O Misterioso Caso de Styles

Romance de estréia de Agatha Christie, Styles foi escrito como resultado de uma aposta que a autora fez com sua irmã, que duvidou que ela fosse capaz de escrever uma história policial. Poucas vezes uma dúvida foi tão bem descartada. Começava ali, em 1916, uma carreira até exageradamente prolífica, que duraria 60 anos, até a morte de Christie, em 1976. São poucos os indícios de que The Mysterious Affair at Styles seja a obra de estréia de uma autora iniciante. Publicado apenas quatro anos depois, em 1920, foi bem recebido pela crítica. O suplemento literário do The Times chegou a dizer que “the only fault this story has is that it is almost too ingenious” (“o único defeito dessa história é que ela chega quase a ser genial demais”). E realmente é, já de cara, um dos melhores romances de Agatha.

Ela lança aqui diversos elementos que viriam a se consolidar como parte integrante da ficção pilicial em sua era de ouro (décadas de 20 e 30): a enorme e isolada mansão rural; um rol de pelo menos meia dúzia de suspeitos, todos com algo a esconder; pistas falsas e reviravoltas surpreendentes. O livro trazia ainda mapas da casa e da cena do crime, além do fragmento de um testamento. E, mais importante, introduziu aquele que viria a se tornar um dos detetives mais importantes do romance policial desde Auguste Dupin e Sherlock Holmes: o pequeno belga Hercule Poirot. Aqui Christie também nos apresenta dois personagens que se tornariam infrequentemente recorrentes: o capitão Arthur Hastings, que narra a história – e voltaria a fazê-lo em diversos outros romances e contos protagonizados por Poirot – e o Inspetor Japp, da Scotland Yard. Ao lançar mão de suas próprias versões de Watson e Lestrade, Christie ainda estava tateando o terreno, absorvendo trunfos de autores como Conan Doyle e Edgar Allan Poe. Mais tarde suas participações seriam bastante reduzidas e suas obras-primas sequer contariam com estes personagens de apoio, como é o caso de O Assassinato de Roger Ackroyd.

Mas aqui, como na maior parte dos livros em que aparece, Hastings cumpre sua função de narrador honesto, ingênuo e confiável. Mas o dono da cena é mesmo Poirot, que surge desde o início como uma figura exuberante, excêntrica (em livros futuros, como A Mansão Hollow, talvez excêntrica demais, a ponto de desviar o clima da história, de acordo com a própria autora), genial e original. Poirot é, de certa forma, o anti-Holmes: se aquele era bagunçado e colhedor de pistas, este era ordeiro, metódico e solucionava o caso usando suas “pequenas células cinzentas”. Christie chegaria a ridicularizar o tipo de detetive a la Holmes em seu segundo romance com Poirot, Assassinato no Campo de Golfe, através da figura do detetive francês Giraud, que “ficava de quatro como um sabujo” em busca de pistas.

Styles se destaca, desde o início, por sua ambientação e caracterização dos personagens. Os membros da família, como acontecem com quase todos os personagens de Christie, parecem pessoas que conhecemos e se torna fácil projetar nelas as qualidades, defeitos e características imaginadas pela autora. É uma forma fácil de caracterização, não de todo adequada para vôos literários mais altos ou experimentais, mas perfeita para o romance de mistério. Christie sabe, à perfeição, que personagens de histórias policiais são, antes de tudo, suspeitos; e lhes confere caracterização e profundidade psicológica suficientes para que não sejam apenas peões intercambiáveis no tabuleiro, mas ao mesmo tempo não transbordem características próprias pelas páginas, afogando as pistas e o caso. Um romance policial caminha naquela tênue linha entre o romance propriamente dito e um jogo de tabuleiro imaginário. Aqui, a caverna de Platão tem marcações invisíveis no chão.

Se demonstra domínio dos personagens, Christie faz da mansão, Styles Court, um local perfeito para a trama; palpável, real, com todas as características que o tornam um retrato da mansão inglesa rural do final da década de 10: estão ali o chá no gramado, mas também o racionamento provocado pela Guerra (ainda a Primeira). Personagens, mansão, mapa, todos os elementos se unem para contar uma história fascinante, com um final que, na época, foi considerado brilhante e inovador para os padrões do gênero – e que se mantém surpreendente até hoje. 

Um detalhe curioso é que Styles Court viria a ser o cenário do último caso de Poirot, em Cai o Pano, de 1976. A mansão, então, já não pertencia mais aos donos originais – a família Cavendish deste livro de estréia – e estava transformada em hotel. Um exemplo de como Christie é bem sucedida em retratar as mudanças sociais e utilizá-las como pano de fundo, geralmente lamentando as novidades e tudo o que considerava uma vulgarização da vida em sociedade.

Neste primeiro livro, Poirot é apresentado como um refugiado belga emigrado para o interior da Inglaterra por causa da Guerra. Hastings, militar reformado, está de licença para se recuperar de um ferimento na perna e hospedado em Styles Court como convidado de um dos membros da família. É ele quem, após o assassinato ser cometido, apresenta Poirot à família e o introduz na mansão, fazendo o belga dar início a uma carreira de detetive particular que duraria várias décadas. O curioso é que Poirot já é apresentado aqui como detetive aposentado da polícia belga; não sei com quantos anos os policiais da Bélgica se aposentavam naquela época, mas se em 1916 Poirot estivesse com, digamos, 45 ou 50 anos, isso quer dizer que ele teria chegado ao seu último caso, em 1976, com 105, 110 anos. Mas a genialidade da maioria das histórias permite que a gente ignore esse detalhe e flexibilize os números da cronologia, para efeitos práticos.

O Misterioso Caso de Styles é extremamente bem sucedido como romance de estréia: apresenta um detetive que viria a se tornar clássico; demonstra o talento da autora para criar ambientações e um rol convincente de personagens; e, principalmente, em conduzir uma trama repleta de pistas falsas e dados escondidos bem à vista. Um dos pontos altos da literatura policial.

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O Misterioso Caso de Styles. Serializado em The Weekly Times entre 27 de fevereiro e 26 de junho de 1920. Publicado como livro em 1º de outubro de 1920 (The Mysterious Affair at Styles).

Nota: 8

Quadrinhos (15/12)

Quadrinhos (lançados em 15/12)

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 3
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins
Um número mais fraco que os anteriores e mesmo assim Casey obtém alguns bons momentos. os Vingadores recebem uma proposta de trabalho por parte do exército americano, enquanto a mídia se preocupa se os novos heróis não são tão perigosos quanto o Hulk. Steve Rogers fica sabendo sobre acontecimentos desastrosos como a Guerra do Vietnã e o grupo enfrenta os Mestres do Mal (lembro quando li a história original, por Lee e Kirby, quando eu era criança, ainda nas horrendas edições de Os Vingadores pela extinta editora Bloch). Uma edição apenas correta, com desenhos adequados de Scott Kolins.
Bom (7/10)

DAREDEVIL 68
Marvel
Texto: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev
Pff. Não acontece absolutamente nada nesta edição e terminamos exatamente da mesma forma que estávamos na edição anterior: Murdock preso e espancado por Melvin Potter, o Gladiador, a mando do tal sr. Bont, o gangster fracassado e velho da Cozinha do Inferno. Vários flashbacks sem sentido ou relevância (um deles envolvendo os medalhões do falecido Hector Ayala, o Tigre Branco) e Bendis preenche uma edição inteira sem na verdade mostrar nada de novo. Que picareta. Ah, Maleev continua usando sua máquina de xerox.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CATWOMAN 38
DC
Texto: Scott Morse
Arte: Paul Gulacy
Esta é a primeira edição de Catwoman sem o texto de Ed Brubaker e as coisas não parecem muito promissoras. Scott Morse tem o mérito de ter criado um vilão TÃO bizarro (Wood Nickel, basicamente um cara feito de madeira) que ele acaba funcionando, num certo sentido Silver Age. Mas a história em si é boba e os diálogos são arrastados e metidos a “espertos”. Paul Gulacy. como sempre, é um mestre nas cenas de ação. É ele, aliás, que garante o interesse nesta edição. Mas, como um todo, um momento de queda para uma série que vinha mantendo um nível bastante bom ao longo dos anos.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

EX MACHINA 7
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Mitchell Hundred, o prefeito de Nova York e o homem que publicamente age como o herói conhecido como Ex Machina, decidiu tentar aprovar o casamento entre homossexuais na cidade. Enquanto isso, novas aparições da misteriosa tag no metrô causam novas vítimas de loucura. Brian Vaughan está criando uma pequena obra-prima aqui, misturando política, diálogos sensacionais e personagens interessantes e reais. A arte não fica atrás, já que Tony Harris talvez esteja criando aqui a melhor coisa de sua carreira (Starman incluso). O que você está fazendo que não está lendo isso?
Excelente (9,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 521
Marvel
Texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo
Assim é que se faz um quadrinho de super-heróis: idéias sensacionais, ao mesmo tempo absurdas e plausíveis; personagens criativos, ao mesmo tempo pop e dramáticos. Mark Waid está realizando aqui um de seus melhores trabalhos e, ao que parece, a saga atual vai lançar nova luz sobre o que Galactus realmente é. Mais duas edições para que Waid feche com chave de ouro sua fase nesta revista. A arte de Mike Wieringo está ótima, muito mais “clássica” e tradicional do que o sub-mangá que ele costumava criar. Um dos melhores títulos da Marvel atual (na verdade, um dos poucos títulos bons da Marvel atual).
Excelente (9 / 10)

HUMAN TARGET 17
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cameron Stewart
Esta edição one-shot tem como desenhista convidado Cameron Stewart (Seaguy) e ele cumpre muito bem seu papel, adequando seu estilo ao desta série, mas sem perder de vista seu estilo habitual. Peter Milligan continua utilizando o personagem Christopher Chance para explorar tópicos como identidade, auto-imagem, desejos e fugas. Nesta edição, Chance é contratado para mudar completamente uma mulher perseguida por mafiosos, mas até onde suas intenções apenas ditam seus desejos mais mesquinhos?
Bom (7 / 10)

IDENTITY CRISIS 7
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales
Não vou perder muito tempo falando sobre isso. Até mesmo a arte de Rags Morales está ruim e confusa nesta edição. E nada faz sentido neste que é um dos plots mais pobres que já vi. Várias pontas soltas ficam abertas, como o filho do Capitão Bumerangue e seus poderes de ultra-velocidade, a lavagem cerebral realizada em Batman, etc. Aparentemente, Eléktron e Homem-Elástico agora são personagens muito menos interessantes e “adultos”. Bela porcaria. E, retroativamente, a “solução” (ah, ah, ah) deste “mistério” contradiz não só partes do texto das edições anteriores, mas também as dicas visuais deixadas pelo desenhista. Péssima idéia, péssima realização, com péssimas e tristes consequências. Misógino, grotesco, de mau gosto, sensacionalista, estúpido, picareta, reacionário, mau escrito, cafona, bobo, Identity Crisis só ganha uma nota “zero” por não haver uma categoria inferior.
Fuja Dessa Merda (0/10)

LUCIFER 57
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Peter Gross
Lilith continua os preparativos de sua ofensiva contra o trono de Yahweh. Para isso, ela segue sua parte no acordo e começa a eliminar alguns de seus próprios filhos, que sofrem mortes terríveis. Lucifer é um dos melhores quadrinhos atuais e, embora às vezes tenha mos a impressão de que as coisas poderiam ser mais rápidas ou que a história não está levando a lugar algum, logo Mike Carey nos reafirma que está no comando, unindo todas as pontas de forma única. Peter Gross, contudo, já foi um melhor artista, mas desconfio que esteja sendo uma vítima da arte-final.
Bom (7,5 / 10)

MADROX 4 (de 5)
Marvel Knights
Texto: Peter David
Arte: Pablo Raimondi
Não bastasse Pablo Raimondi ser um excelente artista, mais do que adequado para histórias urbanas e noturnas como esta, essa mini ainda conta com um dos melhores texto de Peter David. Através de Jamie Madrox, o Homem-Múltiplo, David expõe suas idéias mais bizarras e legais. Nesta edição o cerco parece se fechar em torno de Madrox, em Chicago; enquanto isso, Rahne Sinclair, em Mutant Town, Nova York, acaba de descobrir o primeiro caso de traição gay através de formas astrais.
Muito Bom (8,5 / 10)

MARVEL TEAM-UP 3
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Desta vez Kirkman une as forças de Doutor Estranho e do Quarteto Fantástico e, embora ainda não seja aparente qual a ligação, esta história faz parte do mesmo arco envolvendo Homem-Aranha e Wolverine, que teve lugar nas duas edições de estréia desta revista. Finalmente Kirkman acerta mais a mão em sua dosagem de coisas legais da Era de Prata e da Era de Bronze, enquanto Kolins entrega uma arte competente. Aparições especiais de Hulk e Cavaleiro da Lua, além de um cliffhanger digno dos velhos tempos da Marvel. Aliás, essa revista prova que a Marvel é como rap: funciona bem melhor quando é old skool.
Muito Bom (8 / 10)

METAL HURLANT 14
Humanoids Publishing
Vários Artistas
Bons artistas como Guy Davis, Gerald Parel e Stefano Raffaele,mas esta antologia ainda deixa muito a desejar. Pra começar, as duas séries recorrentes são muito parecidas. Tanto The Zombies That Ate the World, de Jerry Frissen e Guy Davis, quanto Fragile, de Raffaele, abordam futuros próximos onde o mundo foi tomado por zumbis. OK, uma delas é de humor, enquanto a outra é um drama, mas ainda assim… zumbis. Uma melhor seleção faria maravilhas por esta revista. E esta edição em special é mais fraca que o normal, pois duas das histórias fechadas são insuportavelmente fracas. Uma pena, mas nem de longe faz juz ao que a Mètal Hurlant francesa era nos anos 70 e 80.
Tá, é Bacana (6 / 10)

OCEAN 3 (de 6)
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse
Putz. Existe uma boa história aquei em algum lugar e tenho certeza que ela pode ser encontrada na leitura do futuro TPB desta minissérie. Mas, em capítulos mensais, ela simplesmente não aparece, porque NADA acontece. Como nada acontece, não há o que resenhar. Tenho a impressão de que, em TPB, Ocean deverá parecer um daqueles filmes de FC dos anos 70, com longos momentos de silêncio. Adoro… no cinema. Ellis deveria se afastar um pouco da TV e tentar voltar a ler. Quadrinhos são uma mídia estática e as cenas de sense of wonder que ele tenta impôr ao talentoso Chris Sprouse não impressionam, porque são apenas figuras estáticas numa página. É como ver fotogramas aleatórios de 2001. Esta edição se salva graças ao conceito de “humanos corporativos” que Ellis aborda aqui.
Tá, é Bacana (6 / 10)

TRIGGER 1
Vertigo
Texto: Jason Hall
Arte: John Watkiss
Trigger é a nova série mensal da Vertigo, escrita por Jason Hall (o mesmo da minissérie do Rastejante). E é uma boa estréia. Hall nos mostra um futuro onde tudo é controlado por uma corporação Ethicorp (cujo slogan é “We Get the Bad Out”). Desde o transporte público até a censura à TV, a Ethicorp está presente em tudo, observando cada casa com uma câmera para garantir que “os caras maus estejam fora”. Parece uma ambientação clichê, mas tudo indica que Jason Hall tenha várias cartas na manga. O protagonista é Carter Lennox, empregado da Ethicorp (como quase todo mundo), que leva uma vida de merda, sem trepar com sua esposa, com um trabalho sem sentido e desinteressante e cuja única diversão é escrever (em antiquadas máquinas de datilografia) e ler romances de Phillip Marlowe (em edições antiquadas e “assassinas de árvores”, feitas de papel; ou seja, livros). Parece uma mistura de 1984 e Fahrenheit 451, mas as tonalidades bi brotherianas não são ingênuas e descaradas como as destes livros. Antes, se parecem com as táticas corporativas de hoje: as pessoas são controladas porque querem e porque assim tudo se torna mais “fácil” e “limpo” (nos dê mais alguns anos e chegaremos lá, pelo visto). O desenho de John Watkiss (Sandman Mystery Theatre) é único e mescla genialmente art dèco, film noir e cyberpunk (sou só eu, ou “cyberpunk” soou o mais antigo nesta frase?). Mas o destque vai para a fantástica colorização de Jeremy Cox, que acerta em cheio o tom da história. Enfim, uma estréia mais do que promissora, com os toques certos de subversão, drama, FC e mistério.
Excelente (9 / 10)

Quadrinhos (lançados em 15/12)

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 3
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins
Um número mais fraco que os anteriores e mesmo assim Casey obtém alguns bons momentos. os Vingadores recebem uma proposta de trabalho por parte do exército americano, enquanto a mídia se preocupa se os novos heróis não são tão perigosos quanto o Hulk. Steve Rogers fica sabendo sobre acontecimentos desastrosos como a Guerra do Vietnã e o grupo enfrenta os Mestres do Mal (lembro quando li a história original, por Lee e Kirby, quando eu era criança, ainda nas horrendas edições de Os Vingadores pela extinta editora Bloch). Uma edição apenas correta, com desenhos adequados de Scott Kolins.
Bom (7/10)

DAREDEVIL 68
Marvel
Texto: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev
Pff. Não acontece absolutamente nada nesta edição e terminamos exatamente da mesma forma que estávamos na edição anterior: Murdock preso e espancado por Melvin Potter, o Gladiador, a mando do tal sr. Bont, o gangster fracassado e velho da Cozinha do Inferno. Vários flashbacks sem sentido ou relevância (um deles envolvendo os medalhões do falecido Hector Ayala, o Tigre Branco) e Bendis preenche uma edição inteira sem na verdade mostrar nada de novo. Que picareta. Ah, Maleev continua usando sua máquina de xerox.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CATWOMAN 38
DC
Texto: Scott Morse
Arte: Paul Gulacy
Esta é a primeira edição de Catwoman sem o texto de Ed Brubaker e as coisas não parecem muito promissoras. Scott Morse tem o mérito de ter criado um vilão TÃO bizarro (Wood Nickel, basicamente um cara feito de madeira) que ele acaba funcionando, num certo sentido Silver Age. Mas a história em si é boba e os diálogos são arrastados e metidos a “espertos”. Paul Gulacy. como sempre, é um mestre nas cenas de ação. É ele, aliás, que garante o interesse nesta edição. Mas, como um todo, um momento de queda para uma série que vinha mantendo um nível bastante bom ao longo dos anos.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

EX MACHINA 7
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Mitchell Hundred, o prefeito de Nova York e o homem que publicamente age como o herói conhecido como Ex Machina, decidiu tentar aprovar o casamento entre homossexuais na cidade. Enquanto isso, novas aparições da misteriosa tag no metrô causam novas vítimas de loucura. Brian Vaughan está criando uma pequena obra-prima aqui, misturando política, diálogos sensacionais e personagens interessantes e reais. A arte não fica atrás, já que Tony Harris talvez esteja criando aqui a melhor coisa de sua carreira (Starman incluso). O que você está fazendo que não está lendo isso?
Excelente (9,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 521
Marvel
Texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo
Assim é que se faz um quadrinho de super-heróis: idéias sensacionais, ao mesmo tempo absurdas e plausíveis; personagens criativos, ao mesmo tempo pop e dramáticos. Mark Waid está realizando aqui um de seus melhores trabalhos e, ao que parece, a saga atual vai lançar nova luz sobre o que Galactus realmente é. Mais duas edições para que Waid feche com chave de ouro sua fase nesta revista. A arte de Mike Wieringo está ótima, muito mais “clássica” e tradicional do que o sub-mangá que ele costumava criar. Um dos melhores títulos da Marvel atual (na verdade, um dos poucos títulos bons da Marvel atual).
Excelente (9 / 10)

HUMAN TARGET 17
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cameron Stewart
Esta edição one-shot tem como desenhista convidado Cameron Stewart (Seaguy) e ele cumpre muito bem seu papel, adequando seu estilo ao desta série, mas sem perder de vista seu estilo habitual. Peter Milligan continua utilizando o personagem Christopher Chance para explorar tópicos como identidade, auto-imagem, desejos e fugas. Nesta edição, Chance é contratado para mudar completamente uma mulher perseguida por mafiosos, mas até onde suas intenções apenas ditam seus desejos mais mesquinhos?
Bom (7 / 10)

IDENTITY CRISIS 7
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales
Não vou perder muito tempo falando sobre isso. Até mesmo a arte de Rags Morales está ruim e confusa nesta edição. E nada faz sentido neste que é um dos plots mais pobres que já vi. Várias pontas soltas ficam abertas, como o filho do Capitão Bumerangue e seus poderes de ultra-velocidade, a lavagem cerebral realizada em Batman, etc. Aparentemente, Eléktron e Homem-Elástico agora são personagens muito menos interessantes e “adultos”. Bela porcaria. E, retroativamente, a “solução” (ah, ah, ah) deste “mistério” contradiz não só partes do texto das edições anteriores, mas também as dicas visuais deixadas pelo desenhista. Péssima idéia, péssima realização, com péssimas e tristes consequências. Misógino, grotesco, de mau gosto, sensacionalista, estúpido, picareta, reacionário, mau escrito, cafona, bobo, Identity Crisis só ganha uma nota “zero” por não haver uma categoria inferior.
Fuja Dessa Merda (0/10)

LUCIFER 57
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Peter Gross
Lilith continua os preparativos de sua ofensiva contra o trono de Yahweh. Para isso, ela segue sua parte no acordo e começa a eliminar alguns de seus próprios filhos, que sofrem mortes terríveis. Lucifer é um dos melhores quadrinhos atuais e, embora às vezes tenha mos a impressão de que as coisas poderiam ser mais rápidas ou que a história não está levando a lugar algum, logo Mike Carey nos reafirma que está no comando, unindo todas as pontas de forma única. Peter Gross, contudo, já foi um melhor artista, mas desconfio que esteja sendo uma vítima da arte-final.
Bom (7,5 / 10)

MADROX 4 (de 5)
Marvel Knights
Texto: Peter David
Arte: Pablo Raimondi
Não bastasse Pablo Raimondi ser um excelente artista, mais do que adequado para histórias urbanas e noturnas como esta, essa mini ainda conta com um dos melhores texto de Peter David. Através de Jamie Madrox, o Homem-Múltiplo, David expõe suas idéias mais bizarras e legais. Nesta edição o cerco parece se fechar em torno de Madrox, em Chicago; enquanto isso, Rahne Sinclair, em Mutant Town, Nova York, acaba de descobrir o primeiro caso de traição gay através de formas astrais.
Muito Bom (8,5 / 10)

MARVEL TEAM-UP 3
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Desta vez Kirkman une as forças de Doutor Estranho e do Quarteto Fantástico e, embora ainda não seja aparente qual a ligação, esta história faz parte do mesmo arco envolvendo Homem-Aranha e Wolverine, que teve lugar nas duas edições de estréia desta revista. Finalmente Kirkman acerta mais a mão em sua dosagem de coisas legais da Era de Prata e da Era de Bronze, enquanto Kolins entrega uma arte competente. Aparições especiais de Hulk e Cavaleiro da Lua, além de um cliffhanger digno dos velhos tempos da Marvel. Aliás, essa revista prova que a Marvel é como rap: funciona bem melhor quando é old skool.
Muito Bom (8 / 10)

METAL HURLANT 14
Humanoids Publishing
Vários Artistas
Bons artistas como Guy Davis, Gerald Parel e Stefano Raffaele,mas esta antologia ainda deixa muito a desejar. Pra começar, as duas séries recorrentes são muito parecidas. Tanto The Zombies That Ate the World, de Jerry Frissen e Guy Davis, quanto Fragile, de Raffaele, abordam futuros próximos onde o mundo foi tomado por zumbis. OK, uma delas é de humor, enquanto a outra é um drama, mas ainda assim… zumbis. Uma melhor seleção faria maravilhas por esta revista. E esta edição em special é mais fraca que o normal, pois duas das histórias fechadas são insuportavelmente fracas. Uma pena, mas nem de longe faz juz ao que a Mètal Hurlant francesa era nos anos 70 e 80.
Tá, é Bacana (6 / 10)

OCEAN 3 (de 6)
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse
Putz. Existe uma boa história aquei em algum lugar e tenho certeza que ela pode ser encontrada na leitura do futuro TPB desta minissérie. Mas, em capítulos mensais, ela simplesmente não aparece, porque NADA acontece. Como nada acontece, não há o que resenhar. Tenho a impressão de que, em TPB, Ocean deverá parecer um daqueles filmes de FC dos anos 70, com longos momentos de silêncio. Adoro… no cinema. Ellis deveria se afastar um pouco da TV e tentar voltar a ler. Quadrinhos são uma mídia estática e as cenas de sense of wonder que ele tenta impôr ao talentoso Chris Sprouse não impressionam, porque são apenas figuras estáticas numa página. É como ver fotogramas aleatórios de 2001. Esta edição se salva graças ao conceito de “humanos corporativos” que Ellis aborda aqui.
Tá, é Bacana (6 / 10)

TRIGGER 1
Vertigo
Texto: Jason Hall
Arte: John Watkiss
Trigger é a nova série mensal da Vertigo, escrita por Jason Hall (o mesmo da minissérie do Rastejante). E é uma boa estréia. Hall nos mostra um futuro onde tudo é controlado por uma corporação Ethicorp (cujo slogan é “We Get the Bad Out”). Desde o transporte público até a censura à TV, a Ethicorp está presente em tudo, observando cada casa com uma câmera para garantir que “os caras maus estejam fora”. Parece uma ambientação clichê, mas tudo indica que Jason Hall tenha várias cartas na manga. O protagonista é Carter Lennox, empregado da Ethicorp (como quase todo mundo), que leva uma vida de merda, sem trepar com sua esposa, com um trabalho sem sentido e desinteressante e cuja única diversão é escrever (em antiquadas máquinas de datilografia) e ler romances de Phillip Marlowe (em edições antiquadas e “assassinas de árvores”, feitas de papel; ou seja, livros). Parece uma mistura de 1984 e Fahrenheit 451, mas as tonalidades bi brotherianas não são ingênuas e descaradas como as destes livros. Antes, se parecem com as táticas corporativas de hoje: as pessoas são controladas porque querem e porque assim tudo se torna mais “fácil” e “limpo” (nos dê mais alguns anos e chegaremos lá, pelo visto). O desenho de John Watkiss (Sandman Mystery Theatre) é único e mescla genialmente art dèco, film noir e cyberpunk (sou só eu, ou “cyberpunk” soou o mais antigo nesta frase?). Mas o destque vai para a fantástica colorização de Jeremy Cox, que acerta em cheio o tom da história. Enfim, uma estréia mais do que promissora, com os toques certos de subversão, drama, FC e mistério.
Excelente (9 / 10)

Quadrinhos da Semana (08 / 12)

Ainda tirando o atraso de fim-de-ano. Vamos lá:

ANGELTOWN 2 (de 5)
Vertigo
Texto: Gary Phillips
Arte: Shawn Martinbrough
A trama se complica ainda mais neste noir-Los-Angeles-Spike-Lee-GTA 3. O texto de Gary Phillips às vezes soa forçadamente “hip” e “street”, mas funciona. Os desenhos de Martinbrough são simples, mas captam bem o clima realista, ensolarado e exagerado da história, que nesta segunda edição começa a pegar fogo. Mas a narrativa às vezes soa desnecessariamente complicada, em um exemplo perfeito de história que funciona melhor quando lida de uma vez só, em TPB, do que em pílulas mensais.
Bom (7,5 / 10)

AQUAMAN 25
DC
Texto: John Arcudi
Arte: Patrick Gleason
John Arcudi toma as rédeas da nova fase deste título após um arco introdutório a cargo de John Ostrander. Aquaman precisa lidar com algo que nunca viu antes no fundo do mar: viciados em heroína. Isso acontece, claro, em Sub Diego, a antiga San Diego que agora está no fundo do mar, habitada por humanos que respiram debaixo d’água. A condição desgraçada destes humanos, que repentinamente se vêem em uma realidade totalmente diferente, é bem retratada por Arcudi, que é ótimo em caracterizações. Mas não sei se fazer de Aquaman um personagem com uma cidade fixa de atuação é algo tão legal assim.
Bom (7 / 10)

B.P.R.D. – THE DEAD 2 (de 4)
Dark Horse
Texto: Mike Mignola e John Arcudi
Arte: Guy Davis
Hellboy e as séries do grupo B.P.R.D. talvez sejam o que o quadrinho americano tem de mais parecido com um fumetti. Personagens fortes e tramas inteligentes, dentro de uma continuidade clara, mas não dependentes de uma cronologia limitadora. Mignola e Arcudi criam nesta nova mini um bom conto de horror, onde Abe Sapiens finalmente tem parte de seu passado revelado. Enquanto isso, na nova base do Colorado, Liz Sherman, Roger e Johann descobrem algo esquisitíssimo. Guy Davis está ótimo nesta série e o colorista Dave Stewart também merece uma menção.
Muito Bom (8,5 / 10)

DEMO 12 (de 12)
AiT/PlanetLar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan
A maxissérie em 12 partes Demo é concluída nesta edição, deixando em seu rastro uma trilha de altos e baixos. Grandes momentos se alternaram com outros não tão satisfatórios. Esta edição tem duas histórias. A primeira, com desenhos de Cloonan, a artista da série, é uma pequena pérola. Escrita por Wood através de estrofes, como a letra de uma música silenciosa, é uma espécie de nouvelle vague passada no Brooklyn. A história de back-up inverte os papéis: Cloonan escreve e Wood desenha. É bom ver o ótimo traço de Brian Wood mais uma vez, com toda sua poesia stencil-urbana.
Muito Bom (8,5 / 10)

GOTHAM CENTRAL 26
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Michael Lark
É a primeira edição sem a excelente arte de Michael Lark, que partiu para um contrato de exclusividade com a Marvel. Uma pena. O texto de Ed Brubaker continua afiado e de altíssima qualidade, tanto em termos de plot como de caracterização e diálogos. Brian Bendis, aliás, faria muito em prestar atenção aqui e aprender como se escreve histórias policiais. Mas o novo artista, Jason Alexander, deixa muito a desejar. Ele não é ruim, mas seu estilo fluido talvez ficasse muito melhor em uma história em preto e branco (e os personagens não são facilmente reconhecíveis, o que é um problema numa revista onde ninguém usa sem super-uniformes; quer dizer, este número é uma exceção, já que aparece em cena a Mulher-Gato, em uma ótima trama de “whodunnit?”).
Bom 7,5 / 10)

HULK & THING – HARD KNOCKS 4 (de 4)
Marvel
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee
Que completa perda de tempo. Esta minissérie é uma triste despedida de Bruce Jones de sua fase no Hulk e de seu retorno à Marvel. Ausência total de idéias, os diálogos mais idiotas e forçados do planeta; nem mesmo a arte do normalmente ótimo Jae Lee está boa aqui. Este encontrinho cheio de bate-bocas e briguinhas infantis entre Hulk e Coisa poderia ter rendido uma história divertida de oito páginas para coletâneas como a extinta Marvel Fanfare, mas alguém na Marvel estava doente quando deu sinal verde para que esta coisa fosse transformada em uma minissérie em quatro partes. Chato e pavoroso.
Uma Porcaria (3,5 / 10)

JLA 109
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney
O Sindicato do Crime deixa a Terra-2 e chega à nossa realidade, enquanto o planeta Qward passa por uma pequena revolução política e se prepara para voltar a ser o império colonialista de décadas atrás. A Liga aparece brevemente por duas páginas (o que já é um avanço, já que ela esteve sumida completamente da edição anterior). Busiek demonstra boas idéias aqui (como de praxe), mas há algo de errado no ritmo e abordagem desta história. E o que diabos aconteceu com o antes excelente Ron garney? Não está ruim, mas é uma mera amostra do que ele desenhava antes.
Tá, é Bacana (6 / 10)

THE PUNISHER 15
MAX
Texto: Garth Ennis
Arte: Dougie Braithwaite
A terceira parte do arco “Mother Russia” e Frank Castle e um delta force mané invadem uma base nuclear secreta na Rússia, para “salvar” uma menina que carrega um vírus mortal. Ennis acerta mais a mão nesta edição do que nas anteriores, com boas cenas de ação e tiroteios absurdamente exagerados. Braithwaite é um artista apenas correto e por vezes seu estilo soa um tanto repetitivo. Nada demais, mas um bom quadrinho de ação, despretensioso e ágil. Ainda assim, bem diferente da fase anterior de Ennis na revista, quando ele lançava mão do humor negro em altas doses.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

SHE-HULK 10
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Paul Pelletier
Um número atípico, onde Dan Slott conta a origem secreta de Titãnia, desde sua infância até a época de Secret Wars. Slott tem uma grande vantagem sobre outros escritores: ao invés de ignorar a cronologia passada destes personagens ou, num outro extremo, de ceder sob o peso de épocas anteriores, ele utiliza a continuidade a seu favor, tecendo histórias divertidas e inteligentes. Com certeza um dos melhores argumentistas atualmente escrevendo para a Marvel, ele tem feito um ótimo trabalho nesta série. pelletier, sempre competente, continua aqui com seu estilo normal, bastante semelhante ao de Alan Davis.
Bom (7,5 / 10)

Ainda tirando o atraso de fim-de-ano. Vamos lá:

ANGELTOWN 2 (de 5)
Vertigo
Texto: Gary Phillips
Arte: Shawn Martinbrough
A trama se complica ainda mais neste noir-Los-Angeles-Spike-Lee-GTA 3. O texto de Gary Phillips às vezes soa forçadamente “hip” e “street”, mas funciona. Os desenhos de Martinbrough são simples, mas captam bem o clima realista, ensolarado e exagerado da história, que nesta segunda edição começa a pegar fogo. Mas a narrativa às vezes soa desnecessariamente complicada, em um exemplo perfeito de história que funciona melhor quando lida de uma vez só, em TPB, do que em pílulas mensais.
Bom (7,5 / 10)

AQUAMAN 25
DC
Texto: John Arcudi
Arte: Patrick Gleason
John Arcudi toma as rédeas da nova fase deste título após um arco introdutório a cargo de John Ostrander. Aquaman precisa lidar com algo que nunca viu antes no fundo do mar: viciados em heroína. Isso acontece, claro, em Sub Diego, a antiga San Diego que agora está no fundo do mar, habitada por humanos que respiram debaixo d’água. A condição desgraçada destes humanos, que repentinamente se vêem em uma realidade totalmente diferente, é bem retratada por Arcudi, que é ótimo em caracterizações. Mas não sei se fazer de Aquaman um personagem com uma cidade fixa de atuação é algo tão legal assim.
Bom (7 / 10)

B.P.R.D. – THE DEAD 2 (de 4)
Dark Horse
Texto: Mike Mignola e John Arcudi
Arte: Guy Davis
Hellboy e as séries do grupo B.P.R.D. talvez sejam o que o quadrinho americano tem de mais parecido com um fumetti. Personagens fortes e tramas inteligentes, dentro de uma continuidade clara, mas não dependentes de uma cronologia limitadora. Mignola e Arcudi criam nesta nova mini um bom conto de horror, onde Abe Sapiens finalmente tem parte de seu passado revelado. Enquanto isso, na nova base do Colorado, Liz Sherman, Roger e Johann descobrem algo esquisitíssimo. Guy Davis está ótimo nesta série e o colorista Dave Stewart também merece uma menção.
Muito Bom (8,5 / 10)

DEMO 12 (de 12)
AiT/PlanetLar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan
A maxissérie em 12 partes Demo é concluída nesta edição, deixando em seu rastro uma trilha de altos e baixos. Grandes momentos se alternaram com outros não tão satisfatórios. Esta edição tem duas histórias. A primeira, com desenhos de Cloonan, a artista da série, é uma pequena pérola. Escrita por Wood através de estrofes, como a letra de uma música silenciosa, é uma espécie de nouvelle vague passada no Brooklyn. A história de back-up inverte os papéis: Cloonan escreve e Wood desenha. É bom ver o ótimo traço de Brian Wood mais uma vez, com toda sua poesia stencil-urbana.
Muito Bom (8,5 / 10)

