Kowalski / In Vanishing Point

Grandma doesn’t live in Wuppertal

Em 2017, num mundo pós-Ray Kurzweill, pós-Deep Learning, pós-acidificação dos oceanos, pós-Tesla e pós-Trump, não tem como Ghost in the Shell deixar dúvidas sobre sua aposta no pró-humano. O cyberpunk oitentista original já era cheio de críticas e ambiguidades em relação às ciborguices e sinergias homem-máquina-IA de forma geral, aliás. O fascínio puramente estético com a infotech, como o dos futuristas pela velocidade, é que mantinha essa crítica mais nos bastidores. Mas uma releitura de Rudy Rucker, John Shirley, Richard Kadrey e Bruce Sterling pode mostrar bem isso, o quanto eles eram cínicos e descrentes quanto a vários daqueles conceitos. Não atire no mensageiro, mas também não copule com a mensagem.

Grandma doesn’t live in Wuppertal, a frase, é de Alice in the Cities, que vi anteontem pela primeira vez. Filme lento, belo, como todo bom road movie que se preza. E Wenders, como Antonioni, Jarmusch e Michael Mann, é um dos maiores mestres dos road movies. Veja no Filmstruck, que é o site que coloca uma cinemateca ou cineclube no seu quarto.

17759984 10154516107306446 1655783526481408023 n

Fantasma na Concha

Acabei de ver Ghost in the Shell, graças ao convite do meu amigo Rafael Luppi Monteiro e do pessoal do Nível Épico. Para minha feliz surpresa não tem ritmo de blockbuster. É lentão, cheio de climões, muito bonito visualmente e com uma trilha sonora sensacional (do Clint Mansell). Vou até rever. Excelente uso do 3D, aliás. Vale a pena ver em 3D. Gostei muito da estética mezzo Blade Runner (de onde o anime original tirou toda sua influência cyberpunk, aliás) e mezzo futuro distópico colorido, asséptico e pós-verdade. E o melhor de tudo: assim como os melhores romances cyber, o filme é anti-ciborgies e AI e totalmente pró-humano. Não apenas no subtexto, mas no texto mesmo. Recomendo.
Scarlett Johansson é uma das melhores atrizes do cinema de FC recente, aliás: este GitS, Lucy e o maravilhoso Under the Skin.

20170126_220955