CDs Bichados

Cautela nunca é demais na hora de comprar CD feitos no Brasil que venham em caixas de papelão. Uma amiga minha comprou recentemente uma coletânea da Björk e um ao vivo do Radiohead e os dois vieram estragados graças às tais caixas. A cola usada para montar a embalagem gruda no CD acondicionado dentra dela, transformando o objeto em uma caca grudenta. Claro, ele também toca cheio de pulos e arranhões. Parece que os fabricantes usam muita cola (ou cola de má qualidade) e guardam os discos dentro da embalagem antes que o adesivo seque completamente. Assim, o CD se enche de cola. A tal embalagem de que estou falando é aquele envelope de papel cartonado, que muitas vezes vêm escondido dentro da caixa externa de plástico do CD.
O disco da Björk saiu aqui pela Universal e o do Radiohead pela EMI. É ridículo que duas das auto-proclamadas “majors” não tenham tecnologia para dobrar e colar decentemente um envelope de papel. Conselho meu: se quiser comprar um disco e a embalagem da edição nacional for assim, poupe tempo e grana: baixe da Internet. Em poucos anos as gravadoras terão que mudar de ramo mesmo.
Um bom motivo para lembrar dos meus queridos Sex Pistols e a clássica letra de EMI:

E.M.I.

There’s unlimited supply
And there is no reason why
I tell you it was all a frame
They only did it ‘cos of fame
Who?

E.M.I. E.M.I. E.M.I.

Too many people had the suss
Too many people support us
Un unlimited amount
Too many outlets in and out
Who?

E.M.I E.M.I E.M.I

And sir and friends are crucified
A day they wished that we had died
We are an addition
We are ruled by none
Never ever never

And you thought that we were faking
That we were all just money making
You do not believe we’re for real
Or you would lose your cheap appeal?

Don’t judge a book just by the cover
Unless you cover just another
And blind acceptance is a sign
Of stupid fools who stand in line
Like

E.M.I E.M.I E.M.I

Unlimted edition
With an unlimited supply
That was the only reason
We all had to say goodbye

Unlimited supply (E.M.I)
There is no reason why (E.M.I)
I tell you it was all a frame (E.M.I)
They only did it ‘cos of fame (E.M.I)
I do not need the pressure (E.M.I)
I can’t stand those useless fools (E.M.I)
Unlimited supply (E.M.I)
Hello E.M.I
Goodbye A & M

Cautela nunca é demais na hora de comprar CD feitos no Brasil que venham em caixas de papelão. Uma amiga minha comprou recentemente uma coletânea da Björk e um ao vivo do Radiohead e os dois vieram estragados graças às tais caixas. A cola usada para montar a embalagem gruda no CD acondicionado dentra dela, transformando o objeto em uma caca grudenta. Claro, ele também toca cheio de pulos e arranhões. Parece que os fabricantes usam muita cola (ou cola de má qualidade) e guardam os discos dentro da embalagem antes que o adesivo seque completamente. Assim, o CD se enche de cola. A tal embalagem de que estou falando é aquele envelope de papel cartonado, que muitas vezes vêm escondido dentro da caixa externa de plástico do CD.
O disco da Björk saiu aqui pela Universal e o do Radiohead pela EMI. É ridículo que duas das auto-proclamadas “majors” não tenham tecnologia para dobrar e colar decentemente um envelope de papel. Conselho meu: se quiser comprar um disco e a embalagem da edição nacional for assim, poupe tempo e grana: baixe da Internet. Em poucos anos as gravadoras terão que mudar de ramo mesmo.
Um bom motivo para lembrar dos meus queridos Sex Pistols e a clássica letra de EMI:

E.M.I.

There’s unlimited supply
And there is no reason why
I tell you it was all a frame
They only did it ‘cos of fame
Who?

E.M.I. E.M.I. E.M.I.

Too many people had the suss
Too many people support us
Un unlimited amount
Too many outlets in and out
Who?