GOTHAM CENTRAL 26
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Michael Lark
É a primeira edição sem a excelente arte de Michael Lark, que partiu para um contrato de exclusividade com a Marvel. Uma pena. O texto de Ed Brubaker continua afiado e de altíssima qualidade, tanto em termos de plot como de caracterização e diálogos. Brian Bendis, aliás, faria muito em prestar atenção aqui e aprender como se escreve histórias policiais. Mas o novo artista, Jason Alexander, deixa muito a desejar. Ele não é ruim, mas seu estilo fluido talvez ficasse muito melhor em uma história em preto e branco (e os personagens não são facilmente reconhecíveis, o que é um problema numa revista onde ninguém usa sem super-uniformes; quer dizer, este número é uma exceção, já que aparece em cena a Mulher-Gato, em uma ótima trama de “whodunnit?”).
Bom 7,5 / 10)

HULK & THING – HARD KNOCKS 4 (de 4)
Marvel
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee
Que completa perda de tempo. Esta minissérie é uma triste despedida de Bruce Jones de sua fase no Hulk e de seu retorno à Marvel. Ausência total de idéias, os diálogos mais idiotas e forçados do planeta; nem mesmo a arte do normalmente ótimo Jae Lee está boa aqui. Este encontrinho cheio de bate-bocas e briguinhas infantis entre Hulk e Coisa poderia ter rendido uma história divertida de oito páginas para coletâneas como a extinta Marvel Fanfare, mas alguém na Marvel estava doente quando deu sinal verde para que esta coisa fosse transformada em uma minissérie em quatro partes. Chato e pavoroso.
Uma Porcaria (3,5 / 10)

JLA 109
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney
O Sindicato do Crime deixa a Terra-2 e chega à nossa realidade, enquanto o planeta Qward passa por uma pequena revolução política e se prepara para voltar a ser o império colonialista de décadas atrás. A Liga aparece brevemente por duas páginas (o que já é um avanço, já que ela esteve sumida completamente da edição anterior). Busiek demonstra boas idéias aqui (como de praxe), mas há algo de errado no ritmo e abordagem desta história. E o que diabos aconteceu com o antes excelente Ron garney? Não está ruim, mas é uma mera amostra do que ele desenhava antes.
Tá, é Bacana (6 / 10)

THE PUNISHER 15
MAX
Texto: Garth Ennis
Arte: Dougie Braithwaite
A terceira parte do arco “Mother Russia” e Frank Castle e um delta force mané invadem uma base nuclear secreta na Rússia, para “salvar” uma menina que carrega um vírus mortal. Ennis acerta mais a mão nesta edição do que nas anteriores, com boas cenas de ação e tiroteios absurdamente exagerados. Braithwaite é um artista apenas correto e por vezes seu estilo soa um tanto repetitivo. Nada demais, mas um bom quadrinho de ação, despretensioso e ágil. Ainda assim, bem diferente da fase anterior de Ennis na revista, quando ele lançava mão do humor negro em altas doses.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

SHE-HULK 10
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Paul Pelletier
Um número atípico, onde Dan Slott conta a origem secreta de Titãnia, desde sua infância até a época de Secret Wars. Slott tem uma grande vantagem sobre outros escritores: ao invés de ignorar a cronologia passada destes personagens ou, num outro extremo, de ceder sob o peso de épocas anteriores, ele utiliza a continuidade a seu favor, tecendo histórias divertidas e inteligentes. Com certeza um dos melhores argumentistas atualmente escrevendo para a Marvel, ele tem feito um ótimo trabalho nesta série. pelletier, sempre competente, continua aqui com seu estilo normal, bastante semelhante ao de Alan Davis.
Bom (7,5 / 10)

Quadrinhos da Semana (01/12)

DETECTIVE COMICS 801
DC
Texto: David Lapham
Arte: Ramon Bachs
Lapham estréia em Detective Comics com uma história bastante padrão para o Batman. Basicamente, é o morcego andando por Gotham e resolvendo problemas de seus habitantes. Uma menina de 14 anos que morre de overdose, um playboy mimado que está traficando, um incêndio num cortiço, etc. Bons desenhos de Ramon Bachs, com ecos de Will Eisner, mais do que adequados a um conto urbano como este. A mão de Lapham às vezes é meio pesada nos recordatórios e ele consegue ser ainda mais “vigilantista” do que Frank Miller (que ele claramente está decalcando aqui), mas é um começo interessante. A história de backup, a cargo de Mike Carey e o péssimo desenhista John Lucas, me fez perder o interesse na segunda página. Mas é sobre um circo que se apresenta em uma cidade vizinha à Gotham. A história é centrada nos manés do circo, sem Batman ou outros personagens reconhecíveis.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DOC FRANKENSTEIN 1
Burlyman Entertainment
Texto: Larry e Andy Wachowsky
Arte: Steve Skroce
A revista que inaugura a nova editora de quadrinhos dos criadores de Matrix. Doc Frankenstein é um conto de realidade alternativa, explorando possibilidades pulps e diferentes linhas temporais, nos moldes da Liga Extraordinária de Alan Moore. Eu não sabia o que esperar desta edição, mas me surpreendi: é uma revista empolgante. O personagem-título é o próprio monstro criado por Mary Shelley, que deixa sua solidão no Ártico para buscar refúgio na América. De caçador de recompensas do velho oeste a herói involuntário, Doc Frankenstein é um personagem que já nesta primeira história oferece o mesmo frescor de Tom Strong e outras criações de Moore para a linha ABC. E não é exagero dizer que Steve Skrove faz aqui aquele que é, de longe, o melhor trabalho de sua carreira: a arte está simplesmente fenomenal. Na introdução da revista, os irmãos Wachowsky dizem que criaram um selo de quadrinhos por amarem esta forma de arte e por estarem de saco cheio com a atual tendência dos quadrinhos imitarem o que é mostrado na TV e no cinema. Como eles apontam (com toda razão), figuras como Jack Kirby eram geniais justamente por desenharem o impossível. Quadrinhos não dependem de verbas, não estão sujeitos a produtores intrometidos. Quadrinhos têm liberdade e possibilidade de mostrar o impossível. Me pareceu pretensão quando li, antes de ler a história, mas eles conseguiram: Doc Frankenstein esbanja sense of wonder e retrata o inexistente.
Excelente (9 / 10)

FALLEN ANGEL 18
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez
Esta edição seria a última da série, por isso Peter David nos oferece o que teria sido um final para parte da trama. Mas felizmente a DC resolveu dar mais um ano de chance para este excelente título e com isso a edição 19 estará nas lojas em fevereiro. E, putz, que final teria sido. Shadow Boxer finalmente conhece o seu terrível e patético destino, enquanto o Magistrado descobre a verdade sobre o filho de Lee. Quer dizer, não tão verdade assim, talvez… mas dizer mais seria estragar a graça de quem ler. David Lopez mais uma vez realiza um fantástico trabalho nos desenhos e esta edição confirma que Fallen Angel talvez seja a melhor coisa que Peter David já escreveu.
Muito Bom (8,5 / 10)

THE INTIMATES 2
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli
Intimates é bem divertido e Casy parece estar dando boas risadas escrevendo isso. Não é histriônico, mas é leve como um bom sitcom (se é que isso existe). Aliás, a idéia de Casey é justamente tornar esta revista o mais “reader-friendly” possível, apesar dela estar encharcada de conceitos tipicamente super-heroísticos. Imagine uma Legião dos Super-Heróis repleta de meta-comentários a la Bloomsbury ou Slashdot e você não estará muito longe do que é esta série. Esta segunda edição funcionou bem mais do que a de estréia, mas isso pode se dever em parte ao estranhamento causado pelo estilo adotado por Casey. Estranhamentos podem ser um grande sinal de qualidade inerente – e acho que é bem possível que seja este o caso de Intimates. Vamos esperar para ver como isso se desdobra, esteticamente falando. mas a experiência de Casey é válida e, num mercado covarde como o dos quadrinhos atuais, é saudável que alguém com o status de Casey esteja disposto a colocar o dele na reta em prol de possíveis inovações narrativas. Camuncoli está correto nos desenhos, mas o letrista precisa ser trocado urgentemente (é o Richard Starkings, que é um dos melhores; mas ele está muito mal aqui, com péssimas escolhas de cores que deixam algumas coisas completamente ilegíveis).
Bom (7,5 / 10)

THE NEW AVENGERS 1
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch
Alguém paga o Electro para provocar uma fuga em massa de supervilões da ilha Ryker, justamente quando a prisão está sendo visitada por Matt Murdock, seu guarda-costas Luke Cage e Jessica Drew. No meio da confusão, o Homem-Aranha e o Capitão América também resolvem investigar o que está acontecendo. Não acontece muita coisa, no estilo lerdeza do Bendis. Mas de qualquer forma é muito superior à total excrescência que foi Avengers Disassembled, com certeza porque aqui Bendis está lidando com os únicos personagens que sabe escrever: Demolidor, Aranha, Luke Cage e Jessica Drew. Uma história correta, apesar de alguns furos (Bendis lista entre os prováveis fugitivos da prisão vilões como o Homem-Púrpura e o retalho, que mal têm poderes e não dariam trabalho nenhum a qualquer grupo de heróis decentes). E, felizmente, apesar de ser apenas uma edição de setup, a premissa até que é interessante. O que estraga tudo é o fato de Bendis ter aniquilado os Vingadores para poder escrever este grupo com esta formação. Por que simplesmente não deixaram os Vingadores nas mãos de alguém melhor, batizaram esta revista de The Champions ou algo assim e pronto? O hype anterior só estragou tudo. Ah, e David Finch não esquece a Image.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE QUESTION 2 (de 6)
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards
Rick Veitch obtém bons resultados nas cenas em que Vic Sage, o Questão, tenta interpretar os sinais randômicos “enviados” pela cidade de Metrópolis, como um xamã urbano. A quadrilha de criminosos conhecida como Ghost Train também é uma boa sacação de Veitch, já que é um dos poucos modus operandi que fariam sentido numa cidade habitada pelo Superman (que, aliás, aparece rapidamente neste número). Junte a isso planos de Lex Luthor envolvendo Feng Shui e você tem uma história diferenciada ambientada no universo do Superman, com uma arte simplesmente genial de Tommy Lee Edwards, cheia de grafismos e toques abstratos.
Bom (7,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 3
Marvel
Texto: Robert Rodi
Arte: Jamie Tolagson
A primeira edição desta série foi passável, a segunda foi divertida graças às cenas de ação, mas desta vez tudo fica mais fraco. Os personagens são claramente unidimensionais, até mesmo para os padrões dos quadrinhos de super-heróis. O chefe “inseguro”, a samurai que se sacrifica, o mago caladão, etc. Você já viu esse filme antes milhares de vezes. Robert Rodi parece ter utilizado o tempo necessário para desenvolver os personagens com pesquisas sobre folclores vampirescos: aparecem aqui os vampiros do Himalaia, os vampiros japoneses, etc. Mas essas sequências soam didáticas e “Google” demais, enquanto as demais cenas (incluindo as de ação) são rasas. Os desenhos de Jamie Tolagson são confusos e feios. Mais um título cortado da lista de resenhas.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 29
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
A trama se complica: Yorick na verdade está com botulismo, não com a praga que exterminou todos os homens do planeta. Parece que finalmente, na edição seguinte, vamos descobrir porque Yorick sobreviveu à praga. Enquanto isso, sua irmã Hero encontra a agente 355 e três malucas em um estádio. Um encontro com consequências fatais. Ação, intriga, mistério, ótimos personagens e diálogos simplesmente sensacionais e plausíveis, nesta que só não é a melhor série da vertigo porque existe Human Target na frente dela.
Muito Bom (8,5 / 10)

“You’re the “bleeding man” around here?? Fine!! Then bleed!!!!”
(Shadow Boxer, em sua infância, em Fallen Angel 18)

DETECTIVE COMICS 801
DC
Texto: David Lapham
Arte: Ramon Bachs
Lapham estréia em Detective Comics com uma história bastante padrão para o Batman. Basicamente, é o morcego andando por Gotham e resolvendo problemas de seus habitantes. Uma menina de 14 anos que morre de overdose, um playboy mimado que está traficando, um incêndio num cortiço, etc. Bons desenhos de Ramon Bachs, com ecos de Will Eisner, mais do que adequados a um conto urbano como este. A mão de Lapham às vezes é meio pesada nos recordatórios e ele consegue ser ainda mais “vigilantista” do que Frank Miller (que ele claramente está decalcando aqui), mas é um começo interessante. A história de backup, a cargo de Mike Carey e o péssimo desenhista John Lucas, me fez perder o interesse na segunda página. Mas é sobre um circo que se apresenta em uma cidade vizinha à Gotham. A história é centrada nos manés do circo, sem Batman ou outros personagens reconhecíveis.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DOC FRANKENSTEIN 1
Burlyman Entertainment
Texto: Larry e Andy Wachowsky
Arte: Steve Skroce
A revista que inaugura a nova editora de quadrinhos dos criadores de Matrix. Doc Frankenstein é um conto de realidade alternativa, explorando possibilidades pulps e diferentes linhas temporais, nos moldes da Liga Extraordinária de Alan Moore. Eu não sabia o que esperar desta edição, mas me surpreendi: é uma revista empolgante. O personagem-título é o próprio monstro criado por Mary Shelley, que deixa sua solidão no Ártico para buscar refúgio na América. De caçador de recompensas do velho oeste a herói involuntário, Doc Frankenstein é um personagem que já nesta primeira história oferece o mesmo frescor de Tom Strong e outras criações de Moore para a linha ABC. E não é exagero dizer que Steve Skrove faz aqui aquele que é, de longe, o melhor trabalho de sua carreira: a arte está simplesmente fenomenal. Na introdução da revista, os irmãos Wachowsky dizem que criaram um selo de quadrinhos por amarem esta forma de arte e por estarem de saco cheio com a atual tendência dos quadrinhos imitarem o que é mostrado na TV e no cinema. Como eles apontam (com toda razão), figuras como Jack Kirby eram geniais justamente por desenharem o impossível. Quadrinhos não dependem de verbas, não estão sujeitos a produtores intrometidos. Quadrinhos têm liberdade e possibilidade de mostrar o impossível. Me pareceu pretensão quando li, antes de ler a história, mas eles conseguiram: Doc Frankenstein esbanja sense of wonder e retrata o inexistente.
Excelente (9 / 10)

FALLEN ANGEL 18
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez
Esta edição seria a última da série, por isso Peter David nos oferece o que teria sido um final para parte da trama. Mas felizmente a DC resolveu dar mais um ano de chance para este excelente título e com isso a edição 19 estará nas lojas em fevereiro. E, putz, que final teria sido. Shadow Boxer finalmente conhece o seu terrível e patético destino, enquanto o Magistrado descobre a verdade sobre o filho de Lee. Quer dizer, não tão verdade assim, talvez… mas dizer mais seria estragar a graça de quem ler. David Lopez mais uma vez realiza um fantástico trabalho nos desenhos e esta edição confirma que Fallen Angel talvez seja a melhor coisa que Peter David já escreveu.
Muito Bom (8,5 / 10)

THE INTIMATES 2
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli
Intimates é bem divertido e Casy parece estar dando boas risadas escrevendo isso. Não é histriônico, mas é leve como um bom sitcom (se é que isso existe). Aliás, a idéia de Casey é justamente tornar esta revista o mais “reader-friendly” possível, apesar dela estar encharcada de conceitos tipicamente super-heroísticos. Imagine uma Legião dos Super-Heróis repleta de meta-comentários a la Bloomsbury ou Slashdot e você não estará muito longe do que é esta série. Esta segunda edição funcionou bem mais do que a de estréia, mas isso pode se dever em parte ao estranhamento causado pelo estilo adotado por Casey. Estranhamentos podem ser um grande sinal de qualidade inerente – e acho que é bem possível que seja este o caso de Intimates. Vamos esperar para ver como isso se desdobra, esteticamente falando. mas a experiência de Casey é válida e, num mercado covarde como o dos quadrinhos atuais, é saudável que alguém com o status de Casey esteja disposto a colocar o dele na reta em prol de possíveis inovações narrativas. Camuncoli está correto nos desenhos, mas o letrista precisa ser trocado urgentemente (é o Richard Starkings, que é um dos melhores; mas ele está muito mal aqui, com péssimas escolhas de cores que deixam algumas coisas completamente ilegíveis).
Bom (7,5 / 10)

THE NEW AVENGERS 1
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch
Alguém paga o Electro para provocar uma fuga em massa de supervilões da ilha Ryker, justamente quando a prisão está sendo visitada por Matt Murdock, seu guarda-costas Luke Cage e Jessica Drew. No meio da confusão, o Homem-Aranha e o Capitão América também resolvem investigar o que está acontecendo. Não acontece muita coisa, no estilo lerdeza do Bendis. Mas de qualquer forma é muito superior à total excrescência que foi Avengers Disassembled, com certeza porque aqui Bendis está lidando com os únicos personagens que sabe escrever: Demolidor, Aranha, Luke Cage e Jessica Drew. Uma história correta, apesar de alguns furos (Bendis lista entre os prováveis fugitivos da prisão vilões como o Homem-Púrpura e o retalho, que mal têm poderes e não dariam trabalho nenhum a qualquer grupo de heróis decentes). E, felizmente, apesar de ser apenas uma edição de setup, a premissa até que é interessante. O que estraga tudo é o fato de Bendis ter aniquilado os Vingadores para poder escrever este grupo com esta formação. Por que simplesmente não deixaram os Vingadores nas mãos de alguém melhor, batizaram esta revista de The Champions ou algo assim e pronto? O hype anterior só estragou tudo. Ah, e David Finch não esquece a Image.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE QUESTION 2 (de 6)
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards
Rick Veitch obtém bons resultados nas cenas em que Vic Sage, o Questão, tenta interpretar os sinais randômicos “enviados” pela cidade de Metrópolis, como um xamã urbano. A quadrilha de criminosos conhecida como Ghost Train também é uma boa sacação de Veitch, já que é um dos poucos modus operandi que fariam sentido numa cidade habitada pelo Superman (que, aliás, aparece rapidamente neste número). Junte a isso planos de Lex Luthor envolvendo Feng Shui e você tem uma história diferenciada ambientada no universo do Superman, com uma arte simplesmente genial de Tommy Lee Edwards, cheia de grafismos e toques abstratos.
Bom (7,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 3
Marvel
Texto: Robert Rodi
Arte: Jamie Tolagson
A primeira edição desta série foi passável, a segunda foi divertida graças às cenas de ação, mas desta vez tudo fica mais fraco. Os personagens são claramente unidimensionais, até mesmo para os padrões dos quadrinhos de super-heróis. O chefe “inseguro”, a samurai que se sacrifica, o mago caladão, etc. Você já viu esse filme antes milhares de vezes. Robert Rodi parece ter utilizado o tempo necessário para desenvolver os personagens com pesquisas sobre folclores vampirescos: aparecem aqui os vampiros do Himalaia, os vampiros japoneses, etc. Mas essas sequências soam didáticas e “Google” demais, enquanto as demais cenas (incluindo as de ação) são rasas. Os desenhos de Jamie Tolagson são confusos e feios. Mais um título cortado da lista de resenhas.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 29
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
A trama se complica: Yorick na verdade está com botulismo, não com a praga que exterminou todos os homens do planeta. Parece que finalmente, na edição seguinte, vamos descobrir porque Yorick sobreviveu à praga. Enquanto isso, sua irmã Hero encontra a agente 355 e três malucas em um estádio. Um encontro com consequências fatais. Ação, intriga, mistério, ótimos personagens e diálogos simplesmente sensacionais e plausíveis, nesta que só não é a melhor série da vertigo porque existe Human Target na frente dela.
Muito Bom (8,5 / 10)

“You’re the “bleeding man” around here?? Fine!! Then bleed!!!!”
(Shadow Boxer, em sua infância, em Fallen Angel 18)

Quadrinhos da Semana (24/11)

Meio atrasado, vou correr para compensar isso. Vamos lá:

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 2
IDW
Segunda edição da antologia de contos de vampiros, dando continuidade às duas histórias.
Dead Billy Dead (Texto: Steve Niles; Arte: Kody Chamberlain) é um conto sobre o que aconteceria se um sujeito realmente virasse vampiro no mundo real. A ambientação e os diálogos de Steve Niles são realistas e bem escritos, mas a história avança de forma meio lenta para uma revista mensal (são poucas páginas por edição).
Juarez or Lex Nova And The 400 Dead Mexican Girls (texto: Matt Fraction; Arte: Ben Templesmith) mostra a verve de humor negro de Fraction, que tem diálogos hilários e um detetive com o genial tique nervoso de falar em voz alta o texto padrão de “narração em off de filmes noir”. Ainda conta com bons toques sobre a terrível realidade das adolescentes desaparecidas e assassinadas da cidade mexicana de Juarez. Os desenhos de Chamberlain e Templesmith seguem o estilo padrão da IDW: um mix de Sienkiewicz, Kyle Baker e Kent Williams
(Bom – 7 / 10)

ADAM STRANGE 3 (de 8)
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pascal Ferry
Diggle continua com sua sensacional minissérie, onde Adam Strange tenta descobrir se o planeta Rann foi realmente desintegrado pela explosão de uma supernova. Salvo da morte certa em um mar cósmico de radiação por uma nave imperial thanagariana, Strange é considerado culpado pelo extermínio de Rann, após um julgamento-farsa em uma corte de Thanagar (que com isso pretende mostrar que é capaz de tomar o lugar de vigilantes do cosmo, deixado vago após o fim da Tropa de Lanternas Verdes, comandada pelos guardiões de Oa). É a deixa para que Diggle, pela terceira vez consecutiva, termine a edição com um cliffhanger de tirar o fôlego. Pascal Ferry tem se mostrado nesta série um dos 10 melhores artistas do atual quadrinho americano, imprimindo à revista uma estética de quadrinho europeu e um impecável senso de design. As naves, roupas, máquinas e o próprio planeta Thanagar exalam pura perfeição de design. Um dos melhores quadrinhos do ano, fácil.
Excelente (9 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 514
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.
Termina aqui a saga Sins Past, em seu sexto capítulo (!!) e… Meu Deus do céu. Isso é TÃO ruim que desafia as descrições e palavras. Straczynski desce aqui ao nível dos piores argumentistas que já pisaram num quadrinho. O Homem-Aranha salva a filha de Gwen Stacy e Norman Osborn, com uma transfusão de sangue, porque “o sangue dele é especial e alterado geneticamente como o de Osborn”. Mary Jane Watson fica o tempo todo no hospital ao lado do Homem-Aranha e, diabos, ninguém se toca de que aquela mulher ao lado daquele super-herói desacordado num leito de hospital cercado por repórteres é uma famosa top model casada com um certo fotógrafo. O filho de Osborn e Gwen, por sua vez, vira uma espécie de versão acinzentada do Duende Verde (Duende Cinza?), luta com o Aranha no hospital, é baleado pela própria irmã (que foi salva pelo Aranha, ooh), cai do seu treco voador e perde a memória. E olha que eu nem falei dos diálogos ainda. Crom, os diálogos. Não, só com exemplos: Mary Jane observa o Aranha ser internado para fazer a transfusão de sangue e diz “Go get him, tiger”. mais? Que tal este, onde Peter pensa e explica para nós porque ele acha que o seu sangue vai funcionar na transfusão: “Porque uma vez eu perguntei a Gwen qual era o seu tipo sangüíneo, porque… Bem, porque você pensa nessas coisas quando está pensando em casar com alguém um dia”. Me poupe. Baixo nível de texto, idéias que conseguem ser tão ridículas quanto a Saga do Clone (e piores que qualquer coisa que o Howard Mackie escreveu para o Aranha) e nem mesmo o desenho do Deodato, que aqui tem recaídas Image em algumas páginas, salva essa revista de ganhar um belo zero. É tão horrendo, cafona, gratuito, repleto de clichês de séries de TV de quinta (como, err, Babylon 5) e totalmente implausível que conseguiu até mesmo me fazer perder o respeito pelo editor Axel Alonso, que editou coisas ótimas quando trabalhava na Vertigo e ainda não tinha o hábito de deixar seu cérebro em casa em prol de um contra-cheque mais gordo. Sim, é ruim nesse nível.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CHOLLY AND FLYTRAP 1 (de 4)
Image
Texto e arte: Arthur Suydam
Arthur Suydam é um dos grandes gênios do quadrinho americano e deixou sua marca nos anos 80, quando colaborou para revistas como Heavy Metal e Epic Illustrated. Foi no selo Epic que Suydam começou a série Cholly & Flytrap, sobre dois mercenários em um estranho e fantasioso mundo pós-apocalíptico. C & F é um verdadeiro clássico dos anos 80 e retorna nesta minissérie em quatro partes, com material inédito e recente pelo próprio Suydam. A boa notícia é que sempre é sensacional ver alguém como Suydam ter seu material publicado. A má notícia é que a leitura deste novo material da série revela que, infelizmente, Suydam estacionou na primeira metade dos anos 80. Seu estilo de desenho continua fantástico e único, uma mistura de Will Eisner, Richard Corben, quadrinhos da golden age e Yellow Submarine, com toques de Moebius (sim, é uma mistureba, meio realista, meio cartum – e é isso que faz a arte de Suydam funcionar). Mas é uma estética extremamente datada, que certamente será familiar para quem lia a Metal Hurlant ou a Heavy Metal original, dos primeiros anos da década de 80, algo em torno de 1982 ou 1983. Personagens mezzo-surrealistas mezzo-noir em um mundo pós-apocalíptico (existe algo mais oitentista que mundos pós-nucleares?) e vilões típicos de filmes de gangsters dos anos 40 e 50, com direito a sotaques “de bandido”. Cholly & Flytrap continuam sendo personagens cativantes e o estilo de Suydam certamente garante seu espaço entre os grandes dos quadrinhos – mas é certamente um produto do seu tempo. De qualquer forma, ainda vale pela inventividade, talento e total distinção em relação a qualquer coisa que é publicada hoje em dia. Se fosse uma republicação, eu levaria em conta a época de criação e daria uma nota maior; mas, como é material novo, fica mesmo na nota 7.
Bom (7 / 10)

BATMAN 634
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Paul Lee
Apesar dos créditos errados na capa, esta edição ainda é a última a cargo do time criativo de Gabrych e Lee. E é o epílogo (finalmente) de War Games, a saga que virou o mundo de Batman de pernas para o ar. Stephanie, que foi a nova Robin por poucos meses, está morta; Tim Drake (que volta ser o Robin) e a nova Batgirl, assim como Barbara Gordon (a Oráculo) e o Comissário Gordon, estão morando e agindo fora de Gotham. Batman está numa volta às raízes: procurado pela polícia e contando apenas com a ocasional ajuda de Alfred e Dick Grayson. Gabrych aproveita esta edição de despedida para mostrar a cena até agora não contada onde Batman conta a Drake sobre a morte de Stephanie, sua namorada. Aldfred e Dick também comentam sobre lembranças e consequências de War Games. Uma edição correta, que mostra que o novato Andersen Gabrych compreende Batman como personagem e poderia ter realizado uma melhor passagem como roteirista desta revista se não tivesse sido assolado por um crossover após o outro. O traço de Paul Lee é realista e lembra o estilo de Rodolfo Damaggio (que eu gosto bastante). Bom, ao menos War Games terminou e a nova situação de Batman em Gotham é mais interessante: sem seus inúmeros ajudantes uniformizados e sem contar com a polícia. Acho que o personagem funciona melhor dessa forma mais solitária e “não-oficial”. Vamos ver o que Judd Winick e Doug Mahnke nos reservam a partir da próxima edição.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

BLACK WIDOW 3 (de 4)
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran Parlov (layouts) e Bill Sienkiewicz (desenhos)
O autor de best-sellers Richard K. Morgan continua sua estréia nos quadrinhos com esta minissérie da Viúva Negra. Esqueça a Natasha Romanoff que foi líder dos Vingadores e namorou o Demolidor, aqui a Viúva está de volta ao estilo de histórias que a Marvel fazia com ela nos anos 70 e 80, em suas revistas em tamanho grande e em preto e branco: histórias de espionagem, sem super-heróis à vista. O texto de Morgan é interessante e os diálogos são fluidos e plausíveis. A trama é legal: envolve assassinos do antigo serviço secreto russo, morte em série de mulheres e uma indústria de cosméticos. Nada sensacional, mas uma história sólida e que ganha pitadas de road movie, já que a Viúva está sempre pra lá e pra cá pelas estradas americanas. Este número em especial merece uma nota acima dos dois anteriores, já que Morgan usa as ações de Natasha para abordar algumas questões envolvendo gênero e machismo, mas sem soar panfletário. A arte de Sienkiewicz se beneficia dos layouts previamente desenhados por Goran Parlov.
Bom (7 / 10)

DAREDEVIL 67
Marvel Knights
Texto: Brian Bendis
Arte: Alex Maleev
Continua a saga Golden Age, agora em sua segunda parte. Maleev continua utilizando três estilos diferentes: seu padrão normal nas cenas passadas no presente; um estilo mais simples em preto e branco para as cenas dos anos 40; e um estilo com pontilhados Roy Liechtenstein para as sequências da “década de 60” (na verdade, da época em que Murdock usava o uniforme amarelo; sei lá em que época isso se passa na cronologia Marvel atual). Bendis obtém boas tiradas com os diálogos, mas, como era de se esperar, ao longo da edição ele incorre em seus três erros primordiais: 1) Forçar o plot sobre os personagens, como peças quadradas em buracos redondos. De forma alguma Melvin Potter, o antigo Gladiador, aceitaria fazer o que ele faz nesta edição (ajudar um velho gangster a raptar, espancar e tentar matar Matt Murdock, o homem que o ajudou a se regenerar, como Demolidor e como advogado. 2) NADA acontece. Mais um número se passou e o final é exatamente o mesmo da edição anterior. Avanço de plot: zero. Nada. 3) pele fininha demais para críticas e tentativas de ser “esperto”. O diálogo da agente do FBI onde ele usa o termo “chaos magic” é forçado além do aceitável e uma tentativa infantil e francamente cretina de mostrar a língua para as críticas que ele recebeu pelo seu recente e horrendo Avengers Disassembled, cheio de furos, partes mal escritas e péssima caracterização (na série, Bendis mostra o Dr. Estranho dizendo que a magia do caos não existe; bem, Warren Ellis, em sua fase na revista do Estranho, disse exatamente que ele usava magia do caos. Isso rendeu críticas pela Internet e nas revistas especializadas). Ao invés de ficar quieto, Bendis resolve usar outra revista para sacanear quem – supostamente – o sacaneou: os leitores. E nem me peçam para começar a falar sobre os diálogos entre parênteses. Quem é que fala frases entre parênteses em voz alta?!? De escritor que eu achava bastante razoável, Bendis se revelou mais tarde um sujeito capaz de realizar apens um truque e contar apenas uma história (respectivamente, o diálogo vacilante e chato que tenta ser “realista” e o noir mal feito). Finalmente, agora, graças a esta edição e a Avengers e ao seu comportamento arrogante e debochado frente a uma enxurrada de críticas mais do que justas, ele ganha um novo status: de escritor que eu realmente não suporto. Saco, mais um ano pela frente deste mané escrevendo Daredevil ainda. No total, serão quatro anos ou algo assim da mesma história chata e auto-consciente de suas falsas qualidades “hip”. Nada leva a lugar nenhum. Se sustenta em pouquíssimos momentos de bons diálogos e graças à arte de Alex Maleev (que já me enjoou, mas é competente).
Só Para Fãs (4,5 / 10)

FLASH 216
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter
Geoff Johns é um escritor bastante decente e é uma pena que justamente a revista do Flash esteja ligada à horrenda idéia que é a saga Identity Crisis. Nesta edição, Wally West consegue realizar um desejo póstumo de Barry Allen: encontrar o vilão conhecido como o Peão e, com a ajuda de Zatanna, devolver-lhe a mente e a personalidade originais (que haviam sido eliminadas pela lobotomia de vilões promovida pela Liga da Justiça – putz, só esta frase já soa incrivelmente errada). Acontece que, uma vez com sua mente restaurada, o Peão diz que, enquanto agiu como “herói”, ele “obedeceu ao evidente desejo de Barry Allen” e também realizou lobotomias em toda a Galeria de Vilões do Flash. Isso leva, evidentemente, à patética e entediante noção de que Onda Térmica e Flautista, que se regeneraram, na verdade estão apenas sob o efeito de uma lavagem cerebral. Isso é especialmente ridículo no caso do Flautista, personagem que teve sua personalidade cuidadosamente construída ao longo dos anos por Mike Baron, William Messner-Loebs e Mark Waid (e é um dos poucos personagens gays da Marvel/DC). E o mais irônico e patético é que, nesta tentativa de soar “realista”, “adulta” ou o que quer que seja, Identity Crisis só consegue ser mais binária e simplista do que os conceitos da Era de Prata. Afinal, ao que parece, ser “herói” ou “vilão”, fazer o bem ou o mal, está a apenas uma boa lobotomia de distância. Identity Crisis certamente vai ter consequências que vão deixar não só o Flash, mas toda a Liga da Justiça e o universo DC como um todo incrivelmente chato. Péssima idéia desde o início. Ah, pra piorar tudo, Howard Porter está aos poucos voltando a usar seu estilo original – que é feiaço.
Que Meleca, Hein? (2 / 10)

GREEN LANTERN – REBIRTH 2
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver
A Liga da Justiça resolve encarar Hal Jordan (agora, o Espectro), mas parece que ele não foi o responsável pelas estranhas ações da edição anterior. Guy Gardner (agora novamente com um anel esmeralda) e John Stewart parecem repentinamente possuídos e atacam a Liga da Justiça. Enquanto isso, um igualmente estranho Kilowog tenta matar Kyle Rayner e roubar o corpo de Hal Jordan que (descobrimos nesta edição) está sendo protegido por Ganthet. O que me incomoda nesta saga (e me incomodava em coisas como Zero Hora) é que ela existe somente para “consertar” a cronologia e desfazer antigas ações estúpidas. Ainda não está claro o que Johns pretende (quer dizer, além de obviamente reposicionar Hal Jordan como o Lanterna Verde da Terra), mas o que ele vai fazer com Gardner, Stewart e Kyle é uma incógnita. Porém, tudo indica que a causa da loucura e subsequente transformação de Hal Jordan em um serial killer, dos atos estranhos de John Stewart (que exterminou acidentalmente um planeta em Odisséia Cósmica, lááá nos anos 80, lembram?) e da maluquice absurda de Gardner na época em que ele era um Lanterna (na Liga da Justiça de Keith Giffen) é a impureza do anel dos Lanternas Verdes. Pelo que vi e ficou subentendido nesta edição, a tal impureza, além de deixar o anel vulnerável à cor amarela, aos poucos transforma seus usuários em malucos completos. E mais: a tal impureza tem nome: Parallax. Sim, Parallax na verdade seria a impureza do anel, o que nos faz crer que Jordan esteve “possuído” esse tempo todo. É o que tudo indica. Vamos aguardar a próxima edição pra ver. Poderia ser péssima essa mini, mas Geoff Johns é bom em caracterizações e aqui está ao menos se esforçando para transformar esta idéia em algo razoável. A arte de Van Sciver é muito boa, talvez o melhor que ele – um desenhista claramente menor – já tenha feito até agora.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

