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A falta de assunto dos cadernos de informática do Rio e São Paulo tem gerado as pautas mais estapafúrdias. Inventou-se até um termo, “guglar” (neologismo que teria vindo do hábito de usar o mecanismo de busca Google), que eu NUNCA ouvi NINGUÉM usar. E o Google parece estar mesmo em alta: foi capa do caderno Informática ETC. Bom, vou mostrar o que realmente deveria ter sido capa. Saiba, em nove tópicos, porque o Google é o novo Grande Irmão:
1) O Google tem um cookie imortal:
O Google foi o primeiro search engine a utilizar um cookie que expira somente em 2038. E isso aconteceu em uma época em que sites governamentais (nos EUA) foram proibidos de usar quaisquer cookies. Agora, anos depois, os cookies highlander são lugar comum nos mecanismos de busca. O Google deu o exemplo e ninguém se importou em contestar a parada. O tal cookie associa um número identificador único ao disco rígido de cada usuário. Quando você visita o Google pela primeira vez, ganha de brinde esse cookie. E sempre que retorna à página é reconhecido por esse número. Como dizia o personagem de O Prisioneiro, “eu não sou um número”.
2) O Google grava tudo o que ele pode:
Para cada busca, ele grava o número do “seu” cookie, seu endereço IP, a hora e a data, os termos usados em sua busca e a configuração do seu browser. Com isso, o Google tem customizado os resultados tendo como base o seu número IP. No jargão dos moguls da Internet, isso se chama “delivery IP baseada na geolocalização”.
3) O Google retém todos os dados indefinidamente:
O site não tem nenhuma política referente aos dados. Há evidências de que são facilmente capazes acessar todas as informações coletadas e salvas a respeito do usuário.
4) O Google não diz porque precisa desses dados:
Perguntas sobre a sua política em relação à privacidade são ignoradas. Quando o New York Times (28/11/2002) perguntou a Sergey Brin (o mogoolgle em pessoa) se o Google já havia sido pago para fornecer estes dados, ele preferiu não comentar.
5) O Google contrata pessoas sinistras:
Matt Cuks, um dos principais engenheiros do site, trabalhava antes para a NSA (Agência de Segurança Nacional). Consta que o Google quer contratar cada vez mais pessoas com imunidade e credenciais de segurança, para que possa ter mais trânsito e garantias em Washington.
6) A toolbar do Google é um spyware:
Com as “advanced features” habilitadas, a toolbar gratuita do Google (instalada no Internet Explorer) envia para o site dados sobre todas as páginas que você visita (e, claro, também lê o cookie Jason, enviando para o site todos os termos digitados na barra do Explorer). Uma seção do site confessa isso, mas somente porque o Alexa perdeu um processo movido contra ele (sua toolbar agia da mesma forma, mas o site não explicitava isso). Pior ainda: a toolbar faz seus upgrades automaticamente e sem avisar o usuário. Isso significa que, se você tem a barra instalada no browser, o Google tem acesso ao seu hard disk. A maioria das empresas de software – até mesmo a Microsoft – pergunta se você quer atualizar a versão de algum programa. Mas não o Google.
7) O cache do Google é ilegal:
A julgar pelas principais leis de copyright, o cache/cópia do Google é ilegal. A única forma de um webmaster escapar de ser listado nesse cache é colocando uma metatag de “noarchive” no cabeçalho de cada página do site. Quem busca sites no Google gosta do cache, mas os webmasters não. Vários webmasters já tiveram seus sites apagados – ou os tiraram do ar – somente para descobrir depois que as mesmas páginas ainda viviam, felizes para sempre, no cache do Google. Além do cookie imortal, o Google inventou também a Internet Highlander: tudo fica lá. O problema é que a cópia de material feita pelo cache deveria ser opcional.
8) O Google não é seu amigo:
Moleques e bloggers ainda acham que o Google “rulez” ou é muito “cool”. Com isso, o Google conta agora com uma percentagem de 75 % na preferência dos mecanismos de busca. A maior parte dos webmasters quer ser listado no Google, pois isso é uma garantia de visitas. Mas se um deles tenta utilizar a seu favor os algoritmos semi-arcanos e secretos do Google, será penalizado e seu site desaparecerá da listagem. Não há casos públicos de processos contra o Google, nem nenhum vestígio de apelo por parte dos sites “castigados”. O Google é inatacável. Na maior parte das vezes, eles sequer respondem e-mails dos webmasters.
9) O Google é uma bomba-relógio corporativa:
Com 150 milhões de buscas por dia, a maior parte de fora dos EUA, o Google é um desastre esperando acontecer. A CIA e a KGB nunca sonharam com tanta informação guardada de forma tão impune. A “eficiência” do Google faz dele o principal candidato a Grande Irmão corporativo do ano.
Deposite o seu voto aqui. E saiba o que acontece quando você vai “guglar” feliz.
As nove “acusações” foram listadas e escritas originalmente por Daniel Brandt, o cara que mantém o site Google-Watch. Brandt afirma que, ao contrário do que as pessoas acreditam, os resultados de buscas do Google não são bons. “O algoritmo PageRank, celebrado pelo Google, supostamente garantiriia que os resultados de buscas fossem democráticos. Mas são tirânicos. Google é o oposto da ação afirmativa”, disse o conspiracy nut, que afirma que o sistema discrimina novos sites em favor de outros já estabelecidos.