E.M.I E.M.I E.M.I

And sir and friends are crucified
A day they wished that we had died
We are an addition
We are ruled by none
Never ever never

And you thought that we were faking
That we were all just money making
You do not believe we’re for real
Or you would lose your cheap appeal?

Don’t judge a book just by the cover
Unless you cover just another
And blind acceptance is a sign
Of stupid fools who stand in line
Like

E.M.I E.M.I E.M.I

Unlimted edition
With an unlimited supply
That was the only reason
We all had to say goodbye

Unlimited supply (E.M.I)
There is no reason why (E.M.I)
I tell you it was all a frame (E.M.I)
They only did it ‘cos of fame (E.M.I)
I do not need the pressure (E.M.I)
I can’t stand those useless fools (E.M.I)
Unlimited supply (E.M.I)
Hello E.M.I
Goodbye A & M

RPG Net

Uma coisa que sempre me surpreende é o caráter RPG da Internet. É incrível como aqui você encontra pessoas que entendem de tudo, sempre falam em tom “esperto” ou vociferando e fazem questão de ser grossas. Por mim tudo bem, mas isso é inacreditavelmente engraçado. Eu até imagino a cena: o cara chega em casa, põe o lixo pra fora, pensa em seu emprego cretino, assiste um pouco de Big Brother e aí se senta em frente ao PC para descarregar as frustrações profissionais, sociais, sexuais, familiares, o que seja. O mais divertido é que, ao contrário do que eles pensam, é muito fácil separar o joio do trigo. É tarefa de crianças distinguir quem sabe e conhece alguma coisa de quem tem apenas uma vida miserável. Todas as pessoas que eu conheci pessoalmente e que eram fanfarronas na Internet me deram pena na vida real.

Uma coisa que sempre me surpreende é o caráter RPG da Internet. É incrível como aqui você encontra pessoas que entendem de tudo, sempre falam em tom “esperto” ou vociferando e fazem questão de ser grossas. Por mim tudo bem, mas isso é inacreditavelmente engraçado. Eu até imagino a cena: o cara chega em casa, põe o lixo pra fora, pensa em seu emprego cretino, assiste um pouco de Big Brother e aí se senta em frente ao PC para descarregar as frustrações profissionais, sociais, sexuais, familiares, o que seja. O mais divertido é que, ao contrário do que eles pensam, é muito fácil separar o joio do trigo. É tarefa de crianças distinguir quem sabe e conhece alguma coisa de quem tem apenas uma vida miserável. Todas as pessoas que eu conheci pessoalmente e que eram fanfarronas na Internet me deram pena na vida real.

Ladroagem

Quando ouvi o “hit” dos Tribalistas, Já Sei Namorar, uma estranha sensação de dèja-vu tomou conta. “Putz, estão mexendo na matriz”, pensei. Hoje, rodando a Internet, descubri o porquê: os caras plagiaram a clássica Family Affair, de Sly & The Family Stone. Os sujeitos que têm os direitos das músicas de Sly Stone aqui no Brasil já estão processando o trio tribal. Como Carlinhos Brown (o percussionista que se acha genial), Arnaldo Antunes (o sub-concretista que se acha genial) e Marisa Monte (a hippie que se acha genial) tiveram a cara de pau de plagiar o – ele, sim – GENIAL Sly Stone é algo que eu realmente não entendo. Não tem nenhum crédito ou referência no encarte do CD. Não é uma regravação, uma homenagem ou um sample. É plágio, caceta. Pau nesses caras. Vão tribalizar em outro lugar.