HELLBLAZER 202
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco
Algumas figuras proeminentes do círculo de ocultismo de Londres estão sendo atacadas – e tudo indica que Constantine é o alvo. Infelizmente, o próprio Constantine percebe isso tarde demais. Mike Carey, em algumas cenas, utiliza conceitos e ações que talvez sejam exageradas demais para esta revista, que sempre foi mais realista do que algumas outras coisas da Vertigo. Na verdade, em alguns momentos você parece estar lendo algo que se encaixaria melhor em Sandman ou Lucifer (ou em algum quadrinho de super-heróis, por incrível que pareça). Mas Carey é um bom escritor e consegue segurar nossa suspensão da descrença por boa parte do tempo. Ainda assim, espro que ele baixe a bola dos tons fantásticos nas edições seguintes. O misticismo em Constantine é mais sutil do que ele mostra aqui. Leonardo Manco, por outro lado, está irrepreensível. Seu Constantine é perfeito e desde já um dos meus favoritos; as cenas, os detalhes, a ambientação e a narrativa de Manco também são excelentes. Ótima escolha para a série.
Bom (7 / 10)

MARVEL TEAM-UP 2
Marvel
texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Homem-Aranha e Wolverine fazem um team-up, concluindo a história que começou na primeira edição desta série. Eu queria muito gostar desta revista, mas Robert Kirkman não está ajudando muito. Queria muito gostar pelo seguinte motivo: um título como Marvel Team-Up tem tudo para ser o antídoto perfeito à chatice realista que tem assolado a maior parte dos títulos de super-heróis. E alguns bons elementos clássicos estão presentes: a aparição de Nova em apenas uma página; a volta do Doutor Destino de uma outra dimensão, em outra página (referência a uma história recente do Quarteto Fantástico); a participação especial da SHIELD em outra página; e a aparição de um vilão maior por trás de tudo no final da história, um certo Titannus. Enfim, elementos que caracterizam a fase clássica da Marvel, nos anos 60 e 70. É engraçado, mas pela primeira vez em vários anos eu tive a sensação de “estar lendo uma história passada no universo Marvel”. Adicione-se a isso tudo a alta qualidade da arte de Scott Kolins e você tem em mãos um título vencedor, certo? Errado. Infelizmente. E são alguns tiques bobos de Kirkman que estragam tudo aqui. Assim como acontece no superestimado Invincible (que até parei de ler e resenhar por achar bem chato), Kirkman confunde “era de prata” com bobeira em excesso. Confunde “ingenuidade” com “implausibilidade”. Ele está tão empenhado em deixar a história leve que ela não fica apenas leve: fica totalmente irreal. Parece que nada está acontecendo “de verdade”. E as piadas típícas de fanboy da Internet não ajudam: “É isso que sobrou após o fim dos Vingadores? Thor deve estar rolando na tumba” (o vilão, sacaneando Aranha e Logan); “Ciclope e seus malditos uniformes” (Wolverine, irritado por ter de andar por Nova York ridiculamente vestido de amarelo e azul); “Por que nós heróis temos sempre de lutar quando nos encontramos?”. “Não sei dizer”. (diálogo entre Aranha e Logan, assim que se encontram nesta edição). “Você é tão esperto, não me admira que esteja em vários supergrupos” (Aranha zoando Logan). Enfim, o número de piscadas de olho para o leitor por página é muito grande e chega uma hora que irrita. Kirkman quer bancar o esperto e só consegue com isso deixar o plot ainda mais implausível. Dá vontade de falar para ele “cale a boca, seu babaca, e me conte uma história”. Ele não faz isso. Resultado: chegamos ao fim desta edição sem saber afinal quais eram os poderes do vilão, que nunca foram explicados. Mas os pontos altos (a integração maior entre os diversos elementos do universo Marvel, a arte de Kolins e o tom mais divertido, ao invés de sombrio, dark e recalcado como coisas como o atual Demolidor e Identity Crisis) fazem valer a torcida. Vamos ver se Kirkman consegue um equilíbrio melhor nisso tudo na próxima edição, onde o team-up é entre Dr. Estranho e Quarteto Fantástico (felizmente o Aranha não é o astro principal desta série, ao contrário da versão original dos anos 70). É só ele se concentrar na história e parar de tentar provar o que quer que seja.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MYSTIQUE 21
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia
Mystique continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel e é uma pena o que foi anunciado, que será cancelado na edição 24. Bom, melhor ir embora no auge e com um final decente do que se arrastar na lama por anos a fio, como a maioria das séries. Nesta edição Mística é obrigada a fazer um trabalho para Fantomex, para que ele concorde em não denunciá-la a Charles Xavier (que ela quer matar). Para isso, ela deve ir até as Ilhas Virgens, invadir a mansão de um milionário e roubar uma determinada peça para Fantomex. Toda a sequência do roubo é sensacional, com surpresas hilárias (incluindo o próprio objeto a ser roubado, que é simplesmente genial e hilário). Enquanto isso, o diminuto telepata Shortpack continua aprisionado pelo Quiet Man, o mesmo homem para quem Mística pensa estar trabalhando. O final desse arco é imprevisível, mas certamente Mística vai matar alguém de raiva. A arte de Garcia é fluida e competente, com uma boa narrativa.
Muito Bom (8,5 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 2
Marvel
Texto: Fabian Nicieza (com consultoria de Kurt Busiek)
Arte: Tom Grummett
Os Thunderbolts enfrentam a Gangue da Demolição e ganham um novo integrante: o velocista conhecido como Speed Demon, que também pretende se regenerar. Logo depois, eles são obrigados a enfrentar os manés da quadrilha do Games Master, que ataca o prédio das Nações Unidas, onde estão Namor e o Senhor Fantástico. Com isso, o grupo ganha mais um novo membro, a mercenária conhecida como Joystick, que agora precisa de proteção por ter traído Games Master. Talvez o título mais tradicional publicado pela Marvel atualmente, mas uma boa diversão. Apesar das injustas críticas que recebe, não acho que Fabian Nicieza seja um argumentista tão ruim assim; pelo contrário. Sólida diversão nos moldes da Marvel clássica, com excelente caracterização (o que é mais do que se pode dizer de muitos roteiristas de suposta “primeira linha” que estão por aí). E tem plots e tramas paralelas (como as que envolvem o Barão Strucker e o Homem-Púrpura), ao contrário dos plots de figuras como Bendis, por exemplo, que são lineares e contam apenas uma história de cada vez (deve ser medo dele se perder, coitado). A arte de Tom Grummett é correta.
Bom (7,5 / 10)

THE LOSERS 18
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock
A penúltima parte da invasão dos Losers a uma fortaleza da al-Qaeda no meio do nada. A história se passa em 1998 e revela mais sujeiras da CIA que fizeram os Losers deixar a agência e se rebelar contra o governo americano, passando a se dedicar a detonar os planos da CIA. Diggle tem se revelado, aqui e em Adam Strange, um mestre das cenas de ação e esta edição é de tirar o fôlego, tanto em termos de ação como de revelações bizarras. A arte de Jock, como sempre, é de primeira grandeza, com grandes qualidades narrativas e sensacional senso de design. A melhor coisa da Vertigo atual, ao lado de Human Target.
Muito Bom (8,5 / 10)

FRANK IRONWINE 1
Apparat/Avatar
Texto: Warren Ellis
Arte: Carla Speed McNeil
Frank Ironwine é a primeira de uma série de quatro histórias fechadas escritas por Warren Ellis para seu selo imaginário, o Apparat. Cada edição é o primeiro número “fictício” de uma série que jamais vai continuar a ser publicada, em uma tentativa de Ellis de imaginar como seriam os gêneros policial, ficção científica, horror, etc, nos quadrinhos se o meio nunca tivesse passado pelos super-heróis. Ou seja, se os elementos dos pulps originais tivessem migrado diretamente para os comics, sem precisar ser destilados por roupas colantes circenses e super-poderes. Frank Ironwine, o detetive que bebe até cair e acorda literalmente dentro de uma lata de lixo, é um investigador à moda antiga, pré-CSI e manias forenses: ele investiga as pessoas, não só as pegadas; as cidades, não apenas os rastros. Liga as vítimas, suspeitos e paisagens em um todo psicológico, à moda de Sherlock Holmes e Columbo. A edição é curta, mas esta seria uma grande série se fosse realmente levada a cabo. Ironwine é um personagem fascinante, embora às vezes tenha uma recaída que o enquadra no “personagem-Ellis-resmungão-e-tough-guy” padrão. Carla Speed McNeil, a autora da série Finder e que também já passou por Queen & Country, tem um estilo que se alinha diretamente à sensibilidade do quadrinho underground, mais solto e expressionista do que realista propriamente dito. McNeil é genial e seu traço funciona à perfeição nesse tipo de história. Ironwine é um começo promissor desta falsa linha de quadrinhos do falso selo Apparat. Não chega a fazer desejar que os quadrinhos tivessem tomado este rumo, como talvez tenha sido a idéia de Ellis. Mas quase faz isso, o que é um tento e tanto.
Muito Bom (8 / 10)

“We’re reading traces of fossil fuel particules in the lungs… Looks like a primitive”.
(Um thanagariano após analisar os traços do organismo de Adam Strange, em Adam Strange 3).

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

Meio atrasado, vou correr para compensar isso. Vamos lá:

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 2
IDW
Segunda edição da antologia de contos de vampiros, dando continuidade às duas histórias.
Dead Billy Dead (Texto: Steve Niles; Arte: Kody Chamberlain) é um conto sobre o que aconteceria se um sujeito realmente virasse vampiro no mundo real. A ambientação e os diálogos de Steve Niles são realistas e bem escritos, mas a história avança de forma meio lenta para uma revista mensal (são poucas páginas por edição).
Juarez or Lex Nova And The 400 Dead Mexican Girls (texto: Matt Fraction; Arte: Ben Templesmith) mostra a verve de humor negro de Fraction, que tem diálogos hilários e um detetive com o genial tique nervoso de falar em voz alta o texto padrão de “narração em off de filmes noir”. Ainda conta com bons toques sobre a terrível realidade das adolescentes desaparecidas e assassinadas da cidade mexicana de Juarez. Os desenhos de Chamberlain e Templesmith seguem o estilo padrão da IDW: um mix de Sienkiewicz, Kyle Baker e Kent Williams
(Bom – 7 / 10)

ADAM STRANGE 3 (de 8)
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pascal Ferry
Diggle continua com sua sensacional minissérie, onde Adam Strange tenta descobrir se o planeta Rann foi realmente desintegrado pela explosão de uma supernova. Salvo da morte certa em um mar cósmico de radiação por uma nave imperial thanagariana, Strange é considerado culpado pelo extermínio de Rann, após um julgamento-farsa em uma corte de Thanagar (que com isso pretende mostrar que é capaz de tomar o lugar de vigilantes do cosmo, deixado vago após o fim da Tropa de Lanternas Verdes, comandada pelos guardiões de Oa). É a deixa para que Diggle, pela terceira vez consecutiva, termine a edição com um cliffhanger de tirar o fôlego. Pascal Ferry tem se mostrado nesta série um dos 10 melhores artistas do atual quadrinho americano, imprimindo à revista uma estética de quadrinho europeu e um impecável senso de design. As naves, roupas, máquinas e o próprio planeta Thanagar exalam pura perfeição de design. Um dos melhores quadrinhos do ano, fácil.
Excelente (9 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 514
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.
Termina aqui a saga Sins Past, em seu sexto capítulo (!!) e… Meu Deus do céu. Isso é TÃO ruim que desafia as descrições e palavras. Straczynski desce aqui ao nível dos piores argumentistas que já pisaram num quadrinho. O Homem-Aranha salva a filha de Gwen Stacy e Norman Osborn, com uma transfusão de sangue, porque “o sangue dele é especial e alterado geneticamente como o de Osborn”. Mary Jane Watson fica o tempo todo no hospital ao lado do Homem-Aranha e, diabos, ninguém se toca de que aquela mulher ao lado daquele super-herói desacordado num leito de hospital cercado por repórteres é uma famosa top model casada com um certo fotógrafo. O filho de Osborn e Gwen, por sua vez, vira uma espécie de versão acinzentada do Duende Verde (Duende Cinza?), luta com o Aranha no hospital, é baleado pela própria irmã (que foi salva pelo Aranha, ooh), cai do seu treco voador e perde a memória. E olha que eu nem falei dos diálogos ainda. Crom, os diálogos. Não, só com exemplos: Mary Jane observa o Aranha ser internado para fazer a transfusão de sangue e diz “Go get him, tiger”. mais? Que tal este, onde Peter pensa e explica para nós porque ele acha que o seu sangue vai funcionar na transfusão: “Porque uma vez eu perguntei a Gwen qual era o seu tipo sangüíneo, porque… Bem, porque você pensa nessas coisas quando está pensando em casar com alguém um dia”. Me poupe. Baixo nível de texto, idéias que conseguem ser tão ridículas quanto a Saga do Clone (e piores que qualquer coisa que o Howard Mackie escreveu para o Aranha) e nem mesmo o desenho do Deodato, que aqui tem recaídas Image em algumas páginas, salva essa revista de ganhar um belo zero. É tão horrendo, cafona, gratuito, repleto de clichês de séries de TV de quinta (como, err, Babylon 5) e totalmente implausível que conseguiu até mesmo me fazer perder o respeito pelo editor Axel Alonso, que editou coisas ótimas quando trabalhava na Vertigo e ainda não tinha o hábito de deixar seu cérebro em casa em prol de um contra-cheque mais gordo. Sim, é ruim nesse nível.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CHOLLY AND FLYTRAP 1 (de 4)
Image
Texto e arte: Arthur Suydam
Arthur Suydam é um dos grandes gênios do quadrinho americano e deixou sua marca nos anos 80, quando colaborou para revistas como Heavy Metal e Epic Illustrated. Foi no selo Epic que Suydam começou a série Cholly & Flytrap, sobre dois mercenários em um estranho e fantasioso mundo pós-apocalíptico. C & F é um verdadeiro clássico dos anos 80 e retorna nesta minissérie em quatro partes, com material inédito e recente pelo próprio Suydam. A boa notícia é que sempre é sensacional ver alguém como Suydam ter seu material publicado. A má notícia é que a leitura deste novo material da série revela que, infelizmente, Suydam estacionou na primeira metade dos anos 80. Seu estilo de desenho continua fantástico e único, uma mistura de Will Eisner, Richard Corben, quadrinhos da golden age e Yellow Submarine, com toques de Moebius (sim, é uma mistureba, meio realista, meio cartum – e é isso que faz a arte de Suydam funcionar). Mas é uma estética extremamente datada, que certamente será familiar para quem lia a Metal Hurlant ou a Heavy Metal original, dos primeiros anos da década de 80, algo em torno de 1982 ou 1983. Personagens mezzo-surrealistas mezzo-noir em um mundo pós-apocalíptico (existe algo mais oitentista que mundos pós-nucleares?) e vilões típicos de filmes de gangsters dos anos 40 e 50, com direito a sotaques “de bandido”. Cholly & Flytrap continuam sendo personagens cativantes e o estilo de Suydam certamente garante seu espaço entre os grandes dos quadrinhos – mas é certamente um produto do seu tempo. De qualquer forma, ainda vale pela inventividade, talento e total distinção em relação a qualquer coisa que é publicada hoje em dia. Se fosse uma republicação, eu levaria em conta a época de criação e daria uma nota maior; mas, como é material novo, fica mesmo na nota 7.
Bom (7 / 10)

BATMAN 634
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Paul Lee
Apesar dos créditos errados na capa, esta edição ainda é a última a cargo do time criativo de Gabrych e Lee. E é o epílogo (finalmente) de War Games, a saga que virou o mundo de Batman de pernas para o ar. Stephanie, que foi a nova Robin por poucos meses, está morta; Tim Drake (que volta ser o Robin) e a nova Batgirl, assim como Barbara Gordon (a Oráculo) e o Comissário Gordon, estão morando e agindo fora de Gotham. Batman está numa volta às raízes: procurado pela polícia e contando apenas com a ocasional ajuda de Alfred e Dick Grayson. Gabrych aproveita esta edição de despedida para mostrar a cena até agora não contada onde Batman conta a Drake sobre a morte de Stephanie, sua namorada. Aldfred e Dick também comentam sobre lembranças e consequências de War Games. Uma edição correta, que mostra que o novato Andersen Gabrych compreende Batman como personagem e poderia ter realizado uma melhor passagem como roteirista desta revista se não tivesse sido assolado por um crossover após o outro. O traço de Paul Lee é realista e lembra o estilo de Rodolfo Damaggio (que eu gosto bastante). Bom, ao menos War Games terminou e a nova situação de Batman em Gotham é mais interessante: sem seus inúmeros ajudantes uniformizados e sem contar com a polícia. Acho que o personagem funciona melhor dessa forma mais solitária e “não-oficial”. Vamos ver o que Judd Winick e Doug Mahnke nos reservam a partir da próxima edição.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

BLACK WIDOW 3 (de 4)
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran Parlov (layouts) e Bill Sienkiewicz (desenhos)
O autor de best-sellers Richard K. Morgan continua sua estréia nos quadrinhos com esta minissérie da Viúva Negra. Esqueça a Natasha Romanoff que foi líder dos Vingadores e namorou o Demolidor, aqui a Viúva está de volta ao estilo de histórias que a Marvel fazia com ela nos anos 70 e 80, em suas revistas em tamanho grande e em preto e branco: histórias de espionagem, sem super-heróis à vista. O texto de Morgan é interessante e os diálogos são fluidos e plausíveis. A trama é legal: envolve assassinos do antigo serviço secreto russo, morte em série de mulheres e uma indústria de cosméticos. Nada sensacional, mas uma história sólida e que ganha pitadas de road movie, já que a Viúva está sempre pra lá e pra cá pelas estradas americanas. Este número em especial merece uma nota acima dos dois anteriores, já que Morgan usa as ações de Natasha para abordar algumas questões envolvendo gênero e machismo, mas sem soar panfletário. A arte de Sienkiewicz se beneficia dos layouts previamente desenhados por Goran Parlov.
Bom (7 / 10)

DAREDEVIL 67
Marvel Knights
Texto: Brian Bendis
Arte: Alex Maleev
Continua a saga Golden Age, agora em sua segunda parte. Maleev continua utilizando três estilos diferentes: seu padrão normal nas cenas passadas no presente; um estilo mais simples em preto e branco para as cenas dos anos 40; e um estilo com pontilhados Roy Liechtenstein para as sequências da “década de 60” (na verdade, da época em que Murdock usava o uniforme amarelo; sei lá em que época isso se passa na cronologia Marvel atual). Bendis obtém boas tiradas com os diálogos, mas, como era de se esperar, ao longo da edição ele incorre em seus três erros primordiais: 1) Forçar o plot sobre os personagens, como peças quadradas em buracos redondos. De forma alguma Melvin Potter, o antigo Gladiador, aceitaria fazer o que ele faz nesta edição (ajudar um velho gangster a raptar, espancar e tentar matar Matt Murdock, o homem que o ajudou a se regenerar, como Demolidor e como advogado. 2) NADA acontece. Mais um número se passou e o final é exatamente o mesmo da edição anterior. Avanço de plot: zero. Nada. 3) pele fininha demais para críticas e tentativas de ser “esperto”. O diálogo da agente do FBI onde ele usa o termo “chaos magic” é forçado além do aceitável e uma tentativa infantil e francamente cretina de mostrar a língua para as críticas que ele recebeu pelo seu recente e horrendo Avengers Disassembled, cheio de furos, partes mal escritas e péssima caracterização (na série, Bendis mostra o Dr. Estranho dizendo que a magia do caos não existe; bem, Warren Ellis, em sua fase na revista do Estranho, disse exatamente que ele usava magia do caos. Isso rendeu críticas pela Internet e nas revistas especializadas). Ao invés de ficar quieto, Bendis resolve usar outra revista para sacanear quem – supostamente – o sacaneou: os leitores. E nem me peçam para começar a falar sobre os diálogos entre parênteses. Quem é que fala frases entre parênteses em voz alta?!? De escritor que eu achava bastante razoável, Bendis se revelou mais tarde um sujeito capaz de realizar apens um truque e contar apenas uma história (respectivamente, o diálogo vacilante e chato que tenta ser “realista” e o noir mal feito). Finalmente, agora, graças a esta edição e a Avengers e ao seu comportamento arrogante e debochado frente a uma enxurrada de críticas mais do que justas, ele ganha um novo status: de escritor que eu realmente não suporto. Saco, mais um ano pela frente deste mané escrevendo Daredevil ainda. No total, serão quatro anos ou algo assim da mesma história chata e auto-consciente de suas falsas qualidades “hip”. Nada leva a lugar nenhum. Se sustenta em pouquíssimos momentos de bons diálogos e graças à arte de Alex Maleev (que já me enjoou, mas é competente).
Só Para Fãs (4,5 / 10)

FLASH 216
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter
Geoff Johns é um escritor bastante decente e é uma pena que justamente a revista do Flash esteja ligada à horrenda idéia que é a saga Identity Crisis. Nesta edição, Wally West consegue realizar um desejo póstumo de Barry Allen: encontrar o vilão conhecido como o Peão e, com a ajuda de Zatanna, devolver-lhe a mente e a personalidade originais (que haviam sido eliminadas pela lobotomia de vilões promovida pela Liga da Justiça – putz, só esta frase já soa incrivelmente errada). Acontece que, uma vez com sua mente restaurada, o Peão diz que, enquanto agiu como “herói”, ele “obedeceu ao evidente desejo de Barry Allen” e também realizou lobotomias em toda a Galeria de Vilões do Flash. Isso leva, evidentemente, à patética e entediante noção de que Onda Térmica e Flautista, que se regeneraram, na verdade estão apenas sob o efeito de uma lavagem cerebral. Isso é especialmente ridículo no caso do Flautista, personagem que teve sua personalidade cuidadosamente construída ao longo dos anos por Mike Baron, William Messner-Loebs e Mark Waid (e é um dos poucos personagens gays da Marvel/DC). E o mais irônico e patético é que, nesta tentativa de soar “realista”, “adulta” ou o que quer que seja, Identity Crisis só consegue ser mais binária e simplista do que os conceitos da Era de Prata. Afinal, ao que parece, ser “herói” ou “vilão”, fazer o bem ou o mal, está a apenas uma boa lobotomia de distância. Identity Crisis certamente vai ter consequências que vão deixar não só o Flash, mas toda a Liga da Justiça e o universo DC como um todo incrivelmente chato. Péssima idéia desde o início. Ah, pra piorar tudo, Howard Porter está aos poucos voltando a usar seu estilo original – que é feiaço.
Que Meleca, Hein? (2 / 10)

GREEN LANTERN – REBIRTH 2
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver
A Liga da Justiça resolve encarar Hal Jordan (agora, o Espectro), mas parece que ele não foi o responsável pelas estranhas ações da edição anterior. Guy Gardner (agora novamente com um anel esmeralda) e John Stewart parecem repentinamente possuídos e atacam a Liga da Justiça. Enquanto isso, um igualmente estranho Kilowog tenta matar Kyle Rayner e roubar o corpo de Hal Jordan que (descobrimos nesta edição) está sendo protegido por Ganthet. O que me incomoda nesta saga (e me incomodava em coisas como Zero Hora) é que ela existe somente para “consertar” a cronologia e desfazer antigas ações estúpidas. Ainda não está claro o que Johns pretende (quer dizer, além de obviamente reposicionar Hal Jordan como o Lanterna Verde da Terra), mas o que ele vai fazer com Gardner, Stewart e Kyle é uma incógnita. Porém, tudo indica que a causa da loucura e subsequente transformação de Hal Jordan em um serial killer, dos atos estranhos de John Stewart (que exterminou acidentalmente um planeta em Odisséia Cósmica, lááá nos anos 80, lembram?) e da maluquice absurda de Gardner na época em que ele era um Lanterna (na Liga da Justiça de Keith Giffen) é a impureza do anel dos Lanternas Verdes. Pelo que vi e ficou subentendido nesta edição, a tal impureza, além de deixar o anel vulnerável à cor amarela, aos poucos transforma seus usuários em malucos completos. E mais: a tal impureza tem nome: Parallax. Sim, Parallax na verdade seria a impureza do anel, o que nos faz crer que Jordan esteve “possuído” esse tempo todo. É o que tudo indica. Vamos aguardar a próxima edição pra ver. Poderia ser péssima essa mini, mas Geoff Johns é bom em caracterizações e aqui está ao menos se esforçando para transformar esta idéia em algo razoável. A arte de Van Sciver é muito boa, talvez o melhor que ele – um desenhista claramente menor – já tenha feito até agora.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

HELLBLAZER 202
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco
Algumas figuras proeminentes do círculo de ocultismo de Londres estão sendo atacadas – e tudo indica que Constantine é o alvo. Infelizmente, o próprio Constantine percebe isso tarde demais. Mike Carey, em algumas cenas, utiliza conceitos e ações que talvez sejam exageradas demais para esta revista, que sempre foi mais realista do que algumas outras coisas da Vertigo. Na verdade, em alguns momentos você parece estar lendo algo que se encaixaria melhor em Sandman ou Lucifer (ou em algum quadrinho de super-heróis, por incrível que pareça). Mas Carey é um bom escritor e consegue segurar nossa suspensão da descrença por boa parte do tempo. Ainda assim, espro que ele baixe a bola dos tons fantásticos nas edições seguintes. O misticismo em Constantine é mais sutil do que ele mostra aqui. Leonardo Manco, por outro lado, está irrepreensível. Seu Constantine é perfeito e desde já um dos meus favoritos; as cenas, os detalhes, a ambientação e a narrativa de Manco também são excelentes. Ótima escolha para a série.
Bom (7 / 10)

MARVEL TEAM-UP 2
Marvel
texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Homem-Aranha e Wolverine fazem um team-up, concluindo a história que começou na primeira edição desta série. Eu queria muito gostar desta revista, mas Robert Kirkman não está ajudando muito. Queria muito gostar pelo seguinte motivo: um título como Marvel Team-Up tem tudo para ser o antídoto perfeito à chatice realista que tem assolado a maior parte dos títulos de super-heróis. E alguns bons elementos clássicos estão presentes: a aparição de Nova em apenas uma página; a volta do Doutor Destino de uma outra dimensão, em outra página (referência a uma história recente do Quarteto Fantástico); a participação especial da SHIELD em outra página; e a aparição de um vilão maior por trás de tudo no final da história, um certo Titannus. Enfim, elementos que caracterizam a fase clássica da Marvel, nos anos 60 e 70. É engraçado, mas pela primeira vez em vários anos eu tive a sensação de “estar lendo uma história passada no universo Marvel”. Adicione-se a isso tudo a alta qualidade da arte de Scott Kolins e você tem em mãos um título vencedor, certo? Errado. Infelizmente. E são alguns tiques bobos de Kirkman que estragam tudo aqui. Assim como acontece no superestimado Invincible (que até parei de ler e resenhar por achar bem chato), Kirkman confunde “era de prata” com bobeira em excesso. Confunde “ingenuidade” com “implausibilidade”. Ele está tão empenhado em deixar a história leve que ela não fica apenas leve: fica totalmente irreal. Parece que nada está acontecendo “de verdade”. E as piadas típícas de fanboy da Internet não ajudam: “É isso que sobrou após o fim dos Vingadores? Thor deve estar rolando na tumba” (o vilão, sacaneando Aranha e Logan); “Ciclope e seus malditos uniformes” (Wolverine, irritado por ter de andar por Nova York ridiculamente vestido de amarelo e azul); “Por que nós heróis temos sempre de lutar quando nos encontramos?”. “Não sei dizer”. (diálogo entre Aranha e Logan, assim que se encontram nesta edição). “Você é tão esperto, não me admira que esteja em vários supergrupos” (Aranha zoando Logan). Enfim, o número de piscadas de olho para o leitor por página é muito grande e chega uma hora que irrita. Kirkman quer bancar o esperto e só consegue com isso deixar o plot ainda mais implausível. Dá vontade de falar para ele “cale a boca, seu babaca, e me conte uma história”. Ele não faz isso. Resultado: chegamos ao fim desta edição sem saber afinal quais eram os poderes do vilão, que nunca foram explicados. Mas os pontos altos (a integração maior entre os diversos elementos do universo Marvel, a arte de Kolins e o tom mais divertido, ao invés de sombrio, dark e recalcado como coisas como o atual Demolidor e Identity Crisis) fazem valer a torcida. Vamos ver se Kirkman consegue um equilíbrio melhor nisso tudo na próxima edição, onde o team-up é entre Dr. Estranho e Quarteto Fantástico (felizmente o Aranha não é o astro principal desta série, ao contrário da versão original dos anos 70). É só ele se concentrar na história e parar de tentar provar o que quer que seja.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MYSTIQUE 21
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia
Mystique continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel e é uma pena o que foi anunciado, que será cancelado na edição 24. Bom, melhor ir embora no auge e com um final decente do que se arrastar na lama por anos a fio, como a maioria das séries. Nesta edição Mística é obrigada a fazer um trabalho para Fantomex, para que ele concorde em não denunciá-la a Charles Xavier (que ela quer matar). Para isso, ela deve ir até as Ilhas Virgens, invadir a mansão de um milionário e roubar uma determinada peça para Fantomex. Toda a sequência do roubo é sensacional, com surpresas hilárias (incluindo o próprio objeto a ser roubado, que é simplesmente genial e hilário). Enquanto isso, o diminuto telepata Shortpack continua aprisionado pelo Quiet Man, o mesmo homem para quem Mística pensa estar trabalhando. O final desse arco é imprevisível, mas certamente Mística vai matar alguém de raiva. A arte de Garcia é fluida e competente, com uma boa narrativa.
Muito Bom (8,5 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 2
Marvel
Texto: Fabian Nicieza (com consultoria de Kurt Busiek)
Arte: Tom Grummett
Os Thunderbolts enfrentam a Gangue da Demolição e ganham um novo integrante: o velocista conhecido como Speed Demon, que também pretende se regenerar. Logo depois, eles são obrigados a enfrentar os manés da quadrilha do Games Master, que ataca o prédio das Nações Unidas, onde estão Namor e o Senhor Fantástico. Com isso, o grupo ganha mais um novo membro, a mercenária conhecida como Joystick, que agora precisa de proteção por ter traído Games Master. Talvez o título mais tradicional publicado pela Marvel atualmente, mas uma boa diversão. Apesar das injustas críticas que recebe, não acho que Fabian Nicieza seja um argumentista tão ruim assim; pelo contrário. Sólida diversão nos moldes da Marvel clássica, com excelente caracterização (o que é mais do que se pode dizer de muitos roteiristas de suposta “primeira linha” que estão por aí). E tem plots e tramas paralelas (como as que envolvem o Barão Strucker e o Homem-Púrpura), ao contrário dos plots de figuras como Bendis, por exemplo, que são lineares e contam apenas uma história de cada vez (deve ser medo dele se perder, coitado). A arte de Tom Grummett é correta.
Bom (7,5 / 10)

THE LOSERS 18
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock
A penúltima parte da invasão dos Losers a uma fortaleza da al-Qaeda no meio do nada. A história se passa em 1998 e revela mais sujeiras da CIA que fizeram os Losers deixar a agência e se rebelar contra o governo americano, passando a se dedicar a detonar os planos da CIA. Diggle tem se revelado, aqui e em Adam Strange, um mestre das cenas de ação e esta edição é de tirar o fôlego, tanto em termos de ação como de revelações bizarras. A arte de Jock, como sempre, é de primeira grandeza, com grandes qualidades narrativas e sensacional senso de design. A melhor coisa da Vertigo atual, ao lado de Human Target.
Muito Bom (8,5 / 10)

FRANK IRONWINE 1
Apparat/Avatar
Texto: Warren Ellis
Arte: Carla Speed McNeil
Frank Ironwine é a primeira de uma série de quatro histórias fechadas escritas por Warren Ellis para seu selo imaginário, o Apparat. Cada edição é o primeiro número “fictício” de uma série que jamais vai continuar a ser publicada, em uma tentativa de Ellis de imaginar como seriam os gêneros policial, ficção científica, horror, etc, nos quadrinhos se o meio nunca tivesse passado pelos super-heróis. Ou seja, se os elementos dos pulps originais tivessem migrado diretamente para os comics, sem precisar ser destilados por roupas colantes circenses e super-poderes. Frank Ironwine, o detetive que bebe até cair e acorda literalmente dentro de uma lata de lixo, é um investigador à moda antiga, pré-CSI e manias forenses: ele investiga as pessoas, não só as pegadas; as cidades, não apenas os rastros. Liga as vítimas, suspeitos e paisagens em um todo psicológico, à moda de Sherlock Holmes e Columbo. A edição é curta, mas esta seria uma grande série se fosse realmente levada a cabo. Ironwine é um personagem fascinante, embora às vezes tenha uma recaída que o enquadra no “personagem-Ellis-resmungão-e-tough-guy” padrão. Carla Speed McNeil, a autora da série Finder e que também já passou por Queen & Country, tem um estilo que se alinha diretamente à sensibilidade do quadrinho underground, mais solto e expressionista do que realista propriamente dito. McNeil é genial e seu traço funciona à perfeição nesse tipo de história. Ironwine é um começo promissor desta falsa linha de quadrinhos do falso selo Apparat. Não chega a fazer desejar que os quadrinhos tivessem tomado este rumo, como talvez tenha sido a idéia de Ellis. Mas quase faz isso, o que é um tento e tanto.
Muito Bom (8 / 10)

“We’re reading traces of fossil fuel particules in the lungs… Looks like a primitive”.
(Um thanagariano após analisar os traços do organismo de Adam Strange, em Adam Strange 3).

