"of the poison creosote"

Ontem andando do trabalho para casa consegui amarrar duas linhas soltas da cena final do Tarô, que me incomodavam há anos. Andar sempre faz meu cérebro ter ideias, como se o inconsciente fosse movido a corda. Fiquei feliz com as ideias e por pouco esqueci de anotar assim que cheguei em casa. Felizmente lembrei e já estão nas notas do romance. Estou pensando em passar a usar algum aplicativo de gravação de voz do iPhone para anotar essas ideias enquanto ando. O problema depois vai ser lembrar que elas estão ali, em áudio, e não em um .txt ou alguma parte do Scrivener. O iOS já deveria ter um sistema de arquivos mais aberto e compreensível a essa altura.

Achei que o iCloud Drive fosse resolver isso, mas é apenas mais um serviço da Apple que deixa a desejar, como o iTunes Match, Apple Music, iCloud Mail e tantos outros. Se todos funcionassem azeitados como o Messages e o FaceTime seria ótimo. Mas a Apple sempre foi deficitária nos serviços online, que parecem apenas um hobby para eles, e além disso vem deixando cada vez mais bugs infestarem seus sistemas operacionais. Já vi usuários antigos de OSX gritarem que parece Windows mais de uma vez este mês, o que mostra o quão baixo o Yosemite chegou. Abre o olho, Apple.

Mas, enfim: feliz por ter amarrado de forma satisfatória dois ou três subplots do Tarô que eu ainda achava meio frouxos. Adoro caminhar, se morasse em um local mais verde eu certamente teria mais ideias andando e passeando. Vamos chegar lá.

Ouvindo: a trilha sonora da primeira temporada de True Detective.

Lendo: os vários novos sites que adicionei ao Feedly, em minha peregrinação para fora do Facebook (que site deprê).

yosemitetrail
Vista de uma catarata a partir da Mist Trail, no Yosemite real. Foto © David Fulmer, licensed Creative Commons Attribution.

"She will love you like a fly will never love you"

Voltando a tentar escrever diariamente neste blog e também voltando a tentar tratá-lo como um blog pessoal, um diário, levando em conta o termo ‘log’ (olá, Log lady, long time no see). Não sei se ainda existem leitores de blog, mas sou uma criatura dos primórdios da Internet e gosto do formato blog – o que é irônico, levando em conta que lá pelos idos de 2002, quando criei este blog e ele ainda era chamado Hypervoid, um dos primeiros posts foi justamente explicando como eu desprezava o formato blog e estava apenas vendo a temperatura da água. Pelo jeito a água estava morna.

Cada coisa em seu lugar. Neste blog ficarão coisas desse tipo: blábláblá em primeira pessoa, comentários rápidos sobre coisas que vi/li/ouvi/visitei/etc e sobre a quantas andam minhas tentativas de escrever/editar/traduzir/publicar/revisar/sequenciar samples e beats de forma (in)coerente. Minhas fotos continuarão no Flickr e provavelmente estarão também em algum Tumblr a ser criado. Já artigos maiores onde mandarei caôs sobre temas que me interessam (se quiserem podem chamar de ensaio, crônica ou coisa pretensiosa do tipo) estarão em um blog no Medium ainda a ser criado. Os micro-contos publicados aqui neste blog também serão automaticamente publicados em seu próprio Tumblr.

Por quê Tumblr para as fotos e os micro-contos? Porque Tumblr tem leitores, blogs não mais. Por quê Medium para os artigos maiores? Idem ibidem, Medium tem leitores. Medium e Tumblr são excelentes em catapultar seu conteúdo para o campo de visão de outras pessoas. Por quê então manter o blog pessoal “de escritô/tradutô/sequenciadô de batidinhas” no seu blog mesmo, se blogs não têm mais leitores? Porque não sou famoso e se alguém por algum acaso quiser saber sobre o que estou fazendo virá aqui no meu site pessoal, de qualquer forma. Cada um com seu cada um. Blog pessoal é mais exercício de escrita e flexão de músculos do que qualquer outra coisa. Claro, tentarei colocar coisas interessantes nele, mas a verdade é que é um exercício pessoal.

Ah, sim, o antigo Hypervoid tentava dar notícias, resquícios de uma mente moldada (deturpada?) por 15 anos de trabalho em jornalismo diário e revistas mensais. Essas eu tenho colocado no Twitter e no Facebook mesmo: se prestam pra isso. Fáceis de publicar, fáceis de ler, fáceis de sumir nas areias da timeline. Talvez eu faça uma newsletter mensal, mezzo-pessoal como este blog e mezzo-notícias sobre coisas que chamam a minha atenção neste mundão antropoceno que nos rodeia. Só este mês umas cinco pessoas vieram me dizer que sou “a pessoa que posta as coisas mais legais no Facebook” entre os amigos delas.

Espero que isso conte favoravelmente em relação ao que eu posto e não apenas desfavoravelmente em relação aos tais amigos delas.

Talvez valha a pena uma newsletter. Adoro o formato.

Enfim.

Tarô está há dois meses com a editora XXXXX, mas parece que as coisas estão meio paradas por lá. Um amigo meu está dando uma lida nele também, vamos ver o que acontece. Estes personagens estão berrando na minha cabeça, querendo o repouso do papel. Amo estes personagens.

Traduzindo agora What She Left, thriller epistolar para a Bertrand. Escrita best-seller, mas com um nível OK. Lembra The Killing ou uma Laura Palmer light às vezes.

Também traduzindo XXXXX, outro Star Wars para a Aleph (meu quarto SW para eles). Não sei se posso divulgar o nome do livro, daí os Xs.

Ouvindo: Heligoland, Massive Attack

Lendo: Heavy Metal #275, a última edição antes da chegada de Grant Morrison como EIC. Edição especial com quadrinistas mexicanos. Bem fraquinha, clichês de cyberpunk que já eram datados nos anos 00, talvez 90. Traço meio Image em alguns momentos. Image velha. Hm. Vamos lá, Grant, sacuda essa porra.

Vendo: True Detective – que temporada sensacional essa segunda.