O magnífico Sly Stone e seu cabelinho tchap-tchura:
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Quando ouvi o “hit” dos Tribalistas, Já Sei Namorar, uma estranha sensação de dèja-vu tomou conta. “Putz, estão mexendo na matriz”, pensei. Hoje, rodando a Internet, descubri o porquê: os caras plagiaram a clássica Family Affair, de Sly & The Family Stone. Os sujeitos que têm os direitos das músicas de Sly Stone aqui no Brasil já estão processando o trio tribal. Como Carlinhos Brown (o percussionista que se acha genial), Arnaldo Antunes (o sub-concretista que se acha genial) e Marisa Monte (a hippie que se acha genial) tiveram a cara de pau de plagiar o – ele, sim – GENIAL Sly Stone é algo que eu realmente não entendo. Não tem nenhum crédito ou referência no encarte do CD. Não é uma regravação, uma homenagem ou um sample. É plágio, caceta. Pau nesses caras. Vão tribalizar em outro lugar.

O magnífico Sly Stone e seu cabelinho tchap-tchura:
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Amp

Caralho, como os blogs “feministas” são ruins e tolos. Incrível como justamente as mulheres mais “mulherzinhas” e dependentes de homens são as que outorgam para elas mesmas o rótulo de modernas e feministas.
Muita ingenuidade. Pouco auto-conhecimento. Muita infelicidade. Rancor pingando pelas páginas.
Vão ler Locas para aprender o que é ser moderna, independente e feminista.
Visitem o Amp e aprendam com a Miss Amp como escrever de forma inteligente, interessante e a desenvolver opiniões próprias.
Deixem de ser clichês, coitadas e solitárias. Mostrem que a felicidade de vocês não depende de quem vocês comeram. Criem. Divirtam-se.

Mis lindas Locas:
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Caralho, como os blogs “feministas” são ruins e tolos. Incrível como justamente as mulheres mais “mulherzinhas” e dependentes de homens são as que outorgam para elas mesmas o rótulo de modernas e feministas.
Muita ingenuidade. Pouco auto-conhecimento. Muita infelicidade. Rancor pingando pelas páginas.
Vão ler Locas para aprender o que é ser moderna, independente e feminista.
Visitem o Amp e aprendam com a Miss Amp como escrever de forma inteligente, interessante e a desenvolver opiniões próprias.
Deixem de ser clichês, coitadas e solitárias. Mostrem que a felicidade de vocês não depende de quem vocês comeram. Criem. Divirtam-se.

Mis lindas Locas:
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Sunday, February 16, 2003 at 11:32 AM