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

Quadrinhos da Semana (17/11)

Recuperando o tempo perdido para o meu vício pelo RPG online Runescape:

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 2 (de 8)
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins
Joe Casey realiza um bom trabalho mostrando os diversos ângulos em relação à volota do Capitão América à realidade,após décadas congelado em um iceberg. A reação de Steve Rogers ao ligar a televisão pela primeira vez é ótima, assim como suas conversas com Jarvis (o único “membro” dos Vingadores originais que teria capacidade de entender melhor o Capitão – e vice-versa -, graças à idade. Casey e Kolins estão criando aqui uma história clássica de super-heróis e Joe Casey claramente amam estes personagens, o que se traduz de forma muito positiva na história. A arte de Scott Kolins tem se mostrado fantástica nas cenas sem ação, para minha surpresa. Na verdade, Kolins aqui dá um grande salto de qualidade em relação a trabalhos anteriores. Uma ótima série, realista, escapista, inovadora e clássica na medida certa, como um bom quadrinho deve ser.
Muito Bom (8 / 10)

CAPTAIN AMERICA 1
Marvel
Texto: Ed Brubaker
Arte: Steve Epting
O quinto “número 1” na história do Capitão América. E desta vez a nova fase fica a cargo de Ed Brubaker e Steve Epting. Por mais que eu gostde Brubaker e do que ele fez em séries ótimas como Batman e Deadenders, eu tinha dúvidas de que ele fosse o escritor certo para esta revista. Bom, a julgar por esta primeira edição, nada há a se temer. Brubaker usa um ritmo mais lento e climático, incomum para o Capitão América, mas que funciona incrivelmente bem (claro, não é a lentidão sem motivo da “descompressão”, onde nada acontece). Coube a Brubaker assentar a vida de Steve Rogers após as tragédias de Avengers Disassembled: a destruição da Mansão dos Vingadores; a morte do Gavião Arqueiro; a traição da Feiticeira Escarlate; a total destruição do prédio de apartamentos onde Rogers morava; o fim dos Vingadores, etc. felizmente, Brubaker não perde tempo em reminiscências sobre a péssima fase de Brian Bendis em Avengers e vai direto ao ponto. Rogers agora mora em um imenso loft abandonado no Brooklyn, com direito a entrada de parede holográfica e outras defesas típicas da SHIELD. Nesta edição, ele recebe a visita de Sharon Carter, que agora é seu elo oficial de ligação com a agência de contra-espionagem. Nos bastidores, o Caveira Vermelha prepara sua volta, após escapar da prisão (ele foi preso na edição do mês passado, ainda a cargo de RObert Kirkman) e recuperar o Cubo Cósmico. Ainda que isso pareça uma história padrão do Capitão, o ritmo, a ambientação, os ótimos diálogos e a boa caracterização, cortesia de Brubaker, fazem a diferença. Sem falar no final, que me pegou totalmente de surpresa e certamente muda os rumos da vida do Capitão. Destaque ainda para a excelente arte de Steve Epting, que trilhou um longo caminho desde os tempos em que desenhava os Vingadores de Bob Harras, nos anos 90. Seu estilo aqui está maduro, hiperrealista, cheio de nuances e extremamente competente tanto nas cenas de ação como nos diálogos (ele faz você realmente acreditar que aquele escudo possa fazer aquelas coisas bizarras).Um forte e impressionante começo, para uma série que promete. Já era hora do Capitão América voltar a ter boas histórias, o que não acontecia desde, sei lá, a primeira fase de Mark Waid no título, anos atrás.
Muito Bom (8 / 10)

CONAN 10
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates
Busiek volta a adaptar mais um conto de Robert E. Howard, cumprindo a função deste título, que é contar todas as histórias de Conan criadas por Howard em sua ordem cronológica, intercalando-as com contos originais criados por Busiek, como os das duas últimas edições. No caso de adaptações do texto de Howard, como acontece nesta edição, boa parte dos diálogos e recordatórios vêm das linhas originais de Howard. O conto em questão é The God in the Bowl, aqui com o nome de The Temple of Kallian Publico. Dando prosseguimento ao contrato que assumiu na edição anterior, em uma taverna, Conan invade um templo com a intenção de recuperar um objeto, supostamente roubado dos pertences do sujeito que o contratou, um nobre almofadinha típico do reino da Nemédia. Mas Conan é surpreendido por um dos guardas e, para piorar tudo, o dono do templo é encontrado morto, estrangulado. É o ponto de partida para que Busiek (após Howard, claro) nos surpreenda contando uma história de mistério policial no título do Conan. Funciona muito bem, graças ao senso climático de Busiek e à arte lírica de Cary Nord.
Bom (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 520
Marvel
Texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo
É a primeira parte do arco Rising Storm, em quatro edições, que encerra a ótima fase de Waid e Wieringo no título. Galactus recrutou Johnny Storm como seu novo arauto, já que seus novos poderes de invisibilidade são capazes de rastrear os planetas que estão invisíveis, escondidos do gigante cósmico. Na Terra, Sue, Ben e Reed, que estão sem espaçonaves, pedem a ajuda de Quasar para viajar até o espaço. Entre as cenas, ótimos e curtos lances de flashback que mostram como Waid entende e gosta destes personagens. Uma fase um tanto subestimada desta revista, que parece estar terminando em grande estilo. Diálogos excelentes e hilários, situações bizarras e um tom pop permeando tudo. O Quarteto não era tão bom assim há muito tempo, talvez desde a fase de John Byrne, lááá atrás. Pena que stá no final e só resta torcer para que a Marvel não escolha seus patetas habituais para o próximo grupo de criação desta série.
Muito Bom (8,5 / 10)

GREEN ARROW 44
DC
Texto: Judd Winick
Arte: Phil Hester
O penúltimo e quinto capítulo do arco (sem trocadilhos) New Blood, onde Mia, a sidekick de Oliver Queen, o Arqueiro Verde, descobre que é HIV positiva. Poderia soar barato e apelativo nas mãos de um escritor chulé como Brad Meltzer, mas Judd Winick, que já perdeu um parceiro para a AIDS e tem uma certa sensibilidade de quadrinho independente (ele era o autor de Barry Ween, Boy Genius) lida com esta situação de forma competente. Winick consegue ser esclarecedor sem soar panfletário e sensível sem ser piegas em nenhum momento. Peter David já lidou de forma magistral com a questão da AIDS em seu Hulk, anos atrás, e são poucos os personagens da DC que permitiriam esse tipo de approach sem que tudo soasse forçado. Mas o Arqueiro Verde sempre foi palco para este tipo de temática, desde os anos 70 e as histórias de Denny O’Neil até os anos 80 e a fase “mature readers” a cargo de Mike Grell. Graças a isso e ao bom senso de Winick, o tema não parece fora de lugar aqui. E, claro, é um alívio ler histórias pelo menos razoávgeis do Arqueiro Verde após quase quatro anos de nonsense a cargos de péssimos escritores como Kevin Smith e Brad Meltzer. Phil Hester se firma como bom artista e vem evoluindo visivelmente neste título, com um estilo bem menos confuso do que o que adotou em seu Swamp Thing. Boas caracterizações de Oliver Queen, Mia e Connor Hawke e – felizmente – a mão de Winick jamais chega a pesar sobre o tema, que já é pesado por si só.
Bom (7 / 10)

HUMAN TARGET 16
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang
A conclusão de The Second Coming e as terríveis consequências do fato de Christopher Chance, o Alvo Humano, estar representando um suposto realizador de milagres. É curioso como Chance se torna Paul James, o tal rapaz miraculoso, agindo e pensando como ele, quase à beira da insanidade. O que é representação, o que é terapia e o que loucura em toda a performance de Chance? Difícil dizer. Milligan, sabiamente, também evita respostas definitivas nesta reta final, o que só iria prejudicar e enfraquecer todo o arco. Chance é louco? Paul James realmente realiza milagres? A morte vem para quem merece? Uma boa conclusão para um momento impressionante desta série, com arte ágil e enxuta de Cliff Chiang, que está cada vez melhor.
Muito Bom (8 / 10)

JLA 108
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney
Em sua edição de estréia, no mês passado, Kurt Busiek mostrou Flash e Ajax enfrentando o Constrtuo, um velho vilão da Liga da Justiça que agora é uma espécie de ciberespaço senciente (ele faz muito mais sentido hoje em dia do que na Era de Prata, graças à Internet, etc). Nesta edição, Busiek concentra seus esforços no Sindicato do Crime da América, a versão negativa da Liga (aquela mesma do especial Terra-2, de Grant Morrison e Frank Quitely). Assim como na edição anterio, Busiek dá a impressão de estar trabalhando com “altos conceitos” e ameaças absurdas, seguindo a linha de Morrison na época em que este escrevia a JLA. Ainda não está claro se o bom e velho Kurt é páreo pra essa missão, aparentemente um pouco distante do seu estilo atual de escrita. Mas este número é melhor que a edição de estréia, que foi meio brochante e repleta de infodump. Entediados, o Sindicato do Crime varre o universo de anti-matéria onde vivem em busca de algo para saquear, até que encontram – justamente – o planeta Qward, lar dos guerreiros trovejantes que são inimigos tradicionais do Lanterna Verde (Hal Jordan).A luta entre o maior grupo de supervilões do universo e a mais terrível raça de guerreiros toma proporções terríveis, claro, até que é interrompida por um esquisitíssimo dèja vu, que faz com que o início da história se repita de forma diferente. O que isso quer dizer, só na próxima dição. Aliás, a LIga em si também é só na próxima edição, já que toda esta história é focada no universo de anti-matéria e no Sindicato do Crime, sem que a Liga apareça sequer em uma ponta. Nenhum problema com isso, mas ainda não está claro o que Busiek pretende não só com este arco, mas com este tipo de abordagem da JLA como um todo. Ainda assim, mais intrigante e interessante que a quase rasteira edição anterior. Ron Garney, um dos meus desenhistas favoritos, sofre com a arte-final de Dan Green, que deixa seu traço um tanto “solto” demais, com jeito de esboço. Esta nova fase a cargo de Busiek tem potencial, mas por enquanto temos a impressão de que ele está tentando escrever a Liga de forma “morrisoniana” e não sei se isso combina com o seu estilo.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MADROX 3
Marvel Knights
Texto: Peter David
Arte: Pablo Raimondi
James Madrox descobre mais sobre o mistério que envolve a morte de um de seus duplos, em Chicago. Peter David está em plena forma aqui e, quando eu já achava que ele não iria manter o nível das duas primeiras edições, ele surpreende com situações e diálogos inacreditáveis. Madrox, o Homem-Múltiplo, tem um dos poderes mais interessantes e de maior potencial nas mãos de um bom escritor. Felizmente, este é o caso de David. Uma mistura sensacional de noir (propositalmente meio fake, às vezes), mistério, policial e mutantes, com um ótimo plot e desenhos extraordinários de Pablo Raimondi. Uma das melhores coisas do ano, ao lado de Fallen Angel (do mesmo David), We3, Rex Mundi, Love and Rockets e Queen and Country.
Excelente (9 / 10)

BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 5
Vertigo
Texto: Si Spencer (a partir de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston
O mais legal desta série é que, apesar de envolver magia, uma realidade alternativa (futuro possível?), a Rainha de Faerie e essas coisas todas, ela soa mais como uma história de espionagem e guerra do que um conto de fadas. Quero dizer, todo o plot gira em torno de magia, mas o clima geral é mais épico do que fantasioso. Si Spencer tem boas i´dieas e agora que o plot está mais claro, a fica mais fácil curtir esta série. Nesta edição, Brewster (na verdade, Sirius) aparentemente se sacrifica para salvar Timothy Hunter, enquanto Zatanna consegue se apossar da terceira e última chave capaz de invocar os Livros de Magia (que, por sua vez, serão usados para conjurar Hunter da falsa realidade onde ele está preso). No final, a surpreendente revelação de que Constantine (claro, tinha que ser ele) na verdade tem um plano maior e está agindo em conjunto com sua suposta inimiga, a Rainha de Faerie – e, ao que parece, prestes a trair seus amigos, como Lorde Midian e Zatanna. Uma exótica mistura de magia, fantasia, guerra e intriga de espionagem. E, pior, tem funcionado. Os desenhos de Dean Ormston são bem especiais e provocam o tom de estranheza necessário (este número, por sinal, foi o que mais se pareceu com uma história de horror até agora, com toques bem bizarros).
Bom (7,5 / 10)

LUCIFER 56
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Peter Gross
Mais uma edição sem a presença do personagem-título, mas funciona. Mazikeel resolve ir em busca de sua mãe, Lilith, para saber sobre o paradeiro de Lúcifer, que desapareceu nas raízes de Yggdrasil, a Árvore-Mundo. Ela encontra Lilith de partida de seu mundo, que cai em ruínas enquanto ela se afasta. Lilith conta que chegou o momento de equilíbrio, onde a balança pode pender para qualquer lado. No Inferno, as hostes estão unidas pela primeira vez, como um só exército: demônios e condenados, lado a lado. Lilith então nos leva a uma sequência de flashback, onde ela conta a Mazikeel como abandonou um de seus filhos à danação infinita após iniciar uma jornada pelo caos, pelos terrenos além da criação e do mundo sólido. Nesse limbo, o “mundo mole”, ela encontra nada menos que um restaurante macrobiótico (um genial trocadilho, já que o restaurante se assentava sobre uma das raríssimas bases sólidas do caos, uma espécie de montanha viva, uma “macro-voda”. Lá ela encontra uma pequena conspiração para destronar Yahweh e arruinar a Cidade Prateada (os céus). Uma edição interessante, mas espero que Lucifer não demore mais tanto tempo para concluir seus principais plots. Peter Gross oferece uma arte sólida, no estilo tradicional de fantasia da Vertigo.
Bom (7 / 10)

METAL HURLANT 13
Humanoids/DC
Vários artistas
Compilações são o meu formato favorito de revistas, mais ainda do que o álbum ou TPB. Adoro essa mistura de gêneros, artistas e climas. Infelizmente, não é um veículo que venda muito atualmente no mercado americano. Metal Hurlant, por exemplo, em sua nova encarnação, vende pouquíssimo e só existe ainda porque a Humanoids (braço americano da francesa Humanoides Associés, criadora da primeira e seminal Mètal Hurlant) se associou à DC Comics para efeito de distribuição e vendas. Bom, normalmente essa nova Metal Hurlant é meio irregular, mas quando acerta no alvo acerta lindamente. A primeira história desta edição, The Second Son, é um bom exemplo. Intriga e brigas familiares em uma ambientação de fantasia, com textos de Brian Robertson e belíssimos desenhos do francês Fred Beltran. A melhor história da edição é a estréia da série Lucha Libre, a cargo de Jerry Frissen (plot) e Bill (texto e desenhos). A arte do francês Bill é caricatural e hilária, se encaixando á perfeição nesta absurda história que mostra um grupo de lutadores de telecatch (no estilo do Santo, aquele personagem mexicano) que são a “reencarnação das múmias astecas”. Os cinco – El Gladiator, Red Demon, Diablo Loco, Kid Karateca e Dr. Panthera – devem enfrentar uma gangue de lobisomens que roubam rádios e toca-fitas de carros. Mas, coitados, sempre se fodem e são ridicularizados. Absurdo e sensacional, que venham mais histórias dos Luchadores Five.
Elemental, por Jim Alexandre e David Lloyd, é um típico quadrinho inglês de horror, que funciona a contento. A série The Zombies That Ate The World, por Jerry Frissen e Guy Davis, prossegue com sua absurda história de um mundo onde humanos devem conviver pacificamente com zumbis. Tem momentos hilários, mas às vezes soa meio forçada. Marcel, dos franceses Nicolas Pothier e Yannick Carboz é uma boa história curta envolvendo um sujeito e seus devaneios com o mundo dos gangsters. Finalmente, Fragile é uma série em continuação, a cargo do italiano Stefano Raffaele. Um desenho ágil e expressivo, mas a história em si demora a decolar (e, apesar de não envolver humor e ser realista, sua ambientação é um tanto parecida demais com a da outra série em capítulos da revista, The Zombies That Ate The World: num mundo apocalíptico, o planeta é habitado por zumbis.
Enfim, os pontos altos são The Second Son, Lucha Libre e Marcel, que elevam o nível da revista. As demais histórias não são ruins, pelo contrário. Mas se mantêm em um patamar padrão de qualidade para o quadrinho europeu e americano. Acho que essa revista se beneficiaria com a ausência de histórias seriadas.
Bom (7,5 / 10)

THE PUNISHER 13 e 14
Marvel Max
Texto: Garth Ennis
Arte: Dougie Braithwaite
Duas edições de The Punisher esse mês, abrindo a saga Mother Russia. Na primeira edição, Frank Castle mata um líder da máfia russa em Nova York, somente para descobrir que era uma isca plantada por Nick Fury. O agente da SHIELD deseja contratar Castle para um serviço federal extra-oficial: invadir uma base militar na Rússia e obter uma amostra de um novo vírus capaz de fazer o Ebola parecer uma gripe. Bom, Garth Ennis é um escritor de talento, com ótimos diálogos e boas idéias, mas seu Justiceiro, desde que passou a ser mature readers e parte do selo Max, se mostrou uma leitura no máximo correto e bastante burocrática. Não há nada de errado com os plots e roteiros, mas eles não são nem um pouco empolgantes. Parece que Ennis está em piloto automático nesta série e nestas duas edições em especial ele ainda tem a extremamente infeliz idéia de usar sua “versão Max” do Nick Fury, que apareceu pela primeira vez na minissérie Fury. Acontece que este Nick Fury “garth-enisado” é simplesmente insuportável, um velho linha dura chato, ranheta e “durão”. E duvido que Frank Castle estaria disposto a realizar serviços sujos para o governo americano. Enfim, não é uma leitura ruim, mas é burocrática, irritante às vezes (principalmente as cenas envolvendo Fury) e bem aquém do que Ennis é capaz de fazer. Aliás, após anos de histórias de guerra e do Justiceiro, está na hora de Ennis mudar o disco. A arte de Braithwaite é competente e realista, mas nada demais. O melhor acaba sendo a arte-final de Bill Reinhold, ex-desenhista de Badger e do próprio Justiceiro, na época em que o personagem era escrito por Mike Baron. Seu estilo dá um certo brilho ao desenho.
Tá, é Bacana (6 / 10)

BIRDS OF PREY 76
DC
Texto: Gail Simone
Arte: Joe Prado e Ed Benes.
Gail Simone é uma boa escritora e Birds of Prey vem mantendo um bom nível de qualidade nos textos. Esta edição mantém esta qualidade, embora eu não esteja tão certo de que esta série permita a aparição de seres super-poderosos de forma confortável. Canário Negro, Caçadora e Oráculo devem resolver o problema de uma adolescente capaz de utilizar poderes mágicos de outras pessoas e que está matando traficante de drogas (seria uma espécie de versão teen e feminina do Justiceiro, se ela não pudesse replicar os poderes do Sr. destino e Zatanna, entre outros. Meio fora de lugar nesta série, mas a história se mantém graças ao bom ritmo e diálogos do texto de Gail. A edição, contudo, perde pontos com o desenho burocrático e pobre de Prado e Benes, que insistem na falida opção pelo sub-mangá.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

CATWOMAN 37
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Paul Gulacy
A despedida de Ed Brubaker desta série, após mais de três anos e de ter feito Selina Kyle uma personagem interessante novamente, resgatando a Mulher-Gato das trevas da fase desenhada pelo horroroso Jim Balent. Nada muito a fazer, a não ser se despedir dos personagens. Todos eles aparecem: é aniversário de Selina e estão lá, entre outros, Ted Grant (o Pantera) e Slam Bradley. Uma história low-profile concluindo uma das melhores séries dos últimos anos (infelizmente atrapalhada pelo crossover War Games nas edições recentes). Felizmente, Paul Gulacy permanece na arte e, apesar das críticas dos fariseus, mostra que ainda é um excelente desenhista. Vamos ver o que novo roteirista, Scott Morse, tem reservado para esta série, no mês que vem. Mas sem Brubaker não vai ser mais a mesma coisa.
Bom (7 / 10)

EX MACHINA 6
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Ex Machina é, facilmente, um dos cinco melhores quadrinhos do ano e de longe a melhor coisa que Vaughan já escreveu (incluindo aqui o ótimo Y – The Last Man). Esta edição é o início do arco Tag, onde Hundred começa a tentar descobrir o que é afinal o estranho símbolo parecido com ideogramas chineses que foi encontrado nos destroços da explosão que lhe deu seus poderes de “comandar” as máquinas. Como além de super-heróis ele também é o prefeito de Nova York (felizmente Ex Machina não se passa em nenhum “universo” compartilhado), a edição tem diversos toques geniais: o papo entre Hundred e um agente federal; a conversa sobre o vale-esco9la e a falência do ensino público; e, ao que parece, em um sensacional cliffhanger, a decisão de Hundred de legalizar o casamento de homossexuais. Soma-se a isso uma fantástica sequência passada no metrô, onde dois operários discutem as diferenças morais entre a ejaculação facial e o golden shower antes de descobrirem um cachorro estranhamente eviscerado e você tem nas mãos o melhor quadrinho da semana.
Excelente (9,5 / 10)

SHE-HULK 9
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Paul Pelletier
She-Hulk talvez seja a melhor revista mensal da Marvel atualmente, graças ao humor absurdo de Dan Slott, que não por coincidência apresenta ecos da Liga da Justiça de Giffen e DeMatteis. Esta edição mistura um bizarro processo criminal entre Hércules e Constritor, além de uma genial aparição relâmpago de Howard, o Pato, processando George Lucas. O estranho é que, ao mesmo tempo que é histriônica e hilária, esta série soa como material clássico da Marvel dos anos 70 e 80. Faz pensar seriamente como quadrinhos de super-heróis metidos a “adultos” não são apenas ridículos, no final das contas. Em sua estréia nesta série, Paul Pelletier mostra segurança nas cenas de ação e nas situações absurdas.
Excelente (9 / 10)

WONDER WOMAN 210
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Drew Johnson
Após várias edições burocráticas e sem grandes atrativos, Greg Rucka finalmente mostra aqui o brilho e a compreensão dos antigos gregos que ele demonstrou possuir na edição especial Hiketeia. Diana enfrenta Medusa em um estádio de futebol, em uma luta que tem o próprio Ares como juiz. O que ela não sabe é que a luta está sendo televisionada para o mundo todo, graças à feitiçaria grega, em uma tentativa de transformar bilhões de seres em pedra em homenagem à Poseidon. Extremamente brutal, a luta é retratada de forma brilhante, mostrando de vez que, apesar de super-heroína, Diana é uma amazona com seus próprios códigos de ética e honra. Rucka ainda aproveita para mostrar como nosso mundo moderno, apesar de suas barbáries peculiares, está a milhas de distância da selvageria clássica. As últimas páginas têm duas cenas de tirar o fôlego e que certamente vão alterar a personagem Mulher-Maravilha de forma definitiva (pra melhor, acredito). O ponto fraco, mais uma vez, é o desenho sem brilho de Drew Johnson, uma espécie de Ron Randall piorado. Pra quem estava querendo mais ação na fase de Rucka nesta revista, esta edição foi literalmente um pancadão.
Excelente (9 / 10)

STRAY BULLETS 35
El Capitán
Texto e arte: David Lapham
Stray Bullets é legal, mas é meio exagero chamar lapham de gênio, como fazem alguns críticos “especializados”. A série é um bom quadrinho, mas lapham deixa muito a desejar em termos de diálogo, que muitas vezes derrapam nos clichês mais horrendos (como nesta edição e a frase “I’ll show you mine and you’ll show me yours”; alguma crianã realmente fala isso?). Sem contar as gírias, que parecem escritas por um cara de 50 anos. Mas, bem, não quero parecer cruel com esta revista, que é um bom quadrinho. Lapham é muito bom no ritmo e na construção de alguns dos personagens (parte deles, infelizmente, é mais unidimensioanl do que qualquer personagem de uma história de super-heróis, como o “vilão” desta edição). Enfim, tem os méritos e os defeitos da maioria das séries “indies” do mercado de quadrinhos americano: tem boas idéias, boas situações e bons personagens, mas cai feiamente em clichês de narrativa e caracterização. No fim das contas, séries como Seaguy ou X-Statix são totalmente diferentes de tudo que você vê nas outras mídias, enquanto este Stray Bullets soa apenas como um David Lynch de categoria inferior. Bem, nem todo mundo pode ser genial como um Jaime Hernandez.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DETONATOR 1
Image
Texto: Mike Baron
Arte: Mel Rubi
A volta de Mike Baron (Nexus, Badger, Flash, Punisher) aos quadrinhos após mais de uma década afastado, trabalhando como roteirista de TV e cinema. E ele volta em grande estilo, com sua habitual mistura de situações simultaneamente realistas e fantásticas e personagens um tanto insanos. Desta vez o maluco é Frank Grace, apaixonado por explosivos (“especialista” é pouco pra ele, já que ele literalmente dorme sobre caixas de dinamite em uma mina abandonada de Montana) que, em busca de vingança por alguma tramóia a ser explicada nas edições seguintes, vai até Hong Kong explodir a sede do chefão local do crime. É incrível como Baron, habituado ao ritmo mais rápido dos quadrinhos dos anos 80, conta mais história nesta edição do que um Brian Bendis ou um Warren Ellis (o atual Ellis) contam em uma minissérie de seis partes. E isso sem deixar que as coisas fiquem rasas ou unidimensionais. Detonator é lido como um bom filme de ação e certamente vai agradar aos fãs de Badger ou da fase de Baron no Justiceiro. Os desenhos de Mel Rubi são muito legais e pop, com uma agilidade incomum – e recebem um ótimo reforço das cores propositalmente simples e chapadas de Brett Evans. Uma boa estréia.
Bom (7,5 / 10)

As melhores frases da semana são:

“You ain’t never seen a five hunnert pound bungee jumper come flyn’ outta the sky before?”
(do Coisa, em Fantastic Four 520)
e
“Ben, please. There’s no place for sexism in the realm of empirical science”.
(de Reed Richards, em She-Hulk 9)

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

Recuperando o tempo perdido para o meu vício pelo RPG online Runescape:

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 2 (de 8)
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins
Joe Casey realiza um bom trabalho mostrando os diversos ângulos em relação à volota do Capitão América à realidade,após décadas congelado em um iceberg. A reação de Steve Rogers ao ligar a televisão pela primeira vez é ótima, assim como suas conversas com Jarvis (o único “membro” dos Vingadores originais que teria capacidade de entender melhor o Capitão – e vice-versa -, graças à idade. Casey e Kolins estão criando aqui uma história clássica de super-heróis e Joe Casey claramente amam estes personagens, o que se traduz de forma muito positiva na história. A arte de Scott Kolins tem se mostrado fantástica nas cenas sem ação, para minha surpresa. Na verdade, Kolins aqui dá um grande salto de qualidade em relação a trabalhos anteriores. Uma ótima série, realista, escapista, inovadora e clássica na medida certa, como um bom quadrinho deve ser.
Muito Bom (8 / 10)

CAPTAIN AMERICA 1
Marvel
Texto: Ed Brubaker
Arte: Steve Epting
O quinto “número 1” na história do Capitão América. E desta vez a nova fase fica a cargo de Ed Brubaker e Steve Epting. Por mais que eu gostde Brubaker e do que ele fez em séries ótimas como Batman e Deadenders, eu tinha dúvidas de que ele fosse o escritor certo para esta revista. Bom, a julgar por esta primeira edição, nada há a se temer. Brubaker usa um ritmo mais lento e climático, incomum para o Capitão América, mas que funciona incrivelmente bem (claro, não é a lentidão sem motivo da “descompressão”, onde nada acontece). Coube a Brubaker assentar a vida de Steve Rogers após as tragédias de Avengers Disassembled: a destruição da Mansão dos Vingadores; a morte do Gavião Arqueiro; a traição da Feiticeira Escarlate; a total destruição do prédio de apartamentos onde Rogers morava; o fim dos Vingadores, etc. felizmente, Brubaker não perde tempo em reminiscências sobre a péssima fase de Brian Bendis em Avengers e vai direto ao ponto. Rogers agora mora em um imenso loft abandonado no Brooklyn, com direito a entrada de parede holográfica e outras defesas típicas da SHIELD. Nesta edição, ele recebe a visita de Sharon Carter, que agora é seu elo oficial de ligação com a agência de contra-espionagem. Nos bastidores, o Caveira Vermelha prepara sua volta, após escapar da prisão (ele foi preso na edição do mês passado, ainda a cargo de RObert Kirkman) e recuperar o Cubo Cósmico. Ainda que isso pareça uma história padrão do Capitão, o ritmo, a ambientação, os ótimos diálogos e a boa caracterização, cortesia de Brubaker, fazem a diferença. Sem falar no final, que me pegou totalmente de surpresa e certamente muda os rumos da vida do Capitão. Destaque ainda para a excelente arte de Steve Epting, que trilhou um longo caminho desde os tempos em que desenhava os Vingadores de Bob Harras, nos anos 90. Seu estilo aqui está maduro, hiperrealista, cheio de nuances e extremamente competente tanto nas cenas de ação como nos diálogos (ele faz você realmente acreditar que aquele escudo possa fazer aquelas coisas bizarras).Um forte e impressionante começo, para uma série que promete. Já era hora do Capitão América voltar a ter boas histórias, o que não acontecia desde, sei lá, a primeira fase de Mark Waid no título, anos atrás.
Muito Bom (8 / 10)

CONAN 10
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates
Busiek volta a adaptar mais um conto de Robert E. Howard, cumprindo a função deste título, que é contar todas as histórias de Conan criadas por Howard em sua ordem cronológica, intercalando-as com contos originais criados por Busiek, como os das duas últimas edições. No caso de adaptações do texto de Howard, como acontece nesta edição, boa parte dos diálogos e recordatórios vêm das linhas originais de Howard. O conto em questão é The God in the Bowl, aqui com o nome de The Temple of Kallian Publico. Dando prosseguimento ao contrato que assumiu na edição anterior, em uma taverna, Conan invade um templo com a intenção de recuperar um objeto, supostamente roubado dos pertences do sujeito que o contratou, um nobre almofadinha típico do reino da Nemédia. Mas Conan é surpreendido por um dos guardas e, para piorar tudo, o dono do templo é encontrado morto, estrangulado. É o ponto de partida para que Busiek (após Howard, claro) nos surpreenda contando uma história de mistério policial no título do Conan. Funciona muito bem, graças ao senso climático de Busiek e à arte lírica de Cary Nord.
Bom (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 520
Marvel
Texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo
É a primeira parte do arco Rising Storm, em quatro edições, que encerra a ótima fase de Waid e Wieringo no título. Galactus recrutou Johnny Storm como seu novo arauto, já que seus novos poderes de invisibilidade são capazes de rastrear os planetas que estão invisíveis, escondidos do gigante cósmico. Na Terra, Sue, Ben e Reed, que estão sem espaçonaves, pedem a ajuda de Quasar para viajar até o espaço. Entre as cenas, ótimos e curtos lances de flashback que mostram como Waid entende e gosta destes personagens. Uma fase um tanto subestimada desta revista, que parece estar terminando em grande estilo. Diálogos excelentes e hilários, situações bizarras e um tom pop permeando tudo. O Quarteto não era tão bom assim há muito tempo, talvez desde a fase de John Byrne, lááá atrás. Pena que stá no final e só resta torcer para que a Marvel não escolha seus patetas habituais para o próximo grupo de criação desta série.
Muito Bom (8,5 / 10)

GREEN ARROW 44
DC
Texto: Judd Winick
Arte: Phil Hester
O penúltimo e quinto capítulo do arco (sem trocadilhos) New Blood, onde Mia, a sidekick de Oliver Queen, o Arqueiro Verde, descobre que é HIV positiva. Poderia soar barato e apelativo nas mãos de um escritor chulé como Brad Meltzer, mas Judd Winick, que já perdeu um parceiro para a AIDS e tem uma certa sensibilidade de quadrinho independente (ele era o autor de Barry Ween, Boy Genius) lida com esta situação de forma competente. Winick consegue ser esclarecedor sem soar panfletário e sensível sem ser piegas em nenhum momento. Peter David já lidou de forma magistral com a questão da AIDS em seu Hulk, anos atrás, e são poucos os personagens da DC que permitiriam esse tipo de approach sem que tudo soasse forçado. Mas o Arqueiro Verde sempre foi palco para este tipo de temática, desde os anos 70 e as histórias de Denny O’Neil até os anos 80 e a fase “mature readers” a cargo de Mike Grell. Graças a isso e ao bom senso de Winick, o tema não parece fora de lugar aqui. E, claro, é um alívio ler histórias pelo menos razoávgeis do Arqueiro Verde após quase quatro anos de nonsense a cargos de péssimos escritores como Kevin Smith e Brad Meltzer. Phil Hester se firma como bom artista e vem evoluindo visivelmente neste título, com um estilo bem menos confuso do que o que adotou em seu Swamp Thing. Boas caracterizações de Oliver Queen, Mia e Connor Hawke e – felizmente – a mão de Winick jamais chega a pesar sobre o tema, que já é pesado por si só.
Bom (7 / 10)

HUMAN TARGET 16
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang
A conclusão de The Second Coming e as terríveis consequências do fato de Christopher Chance, o Alvo Humano, estar representando um suposto realizador de milagres. É curioso como Chance se torna Paul James, o tal rapaz miraculoso, agindo e pensando como ele, quase à beira da insanidade. O que é representação, o que é terapia e o que loucura em toda a performance de Chance? Difícil dizer. Milligan, sabiamente, também evita respostas definitivas nesta reta final, o que só iria prejudicar e enfraquecer todo o arco. Chance é louco? Paul James realmente realiza milagres? A morte vem para quem merece? Uma boa conclusão para um momento impressionante desta série, com arte ágil e enxuta de Cliff Chiang, que está cada vez melhor.
Muito Bom (8 / 10)

JLA 108
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney
Em sua edição de estréia, no mês passado, Kurt Busiek mostrou Flash e Ajax enfrentando o Constrtuo, um velho vilão da Liga da Justiça que agora é uma espécie de ciberespaço senciente (ele faz muito mais sentido hoje em dia do que na Era de Prata, graças à Internet, etc). Nesta edição, Busiek concentra seus esforços no Sindicato do Crime da América, a versão negativa da Liga (aquela mesma do especial Terra-2, de Grant Morrison e Frank Quitely). Assim como na edição anterio, Busiek dá a impressão de estar trabalhando com “altos conceitos” e ameaças absurdas, seguindo a linha de Morrison na época em que este escrevia a JLA. Ainda não está claro se o bom e velho Kurt é páreo pra essa missão, aparentemente um pouco distante do seu estilo atual de escrita. Mas este número é melhor que a edição de estréia, que foi meio brochante e repleta de infodump. Entediados, o Sindicato do Crime varre o universo de anti-matéria onde vivem em busca de algo para saquear, até que encontram – justamente – o planeta Qward, lar dos guerreiros trovejantes que são inimigos tradicionais do Lanterna Verde (Hal Jordan).A luta entre o maior grupo de supervilões do universo e a mais terrível raça de guerreiros toma proporções terríveis, claro, até que é interrompida por um esquisitíssimo dèja vu, que faz com que o início da história se repita de forma diferente. O que isso quer dizer, só na próxima dição. Aliás, a LIga em si também é só na próxima edição, já que toda esta história é focada no universo de anti-matéria e no Sindicato do Crime, sem que a Liga apareça sequer em uma ponta. Nenhum problema com isso, mas ainda não está claro o que Busiek pretende não só com este arco, mas com este tipo de abordagem da JLA como um todo. Ainda assim, mais intrigante e interessante que a quase rasteira edição anterior. Ron Garney, um dos meus desenhistas favoritos, sofre com a arte-final de Dan Green, que deixa seu traço um tanto “solto” demais, com jeito de esboço. Esta nova fase a cargo de Busiek tem potencial, mas por enquanto temos a impressão de que ele está tentando escrever a Liga de forma “morrisoniana” e não sei se isso combina com o seu estilo.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MADROX 3
Marvel Knights
Texto: Peter David
Arte: Pablo Raimondi
James Madrox descobre mais sobre o mistério que envolve a morte de um de seus duplos, em Chicago. Peter David está em plena forma aqui e, quando eu já achava que ele não iria manter o nível das duas primeiras edições, ele surpreende com situações e diálogos inacreditáveis. Madrox, o Homem-Múltiplo, tem um dos poderes mais interessantes e de maior potencial nas mãos de um bom escritor. Felizmente, este é o caso de David. Uma mistura sensacional de noir (propositalmente meio fake, às vezes), mistério, policial e mutantes, com um ótimo plot e desenhos extraordinários de Pablo Raimondi. Uma das melhores coisas do ano, ao lado de Fallen Angel (do mesmo David), We3, Rex Mundi, Love and Rockets e Queen and Country.
Excelente (9 / 10)

BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 5
Vertigo
Texto: Si Spencer (a partir de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston
O mais legal desta série é que, apesar de envolver magia, uma realidade alternativa (futuro possível?), a Rainha de Faerie e essas coisas todas, ela soa mais como uma história de espionagem e guerra do que um conto de fadas. Quero dizer, todo o plot gira em torno de magia, mas o clima geral é mais épico do que fantasioso. Si Spencer tem boas i´dieas e agora que o plot está mais claro, a fica mais fácil curtir esta série. Nesta edição, Brewster (na verdade, Sirius) aparentemente se sacrifica para salvar Timothy Hunter, enquanto Zatanna consegue se apossar da terceira e última chave capaz de invocar os Livros de Magia (que, por sua vez, serão usados para conjurar Hunter da falsa realidade onde ele está preso). No final, a surpreendente revelação de que Constantine (claro, tinha que ser ele) na verdade tem um plano maior e está agindo em conjunto com sua suposta inimiga, a Rainha de Faerie – e, ao que parece, prestes a trair seus amigos, como Lorde Midian e Zatanna. Uma exótica mistura de magia, fantasia, guerra e intriga de espionagem. E, pior, tem funcionado. Os desenhos de Dean Ormston são bem especiais e provocam o tom de estranheza necessário (este número, por sinal, foi o que mais se pareceu com uma história de horror até agora, com toques bem bizarros).
Bom (7,5 / 10)

