YOKO ONO – KISS, KISS, KISS

mrslennon

Ainda não havia postado aqui, mas saiu no final de maio a coletânea Mrs. Lennon, uma homenagem à artista plástica e cantora Yoko Ono. O CD sai pela gravadora Discobertas e reúne 16 covers e reinvenções de canções de Yoko. Participo deste álbum na faixa Kiss, Kiss, Kiss, de Voz Del Fuego, que é o projeto eletrônico da carioca Leandra Lambert. O Voz Del Fuego existe há alguns anos e é um dos principais nomes da cena eletrônica underground aqui do Rio. Leandra compunha nos anos 90 o Inhumanoids! e faz incursões pelo território da sound art, artes visuais e cinema (além de ser minha namorada, rs). Com ela eu já havia criado projetos como As Três Torres e ADA > JPG e esta foi minha primeira colaboração com o Voz Del Fuego. Fiz a programação de baterias e samples, além de parte da produção. Lelê fez todo o resto: canta, toca teclado, criou sons e baixos nos sintetizadores e parte da produção.

Gostei do resultado final: ficou mais underground e propositalmente mais low-tech (apesar de ser eletrônico) do que as demais faixas do álbum. Enfim, Kiss, Kiss, Kiss, que talvez seja uma das canções mais pop de Yoko, ganhou um belo vestidinho com retalhos de electro-punk e glitch. Agradeço aqui a Lelê pelo convite para participar da faixa e também a todo mundo que possibilitou o lançamento desse disco.

A crítica mais alternativa parece ter gostado. A G Online deu uma geral do CD, que também virou capa do Segundo Caderno do jornal O Globo, com resenha favorável. Leandra também encontrou estas críticas simpáticas:

“Prima por privilegiar as canções, dando à dupla paulistana Tetine e à carioca Leandra Lambert (frontwoman do grupo eletrônico Voz Del Fuego) as chances de protagonizar os momentos mais experimentais do disco – com, respectivamente, Why?, gritalhona faixa de abertura de Yoko Ono/Plastic Ono Band, estreia da japonesa, em 1970, e Kiss kiss kiss.” (crítica completa aqui)

“Leandra Lambert, da dupla Voz Del Fuego, soa cult em Kiss kiss kiss.” (crítica aqui)

 

O mais legal é que Yoko, já septuagenária e mais jovem e maluca que 90% dos teens atuais, ouviu o álbum e adorou. Quem escutar o disco, que já está nas lojas de CDs “reais” e online, vai se surpreender com excelentes faixas, como a ótima versão do grupo carioca Pelv’s para Move On Fast, com um acachapante vocal da veterana Marília Barbosa. O disco também conta com os projetos eletrônicos mineiros Digitaria e Tetine, entre vários outros. Veja a lista completa:

01 – Mrs. Lennon – Cida Moreira

02 – Who Has Seen The Wind? – Hevelyn Costa

03 – Listen, The Snow Is Falling – Ampslina

04 – Death of Samantha – Digitaria

05 – Why – Tetine

06 – Midsummer New York – Fuzzcas

07 – Sisters O Sisters – Doidivinas

08 – Move On Fast – Marília Barbosa & Pelv’s

09 – Yangyang – Silvia Machete

10 – Kiss Kiss Kiss – Voz Del Fuego

11 – Yes, I’m Your Angel – Mathilda Kovak

12 – Don’t Be Scared – Isabella Taviani

13 – I’m Moving On – Luen

14 – Walking On Thin Ice – Katia B

15 – It Happened – Angela Ro Ro

16 – Goodbye Sadness – Zélia Duncan

 

É possível comprar o CD facilmente na Saraiva ou na Livraria Cultura.


Ada Lovelace Day: Ada JPG vira Ada WAV

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Ada Lovelace foi a precursora de tantas coisas que é inusitado que ela não tenha mais datas dedicadas a ela. Primeira programadora da história, Ada burlou os traumas herdados por não ter conhecido o pai – o poeta Lord Byron – movendo seus pensamentos do hemisfério direito para o esquerdo. Ao invés da poesia do pai, transitou pela matemática e pelo mundo lógico que permeavam a vida de sua mãe. Mas métrica e números andam sempre juntos e não tardou para que a poesia alcançasse Ada, ainda que por vias mecânicas. Lovelace foi a primeira pessoa a postular que computadores (na época chamados apenas de “máquinas analíticas”) seriam capazes de ajudar na criação de música, arte e artefatos estéticos.

 

A existência dessa genial e única pioneira é comemorada no dia 24 de março, o Ada Lovelace Day. Nesse dia, a relação entre mulheres e tecnologia é comemorada em blogs, sites e locais físicos onde esta confluência tecno-feminina acontece. Para participar dessa comemoração, eu e minha namorada, Leandra Lambert (do projeto de música eletrônica Voz Del Fuego) criamos três peças de arte sonora em homenagem a Ada Lovelace. As peças são a transformação de imagens em sons.

 

Para isso, coletamos diversas imagens relacionadas ao universo de Ada, como retratos seus, fotos da máquina analítica de Charles Babbage, cartas, algoritmos, trechos da linguagem de programação ADA, quadros de sua mãe e diversos outros elementos pictóricos. Estas imagens foram então convertidas em sons, usando um software específico para isso. A partir daí, criamos peças sonoras usando única e exclusivamente os fragmentos de áudio obtidos com a conversão da Ada imagética para a Ada auditiva. Estes fragmentos foram organizados e sequenciados em outro programa.

 

Linhas sonoras, ambientações drone e até mesmo peças rítmicas foram criadas com os arquivos de áudio resultantes das imagens coletadas. Os três trabalhos se chamam Droning By Numbers, Lovelace e Analytical Engine e podem ser escutados no site Blanktape, ligado ao grupo BR.Ada, que fez a curadoria da mostra virtual. É só clicar aqui e ir direto para a página. Ou clicar aqui e ir conferindo todos os trabalhos participantes (se ficar confuso, é só clicar no símbolo “+” no fim do texto e, na página seguinte, clicar na seta de navegação que está ao lado da palavra “Intro”, no topo da página). Ada Lovelace merece sua visita. Sem ela, você não teria essa Internet aí na sua frente.