Como alguém consegue trabalhar de 9 às 20, todo dia, durante semanas, meses, anos, décadas? Encontrando as mesmas pessoas, tomando café e Coca-Coca Light em cima da máquina de xerox, rindo para o chefe quando na verdade gostaria de estar, sei lá, pescando? E as pessoas que trabalham nos feriados, Natal, reveillon, Carnaval? Eu sei como é. Been there, done that. Mas que é estúpido e inglório, é.
E sem motivo: a jornada de trabalho diária é um resquício do início da Revolução Industrial, quando as pessoas eram necessárias para “fazer a sociedade progredir” criando novos modelos para a Ford, máquinas de refrigerante e calculadoras. Mas, hoje, praticamente 99 % dos trabalhos e profissões não possuem a menor necessidade de acontecer em uma base diária. Quem precisa de jornais diários? De carros sendo montados diariamente? Coloquem máquinas fazendo os serviços mais estúpidos, como receber dinheiro atrás de uma roleta em um ônibus e realoquem estas pessoas para outras áreas (entregar cartas, por exemplo) que têm necessidade de ser diárias e ainda não podem ser feitas por um bom robô. Com isso, poderiam ser criadas turmas diferentes de trabalho. Por exemplo, você trabalharia às segundas e terças e outro sujeito às quartas e quintas (as sextas seriam incluídas no nosso lindo e helênico fim de semana). Tenho certeza que o mundo não iria piorar e nada realmente imprescindível e essencial faltaria. O desemprego iria diminuir e as pessoas teriam tempo ocioso. Não há nada pior do que o termo “tempo livre”. O tempo É livre, você faz com ele o que quiser. A ociosidade é um direito humano universal (ou deveria ser).
Não fazer nada, coçar o saco, olhar para o teto, ir à praia, fazer porra nenhuma, ouvir música, ir ao cinema, trepar, sair para dançar, são sinais muito mais claros da existência de uma civilização refinada e inteligente do que a presença diária de um monte de imbecis inúteis e sorridentes atrás de suas mesas. Só precisa trabalhar todo dia quem não tem nada melhor para fazer.
Sem falar que nossa civilização e as melhores descobertas (como o Atari, o ecstasy, o veleiro, o livro e o sampler) só aconteceram porque tinha alguém com tempo livre para pensar nelas, sem a obrigação de preencher formulários, carimbar papéis, escrever matérias inúteis e tendenciosas que ninguém lê. Por que o metrô precisa de um sujeito guiando a maldita máquina? Coloquem outra máquina ali, elas fazem isso melhor do que nós, humanos. E assim o coitado poderia ser pago para ficar em casa e, sei lá, montar um grupo de pagode ou criar um blog “feminista”. Coloquem máquinas no lugar de gente que não é imprescindível e paguem-nas para ficar em casa coçando.
Chega dessa merda protestante de que o trabalho dignifica o homem. Dignifica porra nenhuma: emburrece, embrutece, alcooliza, cafeiniza, enerva, estressa e escraviza. Andem pelo Centro da sua cidade e olhem em volta: o quanto daqueles prédios enormes, aquelas salas, janelas que parecem os olhos de um cego e carros são realmente necessários? Uma diminuta percentagem. Ficando em casa, as pessoas pararão de criar essa quantidade inútil de plástico, vidro e metal que atulha as ruas. Terão que finalmente se entender com seus pais, cônjuges, ler algo, pensar, enfim, fazer alguma merda. Terão que finalmente começar a viver. E perceber algumas coisas tão óbvias…
Comece desde já. Exija o seu direito de não fazer porra nenhuma. Exija ser substituído por uma máquina. Coloque um computador ou robô no seu lugar. E finalmente comece a FAZER alguma merda. Mas a merda que você quer, não a que lhe obrigam a criar.