LUCIFER 56
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Peter Gross
Mais uma edição sem a presença do personagem-título, mas funciona. Mazikeel resolve ir em busca de sua mãe, Lilith, para saber sobre o paradeiro de Lúcifer, que desapareceu nas raízes de Yggdrasil, a Árvore-Mundo. Ela encontra Lilith de partida de seu mundo, que cai em ruínas enquanto ela se afasta. Lilith conta que chegou o momento de equilíbrio, onde a balança pode pender para qualquer lado. No Inferno, as hostes estão unidas pela primeira vez, como um só exército: demônios e condenados, lado a lado. Lilith então nos leva a uma sequência de flashback, onde ela conta a Mazikeel como abandonou um de seus filhos à danação infinita após iniciar uma jornada pelo caos, pelos terrenos além da criação e do mundo sólido. Nesse limbo, o “mundo mole”, ela encontra nada menos que um restaurante macrobiótico (um genial trocadilho, já que o restaurante se assentava sobre uma das raríssimas bases sólidas do caos, uma espécie de montanha viva, uma “macro-voda”. Lá ela encontra uma pequena conspiração para destronar Yahweh e arruinar a Cidade Prateada (os céus). Uma edição interessante, mas espero que Lucifer não demore mais tanto tempo para concluir seus principais plots. Peter Gross oferece uma arte sólida, no estilo tradicional de fantasia da Vertigo.
Bom (7 / 10)

METAL HURLANT 13
Humanoids/DC
Vários artistas
Compilações são o meu formato favorito de revistas, mais ainda do que o álbum ou TPB. Adoro essa mistura de gêneros, artistas e climas. Infelizmente, não é um veículo que venda muito atualmente no mercado americano. Metal Hurlant, por exemplo, em sua nova encarnação, vende pouquíssimo e só existe ainda porque a Humanoids (braço americano da francesa Humanoides Associés, criadora da primeira e seminal Mètal Hurlant) se associou à DC Comics para efeito de distribuição e vendas. Bom, normalmente essa nova Metal Hurlant é meio irregular, mas quando acerta no alvo acerta lindamente. A primeira história desta edição, The Second Son, é um bom exemplo. Intriga e brigas familiares em uma ambientação de fantasia, com textos de Brian Robertson e belíssimos desenhos do francês Fred Beltran. A melhor história da edição é a estréia da série Lucha Libre, a cargo de Jerry Frissen (plot) e Bill (texto e desenhos). A arte do francês Bill é caricatural e hilária, se encaixando á perfeição nesta absurda história que mostra um grupo de lutadores de telecatch (no estilo do Santo, aquele personagem mexicano) que são a “reencarnação das múmias astecas”. Os cinco – El Gladiator, Red Demon, Diablo Loco, Kid Karateca e Dr. Panthera – devem enfrentar uma gangue de lobisomens que roubam rádios e toca-fitas de carros. Mas, coitados, sempre se fodem e são ridicularizados. Absurdo e sensacional, que venham mais histórias dos Luchadores Five.
Elemental, por Jim Alexandre e David Lloyd, é um típico quadrinho inglês de horror, que funciona a contento. A série The Zombies That Ate The World, por Jerry Frissen e Guy Davis, prossegue com sua absurda história de um mundo onde humanos devem conviver pacificamente com zumbis. Tem momentos hilários, mas às vezes soa meio forçada. Marcel, dos franceses Nicolas Pothier e Yannick Carboz é uma boa história curta envolvendo um sujeito e seus devaneios com o mundo dos gangsters. Finalmente, Fragile é uma série em continuação, a cargo do italiano Stefano Raffaele. Um desenho ágil e expressivo, mas a história em si demora a decolar (e, apesar de não envolver humor e ser realista, sua ambientação é um tanto parecida demais com a da outra série em capítulos da revista, The Zombies That Ate The World: num mundo apocalíptico, o planeta é habitado por zumbis.
Enfim, os pontos altos são The Second Son, Lucha Libre e Marcel, que elevam o nível da revista. As demais histórias não são ruins, pelo contrário. Mas se mantêm em um patamar padrão de qualidade para o quadrinho europeu e americano. Acho que essa revista se beneficiaria com a ausência de histórias seriadas.
Bom (7,5 / 10)

THE PUNISHER 13 e 14
Marvel Max
Texto: Garth Ennis
Arte: Dougie Braithwaite
Duas edições de The Punisher esse mês, abrindo a saga Mother Russia. Na primeira edição, Frank Castle mata um líder da máfia russa em Nova York, somente para descobrir que era uma isca plantada por Nick Fury. O agente da SHIELD deseja contratar Castle para um serviço federal extra-oficial: invadir uma base militar na Rússia e obter uma amostra de um novo vírus capaz de fazer o Ebola parecer uma gripe. Bom, Garth Ennis é um escritor de talento, com ótimos diálogos e boas idéias, mas seu Justiceiro, desde que passou a ser mature readers e parte do selo Max, se mostrou uma leitura no máximo correto e bastante burocrática. Não há nada de errado com os plots e roteiros, mas eles não são nem um pouco empolgantes. Parece que Ennis está em piloto automático nesta série e nestas duas edições em especial ele ainda tem a extremamente infeliz idéia de usar sua “versão Max” do Nick Fury, que apareceu pela primeira vez na minissérie Fury. Acontece que este Nick Fury “garth-enisado” é simplesmente insuportável, um velho linha dura chato, ranheta e “durão”. E duvido que Frank Castle estaria disposto a realizar serviços sujos para o governo americano. Enfim, não é uma leitura ruim, mas é burocrática, irritante às vezes (principalmente as cenas envolvendo Fury) e bem aquém do que Ennis é capaz de fazer. Aliás, após anos de histórias de guerra e do Justiceiro, está na hora de Ennis mudar o disco. A arte de Braithwaite é competente e realista, mas nada demais. O melhor acaba sendo a arte-final de Bill Reinhold, ex-desenhista de Badger e do próprio Justiceiro, na época em que o personagem era escrito por Mike Baron. Seu estilo dá um certo brilho ao desenho.
Tá, é Bacana (6 / 10)

BIRDS OF PREY 76
DC
Texto: Gail Simone
Arte: Joe Prado e Ed Benes.
Gail Simone é uma boa escritora e Birds of Prey vem mantendo um bom nível de qualidade nos textos. Esta edição mantém esta qualidade, embora eu não esteja tão certo de que esta série permita a aparição de seres super-poderosos de forma confortável. Canário Negro, Caçadora e Oráculo devem resolver o problema de uma adolescente capaz de utilizar poderes mágicos de outras pessoas e que está matando traficante de drogas (seria uma espécie de versão teen e feminina do Justiceiro, se ela não pudesse replicar os poderes do Sr. destino e Zatanna, entre outros. Meio fora de lugar nesta série, mas a história se mantém graças ao bom ritmo e diálogos do texto de Gail. A edição, contudo, perde pontos com o desenho burocrático e pobre de Prado e Benes, que insistem na falida opção pelo sub-mangá.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

CATWOMAN 37
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Paul Gulacy
A despedida de Ed Brubaker desta série, após mais de três anos e de ter feito Selina Kyle uma personagem interessante novamente, resgatando a Mulher-Gato das trevas da fase desenhada pelo horroroso Jim Balent. Nada muito a fazer, a não ser se despedir dos personagens. Todos eles aparecem: é aniversário de Selina e estão lá, entre outros, Ted Grant (o Pantera) e Slam Bradley. Uma história low-profile concluindo uma das melhores séries dos últimos anos (infelizmente atrapalhada pelo crossover War Games nas edições recentes). Felizmente, Paul Gulacy permanece na arte e, apesar das críticas dos fariseus, mostra que ainda é um excelente desenhista. Vamos ver o que novo roteirista, Scott Morse, tem reservado para esta série, no mês que vem. Mas sem Brubaker não vai ser mais a mesma coisa.
Bom (7 / 10)

EX MACHINA 6
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Ex Machina é, facilmente, um dos cinco melhores quadrinhos do ano e de longe a melhor coisa que Vaughan já escreveu (incluindo aqui o ótimo Y – The Last Man). Esta edição é o início do arco Tag, onde Hundred começa a tentar descobrir o que é afinal o estranho símbolo parecido com ideogramas chineses que foi encontrado nos destroços da explosão que lhe deu seus poderes de “comandar” as máquinas. Como além de super-heróis ele também é o prefeito de Nova York (felizmente Ex Machina não se passa em nenhum “universo” compartilhado), a edição tem diversos toques geniais: o papo entre Hundred e um agente federal; a conversa sobre o vale-esco9la e a falência do ensino público; e, ao que parece, em um sensacional cliffhanger, a decisão de Hundred de legalizar o casamento de homossexuais. Soma-se a isso uma fantástica sequência passada no metrô, onde dois operários discutem as diferenças morais entre a ejaculação facial e o golden shower antes de descobrirem um cachorro estranhamente eviscerado e você tem nas mãos o melhor quadrinho da semana.
Excelente (9,5 / 10)

SHE-HULK 9
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Paul Pelletier
She-Hulk talvez seja a melhor revista mensal da Marvel atualmente, graças ao humor absurdo de Dan Slott, que não por coincidência apresenta ecos da Liga da Justiça de Giffen e DeMatteis. Esta edição mistura um bizarro processo criminal entre Hércules e Constritor, além de uma genial aparição relâmpago de Howard, o Pato, processando George Lucas. O estranho é que, ao mesmo tempo que é histriônica e hilária, esta série soa como material clássico da Marvel dos anos 70 e 80. Faz pensar seriamente como quadrinhos de super-heróis metidos a “adultos” não são apenas ridículos, no final das contas. Em sua estréia nesta série, Paul Pelletier mostra segurança nas cenas de ação e nas situações absurdas.
Excelente (9 / 10)

WONDER WOMAN 210
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Drew Johnson
Após várias edições burocráticas e sem grandes atrativos, Greg Rucka finalmente mostra aqui o brilho e a compreensão dos antigos gregos que ele demonstrou possuir na edição especial Hiketeia. Diana enfrenta Medusa em um estádio de futebol, em uma luta que tem o próprio Ares como juiz. O que ela não sabe é que a luta está sendo televisionada para o mundo todo, graças à feitiçaria grega, em uma tentativa de transformar bilhões de seres em pedra em homenagem à Poseidon. Extremamente brutal, a luta é retratada de forma brilhante, mostrando de vez que, apesar de super-heroína, Diana é uma amazona com seus próprios códigos de ética e honra. Rucka ainda aproveita para mostrar como nosso mundo moderno, apesar de suas barbáries peculiares, está a milhas de distância da selvageria clássica. As últimas páginas têm duas cenas de tirar o fôlego e que certamente vão alterar a personagem Mulher-Maravilha de forma definitiva (pra melhor, acredito). O ponto fraco, mais uma vez, é o desenho sem brilho de Drew Johnson, uma espécie de Ron Randall piorado. Pra quem estava querendo mais ação na fase de Rucka nesta revista, esta edição foi literalmente um pancadão.
Excelente (9 / 10)

STRAY BULLETS 35
El Capitán
Texto e arte: David Lapham
Stray Bullets é legal, mas é meio exagero chamar lapham de gênio, como fazem alguns críticos “especializados”. A série é um bom quadrinho, mas lapham deixa muito a desejar em termos de diálogo, que muitas vezes derrapam nos clichês mais horrendos (como nesta edição e a frase “I’ll show you mine and you’ll show me yours”; alguma crianã realmente fala isso?). Sem contar as gírias, que parecem escritas por um cara de 50 anos. Mas, bem, não quero parecer cruel com esta revista, que é um bom quadrinho. Lapham é muito bom no ritmo e na construção de alguns dos personagens (parte deles, infelizmente, é mais unidimensioanl do que qualquer personagem de uma história de super-heróis, como o “vilão” desta edição). Enfim, tem os méritos e os defeitos da maioria das séries “indies” do mercado de quadrinhos americano: tem boas idéias, boas situações e bons personagens, mas cai feiamente em clichês de narrativa e caracterização. No fim das contas, séries como Seaguy ou X-Statix são totalmente diferentes de tudo que você vê nas outras mídias, enquanto este Stray Bullets soa apenas como um David Lynch de categoria inferior. Bem, nem todo mundo pode ser genial como um Jaime Hernandez.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DETONATOR 1
Image
Texto: Mike Baron
Arte: Mel Rubi
A volta de Mike Baron (Nexus, Badger, Flash, Punisher) aos quadrinhos após mais de uma década afastado, trabalhando como roteirista de TV e cinema. E ele volta em grande estilo, com sua habitual mistura de situações simultaneamente realistas e fantásticas e personagens um tanto insanos. Desta vez o maluco é Frank Grace, apaixonado por explosivos (“especialista” é pouco pra ele, já que ele literalmente dorme sobre caixas de dinamite em uma mina abandonada de Montana) que, em busca de vingança por alguma tramóia a ser explicada nas edições seguintes, vai até Hong Kong explodir a sede do chefão local do crime. É incrível como Baron, habituado ao ritmo mais rápido dos quadrinhos dos anos 80, conta mais história nesta edição do que um Brian Bendis ou um Warren Ellis (o atual Ellis) contam em uma minissérie de seis partes. E isso sem deixar que as coisas fiquem rasas ou unidimensionais. Detonator é lido como um bom filme de ação e certamente vai agradar aos fãs de Badger ou da fase de Baron no Justiceiro. Os desenhos de Mel Rubi são muito legais e pop, com uma agilidade incomum – e recebem um ótimo reforço das cores propositalmente simples e chapadas de Brett Evans. Uma boa estréia.
Bom (7,5 / 10)

As melhores frases da semana são:

“You ain’t never seen a five hunnert pound bungee jumper come flyn’ outta the sky before?”
(do Coisa, em Fantastic Four 520)
e
“Ben, please. There’s no place for sexism in the realm of empirical science”.
(de Reed Richards, em She-Hulk 9)

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

Quadrinhos da Semana (10/11)

ANGELTOWN 1
Vertigo
Texto: Gary Phillips
Arte: Shawn Martinbrough

Primeira edição da minissérie em cinco partes. Hard-boiled policial, escrito com clara paixão pelo gênero por Gary Phillips. Um detetive particular precisa achar um astro do basquete que talvez tenha assassinado a ex-esposa. Situação tipicamente OJ Simpson (a própria história cita o caso OJ), mas funciona. Uma Los Angeles repleta de personagens curiosos e realistas dá o molho especial ao roteiro, mas o melhor da edição é mesmo o desenho ágil e expressivo de Shawn Martinbrough. Um início interessante, mas nada espetacular. Vamos aguardar as próximas edições. O cliffhanger, contudo, é surpreendente e deixa o leitor com vontade de saber mais.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

AQUAMAN 24
DC
Texto: John Ostrander
Arte:Chris Batista

Conclusão da fase de John Ostrander nesta revista – ele vai embora com uma história bem legal. Marauder, o vilão da edição anterior, é anulado por Aquaman e os Sea Devils (que perdem um de seus membros numa morte terrível).Resta agora a Aquaman lidar com a questão de Sub Diego, a San Diego que afundou e agora tem habitantes que só respiram debaixo d’água. Uma fase bem interessante da revista, com ótimo texto e plot de Ostrander. Os desenhos de Chris Batista estão muito bons, com um toque levemente clássico (no sentido “golden age” da palavra). No mês que vem sobe à bordo o argumentista John Arcudi, que também é muito competente. Por enquanto, a mistura de ação, intrigas nucleares e metamorfoses biológicas de John Ostrander tem garantido a diversão.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

AVENGERS FINALE
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: Neal Adams, David Finch, Alex Maleev, Steve Epting, Lee Weeks, Michael Gaydos, Eric Powell, Darick Robertson, Mike Mayhew, David Mack, Gary Frank, Mike Avon Oeming, Jim Cheung, Steve McNiven e George Pérez.

A edição one-shot que (tenta) amarrar as pontas soltas da ridícula saga Avengers Disassembled é melhor que a saga em si. Ao menos aqui os Vingadores não estão agindo como completos idiotas. Ao menos, não o tempo todo, mas os tiques de Bendis aparecem aqui e ali. Os Vingadores remanescentes se reúnem nos destroços da Mansão para render uma homenagem aos mortos (Valete de Copas, Homem-Formiga, Visão, Gavião Arqueiro e Thor) e à nova vilã “enlouquecida” (Feiticeira Escarlate).Um saldo um tanto quanto patético e exagerado, se levarmos em conta a qualidade abissal de Disassembled. Os diálogos aqui até que funcionam, mas é sempre a pessoa errada que está dizendo algo. Por exemplo, é estranho que justamente Carol Danvers afirme que a sua “saga” favorita dos Vingadores é a Saga de Thanos, já que ela sequer era Miss Marvel ainda nesta época. Enfim, as posições estão erradas e Bendis mais uma vez força o plot goela abaixo dos personagens, que lutam para tentar se encaixar ao papel que lhes foi imposto. O desaparecimento de Thor não parece afetar muito o grupo e descobrimos, ridiculamente, que Tony Stark não tem mais dinheiro para financiar os Vingadores e que ele decidiu deixar a Mansão em ruínas mesmo, como um “monumento” (à estupidez de Bendis, deve ser). Enfim, um trsite final para esta revista que já durava 40 anos.
A arte em si tem altos e baixos. George Pérez, Steve Epting, Lee Weeks e Gary Frank são os destaques. Alex Maleev, David Mack e Mike Avon Oeming são as pontas mais fracas do tecido. Novamente, são justamente os amigos de Bendis, que nada têm a ver com a história passada dos Vingadores (nem com o estilo das cenas que retratam). A regra de Bendis, tanto em termos de escolha de personagens e situações como de artistas colaboradores, parece ser essa: “não combina, mas dane-se. Vamos fazer combinar à força”.
Um fim patético para esta revista e que não deixa muito ânimo para ler os vindouros New Avengers (que, pela capa que eu linkei no post aí embaixo, vão continuar no mesmo naipe).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

BATMAN – LEGENDS OF THE DARK KNIGHT 185
DC
Texto: Shane McCarthy
Arte: Tommy Castillo

Início da saga Riddle Me That, em cinco partes. Batman encontra algumas pistas deixadas pelo Charada, mas em situações estranhas e mais radicais, que não parecem ser o habitual de Edward Nigma. Enquanto isso, um velho professor encontra por casao, em um parque de Gotham, um mendigo aparentemente genial em resolver puzzles e palavras cruzadas, que talvez seja o próprio Nigma. Um começo bastante interessante. McCarthy não quer reinventar a roda, apenas contar uma boa história do Batman. E aqui o morcego está bem retratado, usando ao máximo suas capacidades de detetive e observaçáo – e seus espantosos conhecimentos específicos. A arte de Tommy Castillo é interessante, com ecos de Michael Golden.
Tá, é Bacana, (7,5 / 10)

B.P.R.D. – THE DEAD 1
Dark Horse
Texto: Mike Mignola e John Arcudi
Arte: Guy Davis

Primeira edição da nova minissérie em quatro partes do BPRD (na prática, a edição 13 desta série de minisséries). O BPRD é o Bureau de Pesquisa Paranormal criado por Mike Mignola para a série Hellboy. Estão todos aqui: Abe Sapiens, o anfíbio; Liz Sherman, que lança fogo pelas mãos; Dra. Kate Corrigan, a folclorista; Roger, o homúnculo feito de sangue humano e ervas; e Johann Kraus, a forma astral em uma garrafa. Enquanto Corrigan e Abe Sapiens investigam o que talvez seja o misterioso passado deste último, com boas cenas de investigação, os outros três conhecem seu novo chefe de campo, um marine que voltou á vida após passar três dias morto. É este sujeito que consegue com o Pentágono verba e autorização para que o BPRD se mude de Connecticut para uma base abandonada do governo nas montanhas nevadas do Colorado. A chegada à base é impressionante e os dois plots paralelos são muito intrigantes. De quebra, o grupo ainda tem que lidar com o avanço dos homens-sapos, que parecem estar indo para o oeste. Ótimo texto de Mignola e Arcudi e arte simplesmente sensacional e climática de Guy Davis.
Muito Legal (8,5 / 10)

GOTHAM CENTRAL 25
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Michael Lark

O Comissário Akins, após romper com os vigilantes de Gotham na saga War Games, manda retirar o bat-sinal do terraço da sede policial da cidade. As amarras com Batman e seus sidekicks estão definitivamente cortadas, para tristeza de Renee Montoya, que já teve sua vida salva pelo morcego inúmeras vezes. Uma história menor nesta série, criada para assimilar as mudanças impostas pelo crossover. Mas funciona. Uma pena que Michael Lark, que está cada vez melhor, vá abandonar em breve esta revista, pois acaba de assinar um contrato de exclusividade de dois anos com a Marvel.
Tá, é Bacana (7 / 10)

IDENTITY CRISIS 6
DC
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales

A desgraça criativa continua e esta série fica cada vez mais ridícula. Esta edição é coalhada de textos cafonas, sobre “a família, como nós, super-heróis, corremos perigo, nossos entes queridos, meu filho, e, oh, meu marido”. Enfim, parece uma letra do Kenny Rogers ou alguém assim. Para piorar tudo, o Capitão Bumerangue e o pai de Tim Drake, o Robin, se matam mutuamente, em uma cena patética e apelativa. Robin chega em casa e vê o pai morto, sendo abraçado por Batman, em uma situação que apenas retira de Tim Drake tudo o que fazia dele um Robin diferente dos anteriores. O pior mesmo é a sequência final, onde o Dr. Meia-Noite, durante a autópsia no corpo de Sue Dibny, descobre que talvez o assassino seja Ray palmer, o Eléktron, porque encontrou “micro-pegadas” no cérebro da vítima. Sim, micro-pegadas. No cérebro. Essa série é o pior do ano, de longe, ao lado de Avengers Disassembled. É como ver um acidente de carro em andamento.
Que Meleca, Hein? (1 / 10)

IRON MAN 1
Marvel
Texto: Warren Ellis
Arte: Adi Granov

Até que a maldição da “descompressão” não afeta tanto assim este primeiro número da nova fase do Homem de Ferro, por Warren Ellis. Ou talvez os desenhos de Adi Granov sejam bonitos o suficiente para que você olhe para eles e esqueça que quase nada está acontecendo. De qualquer forma, um começo promissor, com Tony Stark sendo sabatinado por um sub-Michael Moore a respeito de seu passado como inventor de armas. O Stark de Ellis é bem caracterizado e, felizmente, não é o “personagem-Ellis” da história. Alguns tiques de Ellis, porém, aparecem: o uso de celular, essa maravilha da tecnologia; as três páginas de Iron Man voando, onde nada acontece (sim, é cheio de sense of wonder o fato de um sujeito poder voar em sua propria armadura, Ellis, mas já vimos isso várias vezes nos últimos 41 anos de Iron Man, então não vamos ficar muito impressionados com isso); e as telecomunicações wireless e sua praticidade. Ainda assim, Iron Man é o melhor personagem Marvel para alguém como Ellis: contatos internacionais, alta tecnologia, etc. Adi Granov está claramente investindo muito nesta série. Sua mistura de imagens renderizadas em 3-D, polidas para que não pareçam frias e distantes, e traço tradicional é fantástica e responsável por mais da metade da graça desta edição. Mas, se Ellis não apressar o ritmo nas revistas seguintes, as coisas vão começar a dar bocejo.
Muito Legal (8 / 10)

MARVEL TEAM-UP 1
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins

Robert Kirkman (de Invincible) é um argumentista tremendamente superestimado. Fez mais ou menos feio em sua fase recente no Capitão América, com um tom Era de Prata meio forçado, diferente do adotado por um Kurt Busiek ou um Mark Waid, por exemplo. Esta volta da Marvel Team-Up vem em hora bem estranha, mas vamos ver o que acontece. Nesta edição, Homem-Aranha deve salvar um garoto mutante das garras de Wolverine, aparentemente. O final, claro, muda tudo isso e abre espaço para a edição seguinte. Kirkman tem boas idéias, mas às vezes sofre de uma certa “leveza” forçada. Nema Era de Prata era tão leve assim. De qualquer forma, tem boas cenas, como a que mostra Wolverine escapando das teias do Aranha. Aliás, as novas teias orgânicas do Aranha já mostram um problema: elas são brancas. Isso tira todo o grafismo das teias, que se perdem em meio ao fundo do cenário. Os desenhos de Scott Kolins são competentes e dão muito mais graça ao roteiro de Kirkman. Pontos para ele. Um início divertido, mas precisa de ajustes.
Tá, é Bacana (7 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 1
Marvel
Texto: Fabian Nicieza e Kurt Busiek
Arte: Tom Grumett

É a volta dos Thunderbolts, mais uma vez aproveitando a ausência dos Vingadores para se firmar como o principal supergrupo de Nova York. Abe Jenkins, o Mach 4 (antigo Besouro), sai da cadeia e resolve reativar o grupo, para isso convidando Songbird (a menina com poderes de luz sólida, sua antiga namorada), Atlas (que agora não usa mais as partículas Pym e funciona como faz-tudo mecânico do grupo) e a nova aquisição, o Nevasca (antigo vilão do Homem de Ferro, que quer se regenerar). Logo de cara eles enfrentam um grupo de supervilões atlantes, uma batalha salva pela intervenção de Genie, o novo Capitão Marvel. Boas idéias, excelente caracterização e bons momentos, principalmente a cargo de Nevasca, que tem problemas em sua primeira missão como “super-herói”. O texto soa muito mais Fabian Nicieza do que Kurt Busiek, que aqui age como consultor do plot, creio. Mas é um começo promissor, com bons desenhos funcionais de Tom Grumett, mais ndo adequados ao estilo de uma revista como Thunderbolts. Engraçado como os quadrinhos que seguem o estilo clássico de super-heróis da Marvel, como esta revista, a nova minissérie dos Vingadores, por Joe Casey, Madrox, She-Hulk e algumas outras têm servido como um antídoto muito bem-vindo à chatice apelativa e “realista” de Bendis, Straczynsky e Millar. E olha que sou um fã da Vertigo.
Muito Legal (8 / 10)

OCEAN 2
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Se a primeira edição desta mini em seis partes acertou no sense of wonder, desta vez o ritmo cai para a chatice lenta dos trabalhos recentes de Warren Ellis, graças á maldição da “descompressão”. Looongas páginas de diálogos, que parecem ter sido tiradas de algum manual para roteiristas de personagens “espertos”. Felizmente, não chega a irritar (ainda) graças a dois elementos: os desenhos maravilhosos de Chris Sprouse e a introdução de nvos e intrigantes elementos ao plot. Entre eles, o fato de que Europa, uma das luas de Júpiter, contém “caixões” com corpos humanóides de bilhões de anos de idade. A edição seguinte claramente implora por um avanço maior do plot, vamos esperar para ver se Ellis consegue fazer isso ou vai manter o ritmo ponto morto de seu trabalho atual. Infelizmente, aposto na segunda opção.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

PLASTIC MAN 12
DC
Texto e arte: Scott Morse

Uma atípica edição fill-in, a cargo do escritor e desenhista Scott Morse. O cara até que tenta imitar o estilo de Kyle Baker no traço, mas no quesito piadas e situações ele está muito longe de demonstrar o brilhantismo insano de Baker. O resultado final soa bobo e derivativo. Espero que Baker esteja de volta na próxima edição.
Só Para Fãs (5 / 10)

ANGELTOWN 1
Vertigo
Texto: Gary Phillips
Arte: Shawn Martinbrough

Primeira edição da minissérie em cinco partes. Hard-boiled policial, escrito com clara paixão pelo gênero por Gary Phillips. Um detetive particular precisa achar um astro do basquete que talvez tenha assassinado a ex-esposa. Situação tipicamente OJ Simpson (a própria história cita o caso OJ), mas funciona. Uma Los Angeles repleta de personagens curiosos e realistas dá o molho especial ao roteiro, mas o melhor da edição é mesmo o desenho ágil e expressivo de Shawn Martinbrough. Um início interessante, mas nada espetacular. Vamos aguardar as próximas edições. O cliffhanger, contudo, é surpreendente e deixa o leitor com vontade de saber mais.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

AQUAMAN 24
DC
Texto: John Ostrander
Arte:Chris Batista

Conclusão da fase de John Ostrander nesta revista – ele vai embora com uma história bem legal. Marauder, o vilão da edição anterior, é anulado por Aquaman e os Sea Devils (que perdem um de seus membros numa morte terrível).Resta agora a Aquaman lidar com a questão de Sub Diego, a San Diego que afundou e agora tem habitantes que só respiram debaixo d’água. Uma fase bem interessante da revista, com ótimo texto e plot de Ostrander. Os desenhos de Chris Batista estão muito bons, com um toque levemente clássico (no sentido “golden age” da palavra). No mês que vem sobe à bordo o argumentista John Arcudi, que também é muito competente. Por enquanto, a mistura de ação, intrigas nucleares e metamorfoses biológicas de John Ostrander tem garantido a diversão.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

AVENGERS FINALE
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: Neal Adams, David Finch, Alex Maleev, Steve Epting, Lee Weeks, Michael Gaydos, Eric Powell, Darick Robertson, Mike Mayhew, David Mack, Gary Frank, Mike Avon Oeming, Jim Cheung, Steve McNiven e George Pérez.

A edição one-shot que (tenta) amarrar as pontas soltas da ridícula saga Avengers Disassembled é melhor que a saga em si. Ao menos aqui os Vingadores não estão agindo como completos idiotas. Ao menos, não o tempo todo, mas os tiques de Bendis aparecem aqui e ali. Os Vingadores remanescentes se reúnem nos destroços da Mansão para render uma homenagem aos mortos (Valete de Copas, Homem-Formiga, Visão, Gavião Arqueiro e Thor) e à nova vilã “enlouquecida” (Feiticeira Escarlate).Um saldo um tanto quanto patético e exagerado, se levarmos em conta a qualidade abissal de Disassembled. Os diálogos aqui até que funcionam, mas é sempre a pessoa errada que está dizendo algo. Por exemplo, é estranho que justamente Carol Danvers afirme que a sua “saga” favorita dos Vingadores é a Saga de Thanos, já que ela sequer era Miss Marvel ainda nesta época. Enfim, as posições estão erradas e Bendis mais uma vez força o plot goela abaixo dos personagens, que lutam para tentar se encaixar ao papel que lhes foi imposto. O desaparecimento de Thor não parece afetar muito o grupo e descobrimos, ridiculamente, que Tony Stark não tem mais dinheiro para financiar os Vingadores e que ele decidiu deixar a Mansão em ruínas mesmo, como um “monumento” (à estupidez de Bendis, deve ser). Enfim, um trsite final para esta revista que já durava 40 anos.
A arte em si tem altos e baixos. George Pérez, Steve Epting, Lee Weeks e Gary Frank são os destaques. Alex Maleev, David Mack e Mike Avon Oeming são as pontas mais fracas do tecido. Novamente, são justamente os amigos de Bendis, que nada têm a ver com a história passada dos Vingadores (nem com o estilo das cenas que retratam). A regra de Bendis, tanto em termos de escolha de personagens e situações como de artistas colaboradores, parece ser essa: “não combina, mas dane-se. Vamos fazer combinar à força”.
Um fim patético para esta revista e que não deixa muito ânimo para ler os vindouros New Avengers (que, pela capa que eu linkei no post aí embaixo, vão continuar no mesmo naipe).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

BATMAN – LEGENDS OF THE DARK KNIGHT 185
DC
Texto: Shane McCarthy
Arte: Tommy Castillo

Início da saga Riddle Me That, em cinco partes. Batman encontra algumas pistas deixadas pelo Charada, mas em situações estranhas e mais radicais, que não parecem ser o habitual de Edward Nigma. Enquanto isso, um velho professor encontra por casao, em um parque de Gotham, um mendigo aparentemente genial em resolver puzzles e palavras cruzadas, que talvez seja o próprio Nigma. Um começo bastante interessante. McCarthy não quer reinventar a roda, apenas contar uma boa história do Batman. E aqui o morcego está bem retratado, usando ao máximo suas capacidades de detetive e observaçáo – e seus espantosos conhecimentos específicos. A arte de Tommy Castillo é interessante, com ecos de Michael Golden.
Tá, é Bacana, (7,5 / 10)

B.P.R.D. – THE DEAD 1
Dark Horse
Texto: Mike Mignola e John Arcudi
Arte: Guy Davis

Primeira edição da nova minissérie em quatro partes do BPRD (na prática, a edição 13 desta série de minisséries). O BPRD é o Bureau de Pesquisa Paranormal criado por Mike Mignola para a série Hellboy. Estão todos aqui: Abe Sapiens, o anfíbio; Liz Sherman, que lança fogo pelas mãos; Dra. Kate Corrigan, a folclorista; Roger, o homúnculo feito de sangue humano e ervas; e Johann Kraus, a forma astral em uma garrafa. Enquanto Corrigan e Abe Sapiens investigam o que talvez seja o misterioso passado deste último, com boas cenas de investigação, os outros três conhecem seu novo chefe de campo, um marine que voltou á vida após passar três dias morto. É este sujeito que consegue com o Pentágono verba e autorização para que o BPRD se mude de Connecticut para uma base abandonada do governo nas montanhas nevadas do Colorado. A chegada à base é impressionante e os dois plots paralelos são muito intrigantes. De quebra, o grupo ainda tem que lidar com o avanço dos homens-sapos, que parecem estar indo para o oeste. Ótimo texto de Mignola e Arcudi e arte simplesmente sensacional e climática de Guy Davis.
Muito Legal (8,5 / 10)

GOTHAM CENTRAL 25
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Michael Lark

O Comissário Akins, após romper com os vigilantes de Gotham na saga War Games, manda retirar o bat-sinal do terraço da sede policial da cidade. As amarras com Batman e seus sidekicks estão definitivamente cortadas, para tristeza de Renee Montoya, que já teve sua vida salva pelo morcego inúmeras vezes. Uma história menor nesta série, criada para assimilar as mudanças impostas pelo crossover. Mas funciona. Uma pena que Michael Lark, que está cada vez melhor, vá abandonar em breve esta revista, pois acaba de assinar um contrato de exclusividade de dois anos com a Marvel.
Tá, é Bacana (7 / 10)

IDENTITY CRISIS 6
DC
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales

A desgraça criativa continua e esta série fica cada vez mais ridícula. Esta edição é coalhada de textos cafonas, sobre “a família, como nós, super-heróis, corremos perigo, nossos entes queridos, meu filho, e, oh, meu marido”. Enfim, parece uma letra do Kenny Rogers ou alguém assim. Para piorar tudo, o Capitão Bumerangue e o pai de Tim Drake, o Robin, se matam mutuamente, em uma cena patética e apelativa. Robin chega em casa e vê o pai morto, sendo abraçado por Batman, em uma situação que apenas retira de Tim Drake tudo o que fazia dele um Robin diferente dos anteriores. O pior mesmo é a sequência final, onde o Dr. Meia-Noite, durante a autópsia no corpo de Sue Dibny, descobre que talvez o assassino seja Ray palmer, o Eléktron, porque encontrou “micro-pegadas” no cérebro da vítima. Sim, micro-pegadas. No cérebro. Essa série é o pior do ano, de longe, ao lado de Avengers Disassembled. É como ver um acidente de carro em andamento.
Que Meleca, Hein? (1 / 10)

IRON MAN 1
Marvel
Texto: Warren Ellis
Arte: Adi Granov

Até que a maldição da “descompressão” não afeta tanto assim este primeiro número da nova fase do Homem de Ferro, por Warren Ellis. Ou talvez os desenhos de Adi Granov sejam bonitos o suficiente para que você olhe para eles e esqueça que quase nada está acontecendo. De qualquer forma, um começo promissor, com Tony Stark sendo sabatinado por um sub-Michael Moore a respeito de seu passado como inventor de armas. O Stark de Ellis é bem caracterizado e, felizmente, não é o “personagem-Ellis” da história. Alguns tiques de Ellis, porém, aparecem: o uso de celular, essa maravilha da tecnologia; as três páginas de Iron Man voando, onde nada acontece (sim, é cheio de sense of wonder o fato de um sujeito poder voar em sua propria armadura, Ellis, mas já vimos isso várias vezes nos últimos 41 anos de Iron Man, então não vamos ficar muito impressionados com isso); e as telecomunicações wireless e sua praticidade. Ainda assim, Iron Man é o melhor personagem Marvel para alguém como Ellis: contatos internacionais, alta tecnologia, etc. Adi Granov está claramente investindo muito nesta série. Sua mistura de imagens renderizadas em 3-D, polidas para que não pareçam frias e distantes, e traço tradicional é fantástica e responsável por mais da metade da graça desta edição. Mas, se Ellis não apressar o ritmo nas revistas seguintes, as coisas vão começar a dar bocejo.
Muito Legal (8 / 10)

MARVEL TEAM-UP 1
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins

Robert Kirkman (de Invincible) é um argumentista tremendamente superestimado. Fez mais ou menos feio em sua fase recente no Capitão América, com um tom Era de Prata meio forçado, diferente do adotado por um Kurt Busiek ou um Mark Waid, por exemplo. Esta volta da Marvel Team-Up vem em hora bem estranha, mas vamos ver o que acontece. Nesta edição, Homem-Aranha deve salvar um garoto mutante das garras de Wolverine, aparentemente. O final, claro, muda tudo isso e abre espaço para a edição seguinte. Kirkman tem boas idéias, mas às vezes sofre de uma certa “leveza” forçada. Nema Era de Prata era tão leve assim. De qualquer forma, tem boas cenas, como a que mostra Wolverine escapando das teias do Aranha. Aliás, as novas teias orgânicas do Aranha já mostram um problema: elas são brancas. Isso tira todo o grafismo das teias, que se perdem em meio ao fundo do cenário. Os desenhos de Scott Kolins são competentes e dão muito mais graça ao roteiro de Kirkman. Pontos para ele. Um início divertido, mas precisa de ajustes.
Tá, é Bacana (7 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 1
Marvel
Texto: Fabian Nicieza e Kurt Busiek
Arte: Tom Grumett

É a volta dos Thunderbolts, mais uma vez aproveitando a ausência dos Vingadores para se firmar como o principal supergrupo de Nova York. Abe Jenkins, o Mach 4 (antigo Besouro), sai da cadeia e resolve reativar o grupo, para isso convidando Songbird (a menina com poderes de luz sólida, sua antiga namorada), Atlas (que agora não usa mais as partículas Pym e funciona como faz-tudo mecânico do grupo) e a nova aquisição, o Nevasca (antigo vilão do Homem de Ferro, que quer se regenerar). Logo de cara eles enfrentam um grupo de supervilões atlantes, uma batalha salva pela intervenção de Genie, o novo Capitão Marvel. Boas idéias, excelente caracterização e bons momentos, principalmente a cargo de Nevasca, que tem problemas em sua primeira missão como “super-herói”. O texto soa muito mais Fabian Nicieza do que Kurt Busiek, que aqui age como consultor do plot, creio. Mas é um começo promissor, com bons desenhos funcionais de Tom Grumett, mais ndo adequados ao estilo de uma revista como Thunderbolts. Engraçado como os quadrinhos que seguem o estilo clássico de super-heróis da Marvel, como esta revista, a nova minissérie dos Vingadores, por Joe Casey, Madrox, She-Hulk e algumas outras têm servido como um antídoto muito bem-vindo à chatice apelativa e “realista” de Bendis, Straczynsky e Millar. E olha que sou um fã da Vertigo.
Muito Legal (8 / 10)

OCEAN 2
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Se a primeira edição desta mini em seis partes acertou no sense of wonder, desta vez o ritmo cai para a chatice lenta dos trabalhos recentes de Warren Ellis, graças á maldição da “descompressão”. Looongas páginas de diálogos, que parecem ter sido tiradas de algum manual para roteiristas de personagens “espertos”. Felizmente, não chega a irritar (ainda) graças a dois elementos: os desenhos maravilhosos de Chris Sprouse e a introdução de nvos e intrigantes elementos ao plot. Entre eles, o fato de que Europa, uma das luas de Júpiter, contém “caixões” com corpos humanóides de bilhões de anos de idade. A edição seguinte claramente implora por um avanço maior do plot, vamos esperar para ver se Ellis consegue fazer isso ou vai manter o ritmo ponto morto de seu trabalho atual. Infelizmente, aposto na segunda opção.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

PLASTIC MAN 12
DC
Texto e arte: Scott Morse

Uma atípica edição fill-in, a cargo do escritor e desenhista Scott Morse. O cara até que tenta imitar o estilo de Kyle Baker no traço, mas no quesito piadas e situações ele está muito longe de demonstrar o brilhantismo insano de Baker. O resultado final soa bobo e derivativo. Espero que Baker esteja de volta na próxima edição.
Só Para Fãs (5 / 10)

Quadrinhos da Semana (3/11)

ASTONISHING X-MEN 6
Marvel
Texto: Joss Whedon
Arte: John Cassaday

John Cassaday continua brilhante na arte desta revista, mas Joss Whedon cai num certo anti-clímax na conclusão deste seu primeiro arco. A história sofre de um exagero de infodumping nos primeiros dois terços da revista. Ainda assim, um final razoável. A abordagem de Whedon em relação aos X-Men é a clássica e aqui isso não é ruim. Mas algumas idéias inovadoras surgem: o soro capaz de curar os mutantes, por exemplo. Mas falta algo que catapulte as idéias de Whedon para algo além de uma mera homenagem aos X-Men clássicos dos anos 80.
Tá, é Bacana (7 /10)

AVENGERS 503
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch.

