Wyrd

A passagem do tempo nas histórias de ficção é algo que sempre me fascinou. Adoro observar filigranas cronológicas ficcionais, desde que ofereçam algum indício de mudança temporal ou de personalidade dos personagens. Daí meu interesse por modelos de narrativa de ficção onde o tempo, do alto de sua semelhança saturnina, oferece alterações no mundo ou em seus habitantes, como no universo Marvel, Terra Média, bons adventure games e romances policiais. 

A imortalidade talvez seja um dos artifícios mais óbvios para explorar a passagem do tempo sob o ponto de vista ficcional – e graças à própria obviedade se presta a excelentes resultados. É com a intenção de explorar mudanças de personalidade no protagonista e metamorfoses sociais, estéticas e históricas no mundo que o cerca que comecei a série Wyrd, pelo site Hyperfan. A história principal acompanha a trajetória de Owain Wyrd, aldeão da (mítica?) cidadela de Camelot, que após o derradeiro ataque de Morgana Le Fay se vê atormentado pelo que parece ser a imortalidade – ou não.

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Mesmo que você abomine os mitos de Camelot (compreendo muito bem), vá lá dar uma lida. O ciclo arturiano serve apenas como pano de fundo para a primeira história e, nos capítulos que se seguirão, Wyrd travará contato com figuras como Solomon Kane, Kurt Vonnegut, Saladino, Hercule Poirot, Oscar Wilde, Jesse James e os dadaístas. A série será bimestral e cada capítulo se passará em algum momento entre o século 6 d.C. e o futuro próximo, em uma colcha de cut-ups não cronológicos onde cada pedaço fará referência a um gênero literário distinto. Assim, a série é fantasia, FC, guerra, western, horror, mistério, realismo mágico e, se me for permitido, “literatura”. Seguindo a linha atual do Hypervoid e de meus contos recentes (como O Círculo de Ossos), Wyrd sairá em versão bilíngue, em português e em inglês. Agradeço qualquer feedback ou comentários e também ao site Hyperfan pela edição da série. 

O Círculo de Ossos

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O Círculo de Ossos, conto que está no ar no site Hyperfan, é um projeto antigo e que demorou a tomar forma por vários motivos. Originalmente deveria ter sido uma série em capítulos, motivada pela recepção positiva a uma outra série, a policial 145 Gramas. Com a intenção de gerar algo serializado em mente, terminei por imaginar diversos aspectos de um universo ficcional de fantasia, que ao mesmo tempo abarcasse a familiaridade de um Tolkien mas também elementos mais estranhos ou, na falta de um melhor termo, weird. 

A idéia é que O Círculo de Ossos seja apenas o primeiro conto ambientado neste universo fantástico. Tenho alguns planos para essa realidade repleta de maravilhas e coisas estranhas e pretendo escrever mais contos ou romances com este pano de fundo. Neste conto inicial eu apresento apenas alguns dos vários aspectos desta realidade (e nem todos estão ligados à alta fantasia, por exemplo). Se você gosta de fantasia e de figuras como Tolkien e Lord Dunsany, mas com toques experimentais, talvez se interesse em dar uma lida.

Mantendo o aspecto bilíngue que estou implementando no Hypervoid, O Círculo de Ossos também foi publicado pelo Hyperfan em uma versão traduzida por mim para o inglês, The Circle of Bones. Vamos lá, nem tudo pode ser dito em 140 caracteres. É impossível fazer um mapa imaginário sem quebrar alguns ossos.

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Foto de lalalovey ( http://lalalovey.carbonmade.com )

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Um mundo com características inesperadas. Uma sequência de mortes que podem – ou não – ser ataques a toda uma raça. Um investigador que, para ser capaz de buscar a solução, deve antes ser buscado. Que eventos misteriosos poderiam transformar maravilhas em círculos e seres em ossos? Leia o conto de fantasia no Hyperfan.

Foto: lalalovey (http://lalalovey.carbonmade.com)