Como alguém consegue trabalhar de 9 às 20, todo dia, durante semanas, meses, anos, décadas? Encontrando as mesmas pessoas, tomando café e Coca-Coca Light em cima da máquina de xerox, rindo para o chefe quando na verdade gostaria de estar, sei lá, pescando? E as pessoas que trabalham nos feriados, Natal, reveillon, Carnaval? Eu sei como é. Been there, done that. Mas que é estúpido e inglório, é.
E sem motivo: a jornada de trabalho diária é um resquício do início da Revolução Industrial, quando as pessoas eram necessárias para “fazer a sociedade progredir” criando novos modelos para a Ford, máquinas de refrigerante e calculadoras. Mas, hoje, praticamente 99 % dos trabalhos e profissões não possuem a menor necessidade de acontecer em uma base diária. Quem precisa de jornais diários? De carros sendo montados diariamente? Coloquem máquinas fazendo os serviços mais estúpidos, como receber dinheiro atrás de uma roleta em um ônibus e realoquem estas pessoas para outras áreas (entregar cartas, por exemplo) que têm necessidade de ser diárias e ainda não podem ser feitas por um bom robô. Com isso, poderiam ser criadas turmas diferentes de trabalho. Por exemplo, você trabalharia às segundas e terças e outro sujeito às quartas e quintas (as sextas seriam incluídas no nosso lindo e helênico fim de semana). Tenho certeza que o mundo não iria piorar e nada realmente imprescindível e essencial faltaria. O desemprego iria diminuir e as pessoas teriam tempo ocioso. Não há nada pior do que o termo “tempo livre”. O tempo É livre, você faz com ele o que quiser. A ociosidade é um direito humano universal (ou deveria ser).
Não fazer nada, coçar o saco, olhar para o teto, ir à praia, fazer porra nenhuma, ouvir música, ir ao cinema, trepar, sair para dançar, são sinais muito mais claros da existência de uma civilização refinada e inteligente do que a presença diária de um monte de imbecis inúteis e sorridentes atrás de suas mesas. Só precisa trabalhar todo dia quem não tem nada melhor para fazer.
Sem falar que nossa civilização e as melhores descobertas (como o Atari, o ecstasy, o veleiro, o livro e o sampler) só aconteceram porque tinha alguém com tempo livre para pensar nelas, sem a obrigação de preencher formulários, carimbar papéis, escrever matérias inúteis e tendenciosas que ninguém lê. Por que o metrô precisa de um sujeito guiando a maldita máquina? Coloquem outra máquina ali, elas fazem isso melhor do que nós, humanos. E assim o coitado poderia ser pago para ficar em casa e, sei lá, montar um grupo de pagode ou criar um blog “feminista”. Coloquem máquinas no lugar de gente que não é imprescindível e paguem-nas para ficar em casa coçando.
Chega dessa merda protestante de que o trabalho dignifica o homem. Dignifica porra nenhuma: emburrece, embrutece, alcooliza, cafeiniza, enerva, estressa e escraviza. Andem pelo Centro da sua cidade e olhem em volta: o quanto daqueles prédios enormes, aquelas salas, janelas que parecem os olhos de um cego e carros são realmente necessários? Uma diminuta percentagem. Ficando em casa, as pessoas pararão de criar essa quantidade inútil de plástico, vidro e metal que atulha as ruas. Terão que finalmente se entender com seus pais, cônjuges, ler algo, pensar, enfim, fazer alguma merda. Terão que finalmente começar a viver. E perceber algumas coisas tão óbvias…
Comece desde já. Exija o seu direito de não fazer porra nenhuma. Exija ser substituído por uma máquina. Coloque um computador ou robô no seu lugar. E finalmente comece a FAZER alguma merda. Mas a merda que você quer, não a que lhe obrigam a criar.

Uma pena que a Internet, a maior invenção da humanidade, espécie de Biblioteca de Alexandria com curadoria dos situacionistas, seja usada de forma tão comédia pela maioria das pessoas, que se limitam a dizer com quem ficaram, quem comeram, quem as comeu, como as comeu e onde foram dançar música ruim antes de dar. Bruce Sterling diz que é tempo de sermos generosos. Colocar na rede o que temos, seja textos, músicas, quadros, quadrinhos, vídeos, games. Infelizmente cada um coloca o (pouco) que tem.

O primeiro mês do governo Lula se mostrou um verdadeiro festival de equívocos. Desde o cretino do assessor internacional Marco Aurélio Garcia se metendo na política interna venezuelana (Hugo Chávez é um incompetente, é tão difícil enxergar isso?) até as denúncias envolvendo o ministro dos Transportes, Anselmo Adauto (móvel?), passando pelo aumento dos juros e o caminho exatamente oposto ao seu discurso de oposição. Acho que é uma tendência mundial na “esquerda” de hoje: chegam ao governo e imediatamente viram mais “neoliberais” que Reagan e Thatcher juntos (vide Tony Blair e suas “sorry excuses for a” Partido Trabalhista, Schroeder, etc). A esquerda no governo nunca conseguiu dizer a que veio. Com a possível exceção de Fidel Castro, todos os esquerdistas se mostraram genocidas sanguinários (Mao, Stalin, Ceaucescu) ou adotaram uma cartilha neoliberal de envergonhar até mesmo o Consenso de Washington. Votei no Lula em um último ato de esperança para expulsar do governo as lacraias do PMDB e PFL que estavam no poder desde que eu nasci. Mas não dá mais: não acredito em democracia, nessa estúpida indústria de marketing disfarçada de regime governamental que tomou conta do planeta. Como a direita não é e nunca foi opção (ao menos para mim), só me resta – como anarquista – me resignar que, como já sabia Buda, os caminhos que seguem pelos extremos são cretiníssimos e pura maya.