A conclusão de Avengers Disassembled. Os Vingadores (dezenas deles) ficam várias e várias páginas parados como idiotas, escutando o Doutor Estranho explicar o plot da história para eles. Descobrimos que a responsável por todas as mortes é a Feiticeira Escarlate, enlouquecida após descobrir (ou relembrar) que havia tido um par de filhos anos atrás. Este é um dos piores quadrinhos que já li na vida – e olha que leio quadrinhos desde os 3 anos de idade. os diálogos são ruins e forçados; o plot é inexistente; os personagens se comportam de forma estúpida; e a aparição de Estranho é um conveniente deus ex-machina. O desenho de David Finch é tenebroso e o cara ainda é preguiçoso, reaproveitando os mesmos quadros várias vezes seguidas. Isso nem chega a ser um quadrinho muito ruim: é um fanfic muito ruim. Realmente deprimente. E sabem o que é o pior? Brian Bendis é considerado um “ótimo escritor”. OK, a única história que ele conta há anos no Demolidor não é ruim, mas quando ele sai de lá, faz cagadas como esta saga. Ótimos escritores não são tão instáveis assim e nem seus erros são baixos dessa forma. Disassembled é errada de tantas formas que seria preciso mais espaço e esforço para falar sobre ela, coisas que não estou disposto a conceder a esta tralha. Este é o último número desta revista, que será relançada no mês que vem como New Avengers. Vou dar uma chance de uma edição para Bendis me impressionar – e muito. Caso contrário, vou deixar de resenhar e ler esta série enquanto ele for o “roteirista” (ah, ah).
Fuja Desta Merda (0 / 10)

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 1
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins

Minissérie em oito edições, contando o que aconteceu entre as cenas mostradas nas primeiras edições de Avengers, por Stan Lee e Jack Kirby. Casey é um bom escritor e claramente ama estes personagens. As cenas novas são inteligentes e acrescentam um toque de tensão e caracterização que enriquece as histórias originais. Várias boas cenas, como o Hulk saltando para longe da Mansão, envergonhado por não conseguir assinar seu nome. Não gosto do estilo de Kolins, mas sua arte aqui é surpreendentemente funcional e adequada, com bons momentos. Nada demais, mas uma obra-prima perto da fase horrenda em que os Vingadores estão agora.
Muito Legal (8 / 10)

CAPTAIN AMERICA AND THE FALCON 9
Marvel
Texto: Priest
Arte: Jack Jadson

Muita intriga, cenas de tensão e boa caracterização… numa trama pra lá de complicada e que já deveria ter terminado. Diabos, estamos no número 9 e pouca coisa se resolveu até agora. Este era o principal problema de Christopher Priest (agora apenas Priest) em Black Panther e The Crew e ele permanece nesta série. Boas histórias, que se arrastam por edições demais. E Jack Jadson não é uma boa escolha para artista fill-in: falta personalidade e ele não atrai o interesse do leitor para a história, que a esta altura já deixou de ser interessante e ficou chata.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DEMO 11
AiT/Planet Lar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan

Eu adoro os trabalhos anteriores de Brian Wood, mas não estou conseguindo gostar desta série. OK< o design de Wood continua ótimo; as capas, contracapas e diagramação das páginas surpreendem. Mas, no fim das contas, apesar de uma proposta indie, Demo continua sendo uma história de super-heróis e o sense of wonder aqui é zero. Super-heróis e a chatice e o vazio da realidade são auto-excludentes. Como resultado, você não consegue se importar com o que acontece com nenhum dos personagens. Demo parece tentar desesperadamente soar cool e modernamente pop. Como essa claramente não era a intenção de Wood, algo deu errado. Indie e chata demais para ser pop e interessante; super-heroística demais para ser um bom quadrinho indie. Um híbrido mal-sucedido. E, OK, deixando o hype de Brian Wood e Larry Young de lado, Becky Cloonan continua sendo mais uma desenhista americana que imita mangá, no fim das contas. Bom, não vejo a hora disso acabar e Brian Wood voltar com um novo Channel Zero ou Couriers.
Só Para Fãs (6 / 10)

DETECTIVE COMICS 800
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Pete Woods

Coube a Gabrych amarrar as pontas soltas da saga War Games. E até que ele faz isso de forma razoável, dadas as condições. Resumindo: Barbara Gordon e seu pai, o Comissário Gordon, estão partindo de Gotham. Os vigilantes mascarados foram proibidos peloa polícia e essa é a deixa para que todo o elenco do universo de Batman também deixe a cidade (Robin, Caçadora, Batgirl, etc). Batman está novamente sozinho em Gotham, sem sidekicks e sem Oráculo e novamente perseguido pela polícia, como na época de Ano Um. Até que é um setup interessante e que ao menos pode render boas histórias. Aqui, Gabrych mostra o morcego enfrentando o Chapeleiro Louco e uns traficantes de heroína da Yakuza. Nada demais, mas funciona. A história de backup é de David Lapham (texto e desenhos), o cara que escreve a sensacional série Stray Bullets e que a partir da próxima edição será o novo roteirista de Detective Comics. O problema é que, se esta história curta for um sinal do que vem por aí, estamos mal. Que coisa pretensiosa e insuportável.
Só Para Fãs (5 / 10)

FALLEN ANGEL 17
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez

Putz, este arco está cada vez melhor. Fallen Angel enfrenta um dos emissários da Hierarchy, o misterioso grupo que controla a cidade de Bête Noire. E Shadow Boxer faz a maior merda de sua vida, alterando o rumo da gravidez de Lee (Fallen Angel) e da revista como um todo no cliffhanger mais inesperado do ano. Uma série sensacional. O número que vem – 18 – seria o último, graças às baixas vendas, mas a reimpressão e distribuição gratuita do número 1 e uma campanha promovida pelos blogs de quadrinhos garantiu uma inesperada subida nas vendas, de última hora. Os TPBs chegaram a vender 30% a mais. Ótima notícia. Peter David e esta excelente revista merecem mais uma chance. A chance é pequena (a DC vai lançar mais duas edições, 19 e 20, e esperar que as vendas aumentem para continuar a revista), mas já é alguma coisa. Compre já.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

HULK AND THING: HARD KNOCKS 3
Marvel Knights
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee

Duas perguntas: o que acontece com Jae Lee que ele só escolhe projetos furados para desenhar? E o que acontece com Bruce Jones, que de excelente roteirista nos anos 80 virou esse picareta chato atual? Jones tenta soar esperto e fazer diálogos modernos e acaba apenas parecendo seu pai tentando dançar break. Hulk e Coisa batem papo no deserto e até que existe uma boa idéia por trás de tudo (a barra-pesada que é ser um monstro como o Coisa e o Hulk). Mas uma boa idéia que poderia muito bem ter gerado uma edição especial, não uma minissérie em quatro partes). Juntamente com o último ano da revista do Hulk, esta mini é uma triste despedida desta volta de Jones à Marvel. Só resta torcer para que seus próximos projetos, desta vez pela Vertigo, sejam melhores e lembrem seus bons tempos.
Só Para Fãs (6 / 10)

JLA CLASSIFIED 1
DC
Texto: Grant Morrison
Arte: Ed McGuinness

A volta dos Ultramarines! A destruição da cidade de Kinshasa! Gorila Grodd em atos de canibalismo! Gorilas voadores com pistolas lasers. Batman e seu “armário sci-fi”. O laboratório da LIga da Justiça em Plutão. O micro-universo cúbico de Qwewq! Em duas páginas desta edição há mais coisas acontecendo que em dez revistas escritas por Warren Ellis ou Brian Bendis. Em um mercado editorial onde a última tendência é o desleixo no plot e a preguiça de idéias disfaraçada de “descompressão”, é um alívio e um verdadeiro Prozac ler esta história. É a volta de Morrison à sua JLA, na estreía desta revista que conterá histórias da Liga da Justiça em um rodízio de autores. Morrison e McGuinness (Deadpool) estréiam o título em altíssimo nível. Na clássica pergunta de Batman para Alfred, na Bat-Caverna: “Meu disco voador já veio da fábrica?”.
Excelente (9,5 / 10)

SLEEPER – SEASON TWO 5
Wildstorm
Texto: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips

Uma edição atípica, onde o agente Lynch lembra uma antiga missão onde tudo deu errado e sua infeliz relevância para a atual situação. Brubaker dá uma acelerada no plot – e em boa hora. Os desenhos de Sean Phillips, como sempre, estão ótimos. Boas idéias, mas fica sempre aquela impressão de que esta série seria bem melhor se não tivesse lugar no “universo Wildstorm”.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

SWAMP THING 9
Vertigo
Texto: Joshua Dysart
Arte: Enrique Breccia

Trazer o Monstro do Pântano de volta se revelou uma péssima idéia desde o início. A série original, imortalizada por Alan Moore, teve um final brilhante, arquitetado por Grant Morrison e Mark Millar. Não precisavam ter ressuscitado a revista. E parece que não há quem dê jeito nisso: Andy Diggle, ótimo roteirista de The Losers e Adam Strange, falhou nas primeiras edições desta nova série. O arco anterior, por Will Pfeiffer, também primou pelo tédio. E a chegada do novo escritor, Joshua Dysart, nesta edição, põe fim de vez às minhas esperanças. Após quase três décadas, não há mais nada que garanta o interesse em Alec Holland, Abby Cable e Tefé. Chega. Nesta sua primeira edição nos roteiros, Dysart enrola e enrola com cenas de lesbianismo barato entre Tefé e sua amiga de escola, cenas de psicodelia de boteco e trechos óbvios passados no inferno, tudo isso para… trazer de volta Anton Arcane. Não!!!!!! Arcane voltando do inferno para atazanar Abby e o Monstro é uma idéia que já tinha sido feita até a morte ainda na série original, o que dirá agora. Enfim, com esta edição estou deixando de ler e resenhar esta revista, que fatalmente não vai durar mais muito tempo. Não há mais nada de novo a ser feito com estes personagens e estes conceitos. A época do Swamp Thing passou. Deixem o personagem em paz. Uma pena que o sensacional e lendário Enrique Breccia seja desperdiçado nesta bomba. E, putz, esta revista ainda tem cajuns falando com aqueles “sotaques bizarros de estrangeiros de quadrinhos”. Façam-me o favor, né?
Uma Porcaria (4 / 10)

SYLVIA FAUST 2
Image
Texto: Jason Henderson
Arte: Greg Scott

Esta minissérie em quatro partes é algo tão offbeat e estranho que fica interessante. Sylvia Faust é uma princesa de outra dimensão mística obrigada a viver neste nosso planetinha. A idéia é manjada, mas rende bons momentos, graças à esquisitice do plot de Jason Henderson (da recente minissérie Sword of Dracula) e aos desenhos de Greg Scott, totalmente diferentes de qualquer estilo em voga nos quadrinhos atuais. Não é brilhante, mas um sopro de revigorante personalidade, com bons diálogos e momentos que oscilam entre o divertido e o freak.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

THE INTIMATES 1
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli

Nova tentativa de Joe Casey de introduzir novo fôlego ao combalido e repetitivo gênero dos quadrinhos de super-heróis. Se em Wildcats 2.0 ele lançou mão de plots envolvendo corporações e em Automatic Kafka foi mais experimental, em Intimates ele tenta ser absurdamente pop. Uma escola para super-heróis novatos é a ambientação e tudo parece que vai girar em torno dos alunos e professores. Casey disse que aqui quer utilizar a lógica dos sitcoms: você poderá ler qualquer edição e entender o que está acontecendo, mesmo sem conhecer os personagens. Ele e Camuncoli também introduzem novas formas de informar os leitores: há uma enorme quantidade de informação a cada página, através de recordatórios que mais parecem banners de sites ou anúncios de produtos (“Special Origin Flashback! Destra has a summer romance”). Funciona em metade das vezes, mas em outras fica parecendo forçadamente “cool”. E, como efeito colateral, a ironia acaba deixando os personagens um tanto distantes. Vamos ver se Casey se acerta nas próximas edições, há potencial aqui. E, por favor, que troquem de letrista; letras brancas sobre fundo amarelo em alguns recordatórios não são uma boa idéia. Fica ilegível.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

THE QUESTION 1
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards

Minissérie em seis partes, trazendo de volta Vic Sage, o Questão. Sage está de partida para Metropolis e ele aparentemente aprendeu técnicas de xamanismo. Na verdade, Sage se tornou uma espécie de xamã urbano: ao invés de observar as montanhas e lagos, ele observa os sinais da cidade. Na primeira parte da história, ele decifra vários sinais deixados por Chicago, utilizando estes sinais em sua cruzada vigilante como Questão. A idéia é interessante e Rick Veitch (que escreveu o Monstro do Pântano após a saída de Alan Moore e fez um excelente trabalho) segura a onda dessa idéia, não deixando que ela se torne ridícula. Ele ainda utiliza boas frases durante os momentos mais urbano-xamânicos, emulando o estilo de Allen Ginsberg em Uivo. A edição termina com Sage chegando à hiper-tecnológica cidade de Metropolis e só nos resta imaginar que sinais bizarros a terra de Superman e Lex Luthor vai mostrar para ele. O desenhista Tommy Lee Edwards é um velho favorito meu e aqui ele parece ter – acertadamente – deixado de lado seu tom mais sombrio e cinza em prol de algo mais colorido e pop. Um começo promissor e interessante.
Muito Legal (8 / 10)

TOE TAGS 2
DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

O primeiro número já foi meio indigesto, ainda que interessante, mas desta vez a salada impera. Numa tentativa de trazer algo de novo à velha história de “zumbis tomam a cidade”, Romero acaba misturando alhos com bugalhos. Aos zumbis se somam um elefante de estimação, um relacionamento amoroso conturbado e outros toques que, ao invés de deixar a história original, a fazem perder o foco. Esta segunda edição é tão chata e sem sentido que a partir da metade passei meio que a apenas folhear. Use melhor seu tempo assistindo à Dawn of the Dead ou Extermínio. Ou, claro, a um dos filmes de Romero, que como roteirista de quadrinhos é um bom cineasta. Mais uma que sai da lista de resenhas.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 2
Marvel
Texto: Robert Rodi (sobre roteiro original de Bruce Jones)
Arte: Jamie Tolagson

Com esta série, acontece o oposto: esta segunda edição é mais interessante. Claro, a primeira edição teve a inevitável apresentação dos novos personagens, etc. Aqui a coisa começa a deslanchar e até mesmo o desenho de Tolagson me pareceu mais competente. Blade e seu novo grupo de caça-vampiros (os personagens são meio clichês, mas justamente por isso acabam funcionando) chegam à Romênia e são atacados por uma horda de vampiros. Felizmente, parece que Rodi vai fazer as coisas andarem rápido por aqui. Me convenceu a ficar por mais algumas edições. Há o risco de algo bem legal acontecer nesta série, vamos ver.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 28
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra

O plot finalmente começa a avançar, a exemplo da última edição. Ao que tudo indica, o amuleto de Yorick era mesmo o que o impédia de ser contaminado pela praga que deu cabo de todos os homens do planeta. Entram em cena um grupo de mulheres neo-islâmicas, que acreditam que praga foi causada por uma antiga jóia ligada a Helena de Tróia, que teria sido amaldiçoada por Zeus em pessoa. Como esta se´rie não é Sandman, os deuses fatalmente não terão nada a ver com isso. Bom cliffhanger, com a chegada à cena de Hero, irmã de Yorick. Esta série está voltando a engrenar, o que é bom. E os desenhos de Pia Guerra são muito interessantes, em prol da narrativa.
Muito Legal (8 / 10)

IDENTITY CRISIS 6 (lançada no dia 10/11)
DC
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales

Tim Drake encontra seu pai assassinado, ao lado do corpo do Capitão Bumerangue. Bom, a única coisa interessante em Tim como Robin era justamente que ele fugia desse esquema “meus pais foram assassinados e sou um sujeito vingativo”, como os anteriores. Agora ele é só mais um Robin. Isso é típico dessa série, que tira vários elementos legais do universo DC sem acrescentar NADA em troca. De quebra, duas “revelações chocantes” (táticas baratas de choque SÃO esta série): o assassino talvez seja Ray Palmer, o Eléktron; e Batman também foi lobotomizado pela Liga da Justiça. Oliver Queen justifica as lobotomias dizendo que “temos que proteger nossas famílias”. Bom, não é como se alguém tivesse obrigado esses caras a serem super-heróis. Eles agem assim porque querem e, portanto, o risco das famílias não é uma justificativa para lobotomizar pessoas (como se existisse alguma). E logo Oliver Queen. Desde quando Queen é um reacionário que auto-justifica absurdos de direita? Para piorar, Meltzer afunda ainda mais no estilo cafona de escrita que lhe é tradicional: “oh, os meus filhos, a minha família, o perigo, meus entes queridos, oh, meu marido”. Cafona, barato, mal-escrito e desesperado como, sei lá, uma letra do Kenny Rogers. Essa saga é a piada do ano, ao lado de Avengers Disassembled e da Gwen Stacy retro-puta de Sins Past, em Amazing Spider-Man. Pfffff.
Uma Porcaria (1 / 10)

ASTONISHING X-MEN 6
Marvel
Texto: Joss Whedon
Arte: John Cassaday

John Cassaday continua brilhante na arte desta revista, mas Joss Whedon cai num certo anti-clímax na conclusão deste seu primeiro arco. A história sofre de um exagero de infodumping nos primeiros dois terços da revista. Ainda assim, um final razoável. A abordagem de Whedon em relação aos X-Men é a clássica e aqui isso não é ruim. Mas algumas idéias inovadoras surgem: o soro capaz de curar os mutantes, por exemplo. Mas falta algo que catapulte as idéias de Whedon para algo além de uma mera homenagem aos X-Men clássicos dos anos 80.
Tá, é Bacana (7 /10)

AVENGERS 503
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch.

A conclusão de Avengers Disassembled. Os Vingadores (dezenas deles) ficam várias e várias páginas parados como idiotas, escutando o Doutor Estranho explicar o plot da história para eles. Descobrimos que a responsável por todas as mortes é a Feiticeira Escarlate, enlouquecida após descobrir (ou relembrar) que havia tido um par de filhos anos atrás. Este é um dos piores quadrinhos que já li na vida – e olha que leio quadrinhos desde os 3 anos de idade. os diálogos são ruins e forçados; o plot é inexistente; os personagens se comportam de forma estúpida; e a aparição de Estranho é um conveniente deus ex-machina. O desenho de David Finch é tenebroso e o cara ainda é preguiçoso, reaproveitando os mesmos quadros várias vezes seguidas. Isso nem chega a ser um quadrinho muito ruim: é um fanfic muito ruim. Realmente deprimente. E sabem o que é o pior? Brian Bendis é considerado um “ótimo escritor”. OK, a única história que ele conta há anos no Demolidor não é ruim, mas quando ele sai de lá, faz cagadas como esta saga. Ótimos escritores não são tão instáveis assim e nem seus erros são baixos dessa forma. Disassembled é errada de tantas formas que seria preciso mais espaço e esforço para falar sobre ela, coisas que não estou disposto a conceder a esta tralha. Este é o último número desta revista, que será relançada no mês que vem como New Avengers. Vou dar uma chance de uma edição para Bendis me impressionar – e muito. Caso contrário, vou deixar de resenhar e ler esta série enquanto ele for o “roteirista” (ah, ah).
Fuja Desta Merda (0 / 10)

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 1
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins

Minissérie em oito edições, contando o que aconteceu entre as cenas mostradas nas primeiras edições de Avengers, por Stan Lee e Jack Kirby. Casey é um bom escritor e claramente ama estes personagens. As cenas novas são inteligentes e acrescentam um toque de tensão e caracterização que enriquece as histórias originais. Várias boas cenas, como o Hulk saltando para longe da Mansão, envergonhado por não conseguir assinar seu nome. Não gosto do estilo de Kolins, mas sua arte aqui é surpreendentemente funcional e adequada, com bons momentos. Nada demais, mas uma obra-prima perto da fase horrenda em que os Vingadores estão agora.
Muito Legal (8 / 10)

CAPTAIN AMERICA AND THE FALCON 9
Marvel
Texto: Priest
Arte: Jack Jadson

Muita intriga, cenas de tensão e boa caracterização… numa trama pra lá de complicada e que já deveria ter terminado. Diabos, estamos no número 9 e pouca coisa se resolveu até agora. Este era o principal problema de Christopher Priest (agora apenas Priest) em Black Panther e The Crew e ele permanece nesta série. Boas histórias, que se arrastam por edições demais. E Jack Jadson não é uma boa escolha para artista fill-in: falta personalidade e ele não atrai o interesse do leitor para a história, que a esta altura já deixou de ser interessante e ficou chata.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DEMO 11
AiT/Planet Lar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan

Eu adoro os trabalhos anteriores de Brian Wood, mas não estou conseguindo gostar desta série. OK< o design de Wood continua ótimo; as capas, contracapas e diagramação das páginas surpreendem. Mas, no fim das contas, apesar de uma proposta indie, Demo continua sendo uma história de super-heróis e o sense of wonder aqui é zero. Super-heróis e a chatice e o vazio da realidade são auto-excludentes. Como resultado, você não consegue se importar com o que acontece com nenhum dos personagens. Demo parece tentar desesperadamente soar cool e modernamente pop. Como essa claramente não era a intenção de Wood, algo deu errado. Indie e chata demais para ser pop e interessante; super-heroística demais para ser um bom quadrinho indie. Um híbrido mal-sucedido. E, OK, deixando o hype de Brian Wood e Larry Young de lado, Becky Cloonan continua sendo mais uma desenhista americana que imita mangá, no fim das contas. Bom, não vejo a hora disso acabar e Brian Wood voltar com um novo Channel Zero ou Couriers.
Só Para Fãs (6 / 10)

DETECTIVE COMICS 800
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Pete Woods

Coube a Gabrych amarrar as pontas soltas da saga War Games. E até que ele faz isso de forma razoável, dadas as condições. Resumindo: Barbara Gordon e seu pai, o Comissário Gordon, estão partindo de Gotham. Os vigilantes mascarados foram proibidos peloa polícia e essa é a deixa para que todo o elenco do universo de Batman também deixe a cidade (Robin, Caçadora, Batgirl, etc). Batman está novamente sozinho em Gotham, sem sidekicks e sem Oráculo e novamente perseguido pela polícia, como na época de Ano Um. Até que é um setup interessante e que ao menos pode render boas histórias. Aqui, Gabrych mostra o morcego enfrentando o Chapeleiro Louco e uns traficantes de heroína da Yakuza. Nada demais, mas funciona. A história de backup é de David Lapham (texto e desenhos), o cara que escreve a sensacional série Stray Bullets e que a partir da próxima edição será o novo roteirista de Detective Comics. O problema é que, se esta história curta for um sinal do que vem por aí, estamos mal. Que coisa pretensiosa e insuportável.
Só Para Fãs (5 / 10)

FALLEN ANGEL 17
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez

Putz, este arco está cada vez melhor. Fallen Angel enfrenta um dos emissários da Hierarchy, o misterioso grupo que controla a cidade de Bête Noire. E Shadow Boxer faz a maior merda de sua vida, alterando o rumo da gravidez de Lee (Fallen Angel) e da revista como um todo no cliffhanger mais inesperado do ano. Uma série sensacional. O número que vem – 18 – seria o último, graças às baixas vendas, mas a reimpressão e distribuição gratuita do número 1 e uma campanha promovida pelos blogs de quadrinhos garantiu uma inesperada subida nas vendas, de última hora. Os TPBs chegaram a vender 30% a mais. Ótima notícia. Peter David e esta excelente revista merecem mais uma chance. A chance é pequena (a DC vai lançar mais duas edições, 19 e 20, e esperar que as vendas aumentem para continuar a revista), mas já é alguma coisa. Compre já.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

HULK AND THING: HARD KNOCKS 3
Marvel Knights
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee

Duas perguntas: o que acontece com Jae Lee que ele só escolhe projetos furados para desenhar? E o que acontece com Bruce Jones, que de excelente roteirista nos anos 80 virou esse picareta chato atual? Jones tenta soar esperto e fazer diálogos modernos e acaba apenas parecendo seu pai tentando dançar break. Hulk e Coisa batem papo no deserto e até que existe uma boa idéia por trás de tudo (a barra-pesada que é ser um monstro como o Coisa e o Hulk). Mas uma boa idéia que poderia muito bem ter gerado uma edição especial, não uma minissérie em quatro partes). Juntamente com o último ano da revista do Hulk, esta mini é uma triste despedida desta volta de Jones à Marvel. Só resta torcer para que seus próximos projetos, desta vez pela Vertigo, sejam melhores e lembrem seus bons tempos.
Só Para Fãs (6 / 10)

JLA CLASSIFIED 1
DC
Texto: Grant Morrison
Arte: Ed McGuinness

A volta dos Ultramarines! A destruição da cidade de Kinshasa! Gorila Grodd em atos de canibalismo! Gorilas voadores com pistolas lasers. Batman e seu “armário sci-fi”. O laboratório da LIga da Justiça em Plutão. O micro-universo cúbico de Qwewq! Em duas páginas desta edição há mais coisas acontecendo que em dez revistas escritas por Warren Ellis ou Brian Bendis. Em um mercado editorial onde a última tendência é o desleixo no plot e a preguiça de idéias disfaraçada de “descompressão”, é um alívio e um verdadeiro Prozac ler esta história. É a volta de Morrison à sua JLA, na estreía desta revista que conterá histórias da Liga da Justiça em um rodízio de autores. Morrison e McGuinness (Deadpool) estréiam o título em altíssimo nível. Na clássica pergunta de Batman para Alfred, na Bat-Caverna: “Meu disco voador já veio da fábrica?”.
Excelente (9,5 / 10)

SLEEPER – SEASON TWO 5
Wildstorm
Texto: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips

Uma edição atípica, onde o agente Lynch lembra uma antiga missão onde tudo deu errado e sua infeliz relevância para a atual situação. Brubaker dá uma acelerada no plot – e em boa hora. Os desenhos de Sean Phillips, como sempre, estão ótimos. Boas idéias, mas fica sempre aquela impressão de que esta série seria bem melhor se não tivesse lugar no “universo Wildstorm”.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

SWAMP THING 9
Vertigo
Texto: Joshua Dysart
Arte: Enrique Breccia

Trazer o Monstro do Pântano de volta se revelou uma péssima idéia desde o início. A série original, imortalizada por Alan Moore, teve um final brilhante, arquitetado por Grant Morrison e Mark Millar. Não precisavam ter ressuscitado a revista. E parece que não há quem dê jeito nisso: Andy Diggle, ótimo roteirista de The Losers e Adam Strange, falhou nas primeiras edições desta nova série. O arco anterior, por Will Pfeiffer, também primou pelo tédio. E a chegada do novo escritor, Joshua Dysart, nesta edição, põe fim de vez às minhas esperanças. Após quase três décadas, não há mais nada que garanta o interesse em Alec Holland, Abby Cable e Tefé. Chega. Nesta sua primeira edição nos roteiros, Dysart enrola e enrola com cenas de lesbianismo barato entre Tefé e sua amiga de escola, cenas de psicodelia de boteco e trechos óbvios passados no inferno, tudo isso para… trazer de volta Anton Arcane. Não!!!!!! Arcane voltando do inferno para atazanar Abby e o Monstro é uma idéia que já tinha sido feita até a morte ainda na série original, o que dirá agora. Enfim, com esta edição estou deixando de ler e resenhar esta revista, que fatalmente não vai durar mais muito tempo. Não há mais nada de novo a ser feito com estes personagens e estes conceitos. A época do Swamp Thing passou. Deixem o personagem em paz. Uma pena que o sensacional e lendário Enrique Breccia seja desperdiçado nesta bomba. E, putz, esta revista ainda tem cajuns falando com aqueles “sotaques bizarros de estrangeiros de quadrinhos”. Façam-me o favor, né?
Uma Porcaria (4 / 10)

SYLVIA FAUST 2
Image
Texto: Jason Henderson
Arte: Greg Scott

Esta minissérie em quatro partes é algo tão offbeat e estranho que fica interessante. Sylvia Faust é uma princesa de outra dimensão mística obrigada a viver neste nosso planetinha. A idéia é manjada, mas rende bons momentos, graças à esquisitice do plot de Jason Henderson (da recente minissérie Sword of Dracula) e aos desenhos de Greg Scott, totalmente diferentes de qualquer estilo em voga nos quadrinhos atuais. Não é brilhante, mas um sopro de revigorante personalidade, com bons diálogos e momentos que oscilam entre o divertido e o freak.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

THE INTIMATES 1
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli

Nova tentativa de Joe Casey de introduzir novo fôlego ao combalido e repetitivo gênero dos quadrinhos de super-heróis. Se em Wildcats 2.0 ele lançou mão de plots envolvendo corporações e em Automatic Kafka foi mais experimental, em Intimates ele tenta ser absurdamente pop. Uma escola para super-heróis novatos é a ambientação e tudo parece que vai girar em torno dos alunos e professores. Casey disse que aqui quer utilizar a lógica dos sitcoms: você poderá ler qualquer edição e entender o que está acontecendo, mesmo sem conhecer os personagens. Ele e Camuncoli também introduzem novas formas de informar os leitores: há uma enorme quantidade de informação a cada página, através de recordatórios que mais parecem banners de sites ou anúncios de produtos (“Special Origin Flashback! Destra has a summer romance”). Funciona em metade das vezes, mas em outras fica parecendo forçadamente “cool”. E, como efeito colateral, a ironia acaba deixando os personagens um tanto distantes. Vamos ver se Casey se acerta nas próximas edições, há potencial aqui. E, por favor, que troquem de letrista; letras brancas sobre fundo amarelo em alguns recordatórios não são uma boa idéia. Fica ilegível.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

THE QUESTION 1
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards

Minissérie em seis partes, trazendo de volta Vic Sage, o Questão. Sage está de partida para Metropolis e ele aparentemente aprendeu técnicas de xamanismo. Na verdade, Sage se tornou uma espécie de xamã urbano: ao invés de observar as montanhas e lagos, ele observa os sinais da cidade. Na primeira parte da história, ele decifra vários sinais deixados por Chicago, utilizando estes sinais em sua cruzada vigilante como Questão. A idéia é interessante e Rick Veitch (que escreveu o Monstro do Pântano após a saída de Alan Moore e fez um excelente trabalho) segura a onda dessa idéia, não deixando que ela se torne ridícula. Ele ainda utiliza boas frases durante os momentos mais urbano-xamânicos, emulando o estilo de Allen Ginsberg em Uivo. A edição termina com Sage chegando à hiper-tecnológica cidade de Metropolis e só nos resta imaginar que sinais bizarros a terra de Superman e Lex Luthor vai mostrar para ele. O desenhista Tommy Lee Edwards é um velho favorito meu e aqui ele parece ter – acertadamente – deixado de lado seu tom mais sombrio e cinza em prol de algo mais colorido e pop. Um começo promissor e interessante.
Muito Legal (8 / 10)

