras (afinal, produtos tem que ter rótulo e embalagem). Das festas “no logo” movidas a TAZ dos anos 80 e 90, as raves viraram um show de metal farofa. Valeu, Tiesto e manés congêneres (“maior DJ do mundo”? Tocando e produzindo o lixo que ele cria? Tá bom).

A todos os playboys equivocados que gostam de trance e vão a raves para ficar olhando para o DJ ao invés de dançar: eat shit and die!