Ladroagem

Quando ouvi o “hit” dos Tribalistas, Já Sei Namorar, uma estranha sensação de dèja-vu tomou conta. “Putz, estão mexendo na matriz”, pensei. Hoje, rodando a Internet, descubri o porquê: os caras plagiaram a clássica Family Affair, de Sly & The Family Stone. Os sujeitos que têm os direitos das músicas de Sly Stone aqui no Brasil já estão processando o trio tribal. Como Carlinhos Brown (o percussionista que se acha genial), Arnaldo Antunes (o sub-concretista que se acha genial) e Marisa Monte (a hippie que se acha genial) tiveram a cara de pau de plagiar o – ele, sim – GENIAL Sly Stone é algo que eu realmente não entendo. Não tem nenhum crédito ou referência no encarte do CD. Não é uma regravação, uma homenagem ou um sample. É plágio, caceta. Pau nesses caras. Vão tribalizar em outro lugar.

O magnífico Sly Stone e seu cabelinho tchap-tchura:
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Processo Judicial

Seis membros do Congresso americano, integrantes das Forças Armadas e parentes de recrutas entraram com um processo judicial em instância federal, na quinta-feira, para tentar impedir o presidente George W. Bush de lançar uma invasão ao Iraque sem uma declaração de guerra explícita do Congresso. O republicano John Conyers, de Michigan, disse que a resolução do Congresso de outubro de 2002 que permite uma ação militar contra o Iraque não declara especificamente uma guerra e, inconstitucionalmente, transfere essa decisão para o Presidente. Conyers citou uma passagem da Constituição norte-americana, que diz “Ao Congresso cabe o direito (***) de declarar guerra”.
“Entendeu? Só ao Congresso”, disse Conyers durante uma conferência em Washington.

Amp

Caralho, como os blogs “feministas” são ruins e tolos. Incrível como justamente as mulheres mais “mulherzinhas” e dependentes de homens são as que outorgam para elas mesmas o rótulo de modernas e feministas.
Muita ingenuidade. Pouco auto-conhecimento. Muita infelicidade. Rancor pingando pelas páginas.
Vão ler Locas para aprender o que é ser moderna, independente e feminista.
Visitem o Amp e aprendam com a Miss Amp como escrever de forma inteligente, interessante e a desenvolver opiniões próprias.
Deixem de ser clichês, coitadas e solitárias. Mostrem que a felicidade de vocês não depende de quem vocês comeram. Criem. Divirtam-se.

Mis lindas Locas:
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Sunday, February 16, 2003 at 11:32 AM

Como alguém consegue trabalhar de 9 às 20, todo dia, durante semanas, meses, anos, décadas? Encontrando as mesmas pessoas, tomando café e Coca-Coca Light em cima da máquina de xerox, rindo para o chefe quando na verdade gostaria de estar, sei lá, pescando? E as pessoas que trabalham nos feriados, Natal, reveillon, Carnaval? Eu sei como é. Been there, done that. Mas que é estúpido e inglório, é.
E sem motivo: a jornada de trabalho diária é um resquício do início da Revolução Industrial, quando as pessoas eram necessárias para “fazer a sociedade progredir” criando novos modelos para a Ford, máquinas de refrigerante e calculadoras. Mas, hoje, praticamente 99 % dos trabalhos e profissões não possuem a menor necessidade de acontecer em uma base diária. Quem precisa de jornais diários? De carros sendo montados diariamente? Coloquem máquinas fazendo os serviços mais estúpidos, como receber dinheiro atrás de uma roleta em um ônibus e realoquem estas pessoas para outras áreas (entregar cartas, por exemplo) que têm necessidade de ser diárias e ainda não podem ser feitas por um bom robô. Com isso, poderiam ser criadas turmas diferentes de trabalho. Por exemplo, você trabalharia às segundas e terças e outro sujeito às quartas e quintas (as sextas seriam incluídas no nosso lindo e helênico fim de semana). Tenho certeza que o mundo não iria piorar e nada realmente imprescindível e essencial faltaria. O desemprego iria diminuir e as pessoas teriam tempo ocioso. Não há nada pior do que o termo “tempo livre”. O tempo É livre, você faz com ele o que quiser. A ociosidade é um direito humano universal (ou deveria ser).
Não fazer nada, coçar o saco, olhar para o teto, ir à praia, fazer porra nenhuma, ouvir música, ir ao cinema, trepar, sair para dançar, são sinais muito mais claros da existência de uma civilização refinada e inteligente do que a presença diária de um monte de imbecis inúteis e sorridentes atrás de suas mesas. Só precisa trabalhar todo dia quem não tem nada melhor para fazer.
Sem falar que nossa civilização e as melhores descobertas (como o Atari, o ecstasy, o veleiro, o livro e o sampler) só aconteceram porque tinha alguém com tempo livre para pensar nelas, sem a obrigação de preencher formulários, carimbar papéis, escrever matérias inúteis e tendenciosas que ninguém lê. Por que o metrô precisa de um sujeito guiando a maldita máquina? Coloquem outra máquina ali, elas fazem isso melhor do que nós, humanos. E assim o coitado poderia ser pago para ficar em casa e, sei lá, montar um grupo de pagode ou criar um blog “feminista”. Coloquem máquinas no lugar de gente que não é imprescindível e paguem-nas para ficar em casa coçando.
Chega dessa merda protestante de que o trabalho dignifica o homem. Dignifica porra nenhuma: emburrece, embrutece, alcooliza, cafeiniza, enerva, estressa e escraviza. Andem pelo Centro da sua cidade e olhem em volta: o quanto daqueles prédios enormes, aquelas salas, janelas que parecem os olhos de um cego e carros são realmente necessários? Uma diminuta percentagem. Ficando em casa, as pessoas pararão de criar essa quantidade inútil de plástico, vidro e metal que atulha as ruas. Terão que finalmente se entender com seus pais, cônjuges, ler algo, pensar, enfim, fazer alguma merda. Terão que finalmente começar a viver. E perceber algumas coisas tão óbvias…
Comece desde já. Exija o seu direito de não fazer porra nenhuma. Exija ser substituído por uma máquina. Coloque um computador ou robô no seu lugar. E finalmente comece a FAZER alguma merda. Mas a merda que você quer, não a que lhe obrigam a criar.