TOE TAGS 2
DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

O primeiro número já foi meio indigesto, ainda que interessante, mas desta vez a salada impera. Numa tentativa de trazer algo de novo à velha história de “zumbis tomam a cidade”, Romero acaba misturando alhos com bugalhos. Aos zumbis se somam um elefante de estimação, um relacionamento amoroso conturbado e outros toques que, ao invés de deixar a história original, a fazem perder o foco. Esta segunda edição é tão chata e sem sentido que a partir da metade passei meio que a apenas folhear. Use melhor seu tempo assistindo à Dawn of the Dead ou Extermínio. Ou, claro, a um dos filmes de Romero, que como roteirista de quadrinhos é um bom cineasta. Mais uma que sai da lista de resenhas.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 2
Marvel
Texto: Robert Rodi (sobre roteiro original de Bruce Jones)
Arte: Jamie Tolagson

Com esta série, acontece o oposto: esta segunda edição é mais interessante. Claro, a primeira edição teve a inevitável apresentação dos novos personagens, etc. Aqui a coisa começa a deslanchar e até mesmo o desenho de Tolagson me pareceu mais competente. Blade e seu novo grupo de caça-vampiros (os personagens são meio clichês, mas justamente por isso acabam funcionando) chegam à Romênia e são atacados por uma horda de vampiros. Felizmente, parece que Rodi vai fazer as coisas andarem rápido por aqui. Me convenceu a ficar por mais algumas edições. Há o risco de algo bem legal acontecer nesta série, vamos ver.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 28
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra

O plot finalmente começa a avançar, a exemplo da última edição. Ao que tudo indica, o amuleto de Yorick era mesmo o que o impédia de ser contaminado pela praga que deu cabo de todos os homens do planeta. Entram em cena um grupo de mulheres neo-islâmicas, que acreditam que praga foi causada por uma antiga jóia ligada a Helena de Tróia, que teria sido amaldiçoada por Zeus em pessoa. Como esta se´rie não é Sandman, os deuses fatalmente não terão nada a ver com isso. Bom cliffhanger, com a chegada à cena de Hero, irmã de Yorick. Esta série está voltando a engrenar, o que é bom. E os desenhos de Pia Guerra são muito interessantes, em prol da narrativa.
Muito Legal (8 / 10)

IDENTITY CRISIS 6 (lançada no dia 10/11)
DC
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales

Tim Drake encontra seu pai assassinado, ao lado do corpo do Capitão Bumerangue. Bom, a única coisa interessante em Tim como Robin era justamente que ele fugia desse esquema “meus pais foram assassinados e sou um sujeito vingativo”, como os anteriores. Agora ele é só mais um Robin. Isso é típico dessa série, que tira vários elementos legais do universo DC sem acrescentar NADA em troca. De quebra, duas “revelações chocantes” (táticas baratas de choque SÃO esta série): o assassino talvez seja Ray Palmer, o Eléktron; e Batman também foi lobotomizado pela Liga da Justiça. Oliver Queen justifica as lobotomias dizendo que “temos que proteger nossas famílias”. Bom, não é como se alguém tivesse obrigado esses caras a serem super-heróis. Eles agem assim porque querem e, portanto, o risco das famílias não é uma justificativa para lobotomizar pessoas (como se existisse alguma). E logo Oliver Queen. Desde quando Queen é um reacionário que auto-justifica absurdos de direita? Para piorar, Meltzer afunda ainda mais no estilo cafona de escrita que lhe é tradicional: “oh, os meus filhos, a minha família, o perigo, meus entes queridos, oh, meu marido”. Cafona, barato, mal-escrito e desesperado como, sei lá, uma letra do Kenny Rogers. Essa saga é a piada do ano, ao lado de Avengers Disassembled e da Gwen Stacy retro-puta de Sins Past, em Amazing Spider-Man. Pfffff.
Uma Porcaria (1 / 10)

Quadrinhos da Semana (27/10)

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 1
IDW
Texto: Steve Niles e Matt Fraction
Arte: Kody Chamberlain e Ben Templesmith

Primeira edição desta série que pretende mostrar histórias curtas passadas no universo vampiresco criado pelo romancista Steve Niles na série 30 Days of Night. os dois primeiros “bloodsucker tales” têm um bom nível. Steve Niles e Kody Chamberlain mostram em Dead Billy Dead a transformação de um jovem em vampiro, nos becos de um grande centro urbano. Matt Fraction e Ben Templesmith aproveitam para explicar o desaparecimento das 400 meninas em Ciudad Juarez, México (o que aconteceu mesmo na vida real). O primeiro conto ganha pelo clima de angústia e pavor, enquanto o conto de Fraction, chamado Juarez or Lex Nova & The Case of 400 Dead Mexican Girls, vence mesmo pela qualidade de seu texto e a boa idéia de aproveitar o drama e o horror de Juarez. Uma idéia, ao menos, é uma verdadeira pérola: o personagem principal, Lex Nova, que fala em voz alta aquela narração tradicional em off dos contos noir. Ou seja, ele para de conversar com as pessoas para passar a narrar em voz alta. Hilário. As duas histórias não são auto-contidas e continuam na edição seguinte. Uma boa estréia.
Muito Legal (8 / 10)

ADAM STRANGE 2
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pasqual Ferry

Strange veste seu uniforme e parte para o espaço, em busca do desaparecido planeta Rann. Ação aérea de altíssimo nível, com bom texto e boas idéias de Andy Diggle. Destaque total para a arte sensacional de Pasqual Ferry, que está voltando a utilizar o seu estilo original, da época em que trabalhava no mercado europeu de quadrinhos. Uma ótima série e que ainda por cima mostra uma nova versçao do clássico uniforme de Adam Strange, com telas holográficas flutuantes à frente do capacete. Excelente exemplo de como fazer o update de um personagem clássico sem estragar o que lhe dava graça em primeiro lugar.
Muito Legal (8,5 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 513
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.

Continuando a patética saga Sins Past. desta vez os filhos de Gwen Stacy e Norman Osborn se encontram com o Homem-Aranha no alto da velha ponte de onde Gwen caiu para a morte. O detalhe ridículo é que, para marcar o encontro, o Aranha convoca uma entrevista coletiva para a TV na frente do prédio do Clarim Diário (foi esta a forma que ele pensou para entrar em contato com os dois irmãos Stacy). Difícil saber para que serve esta saga além de retro-esculhambar com Gwen Stacy e fazer Peter Parker parecer um total idiota. Bom, apresenta personagens completamente implausíveis, também. Talvez seja isso. Excelente arte de Mike Deodato, infelizmente desperdiçada nesta idéia, a mais cretina desde a Saga do Clone.
P.S.: Eu não estou resenhando a revista-irmã, Spectacular Spider-Man, porque não consigo ler nada desenhada pelo Humberto Ramos. Mas li que na edição deste mês o Aranha ganha, de forma definitiva, o poder de fabricar e expelir teias orgânicas, como no filme. Até entendo isso e, se pensarmos bem, não é tão absurdo quanto um adolescente inventar um fluido de teia sintética. Mas Paul jenkins não parou por aí: ele inventou que agora Peter também consegue “falar” com os insetos. Sim, isso mesmo. E parece que não tinha ninguém na Marvel para dizer a ele que aranhas não são insetos. Felizmente, Spectacular vai acabar após o fim desse arco.
Fuja Dessa Merda (0,5 / 10)

AQUAMAN 23
DC
Texto: John Ostrander
Arte: Chris Batista

Não lia a revista do Aquaman desde a época em que ela era escrita por Peter David vários anos atrás. Nem mesmo Rick Veitch me animou a ler esse título, mas a entrada de John Ostrander como novo escritor me fez ler esta edição. De cara voc~e percebe as mudanças no personagem: ele não usa mais barba e cabelo comprido e voltou a usar o uniforme clássico (com pequeneas mudanças). No lugar do arpão, ele conta com uma mão de “água sólida” (não é culpa de Ostrander, que trata de quebrar a tal mão no fim desta história; vamos ver o que ele coloca no lugar de algo tão ridículo). Bom, mas este arco tem uma boa premissa: algum grupo desconhecido simplesmente afundou San Diego no mar (sim, a cidade inteira). Não pára por aí: um vilão chamado Geiss fez com que os habitantes da cidade sofressem mutações e agora todos respiram debaixo d’água. O governo federal manda Aquaman e os Sea Devils (com novos membros criados por Ostrander; boas idéias aqui) para ajudar na situação lá embaixo. Parece esquisito, mas a i´diea de uma San Diego submersa com habitantes humanos submarinos está funcionando bem no contexto da história, graças ao tom realista, mas sem ser chato, que é o padrão de Ostrander. Bons desenhos de Chris Batista.
Muito Legal (8 / 10)

BATMAN 633
DC
Texto: Bill Willingham
Arte: Kinsun

Resolvi arriscar ler isso porque é a conclusão da horrenda saga War Games (finalmente!). Me arrependi. Stephanie, a nova Robin, morre num leito da clínica de Leslie Thompkins (o que deve abrir caminho para a volta de Tim Drake). A base de Oráculo é invadida pelo Máscara Negra e, numa das sequências mais cretinas da história da DC, Barbara Gordon explode o prédio inteiro com ela e Batman dentro apenas para que o morcego pare de brigar com o Máscara Negra (ela estava com medo de Batman morrer, quando a arte mostrava justamente o contrário, que ele estava vencendo a luta). Enfim, um crossover horrendo e perfeitamente dispensável. A partir do número que vem volto a resenhar esta revista normalmente.
Uma Porcaria (4 / 10)

BIRDS OF PREY 75
DC
Texto: Gail Simone
Arte: Ed Benes

O melhor de Birds of Prey é o texto da roteirista Gail Simone, que aqui espertamente se afasta assim que pode das pontas deixadas por War Games. Com sua base destruída e todos os seus pertences perdidos, Barbara Gordon muda de planos e decide que Oráculo vai passar a agir a partir de um aviçao, que será pilotado por ninguém menos que Lady Blackhawk, a clássica piloto/pin-up girl da série Blackhawks (Falcões Negros). Após o trauma de War Games, é compreensível que Barbara queira deixar Gotham City para trás e nunca mais voltar, já que Batman e Nightwing agiram como totais babacas com ela (aliás, o Batman de Bill Willingham é um completo escroto, o que é totalmente off-character). Desenhos interessantes e realistas de Ed benes, que talvez exagere nas poses “somos sensuais” de Caçadora e Canário Negro. Mas um importante ponto de virada desta série, que com isso se afasta da franquia do morcego (e talvez se livre de futuros crossovers).
Muito Legal (8 / 10)

BLACK WIDOW 2
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran parlov e Bill Sienkiewicz
Segunda edição desta minissérie e as coisas começam a ficar meio lentas e “realistas” no mau sentido. Não gosto quando transformam personagens clássicos em versões “do mundo real” e é o que Richard K. Morgan tenta fazer nesta edição. Em uma das sequências, a Viúva Negra explica que parou de usar seus braceletes hi-tech porque eles pesavam quatro quilos cada um e viviam dando problemas. Bom, não é o que eu vi em três décadas de histórias desta personagem. De qualquer forma, a trama central é interessante e os desenhos são muito bons (nesta edição, Goran Parlov dá uma força para Sienkiewicz, criando os layouts dos quadros, mas não se nota muita diferença). Interessante, mas com doses de “realismo” aplicadas nos locais errados.
Tá, é Bacana (7 / 10)

CATWOMAN 36
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Paul Gulacy

Brubaker claramente está desconfortável com a obrigação de acompanhar o crossover War Games e esta revista foi a que mais perdeu qualidade graças à maldita saga. A atenção de quem não está acompanhando o crossover nas outras revistas ligadas ao Batman se mantém por causa da excelente arte de Paul Gulacy, que coreografa cenas de luta como poucos. Catwoman finalmente se vinga do psicopata Zeiss, cobrindo-lhe de porrada. Enquanto isso, a base de Oracle é invadida e Batman continua agindo como um escroto. Vale por Paul Gulacy (não que Brubaker tenha alguma culpa pelas falhas, pelo contrário).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

DAREDEVIL 66
Marvel Knights
Texto: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev

Milagre! Boas cenas de ação em uma história de Brian Bendis! Neste novo arco vemos a chegada de um taciturno ancião à Cozinha do Inferno. A narrativa se divvide em três partes e Maleev aplica um estilo distinto para cada uma delas: seu traço normal para as cenas passadas no presente; um traço mais econômico e em preto e branco para as cenas passadas nos anos 40; e um traço pontilhado, imitando a antiga impressão dos quadrinhos nos anos 70, para as cenas da épóca em que Matt Murdock usava o traje amarelo e vermelho. Um bom início, com personagens interessantes e sem muitos dos tiques de estilo de BENDIS!
Muito Legal (8 / 10)

ELEKTRA – THE HAND 3
Marvel
Texto: Akira Yoshida
Arte: Christian Gossett

Esta mini começou bem, mas aqui entramos em “modo clichê”, com a apresentação de uma espécie de “Elektra do século XVI” e cenas de “amor impossível” a la Romeu e Julieta. Não é ruim, mas percebe-se uma queda na qualidade, tanto do texto como do desenho. Algumas viradas que não fizeram bem à trama.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

FLASH 215
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter

O que chama a atenção nesta edição é o fato de Howard Porter ter abandonado o estilo horroroso que vinha usando desde JLA e adotado um traço mais clássico, o que lhe favoreceu horrores. Mas Geoff Johns perde pontos por interligar este arco com a suprema babaquice que é a minissérie Identity Crisis. Wally West recebe de Oliver Queen uma carta escrita por Barry Allen, que ele deveria ler se um dia descobrisse sobre a lobotomização de super-vilões praticada pela Liga da Justiça. Claro, na carta temos mais uma revelação “chocante” sobre Barry Allen e o vilão Peão. Sempre achei Geoff Johns uma espécie de sub-Kurt Busiek superestimado e aqui ele demonstra claramente sua mediocridade.
(Só Para Fãs (4,5 / 10)

GREEN LANTERN: REBIRTH 1
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver

Bom, é a saga que vai trazer Hal Jordan de volta como o Lanterna Verde da Terra. Justiça seja feita: Geoff Johns não tem culpa por esta idéia, claramente fruto da reunião de algum comitê de execufgivos da DC. Bons desenhos de Ethan Van Sciver, mas a história em si consiste em fazer você perder toda a credibilidade na DC. Sinceramente, não me importo se o Lanterna Verde é Hal Jordan ou Kyle Rayner, mas se Hal Jordan é capaz de ser novamente o Lanterna Verde após ter assassinado toda a Tropa dos Lanternas Verdes, explodido o planeta Oa, matado Kilowog e outros amigos dele, quebrado o pescoço do vilão Sinestro a sangue frio, virado o supervilão Parallax, tentado destruir o universo em Zero Hora, morrido, ido para o limbo e virado o novo Espectro, se TUDO ISSO não significa nada e o cara pode simplesmente voltar à vida e a ser o Lanterna Verde, então estão dizendo que NADA do que acontece no universo Dc importa e têm sentido. Péssima idéia, desde o início. Quero dizer, fazer Hal Jordan virar um vilão assassino em massa já tinha sido uma péssima idéia, uma década atrás. Mas gerar outro conceito pavoroso para resolver isso não é um mérito. Aqui, o Espectro (Hal Jordan) parece estar reconstruindo Coast City, a cidade onde vivia Jordan originalmente. Guy Gardner parece estar perdendo seus poderes de Warrior e Kyle Rayner encontrou algo pavoroso no espaço. Ou seja, Jordan está querendo – de novo – fazer as coisas voltarem a ser como eram. O único final decente para esta mini seria a morte definitiva de Hal Jordan no final. Isso seria muito engraçado.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

HELLBLAZER 201
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco

Um pequeno conto de horror auto-contido, com os elementos que fazem Hellblazer funcionar tão bem. Mike Carey cria cenas realmente assustadoras e Lonardo Manco mostra ter sido uma excelente escolha para novo artista desta revista. Alguns objetos místicos de John Constantine são roubados de um galpão onde estavam guardados, inclusive um bracelete hindu com poderes tenebrosos. Simples e efetivo.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

Jack Staff 6
Image
Texto e Arte: Paul Grist

Paul Grist (St. Swithin’s Day) continua sua série de pequenas histórias em continuação com os personagens do universo de Jack Staff. Caçadores de vampiros com problemas financeiros e uma paródia/homenagem aos Invasores em situações típicas de “super-heróis na Segunda Guerra”. Divertido e despretensioso, com um bom tom pop. Mas Grist não tem as afiadas idéias de um Mike Allred e seu Jack Staff às vezes soa aquém do que poderia ser; soa meio bobo.
Tá, é Bacana (7 / 10)

JLA 107
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney

Não lia esta revista desde a época em que era escrita por Mark Waid. Felizmente a Liga está livre de escritores horrendos como Chuck Austen, John Byrne e Chris Claremont, os últimos que passaram pelo título. Mas a estréia de Busiek, apesar de interessante, é abaixo do que eu esperava. Flash e Ajax derrotam o Construto, um vilão clássico – que funciona bem melhor hoje em dia, com a Internet e tudo o mais) durante uma inspeção de rotina do equipamento da Liga, na Lua). Interessante, mas com um tremendo excesso de techno-babble que por vezes deixa a coisa quase insuportável. Ron Garney também claramente não se beneficia da arte-final de Dan Green, que deixa seu traço muito “solto”. Um começo meia-boca para a fase de Busiek. Vamos aguardar.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

MYSTIQUE 20
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia

Nesta edição finalmente descobrimos quem é o Quiet Man, o homem que quer que Mística mate Charles Xavier. Surpreendentemente, é o mutante e mercador de armas Steinbeck, que apareceu matanbdo uma mutante na Rússia lááá no número 1 desta série. Por uma infeliz coincid~encia, Shortpack, o telepata minúsculo, sai atrás de Steinbeck em busca de vingança e desaparece. Em uma tentativa de salvar seu diminuto parceiro, Mística abandona Forge no meio de uma ação de campo e, graças a isso, Charles Xavier resolve fazer o que sempre ameaçou fazer desde a primeira edição: abandonar Mística à própria sorte. Fatalmente as coisas mudam na próxima edição desta sensacional e intrigante série. Este número, de quebra, tem uma aparição do ótimo personagem Fantomex.
Muito Legal (8,5 / 10)

PLANETARY 21
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: John Cassaday

Planetary vem sendo extremamente prejudicada pela sua periodicidade errante (e lentidão nos lançamentos de uma revista justamente em sua reta final é o pior que pode acontecer). Mas Ellis consegue uma boa história nesta edição, com Elijah Snow visitando uma maga/xamã nos moldes de Dr. Estranho e Promethea. A edição inteira, aliás, tem ecos de Promethea, com a maga explicando a Snow a relação entre os mortos e as plantas de poder (ayahuasca, peyote, etc). Bons conceitos, com toques inevitavelmente morrisonianos por parte de Ellis. Excelente arte de John cassaday, como sempre. Mas já passou da hora desta série ser concluída. Esperar meses entre cvada edição está sacrificando a qualidade da leitura deste título.
Muito Legal (8,5 / 10)

SOLO 1 – TIM SALE
DC
Texto: Tim Sale, Darwyn Cooke, Diana Schutz, Jeph Loeb e Brian Azzarello
Arte: Tim Sale

Solo é uma nova série de especiais com histórias curtas, onde cada número será focalizado em um artista. Tim Sale é a estrela desta edição de estréia e o cara é uma boa escolha. A arte de Sale é sensacional e dona de um estilo todo próprio. A coisa não é tão “solo” assim: Sale escreve apenas duas das seis histórias desta edição. Mas isso não é um problema, claro. Date Knight, escrita por Darwyn Cooke, é uma deliciosa brincadeira com o duvidoso relacionamento entre Batman e Mulher-Gato, o que permite que Sale desenhe boas splash pages de ação pelos telhados da cidade. Christina, escrita por Sale mesmo, é um melancólico conto desenhado em tons de cinza e marrom. Young Love, escrito por Diana Schutz, é um surpreendente conto de amor juvenil envolvendo a Supergirl original, Linda Lee (aquela que era prima de Superman). Sale desenha usando pontilhismo de cores, simulando os processos de impressão da Era de Prata. Prom Night, escrita por Jeph Loeb (na única história relativamente fraca desta edição) mostra Clark Kent, ainda em Smallville, indo para seu primeiro baile com Lana Lang. Low Card in The Hole, escrita por Brian Azzarello, é a melhor em termos de roteiro, e é um bizarro conto noir com um ginal surpreendente. Noir, aliás, é onde Tim Sale mostra seu ponto forte: o uso de sombras e cores. Finalmente, I Concentrate On You, escrita pelo próprio Sale, é um bonito conto de amor que, aparentemente, tem como personagens os pais do artista, numa bela homenagem a eles. Uma forte edição de estréia, numa série que promete e é uma boa premissa. Na edição seguinte, o artista enfocado em Solo será Richard Corben, outra ótima escolha.
Muito Legal (9 / 10)

STRANGE 2
Marvel Knights
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Brandon Peterson

Uma edição mais fraca do que a anterior, com duas mudanças que me parecem para bem pior: descobrimos que o jovem Wong também virou médico, com um consultório em Nova York (!). E a nova Clea, que aparece no final desta edição, é bem mais sem-graça do que a original. Maldita necessidade de transformar tudo num realismo raso de sitcom. Doutor Estranho NÃO É realista! Para piorar, Brandon Peterson é um pobre clone de Jim Lee. na resenha do número 1, disse que a coisa terminava de uma forma que podia ficar bom ou ruim. Bem, ficou ruim.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

THE LOSERS 17
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock

Ação desenfreada, com os Losers em flashback numa missão no deserto afegão. os caras precisam invadir na base do sttealth, sem fazer barulho, uma fortaleza fortemente armada e repleta de radicais islâmicos, para libertar um grupo de crianças escravizadas que serão vendidas para milionários pedófilos. Uma ótima e ágil edição, com bons diálogos e a costumeira excelente arte de Jock.
Muito Legal (8,5 / 10)

THE RIDE – 2 FOR THE ROAD 1
Image
Texto: Chuck Dixon e Cully Hamner
Arte: D. Alexander Gregory e Cully Hamner

2 For The Road é a nova minissérie baseada nos filmes do site The Rider (www.bmwfilms.com), pequenas histórias de ação em qualquer gênero cujo único ponto em comum é a aparição de um BMW. Seraõ duas histórias auto-contidas por edição, com arte em preto e branco. Shotgun, escrita por Chuck Dixon, envolve um caronista, seguros de vida e um plot twist bobo e previsível. D. Alexandre Gregory é bom, mas seu traço parece demais com o traço de Marcelo Frusin. A segunda história, Big Plans, escrita e desenhada por Cully Hamner, é melhor e envolve o último trabalho de um assassino de aluguel e espião industrial prestes a se aposentar. Mas a forma escolhida por Hamner para integrar o BMW à trama não é tão esperta quanto ele parece pensar que é. Enfim, uma estréia irregular, mas pode ser lido sem sustos por fãs de quadrinhos de ação e tem o mérito de não envolver super-poderes.
Tá, é Bacana (7 / 10)

WE3 2
vertigo
Texto: Grant Morrison
Arte: Frank Quitely

We3 é tão superior e mais criativo que os outros quadrinhos lançados atualmente que chega a ser constrangedor para os outros títulos. Morrison e Quitely simplesmente estão invcentando novos elementos da linguagem dos quadrinhos e isso é algo que não se vê todo dia. A narração é simplesmente uma obra-prima, alterando o foco, a velocidade e os enquadramentos sempre em prol da história e da fluidez do plot. Personagens fantásticos, arte de excelente qualidade (Quitely mostra aqui que é um gênio e confirma seu status de monstro dos quadrinhos atuais). O primeiro quadrinho do século XXI, com informações estéticas que podem mudar tudo. A melhor dupla de criadores dos quadrinhos modernos, em seu melhor momento até agora. Não deixe de ler esta mini em três partes – ou você será um mané. Obra-prima.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 1
IDW
Texto: Steve Niles e Matt Fraction
Arte: Kody Chamberlain e Ben Templesmith

Primeira edição desta série que pretende mostrar histórias curtas passadas no universo vampiresco criado pelo romancista Steve Niles na série 30 Days of Night. os dois primeiros “bloodsucker tales” têm um bom nível. Steve Niles e Kody Chamberlain mostram em Dead Billy Dead a transformação de um jovem em vampiro, nos becos de um grande centro urbano. Matt Fraction e Ben Templesmith aproveitam para explicar o desaparecimento das 400 meninas em Ciudad Juarez, México (o que aconteceu mesmo na vida real). O primeiro conto ganha pelo clima de angústia e pavor, enquanto o conto de Fraction, chamado Juarez or Lex Nova & The Case of 400 Dead Mexican Girls, vence mesmo pela qualidade de seu texto e a boa idéia de aproveitar o drama e o horror de Juarez. Uma idéia, ao menos, é uma verdadeira pérola: o personagem principal, Lex Nova, que fala em voz alta aquela narração tradicional em off dos contos noir. Ou seja, ele para de conversar com as pessoas para passar a narrar em voz alta. Hilário. As duas histórias não são auto-contidas e continuam na edição seguinte. Uma boa estréia.
Muito Legal (8 / 10)

ADAM STRANGE 2
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pasqual Ferry

Strange veste seu uniforme e parte para o espaço, em busca do desaparecido planeta Rann. Ação aérea de altíssimo nível, com bom texto e boas idéias de Andy Diggle. Destaque total para a arte sensacional de Pasqual Ferry, que está voltando a utilizar o seu estilo original, da época em que trabalhava no mercado europeu de quadrinhos. Uma ótima série e que ainda por cima mostra uma nova versçao do clássico uniforme de Adam Strange, com telas holográficas flutuantes à frente do capacete. Excelente exemplo de como fazer o update de um personagem clássico sem estragar o que lhe dava graça em primeiro lugar.
Muito Legal (8,5 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 513
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.

Continuando a patética saga Sins Past. desta vez os filhos de Gwen Stacy e Norman Osborn se encontram com o Homem-Aranha no alto da velha ponte de onde Gwen caiu para a morte. O detalhe ridículo é que, para marcar o encontro, o Aranha convoca uma entrevista coletiva para a TV na frente do prédio do Clarim Diário (foi esta a forma que ele pensou para entrar em contato com os dois irmãos Stacy). Difícil saber para que serve esta saga além de retro-esculhambar com Gwen Stacy e fazer Peter Parker parecer um total idiota. Bom, apresenta personagens completamente implausíveis, também. Talvez seja isso. Excelente arte de Mike Deodato, infelizmente desperdiçada nesta idéia, a mais cretina desde a Saga do Clone.
P.S.: Eu não estou resenhando a revista-irmã, Spectacular Spider-Man, porque não consigo ler nada desenhada pelo Humberto Ramos. Mas li que na edição deste mês o Aranha ganha, de forma definitiva, o poder de fabricar e expelir teias orgânicas, como no filme. Até entendo isso e, se pensarmos bem, não é tão absurdo quanto um adolescente inventar um fluido de teia sintética. Mas Paul jenkins não parou por aí: ele inventou que agora Peter também consegue “falar” com os insetos. Sim, isso mesmo. E parece que não tinha ninguém na Marvel para dizer a ele que aranhas não são insetos. Felizmente, Spectacular vai acabar após o fim desse arco.
Fuja Dessa Merda (0,5 / 10)

AQUAMAN 23
DC
Texto: John Ostrander
Arte: Chris Batista

Não lia a revista do Aquaman desde a época em que ela era escrita por Peter David vários anos atrás. Nem mesmo Rick Veitch me animou a ler esse título, mas a entrada de John Ostrander como novo escritor me fez ler esta edição. De cara voc~e percebe as mudanças no personagem: ele não usa mais barba e cabelo comprido e voltou a usar o uniforme clássico (com pequeneas mudanças). No lugar do arpão, ele conta com uma mão de “água sólida” (não é culpa de Ostrander, que trata de quebrar a tal mão no fim desta história; vamos ver o que ele coloca no lugar de algo tão ridículo). Bom, mas este arco tem uma boa premissa: algum grupo desconhecido simplesmente afundou San Diego no mar (sim, a cidade inteira). Não pára por aí: um vilão chamado Geiss fez com que os habitantes da cidade sofressem mutações e agora todos respiram debaixo d’água. O governo federal manda Aquaman e os Sea Devils (com novos membros criados por Ostrander; boas idéias aqui) para ajudar na situação lá embaixo. Parece esquisito, mas a i´diea de uma San Diego submersa com habitantes humanos submarinos está funcionando bem no contexto da história, graças ao tom realista, mas sem ser chato, que é o padrão de Ostrander. Bons desenhos de Chris Batista.
Muito Legal (8 / 10)

BATMAN 633
DC
Texto: Bill Willingham
Arte: Kinsun

Resolvi arriscar ler isso porque é a conclusão da horrenda saga War Games (finalmente!). Me arrependi. Stephanie, a nova Robin, morre num leito da clínica de Leslie Thompkins (o que deve abrir caminho para a volta de Tim Drake). A base de Oráculo é invadida pelo Máscara Negra e, numa das sequências mais cretinas da história da DC, Barbara Gordon explode o prédio inteiro com ela e Batman dentro apenas para que o morcego pare de brigar com o Máscara Negra (ela estava com medo de Batman morrer, quando a arte mostrava justamente o contrário, que ele estava vencendo a luta). Enfim, um crossover horrendo e perfeitamente dispensável. A partir do número que vem volto a resenhar esta revista normalmente.
Uma Porcaria (4 / 10)

BIRDS OF PREY 75
DC
Texto: Gail Simone
Arte: Ed Benes

O melhor de Birds of Prey é o texto da roteirista Gail Simone, que aqui espertamente se afasta assim que pode das pontas deixadas por War Games. Com sua base destruída e todos os seus pertences perdidos, Barbara Gordon muda de planos e decide que Oráculo vai passar a agir a partir de um aviçao, que será pilotado por ninguém menos que Lady Blackhawk, a clássica piloto/pin-up girl da série Blackhawks (Falcões Negros). Após o trauma de War Games, é compreensível que Barbara queira deixar Gotham City para trás e nunca mais voltar, já que Batman e Nightwing agiram como totais babacas com ela (aliás, o Batman de Bill Willingham é um completo escroto, o que é totalmente off-character). Desenhos interessantes e realistas de Ed benes, que talvez exagere nas poses “somos sensuais” de Caçadora e Canário Negro. Mas um importante ponto de virada desta série, que com isso se afasta da franquia do morcego (e talvez se livre de futuros crossovers).
Muito Legal (8 / 10)

BLACK WIDOW 2
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran parlov e Bill Sienkiewicz
Segunda edição desta minissérie e as coisas começam a ficar meio lentas e “realistas” no mau sentido. Não gosto quando transformam personagens clássicos em versões “do mundo real” e é o que Richard K. Morgan tenta fazer nesta edição. Em uma das sequências, a Viúva Negra explica que parou de usar seus braceletes hi-tech porque eles pesavam quatro quilos cada um e viviam dando problemas. Bom, não é o que eu vi em três décadas de histórias desta personagem. De qualquer forma, a trama central é interessante e os desenhos são muito bons (nesta edição, Goran Parlov dá uma força para Sienkiewicz, criando os layouts dos quadros, mas não se nota muita diferença). Interessante, mas com doses de “realismo” aplicadas nos locais errados.
Tá, é Bacana (7 / 10)

CATWOMAN 36
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Paul Gulacy

Brubaker claramente está desconfortável com a obrigação de acompanhar o crossover War Games e esta revista foi a que mais perdeu qualidade graças à maldita saga. A atenção de quem não está acompanhando o crossover nas outras revistas ligadas ao Batman se mantém por causa da excelente arte de Paul Gulacy, que coreografa cenas de luta como poucos. Catwoman finalmente se vinga do psicopata Zeiss, cobrindo-lhe de porrada. Enquanto isso, a base de Oracle é invadida e Batman continua agindo como um escroto. Vale por Paul Gulacy (não que Brubaker tenha alguma culpa pelas falhas, pelo contrário).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

DAREDEVIL 66
Marvel Knights
Texto: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev

Milagre! Boas cenas de ação em uma história de Brian Bendis! Neste novo arco vemos a chegada de um taciturno ancião à Cozinha do Inferno. A narrativa se divvide em três partes e Maleev aplica um estilo distinto para cada uma delas: seu traço normal para as cenas passadas no presente; um traço mais econômico e em preto e branco para as cenas passadas nos anos 40; e um traço pontilhado, imitando a antiga impressão dos quadrinhos nos anos 70, para as cenas da épóca em que Matt Murdock usava o traje amarelo e vermelho. Um bom início, com personagens interessantes e sem muitos dos tiques de estilo de BENDIS!
Muito Legal (8 / 10)

ELEKTRA – THE HAND 3
Marvel
Texto: Akira Yoshida
Arte: Christian Gossett

Esta mini começou bem, mas aqui entramos em “modo clichê”, com a apresentação de uma espécie de “Elektra do século XVI” e cenas de “amor impossível” a la Romeu e Julieta. Não é ruim, mas percebe-se uma queda na qualidade, tanto do texto como do desenho. Algumas viradas que não fizeram bem à trama.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

FLASH 215
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter

O que chama a atenção nesta edição é o fato de Howard Porter ter abandonado o estilo horroroso que vinha usando desde JLA e adotado um traço mais clássico, o que lhe favoreceu horrores. Mas Geoff Johns perde pontos por interligar este arco com a suprema babaquice que é a minissérie Identity Crisis. Wally West recebe de Oliver Queen uma carta escrita por Barry Allen, que ele deveria ler se um dia descobrisse sobre a lobotomização de super-vilões praticada pela Liga da Justiça. Claro, na carta temos mais uma revelação “chocante” sobre Barry Allen e o vilão Peão. Sempre achei Geoff Johns uma espécie de sub-Kurt Busiek superestimado e aqui ele demonstra claramente sua mediocridade.
(Só Para Fãs (4,5 / 10)

GREEN LANTERN: REBIRTH 1
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver

Bom, é a saga que vai trazer Hal Jordan de volta como o Lanterna Verde da Terra. Justiça seja feita: Geoff Johns não tem culpa por esta idéia, claramente fruto da reunião de algum comitê de execufgivos da DC. Bons desenhos de Ethan Van Sciver, mas a história em si consiste em fazer você perder toda a credibilidade na DC. Sinceramente, não me importo se o Lanterna Verde é Hal Jordan ou Kyle Rayner, mas se Hal Jordan é capaz de ser novamente o Lanterna Verde após ter assassinado toda a Tropa dos Lanternas Verdes, explodido o planeta Oa, matado Kilowog e outros amigos dele, quebrado o pescoço do vilão Sinestro a sangue frio, virado o supervilão Parallax, tentado destruir o universo em Zero Hora, morrido, ido para o limbo e virado o novo Espectro, se TUDO ISSO não significa nada e o cara pode simplesmente voltar à vida e a ser o Lanterna Verde, então estão dizendo que NADA do que acontece no universo Dc importa e têm sentido. Péssima idéia, desde o início. Quero dizer, fazer Hal Jordan virar um vilão assassino em massa já tinha sido uma péssima idéia, uma década atrás. Mas gerar outro conceito pavoroso para resolver isso não é um mérito. Aqui, o Espectro (Hal Jordan) parece estar reconstruindo Coast City, a cidade onde vivia Jordan originalmente. Guy Gardner parece estar perdendo seus poderes de Warrior e Kyle Rayner encontrou algo pavoroso no espaço. Ou seja, Jordan está querendo – de novo – fazer as coisas voltarem a ser como eram. O único final decente para esta mini seria a morte definitiva de Hal Jordan no final. Isso seria muito engraçado.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