Siga o caminho do meio: a trilha da autogestão.

A noite do Rio está mesmo em seus estertores, como um zumbi de filme mexicano. Um evento riponga no Armazém 5 do Cais do Porto, há alguns dias, com gente jogando quilos e quilos de farinha do mezzanino do armazém e fazendo esculturas de gelo no chão, mereceu capa do Segundo Caderno do Globo, sob o título “Delicioso Caos”. É, em faculdade de jornalismo não ensinam nem o que é caos, quanto mais estética.

Um dos poucos três ou quatro quadrinhos decentes que ainda estão sendo publicados por aqui é Tom Strong, fantasia heróico-aventureira escrita pelo magnífico Alan Moore. Strong é uma homenagem bem legal aos antigos personagens dos pulps dos anos 30 e, em certa medida, também aos quadrinhos da cahamada Era de Prata (os anos 60). Ou seja, felizmente nada irritantemente sombrio e violento como os quadrinhos dos anos 90 costumavam ser. O personagem principal, Tom Strong, é uma espécie de übermen pop, criado pelos pais cientistas para ser o próximo passo na escala evolutiva. O número 3 está nas bancas e tem ótimos desenhos de Chris Sprouse. Um dos raros bons quadrinhos que têm saído por aqui. As outras opções são Dylan Dog e Martin Mystére, dois ótimos fumettis da Bonelli que estão saindo aqui pela Conrad; Lobo, o Looney Tunes Wes Craven da DC, que está saindo pela Brainstore; Banner, minissérie do Hulk desenhada pelo lendário Richard Corben, pela Mythos; e um ou outro álbum da Via Lettera ou Conrad (que lançou um do Hunt Emerson bem legal). Pouquíssimas opções, se comparado ao mercado nacional do final dos anos 80-início dos 90, mas em tempos de crise, tradutores semi-alfabetizados e editores amadores, já é mais do que poderíamos esperar. O resto, só importado. As traduções nacionais, quando não são francamente erradas (como “some say”, traduzido para “um dia” na primeira página do primeiro número de Os Invisíveis), são ridiculamente paulistas e cafonas. Me recuso a ler coisas como “biduzão” em um diálogo. Infelizmente, algumas de minhas séries mais queridas, como Invisibles e Preacher, têm saído por aqui em edições “favelium”, com um texto final em português que não faz o menor sentido, seja gramatical ou literário. Porra, paguem um revisor decente. Uma amiga minha comprou Os Invisíveis por recomendação minha e achou o texto muito ruim. “Não é possível”, pensei. Peguei emprestado as edições dela e vi que, sim, era possível. O texto não fazia o menor sentido. 

Pois é, após merecidas férias de qualquer coisa relacionada à Internet, resolvi reativar meu blog. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que minha senha já não era mais aceita pelo Blogger, após quase um ano sem “atualizá-lo”. Procurei outro serviço de blog, mas o Blogger é – acho – o único que permite o alojamento em qualquer servidor que eu queira usar. Como pretendo mover essa tralha para a minha própria página, optei por abrir outra conta no Blogger mesmo. Bom, o blog anterior (Harper’s Bizarre) continua no ar, em http://mandarino.blogspot.com. Mas o Hypervoid promete ser mais interessante e, digamos, incisivo ; )

Ah, e não é um diário barato. Nada de Big Brother em pixels por aqui. Não vejo porque outras pessoas gostariam de ler sobre as desgraças das ridículas vidas alheias. Façam algo interessante antes de escrever: viajem para o Nepal e façam um bungee-jumping sobre uma ponte de madeira sobre a neve; vão tomar ecstasy em Bali, sei lá. Depois voltem e coloquem no maldito blog. Mas escrevam sobre vidas interessantes, não para reclamar que um cafona deu em cima de você em um show igualmente cafona no Ballroom.