Coisas da Semana

Quadrinhos da semana: Batman – Black & White, história curta de Neil Gaiman e Simon Bisley.
Filme da semana: Spider, de David Cronenberg.
Livro da semana: O Melhor de Oscar Wilde; Ed. Garamond.
Música da semana: Show Me Your Pussy, dos Lords of Acid.
Site da semana: Disinfo.
CD da semana: Come Clean, do Curve.
Game da semana: Zeus – Mestre do Olimpo, da Sierra.
Acontecimento da semana: A contagem regressiva para o Def Con One.

Toni Halliday, vocalista do Curve:
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Hellraiser

Hellraiser
Os demônios mais charmosos de todos os tempos voltam a ser publicados em março, após mais de uma década de peregrinação pelos limbos infernais. Os cenobitas, criações do escritor britânico Clive Barker (que também dirigiu um filme com eles) chegarão às livrarias através da edição especial Hellraiser, uma compilação que reunirá vários quadrinhos criados no final dos anos 80/início dos 90 para a editora americana Epic Comics. Entre os autores estão Neil Gaiman (Sandman), Dave McKean (capista de Sandman), Mike Mignola (Hellboy), Marc Hempel (Gregory), Alex Ross (Marvels) e vários outros. O formato será o chamado TPB, um livro com lombada quadrada. Vai ser bom rever Pinhead e os outros lordes da dor/prazer. O lançamento é da Brainstore.

Capa da edição especial Hellraiser:
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Tuesday, February 11, 2003 at 12:09 PM

Adoro essas fotos:
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(Copiado do blog do Warren Ellis; não resisti).

Hiketeia

Um ótimo quadrinho que pode ser encontrado nas bancas esse mês é uma edição especial da Mulher-Maravilha, chamado Hiketeia. A edição especial com 100 páginas (a R$ 7,50) mostra uma mulher que pede a ajuda da Mulher-Maravilha usando o conceito que os antigos gregos chamavam de Hiketeia: ajuda e proteção incondicional por parte de um deus ou semi-deus do panteão olímpico. Só que a mesma mulher também é perseguida pelo Batman, que quer que ela pague por crimes que teria cometido. A confusão está formada: a obrigação moral e divina da amazona contra a obsessão soturna do vigilante de Gotham. A revista foi escrita por um dos melhores argumentistas (se não o melhor) que surgiram nos quadrinhos nos anos 90: Greg Rucka. Autor de algumas histórias de Batman e da sensacional série de espionagem Queen & Country, Rucka é oriundo do universo dos romances policiais (já escreveu diversas novelas do gênero e é bem respeitado pela crítica). Os desenhos são do espetacular J. G. Jones, o mesmo que desenhou Marvel Boy, de Grant Morrison (acreditem, a Mulher-Maravilha nunca foi tão bem desenhada). E a capa, que é simplesmente estrondosa, é do Alex Ross, o mesmo que pintou a série Marvels. Dêem uma olhada e me digam se essa capa não dá uma sensação de felicidade:

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Paz Mundial

O site da revista Time está realizando uma pesquisa sobre nossa atual situação geopolítica. A pergunta é “qual é a maior ameaça à paz mundial atualmente?” e as opções são Iraque, Coréia do Norte e Estados Unidos. O mega-Texas de George W. “meus olhos são mais brilhantes que os de Charles Manson” Bush está na frente por mais de 84%. Quem quiser votar e escolher qual das três simpáticas nações é a mais perigosa e ameaçadora, pode dar um pulo no site da Time.