HELLBLAZER 201
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco

Um pequeno conto de horror auto-contido, com os elementos que fazem Hellblazer funcionar tão bem. Mike Carey cria cenas realmente assustadoras e Lonardo Manco mostra ter sido uma excelente escolha para novo artista desta revista. Alguns objetos místicos de John Constantine são roubados de um galpão onde estavam guardados, inclusive um bracelete hindu com poderes tenebrosos. Simples e efetivo.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

Jack Staff 6
Image
Texto e Arte: Paul Grist

Paul Grist (St. Swithin’s Day) continua sua série de pequenas histórias em continuação com os personagens do universo de Jack Staff. Caçadores de vampiros com problemas financeiros e uma paródia/homenagem aos Invasores em situações típicas de “super-heróis na Segunda Guerra”. Divertido e despretensioso, com um bom tom pop. Mas Grist não tem as afiadas idéias de um Mike Allred e seu Jack Staff às vezes soa aquém do que poderia ser; soa meio bobo.
Tá, é Bacana (7 / 10)

JLA 107
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney

Não lia esta revista desde a época em que era escrita por Mark Waid. Felizmente a Liga está livre de escritores horrendos como Chuck Austen, John Byrne e Chris Claremont, os últimos que passaram pelo título. Mas a estréia de Busiek, apesar de interessante, é abaixo do que eu esperava. Flash e Ajax derrotam o Construto, um vilão clássico – que funciona bem melhor hoje em dia, com a Internet e tudo o mais) durante uma inspeção de rotina do equipamento da Liga, na Lua). Interessante, mas com um tremendo excesso de techno-babble que por vezes deixa a coisa quase insuportável. Ron Garney também claramente não se beneficia da arte-final de Dan Green, que deixa seu traço muito “solto”. Um começo meia-boca para a fase de Busiek. Vamos aguardar.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

MYSTIQUE 20
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia

Nesta edição finalmente descobrimos quem é o Quiet Man, o homem que quer que Mística mate Charles Xavier. Surpreendentemente, é o mutante e mercador de armas Steinbeck, que apareceu matanbdo uma mutante na Rússia lááá no número 1 desta série. Por uma infeliz coincid~encia, Shortpack, o telepata minúsculo, sai atrás de Steinbeck em busca de vingança e desaparece. Em uma tentativa de salvar seu diminuto parceiro, Mística abandona Forge no meio de uma ação de campo e, graças a isso, Charles Xavier resolve fazer o que sempre ameaçou fazer desde a primeira edição: abandonar Mística à própria sorte. Fatalmente as coisas mudam na próxima edição desta sensacional e intrigante série. Este número, de quebra, tem uma aparição do ótimo personagem Fantomex.
Muito Legal (8,5 / 10)

PLANETARY 21
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: John Cassaday

Planetary vem sendo extremamente prejudicada pela sua periodicidade errante (e lentidão nos lançamentos de uma revista justamente em sua reta final é o pior que pode acontecer). Mas Ellis consegue uma boa história nesta edição, com Elijah Snow visitando uma maga/xamã nos moldes de Dr. Estranho e Promethea. A edição inteira, aliás, tem ecos de Promethea, com a maga explicando a Snow a relação entre os mortos e as plantas de poder (ayahuasca, peyote, etc). Bons conceitos, com toques inevitavelmente morrisonianos por parte de Ellis. Excelente arte de John cassaday, como sempre. Mas já passou da hora desta série ser concluída. Esperar meses entre cvada edição está sacrificando a qualidade da leitura deste título.
Muito Legal (8,5 / 10)

SOLO 1 – TIM SALE
DC
Texto: Tim Sale, Darwyn Cooke, Diana Schutz, Jeph Loeb e Brian Azzarello
Arte: Tim Sale

Solo é uma nova série de especiais com histórias curtas, onde cada número será focalizado em um artista. Tim Sale é a estrela desta edição de estréia e o cara é uma boa escolha. A arte de Sale é sensacional e dona de um estilo todo próprio. A coisa não é tão “solo” assim: Sale escreve apenas duas das seis histórias desta edição. Mas isso não é um problema, claro. Date Knight, escrita por Darwyn Cooke, é uma deliciosa brincadeira com o duvidoso relacionamento entre Batman e Mulher-Gato, o que permite que Sale desenhe boas splash pages de ação pelos telhados da cidade. Christina, escrita por Sale mesmo, é um melancólico conto desenhado em tons de cinza e marrom. Young Love, escrito por Diana Schutz, é um surpreendente conto de amor juvenil envolvendo a Supergirl original, Linda Lee (aquela que era prima de Superman). Sale desenha usando pontilhismo de cores, simulando os processos de impressão da Era de Prata. Prom Night, escrita por Jeph Loeb (na única história relativamente fraca desta edição) mostra Clark Kent, ainda em Smallville, indo para seu primeiro baile com Lana Lang. Low Card in The Hole, escrita por Brian Azzarello, é a melhor em termos de roteiro, e é um bizarro conto noir com um ginal surpreendente. Noir, aliás, é onde Tim Sale mostra seu ponto forte: o uso de sombras e cores. Finalmente, I Concentrate On You, escrita pelo próprio Sale, é um bonito conto de amor que, aparentemente, tem como personagens os pais do artista, numa bela homenagem a eles. Uma forte edição de estréia, numa série que promete e é uma boa premissa. Na edição seguinte, o artista enfocado em Solo será Richard Corben, outra ótima escolha.
Muito Legal (9 / 10)

STRANGE 2
Marvel Knights
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Brandon Peterson

Uma edição mais fraca do que a anterior, com duas mudanças que me parecem para bem pior: descobrimos que o jovem Wong também virou médico, com um consultório em Nova York (!). E a nova Clea, que aparece no final desta edição, é bem mais sem-graça do que a original. Maldita necessidade de transformar tudo num realismo raso de sitcom. Doutor Estranho NÃO É realista! Para piorar, Brandon Peterson é um pobre clone de Jim Lee. na resenha do número 1, disse que a coisa terminava de uma forma que podia ficar bom ou ruim. Bem, ficou ruim.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

THE LOSERS 17
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock

Ação desenfreada, com os Losers em flashback numa missão no deserto afegão. os caras precisam invadir na base do sttealth, sem fazer barulho, uma fortaleza fortemente armada e repleta de radicais islâmicos, para libertar um grupo de crianças escravizadas que serão vendidas para milionários pedófilos. Uma ótima e ágil edição, com bons diálogos e a costumeira excelente arte de Jock.
Muito Legal (8,5 / 10)

THE RIDE – 2 FOR THE ROAD 1
Image
Texto: Chuck Dixon e Cully Hamner
Arte: D. Alexander Gregory e Cully Hamner

2 For The Road é a nova minissérie baseada nos filmes do site The Rider (www.bmwfilms.com), pequenas histórias de ação em qualquer gênero cujo único ponto em comum é a aparição de um BMW. Seraõ duas histórias auto-contidas por edição, com arte em preto e branco. Shotgun, escrita por Chuck Dixon, envolve um caronista, seguros de vida e um plot twist bobo e previsível. D. Alexandre Gregory é bom, mas seu traço parece demais com o traço de Marcelo Frusin. A segunda história, Big Plans, escrita e desenhada por Cully Hamner, é melhor e envolve o último trabalho de um assassino de aluguel e espião industrial prestes a se aposentar. Mas a forma escolhida por Hamner para integrar o BMW à trama não é tão esperta quanto ele parece pensar que é. Enfim, uma estréia irregular, mas pode ser lido sem sustos por fãs de quadrinhos de ação e tem o mérito de não envolver super-poderes.
Tá, é Bacana (7 / 10)

WE3 2
vertigo
Texto: Grant Morrison
Arte: Frank Quitely

We3 é tão superior e mais criativo que os outros quadrinhos lançados atualmente que chega a ser constrangedor para os outros títulos. Morrison e Quitely simplesmente estão invcentando novos elementos da linguagem dos quadrinhos e isso é algo que não se vê todo dia. A narração é simplesmente uma obra-prima, alterando o foco, a velocidade e os enquadramentos sempre em prol da história e da fluidez do plot. Personagens fantásticos, arte de excelente qualidade (Quitely mostra aqui que é um gênio e confirma seu status de monstro dos quadrinhos atuais). O primeiro quadrinho do século XXI, com informações estéticas que podem mudar tudo. A melhor dupla de criadores dos quadrinhos modernos, em seu melhor momento até agora. Não deixe de ler esta mini em três partes – ou você será um mané. Obra-prima.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

Quadrinhos da Semana (20/10)

OK, as resenhas dos quadrinhos lançados no dia 20 de outubro:

ADVENTURES OF SUPERMAN 633
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Matthew Clark

Greg Rucka surpreendentemente consegue atualizar de forma competente – e até mesmo assustadora – o clássico vilão Parasita, da galeria de bad asses do Superman. O último sobrevivente de Krypton é um personagem que implora, chora e esperneia por um revamp decente, mas o título escrito por Rucka cumpre sua função, que é contar histórias razoavelmente decentes sobre o Homem de Aço. Casá-lo com Lois Lane, infelizmente, cada vez mais se mostra ter sido uma péssima, péssima decisão.
As cenas “domésticas” detsa edição, apesar de bem escritas, são o ponto fraco que quebra o clima geral da história envolvendo a dupla de novos Parasitas. Bom cliffhanger, contudo. Mais interessante do que eu pensei. Ah, Matthew Clark é mais um wannabe de Jim Lee, mas não chega a ser ruim.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 4
Vertigo
Texto: Si Spencer (de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston

Talvez o título mais freak atualmente publicado pela Vertigo, Books of Magick (agora em nova versão com “k” para o seu prazer) começa a impressionar de forma positiva. A estranheza começa já na proposta, que na prática é um elseworld. Spencer tem boas idéias em relação aos dois pontos centrais da trama: magia como warfare em uma batalha mística entre reinos rivais e a irrealidade da atual vida de Timothy Hunter, que aparentemente está levando uma vida corriqueira em uma “realidade” forjada, para que ele fique escondido do lado inimigo da guerra. No fim desta edição, Tim começa a perceber que há algo errado com esta realidade. Normalmente eu não gosto de Elseworlds, mas este título começa a ganhar meu respeito (não que eu estivesse achando ruim antes, pelo contrário). A arte de Dean Ormston, esquisitíssima, combina com o tom geral da série.
Muito Legal (8 / 10)

CONAN 9
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates

Cary Nord volta à arte, após uma edição fill-in – e seu estilo nesta série continua a impressionar, seguindo a estética lírico-bárbara de Frank Frazetta. Nesta edição, Busiek mostra Conan contando vantagem em uma taverna, após ser desrespeitado por um nobre da “civilizada” capital chamada Nemédia (a “Roma” da Era Hiboriana). No bar, o cimério conta para quem quiser ouvir como invadiu a torre do tal nobre e roubou seus pertences mais importantes. O final é surpreendente, mas é uma edição de preparação para o novo e mais arriscado roubo que o bárbaro deve empreender no próximo número. Menos impressionante que edições anteriores desta série, mas ainda uma boa leitura. O que mais chama a atenção no Conan de Busiek é como o personagem é bem mais tridimensional que a versão tradicional que era publicada pela Marvel.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 519
Marvel
texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo

A luta do Quarteto contra os alienígenas que querem eliminar Sue Richards termina de forma surpreendente, com (provável spoiler) Reed sendo obrigado a fazer Sue e Johnny trocarem de poderes. A cena em que Sue se inflama pela primeira vez é sensacional, mostrando toda sua alegria ao poder voar e controlar o fogo. Infelizmente, coube a Johnny Storm o poder da invisibilidade e por isso a edição termina com ele, ao invés de Sue, sendo atacado por Galactus. Aliás, a aparição de Galactus, no fim da revista, é o ponto alto desta edição. Wieringo tem conseguido realizar uma boa mistura de suas sensibilidades mais pop/mangá com o estilo tradicional da Marvel, próprio dos melhores momentos do Quarteto. Uma grande série, em boa fase.
Muito Legal (8 / 10)

HUMAN TARGET 15
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang

Segunda parte do arco The Second Coming, onde Christopher Chance é obrigado a se passar por um messias moderno. Esta edição é ainda mais impressionante que a anterior, com excelentes diálogos e situações a cargo de Milligan. A arte de Cliff Chiang é solidamente realista e estetizada ao mesmo tempo e este Human Target vem mostrando que o artista é um dos melhores do quadrinho atual. As cenas em que Chance se vê frente à difícil situação de ter de realizar “milagres” são o ponto alto. O cliffhanger é impressionante e deixa abertas várias possibilidades para a conclusão deste arco, na próxima edição. Uma série sólida e excelente, com algumas das melhores cenas e diálogos da carreira de Peter Milligan.
Excelente (9,5 / 10)

LUCIFER 55
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Marc Hempel

A arte de Marc Hempel (Gregory; Sandman) como desenhista convidado é uma sensacional surpresa. Hempel, dono de um estilo único, é presença rara nos quadrinhos atuais, o que é uma pena. Nesta edição onde Lucifer não aparece (coisa que Carey adora fazer e que realmente funciona), vemos um inferno genialmente retratado por Hempel, onde um dos condenados começa a pregar palavras de perdão, boa vontade e convivência. E, pior: convertendo boa parte dos demônios, que começam a ajudar os condenados, ao invés de puni-los. Isso deixa Remiel, o anjo que atualmente é o responsável pelo inferno, junto com seu irmão Duma, desesperado. Aliás, a caracterização de Remiel e
Duma é o ponto alto desta edição, além da arte de Hempel e da idéia em si. Como Duma, o anjo do silêncio, se concentra em plantar flores nas regiões fronteiriças do inferno, cabe forçosamente a Remiel a obrigação de tomar as decisões escrotas que um lorde do inferno deve tomar. Até o final da edição, onde – pela primeira vez – Duma finalmente fala e ao mesmo tempo subverte toda a hierarquia infernal com uma decisão surpreendente que certamente vai mudar o rumo desta série, que caminha para o seu final.
Excelente (9 / 10)

MADROX 2
Marvel Knights
Texto: Peter Milligan
Arte: Pablo Raimondi

A segunda edição desta minissérie mantém a forte boa impressão do sensacional primeiro número. Jamie Madrox chega a Chicago e começa a investigar a morte de seu duplo. O conceito aplicado por David a este personagem é simplesmente brilhante e Pablo Raimondi é, desde já, um dos meus desenhistas favoritos graças unicamente a estas duas edições. Uma série original, inteligente, bem escrita e bem desenhada, com personagens fascinantes. David dribla com precisão as convenções chatas dos quadrinhos de mutantes da Marvel e realiza aqui uma sensacional paródia de hard
boiled, com toques brilhantes em relação ao poder de Madrox, que se revela um dos mais legais da história dos quadrinhos, graças à imaginação de David. Uma aula de como os quadrinhos de super-heróis deveriam ser. As capas de David Lloyd (V de Vingança) também ajudam.
Excelente (9,5 / 10)

OCEAN 1
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Primeira edição desta minissérie em seis partes que mostra um detetive de Nova York (no ano 2104) embarcando para uma das luas de Júpiter para investigar bizarros acontecimentos. O tom e o ritmo são mais lentos que o normal, como tem acontecido com as séries de Warren Ellis desde que ele resolveu adotar a “descompressão” dos quadrinhos voltados para a leitura no formato trade paperback. O que deixa outras séries recentes de Ellis quase insuportáveis aqui realmente funciona. Talvez porque no universo de Ocean as coisas realmente sejam fantásticas e impressionantes e faça sentido “atrasar” a velocidade da narrativa para que as cenas sejam mostradas de forma a gerar sense of wonder. Ou talvez porque Chris Sprouse seja um artista infinitamente melhor que os outros sujeitos com quem Ellis tem trabalhado. Sprouse (Superman, Tom Strong) realiza aqui um excelente trabalho, em termos de criação de um mundo imaginário, narrativa e enquadramentos. Um ótimo começo para uma série que promete ter conceitos impressionantes. Vamos torcer para que Ellis não entre em seu modo “cínico-New Scientist-pesquisei isso no Google” atual, que tem atrapalhado séries como Ultimate Fantastic Four.
Excelente (9 / 10)

PLASTIC MAN 11
DC
Texto e arte: Kyle Baker

Plastic Man e seus amigos (incluindo a hilária adolescente vampira de quem O’Brien se tornou tutor na edição passada) são convocados até a Casa Branca, para ajudar o presidente americano (na cronologia DC, Lex Luthor). Luthor acaba de criar um novo Superman Bizarro, mas problemas hilários fizeram com que Luthor, Bizarro, a cientista responsável pelo projeto, um sapo e um gato trocassem de cérebros. Nada mais que um ponto de partida para que Baker destile seu humor extra-hilário habitual, aqui ainda por cima com críticas sutis ao “modo Bush” de falar e discursar. Uma série sensacional, infelizmente demonstrando que o público de super-heróis talvez não seja sofisticado o suficiente para algumas empreitadas, dada a baixa vendagem desta revista. Simplesmente genial, tanto em termos de roteiro como de desenho. Um verdadeiro quadrinho de autor, exalando um inacreditável senso pop. O diálogo inicial entre Superman e Luthor, nas páginas iniciais antes de Plastic Man entrar em cena, já valem o preço do ingresso.
Bueno Excellente! (10 / 10)

STOKER’S DRACULA 1
Marvel
Texto: Roy Thomas (a partir do romance de Bram Stoker)
Arte: Dick Giordano

Uma revista atípíca para os dias de hoje, esta minissérie em seis partes se revela uma grata surpresa. A adaptação feita por Roy Thomas e Dick Giordano do romance Drácula, de Bram Stoker, era serializada em magazines P&B da Marvel a partir de 1973, mas poucos meses depois a revista onde a série saía foi cancelada e o projeto ficou inconcluso. Mais de 30 anos depois, para surpresa de todo mundo, inclusive do próprio Roy Thomas, um dos editores da Marvel, Mark Beazley, entrou em contato com Thomas e Giordano para que a série fosse finalmente concluída. Esta primeira edição contém as quatro primeiras partes, que saíram originalmente em Dracula Lives! 5 a 8, nos anos 70. A segunda edição conterá as próximas quatro partes, também reedições de histórias dos anos 70 e finalmente, nas últimas quatro revistas da série, teremos a conclusão, inédita e tão esperada por Thomas e Giordano, que a essa altura nem imaginavam que a adaptação do romance pudesse ser publicada. Bem, 30 anos depois e ela finalmente vai sair. Claro que, para o bem e para o mal, ela soa exatamente como um quadrinho de 30 anos atrás, mas esse problema é minimizado porque estamos falando de gente do calibre de Roy Thomas, Dick Giordano e, por tabela, Bram Stoker. A adaptação do romance feita por Thomas talvez seja a mais fiel que já vi, não importa para qual mídia. E o melhor é que todas as cenas originais e partes do texto de Stoker estão lá, mas isso não faz com que tudo pareça um romance ilustrado ou um quadrinho metido a livro. É um bom quadrinho, com fantástica arte em preto e branco de Dick Giordano, no estilo “ilustrador” praticamente inexistente nos dias de hoje. Ao mesmo tempo um belo resgate de um material clássico inconcluso e uma aula de narrativa clássica sem frescuras. Nesta edição vemos a chegada de Jonathan Harker ao Castelo Drácula e sua difícil situação de “convidado” prisioneiro em um reino de facetas tenebrosas. Pouca ação, mas clima e atmosfera de sobra.
Muito Legal (8, 5 / 10)

Também saíram nesse mesmo dia a graphic novel The Wicked West, da Image, mesclando western e horror, e a primeira edição de Toe Tags, da DC, a minisssérie escrita pelo mestre dos zumbis George Romero. Ainda não li estas duas prováveis pérolas, por isso as resenhas das duas entram na próxima leva.

UPDATE:
Já li as duas que faltavam e resolvi colocar logo no ar as suas resenhas.

THE WICKED WEST
Image
Texto:
Todd Livingston e Robert Tinnell
Arte: Neil Vokes

Uma graphic novel de mais de 90 páginas, escrita por dois roteiristas de cinema. O mesmo trio foi o responsável pela graphic novel The Black Forest. Aqui eles misturam faroeste e horror, com um resultado bastante simpático. Um estranho misterioso chega a uma cidade do Texas, em 1870, para se candidatar a uma vaga de professor. Mortes misteriosas acontecem e ele, claro, é acusado pelos habitantes do lugarejo. Mas na verdade a matança é obra de um horrendo vampiro ancestral que mora nas cavernas próximas à cidade. A mescla de gêneros funciona de forma bastante coesa. A forma da narrativa também ajuda: a história original, em 1870, é alternada com cenas passadas em 1932, quando um dos sobreviventes do massacre causado pelos vampiros, já idoso, assiste a uma adaptação para o cinema de toda a história. É curioso comparar as diferenças entre as duas narrativas, a real e a do filme. A versão para o cinema, claro, é extremamente mais asséptica e careta, com personagens idealizados e inofensivos, o que funciona como um comentário social à parte. Uma boa graphic novel, ágil e com bons desenhos. Pode agradar tanto a fãs de faroeste como de horror.
Muito Legal (8 / 10)

TOE TAGS 1
DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

Primeiro número desta minissérie de zumbis escrita pelo cineasta George Romero, autor de A Noite dos Mortos Vivos. Em sua estréia nos quadrinhos, Romero decepciona um pouco. Não que a história seja ruim, mas este primeiro número soa como como uma coleção de cenas requentadas e extraídas de filmes como Madrugada dos Mortos e Extermínio. Vou aguardar o desenrolar da história, mas por enquanto Romero não consegue trazer nada de novo: uma mulher tenta sobreviver em meio a uma cidade tomada por zumbis, em busca do seu ex-namorado (ao que parece). Os desenhos de Tommy Castillo são bons, cumprindo o seu papel – apesar de perderem fôlego frente à ótima capa criada por Bernie Wrightson. Mas o roteiro de Romero, morno e sem graça, faz com que tudo soe como um quadrinho oitentista da Dark Horse ou uma história daquelas antologias publicadas pela Marvel, como Bizarre Adventures. Esperava mais desta revista. Vou ficar até o final, já que não chega a ser ruim, para ver se as coisas esquentam e tomam caminhos mais originais.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

OK, as resenhas dos quadrinhos lançados no dia 20 de outubro:

ADVENTURES OF SUPERMAN 633
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Matthew Clark

Greg Rucka surpreendentemente consegue atualizar de forma competente – e até mesmo assustadora – o clássico vilão Parasita, da galeria de bad asses do Superman. O último sobrevivente de Krypton é um personagem que implora, chora e esperneia por um revamp decente, mas o título escrito por Rucka cumpre sua função, que é contar histórias razoavelmente decentes sobre o Homem de Aço. Casá-lo com Lois Lane, infelizmente, cada vez mais se mostra ter sido uma péssima, péssima decisão.
As cenas “domésticas” detsa edição, apesar de bem escritas, são o ponto fraco que quebra o clima geral da história envolvendo a dupla de novos Parasitas. Bom cliffhanger, contudo. Mais interessante do que eu pensei. Ah, Matthew Clark é mais um wannabe de Jim Lee, mas não chega a ser ruim.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 4
Vertigo
Texto: Si Spencer (de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston

Talvez o título mais freak atualmente publicado pela Vertigo, Books of Magick (agora em nova versão com “k” para o seu prazer) começa a impressionar de forma positiva. A estranheza começa já na proposta, que na prática é um elseworld. Spencer tem boas idéias em relação aos dois pontos centrais da trama: magia como warfare em uma batalha mística entre reinos rivais e a irrealidade da atual vida de Timothy Hunter, que aparentemente está levando uma vida corriqueira em uma “realidade” forjada, para que ele fique escondido do lado inimigo da guerra. No fim desta edição, Tim começa a perceber que há algo errado com esta realidade. Normalmente eu não gosto de Elseworlds, mas este título começa a ganhar meu respeito (não que eu estivesse achando ruim antes, pelo contrário). A arte de Dean Ormston, esquisitíssima, combina com o tom geral da série.
Muito Legal (8 / 10)

CONAN 9
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates

Cary Nord volta à arte, após uma edição fill-in – e seu estilo nesta série continua a impressionar, seguindo a estética lírico-bárbara de Frank Frazetta. Nesta edição, Busiek mostra Conan contando vantagem em uma taverna, após ser desrespeitado por um nobre da “civilizada” capital chamada Nemédia (a “Roma” da Era Hiboriana). No bar, o cimério conta para quem quiser ouvir como invadiu a torre do tal nobre e roubou seus pertences mais importantes. O final é surpreendente, mas é uma edição de preparação para o novo e mais arriscado roubo que o bárbaro deve empreender no próximo número. Menos impressionante que edições anteriores desta série, mas ainda uma boa leitura. O que mais chama a atenção no Conan de Busiek é como o personagem é bem mais tridimensional que a versão tradicional que era publicada pela Marvel.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 519
Marvel
texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo

A luta do Quarteto contra os alienígenas que querem eliminar Sue Richards termina de forma surpreendente, com (provável spoiler) Reed sendo obrigado a fazer Sue e Johnny trocarem de poderes. A cena em que Sue se inflama pela primeira vez é sensacional, mostrando toda sua alegria ao poder voar e controlar o fogo. Infelizmente, coube a Johnny Storm o poder da invisibilidade e por isso a edição termina com ele, ao invés de Sue, sendo atacado por Galactus. Aliás, a aparição de Galactus, no fim da revista, é o ponto alto desta edição. Wieringo tem conseguido realizar uma boa mistura de suas sensibilidades mais pop/mangá com o estilo tradicional da Marvel, próprio dos melhores momentos do Quarteto. Uma grande série, em boa fase.
Muito Legal (8 / 10)

HUMAN TARGET 15
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang

Segunda parte do arco The Second Coming, onde Christopher Chance é obrigado a se passar por um messias moderno. Esta edição é ainda mais impressionante que a anterior, com excelentes diálogos e situações a cargo de Milligan. A arte de Cliff Chiang é solidamente realista e estetizada ao mesmo tempo e este Human Target vem mostrando que o artista é um dos melhores do quadrinho atual. As cenas em que Chance se vê frente à difícil situação de ter de realizar “milagres” são o ponto alto. O cliffhanger é impressionante e deixa abertas várias possibilidades para a conclusão deste arco, na próxima edição. Uma série sólida e excelente, com algumas das melhores cenas e diálogos da carreira de Peter Milligan.
Excelente (9,5 / 10)

LUCIFER 55
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Marc Hempel

A arte de Marc Hempel (Gregory; Sandman) como desenhista convidado é uma sensacional surpresa. Hempel, dono de um estilo único, é presença rara nos quadrinhos atuais, o que é uma pena. Nesta edição onde Lucifer não aparece (coisa que Carey adora fazer e que realmente funciona), vemos um inferno genialmente retratado por Hempel, onde um dos condenados começa a pregar palavras de perdão, boa vontade e convivência. E, pior: convertendo boa parte dos demônios, que começam a ajudar os condenados, ao invés de puni-los. Isso deixa Remiel, o anjo que atualmente é o responsável pelo inferno, junto com seu irmão Duma, desesperado. Aliás, a caracterização de Remiel e
Duma é o ponto alto desta edição, além da arte de Hempel e da idéia em si. Como Duma, o anjo do silêncio, se concentra em plantar flores nas regiões fronteiriças do inferno, cabe forçosamente a Remiel a obrigação de tomar as decisões escrotas que um lorde do inferno deve tomar. Até o final da edição, onde – pela primeira vez – Duma finalmente fala e ao mesmo tempo subverte toda a hierarquia infernal com uma decisão surpreendente que certamente vai mudar o rumo desta série, que caminha para o seu final.
Excelente (9 / 10)

MADROX 2
Marvel Knights
Texto: Peter Milligan
Arte: Pablo Raimondi

A segunda edição desta minissérie mantém a forte boa impressão do sensacional primeiro número. Jamie Madrox chega a Chicago e começa a investigar a morte de seu duplo. O conceito aplicado por David a este personagem é simplesmente brilhante e Pablo Raimondi é, desde já, um dos meus desenhistas favoritos graças unicamente a estas duas edições. Uma série original, inteligente, bem escrita e bem desenhada, com personagens fascinantes. David dribla com precisão as convenções chatas dos quadrinhos de mutantes da Marvel e realiza aqui uma sensacional paródia de hard
boiled, com toques brilhantes em relação ao poder de Madrox, que se revela um dos mais legais da história dos quadrinhos, graças à imaginação de David. Uma aula de como os quadrinhos de super-heróis deveriam ser. As capas de David Lloyd (V de Vingança) também ajudam.
Excelente (9,5 / 10)

OCEAN 1
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Primeira edição desta minissérie em seis partes que mostra um detetive de Nova York (no ano 2104) embarcando para uma das luas de Júpiter para investigar bizarros acontecimentos. O tom e o ritmo são mais lentos que o normal, como tem acontecido com as séries de Warren Ellis desde que ele resolveu adotar a “descompressão” dos quadrinhos voltados para a leitura no formato trade paperback. O que deixa outras séries recentes de Ellis quase insuportáveis aqui realmente funciona. Talvez porque no universo de Ocean as coisas realmente sejam fantásticas e impressionantes e faça sentido “atrasar” a velocidade da narrativa para que as cenas sejam mostradas de forma a gerar sense of wonder. Ou talvez porque Chris Sprouse seja um artista infinitamente melhor que os outros sujeitos com quem Ellis tem trabalhado. Sprouse (Superman, Tom Strong) realiza aqui um excelente trabalho, em termos de criação de um mundo imaginário, narrativa e enquadramentos. Um ótimo começo para uma série que promete ter conceitos impressionantes. Vamos torcer para que Ellis não entre em seu modo “cínico-New Scientist-pesquisei isso no Google” atual, que tem atrapalhado séries como Ultimate Fantastic Four.
Excelente (9 / 10)

PLASTIC MAN 11
DC
Texto e arte: Kyle Baker

Plastic Man e seus amigos (incluindo a hilária adolescente vampira de quem O’Brien se tornou tutor na edição passada) são convocados até a Casa Branca, para ajudar o presidente americano (na cronologia DC, Lex Luthor). Luthor acaba de criar um novo Superman Bizarro, mas problemas hilários fizeram com que Luthor, Bizarro, a cientista responsável pelo projeto, um sapo e um gato trocassem de cérebros. Nada mais que um ponto de partida para que Baker destile seu humor extra-hilário habitual, aqui ainda por cima com críticas sutis ao “modo Bush” de falar e discursar. Uma série sensacional, infelizmente demonstrando que o público de super-heróis talvez não seja sofisticado o suficiente para algumas empreitadas, dada a baixa vendagem desta revista. Simplesmente genial, tanto em termos de roteiro como de desenho. Um verdadeiro quadrinho de autor, exalando um inacreditável senso pop. O diálogo inicial entre Superman e Luthor, nas páginas iniciais antes de Plastic Man entrar em cena, já valem o preço do ingresso.
Bueno Excellente! (10 / 10)

STOKER’S DRACULA 1
Marvel
Texto: Roy Thomas (a partir do romance de Bram Stoker)
Arte: Dick Giordano

Uma revista atípíca para os dias de hoje, esta minissérie em seis partes se revela uma grata surpresa. A adaptação feita por Roy Thomas e Dick Giordano do romance Drácula, de Bram Stoker, era serializada em magazines P&B da Marvel a partir de 1973, mas poucos meses depois a revista onde a série saía foi cancelada e o projeto ficou inconcluso. Mais de 30 anos depois, para surpresa de todo mundo, inclusive do próprio Roy Thomas, um dos editores da Marvel, Mark Beazley, entrou em contato com Thomas e Giordano para que a série fosse finalmente concluída. Esta primeira edição contém as quatro primeiras partes, que saíram originalmente em Dracula Lives! 5 a 8, nos anos 70. A segunda edição conterá as próximas quatro partes, também reedições de histórias dos anos 70 e finalmente, nas últimas quatro revistas da série, teremos a conclusão, inédita e tão esperada por Thomas e Giordano, que a essa altura nem imaginavam que a adaptação do romance pudesse ser publicada. Bem, 30 anos depois e ela finalmente vai sair. Claro que, para o bem e para o mal, ela soa exatamente como um quadrinho de 30 anos atrás, mas esse problema é minimizado porque estamos falando de gente do calibre de Roy Thomas, Dick Giordano e, por tabela, Bram Stoker. A adaptação do romance feita por Thomas talvez seja a mais fiel que já vi, não importa para qual mídia. E o melhor é que todas as cenas originais e partes do texto de Stoker estão lá, mas isso não faz com que tudo pareça um romance ilustrado ou um quadrinho metido a livro. É um bom quadrinho, com fantástica arte em preto e branco de Dick Giordano, no estilo “ilustrador” praticamente inexistente nos dias de hoje. Ao mesmo tempo um belo resgate de um material clássico inconcluso e uma aula de narrativa clássica sem frescuras. Nesta edição vemos a chegada de Jonathan Harker ao Castelo Drácula e sua difícil situação de “convidado” prisioneiro em um reino de facetas tenebrosas. Pouca ação, mas clima e atmosfera de sobra.
Muito Legal (8, 5 / 10)

Também saíram nesse mesmo dia a graphic novel The Wicked West, da Image, mesclando western e horror, e a primeira edição de Toe Tags, da DC, a minisssérie escrita pelo mestre dos zumbis George Romero. Ainda não li estas duas prováveis pérolas, por isso as resenhas das duas entram na próxima leva.

UPDATE:
Já li as duas que faltavam e resolvi colocar logo no ar as suas resenhas.

THE WICKED WEST
Image
Texto:
Todd Livingston e Robert Tinnell
Arte: Neil Vokes

Uma graphic novel de mais de 90 páginas, escrita por dois roteiristas de cinema. O mesmo trio foi o responsável pela graphic novel The Black Forest. Aqui eles misturam faroeste e horror, com um resultado bastante simpático. Um estranho misterioso chega a uma cidade do Texas, em 1870, para se candidatar a uma vaga de professor. Mortes misteriosas acontecem e ele, claro, é acusado pelos habitantes do lugarejo. Mas na verdade a matança é obra de um horrendo vampiro ancestral que mora nas cavernas próximas à cidade. A mescla de gêneros funciona de forma bastante coesa. A forma da narrativa também ajuda: a história original, em 1870, é alternada com cenas passadas em 1932, quando um dos sobreviventes do massacre causado pelos vampiros, já idoso, assiste a uma adaptação para o cinema de toda a história. É curioso comparar as diferenças entre as duas narrativas, a real e a do filme. A versão para o cinema, claro, é extremamente mais asséptica e careta, com personagens idealizados e inofensivos, o que funciona como um comentário social à parte. Uma boa graphic novel, ágil e com bons desenhos. Pode agradar tanto a fãs de faroeste como de horror.
Muito Legal (8 / 10)

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DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

Primeiro número desta minissérie de zumbis escrita pelo cineasta George Romero, autor de A Noite dos Mortos Vivos. Em sua estréia nos quadrinhos, Romero decepciona um pouco. Não que a história seja ruim, mas este primeiro número soa como como uma coleção de cenas requentadas e extraídas de filmes como Madrugada dos Mortos e Extermínio. Vou aguardar o desenrolar da história, mas por enquanto Romero não consegue trazer nada de novo: uma mulher tenta sobreviver em meio a uma cidade tomada por zumbis, em busca do seu ex-namorado (ao que parece). Os desenhos de Tommy Castillo são bons, cumprindo o seu papel – apesar de perderem fôlego frente à ótima capa criada por Bernie Wrightson. Mas o roteiro de Romero, morno e sem graça, faz com que tudo soe como um quadrinho oitentista da Dark Horse ou uma história daquelas antologias publicadas pela Marvel, como Bizarre Adventures. Esperava mais desta revista. Vou ficar até o final, já que não chega a ser ruim, para ver se as coisas esquentam e tomam caminhos mais originais.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)